28/10/2003 3/7

Envie para um amigo  Imprima esta página  Procure no arquivo

REFÚGIOS DIGITAIS
Nichos literários na internet

Deonísio da Silva

Uma pena ser tão curta a matéria de Época (nº 284, 27/10/03) sobre os livros eletrônicos. Se saíram de moda, mas conquistam cada vez mais os autores, como afirma o texto de Lina Cavalcante, então precisamos aprofundar o tema.

A reportagem não toca no caso dos dicionários e livros de referência, cujo sucesso é muito grande. Com dicionários eletrônicos à disposição a um simples toque no teclado do computador, não foi para as cucuias o costume de molhar o dedo na boca para virar a página. Os caminhos do livro são complementares.

A jornalista destacou com muita pertinência o caso mais emblemático: o refúgio, na rede, de autores ainda censurados. É uma censura complexa e sutil, mas não deixa de ser censura. Janer Cristaldo, que já travou célebres polêmicas (uma das quais com Manuela Carneiro da Cunha, antropóloga e professora da USP), faz declaração preocupante: "O que abordo não é ‘politicamente correto’ e, por isso, não encontro editor". (O livro Ianoblefe, em que Cristaldo denuncia que o propalado massacre dos índios ianomâmis jamais ocorreu, apesar de ter obtido repercussão internacional, é um dos títulos disponíveis nesses nichos).

Janer Cristaldo, gaúcho de Santana do Livramento, tem 12 livros eletrônicos disponíveis na rede. O romancista, além de tradutor experimentado – entre outros, traduziu Ernesto Sabato e mantém tradução inédita, do sueco, de um curioso romance de um Prêmio Nobel de Física – é doutor em Letras pela Sorbonne Nouvelle (Paris III).

Aos 56 anos, um escritor de seu talento e com sua obra ficar confinado à internet, "cousa é que admira e consterna", como dizia Machado de Assis. Com a palavra, os editores. Que desencontro é este?

Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe