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BRASIL NA ECONOMIST
Daniel Piza
"A aparência da lei", copyright O Estado de S. Paulo, 2/02/03
"Em dossiê na penúltima edição, a revista The Economist, depois de comparar Brasil e EUA em vários quesitos, diz: ‘Eis o possível motivo por que o Brasil não se tornou rico como a América. O Banco Mundial calcula que dois terços da diferença nas desigualdades de renda entre os dois países - enorme no Brasil, menor na América - se deve às diferenças na educação.’ Ao lado, um gráfico com o desempenho dos estudantes brasileiros em matemática e leitura, inferior ao de russos, poloneses e mexicanos, para não falar dos orientais e americanos.
Os dados são inequívocos: ‘Dois terços dos trabalhadores brasileiros (incluindo o próprio presidente) nunca completaram a educação básica. (...) De acordo com o Banco Mundial, apenas 33% dos adolescentes brasileiros freqüentam escolas secundárias, comparado com 58% no México e 98% na Coréia do Sul - a qual, lembre-se, era pobre até uma geração atrás. A não ser que o ritmo de melhora seja acelerado, a profunda desigualdade brasileira vai permanecer, e a competitividade vai se deteriorar.’ Algo a acrescentar?
Bem, nesta semana os jornais trouxeram a história de Antonio Maniglia, um médico que se formou em Ribeirão Preto pela USP e agora, 41 anos depois, doou US$ 85 mil à universidade para a construção de um laboratório que vai pesquisar vírus como o da dengue. A notícia repercutiu, como devia. O detalhe é que Maniglia fez carreira nos EUA e lá segue até hoje. Ou seja, viu que esse tipo de doação é useiro e vezeiro na América e uma das razões de sua prosperidade, desde os ‘pais fundadores’ até Bill Gates.
A USP e outras universidades brasileiras estão estimulando essas doações, até porque o dinheiro está curto. Mas o mais importante é criar a cultura, e isto envolve tanto a melhora da gestão das universidades, que gastam dinheiro demais com burocracia, como o fim do preconceito contra parcerias com o setor privado, o que é muito mais do que pedir doações. Não subestime a força desse preconceito; está grudado como craca nos muros das faculdades.
Nascido de uma mistura de ingenuidade, apatia e ideologia, reage a qualquer sugestão de que fundações e empresas particulares financiem projetos, sobretudo os de utilidade ‘prática’. Corporativismo e escolasticismo, enfim, os males da academia são.
Eis o que falta acrescentar ao dossiê da Economist: como sempre, os brasileiros copiam de fora o que há de pior, como as cotas raciais. Esta política não deu certo nem nos EUA, onde a segregação sempre foi muito mais explícita; os que chegavam às universidades por esse critério eram rotulados e na maioria não conseguiam seguir o ritmo do ensino. Mas há muitos bons exemplos externos que devem, sim, ser seguidos, como a multiplicação de bolsas de pesquisa e programas comunitários - estas sim medidas afirmativas, pois fundamentam a continuidade dos carentes nas escolas.
Ou então corremos o risco de entrar logo no pior dos mundos: baixa qualidade de conteúdo e baixa qualidade de acesso.
O dogma e a adrenalina
Os acontecimentos violentos que na semana passada envolveram as duas mitologias centrais da cultura nacional, o Carnaval e o futebol, me fizeram lembrar do livro de Bill Buford, Entre os Vândalos (Companhia das Letras, 1992), um marco do jornalismo literário. Buford, editor da revista intelectual Granta, acompanhou hooligans durante quatro anos em jogos por toda a Europa. Ele queria entender a psicologia da multidão, para além da dicotomia entre os que a julgam irracional por natureza e os que a julgam racional por vocação.
Concluiu o seguinte: ‘A violência representa uma das experiências vividas com mais intensidade e, para aqueles capazes de se entregar a ela, um dos mais intensos prazeres.’ Buford confessa ter sido seduzido por isso:
‘Percebi, mais tarde, que estava como que drogado, num estado de euforia movido a adrenalina. E, pela primeira vez, sou capaz de compreender as palavras que descrevem essa vivência. Que a violência de massa era a sua droga.’
Essa ‘sensação de plenitude’ é o que explica que tantos jovens - homens, muito mais capazes de se entregar à violência do que as mulheres, quer sejam ricos quer sejam pobres - andem em bandos e se confrontem nos estádios de futebol e escolas de samba, onde a adrenalina deveria subir até o limite do entretenimento. A violência é como o crack ou a cachaça: serve para encher o vazio de suas vidas, mais que de seus estômagos. Na mentalidade atual, cada vez mais, ou ele será famoso e rico como seus ídolos (‘Já pensou, mano, ser como o Romário? Ir lá pras Arábias jogar três meses e ganhar um milhão de dólares?’) ou não será nada, mesmo que tenha emprego digno e respaldo afetivo.
O ludopédio
Por falar em futebol, e como gosto de entrar em clubes para onde não fui convidado, dou opinião nessa polêmica sobre quando se pode definir que um jogador é craque ou não. Fácil: há gente que tem muito potencial e pode se consagrar nos campos, como, no momento, Kaká, Robinho ou Diego, para ficar nos carimbados. Mas eles só serão craques para a história quando se provarem em várias temporadas, sendo decisivos em torneios importantes.
Espero que Robinho, por exemplo, não queira ser Denílson, um jogador muito talentoso que conquistou títulos como reserva (atuante) da seleção. Que não aposte apenas nos dribles que encantam arquibancadas e comentaristas brasileiros. Que desenvolva chute mais forte e preciso, que seja mais regular e ativo em todos os jogos, que enfim se mire em modelos como Figo. E que Kaká não queira ser Raí, mas Zico. E Diego queira ser Zidane, não Juninho.
De la musique
E, por falar em adrenalina, foi divertido ver Eminem perdendo a noite do Grammy para Norah Jones, a cantora de jazz, de 23 anos, que conseguiu tal consagração fazendo o que Diana Krall não faz: gravando composições atuais.
Eminem tem sido comparado a Elvis como músico branco que toma um gênero originalmente praticado entre negros (o rap), acrescenta uma pitada de melodia e outra de rebeldia, faz cinema e cai no paladar da classe média consumista. O que diz não é muito diferente do que o poeta Philip Larkin escreveu nos anos 60: ‘They fuck you up, your mom and dead/ They may not mean to, but they do’, com a diferença de que Eminem acha que os pais querem nos ferrar, sim.
O limite do cinema
Fiquei surpreso com Prenda-me se for Capaz. Esperava o típico estilo Disney-sem-canções de Spielberg. Mas, pela primeira vez, ele claramente faz ironias divertidas à ingenuidade e hipocrisia do ‘american way of life’, ao narrar a história do charlatão que convencia as pessoas dizendo a elas o que queriam ouvir; e abandona em parte o discurso família-unida-até-morrer, ao mostrar que o protagonista, se não tivesse prejulgado a mãe, iludido pelas inclinações afetivas tal como suas vítimas, poderia ter tido outra vida. O filme rola como uma bola: Spielberg é um contador de histórias nato, principalmente quando deixa pretensões futuristas de lado, e conta com atuações como a de Christopher Walken. Um gol simples, mas o da vitória.
Por que não me ufano
Uma página para Isay Weinfeld no New York Times, tratando-o como se deve: como o maior arquiteto brasileiro vivo depois de Niemeyer. Ironicamente, no perfil que fiz dele e consta de meu livro Caras, ele diz: ‘Gerações foram caladas pelo fato de que toda obra pública importante é entregue a um arquiteto só: Oscar Niemeyer.’ Quem sabe agora não se entregue uma a Isay Weinfeld?
Aforismos sem juízo
A ortodoxia paga à vista; a heterodoxia, a prazo."
COMISSÃO DE COMUNICAÇÃO
Tela Viva
"PT não prioriza Comissão de Comunicação e PFL cresce", copyright Tela Viva (www.telaviva.com.br), 27/02/03
"Por causa de um acordo com o PT e o PV, o PFL acabou ficando com a maior bancada da Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados. O PT abriu mão de quatro das nove vagas a que tinha direito, sendo três em benefício do PFL e uma para o PL. Se tivesse preenchido todas as vagas, o PT teria a maior bancada na comissão, que trata das questões de comunicação (televisão e telecomunicações), ciência e tecnologia. Por conta do arranjo, o PFL colocou 12 parlamentares na comissão, quando teria direito a oito vagas originalmente.
Para um dos deputados do PT que se mantiveram na comissão, o fato de o partido ter aberto mão de quatro vagas reflete a falta de importância que o setor de comunicações tem para o novo governo, que além de ter passado o Ministério das Comunicações para o PDT, preferiu diminuir a bancada da comissão para ter mais parlamentares em outras áreas.
Confira a nova composição da comissão:
* PT: Jorge Bittar (RJ), Luiz Couto (PB), Mariângela Duarte (SP), Vander Loubet (MS) e Walter Pinheiro (BA);
* PFL: Bispo João Batista (SP), Carlos Nader (RJ), Corauci Sobrinho (SP), Gilberto Kassab (SP), José Carlos Araújo (BA), José Mendonça Bezerra (PE), José Rocha (BA), Júlio Cesar (PI), Marcos Abraão (SP), Murilo Zauith (Ms), Paulo Marinho (MA) e Pedro Irujo (BA);
* PMDB: Adelor Vieira (SC), Gustavo Fruet (PR), Henrique Eduardo Alves (RN) e Vieira Reis (RJ);
* PSDB: Alexandre Santos (RJ), Ariosto Holanda (CE), Carlos Alberto Leréia (GO), Julio Semeghini (SP), Narcio Rodrigues (MG) e Nilson Pinto (PA);
* PPB: Nelson Meurer (PR), Sandes Júnior (GO) e Valdenor Guedes (AP);
* PTB: Iris Simões (PR), José Carlos Martinez (PR), Ricardo Izar (SP) e Silas Câmara (AM);
* PL: Bispo Wanderval (SP), Mário Assad Júnior (MG), Maurício Rabelo (TO), Pastor Jorge (DF) e Raimundo Santos (PA);
* PSB: Edson Ezequiel (RJ), Jefferson Campos (SP) e Luiza Erundina (SP);
* PPS: Geraldo Thadeu (MG) e Nelson Proença (RS);
* PDT: Bispo João Mendes de Jesus (RJ) e Dr. Hélio (SP);
* PC do B: Jamil Murad (SP). Da Redação - TELA VIVA News
Corauci é novo presidente da Comissão de Comunicação
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O PFL voltou atrás e desistiu de indicar o deputado Ronaldo Caiado (PFL/GO) para presidir a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados. O nome indicado foi o do deputado Corauci Sobrinho (PFL/SP), em seu terceiro mandato como deputado federal. A nova presidência da comissão foi eleita nesta quarta, dia 26, por 40 votos a favor, um nulo e um em branco. A primeira, a segunda e a terceira vice-presidências serão ocupadas, respectivamente, por Sandes Júnior (PPB/GO), Vieira Reis (PMDB/RJ) e Silas Câmara (PTB/AM).
O deputado Corauci Sobrinho espera que em sua gestão a questão do papel das agências reguladoras seja amplamente discutida. Além disso, o deputado espera dar continuidade ao debate sobre a indexação do reajuste das tarifas dos serviços públicos. ‘Sabemos que as agências reguladoras foram criadas para cumprir contratos, mas isso não impede que o Congresso entre na discussão sempre que algo puder ser feito para adequar o modelo do setor à realidade brasileira’, explicou Corauci Sobrinho.
Biografias
O presidente da Comissão de Comunicação, Corauci Sobrinho, é radiodifusor e foi membro da comissão durante sete anos. Corauci Sobrinho foi deputado estadual por São Paulo em 1991-1994 e 1987-1991 e Vereador por Ribeirão Preto em 1983-1987 e 1977-1982. A sua primeira eleição para deputado federal foi em 1995 e este é o seu terceiro mandato consecutivo. Corauci Sobrinho, entre outras coisas, é professor de administração da Unaerp e foi Secretário de Esporte e Turismo de São Paulo de 1991 a 1993.
O 1º vice-presidente, deputado Sandes Júnior é radialista e foi deputado estadual em 1991-1994 pelo PDT; em 1995-1998 pelo PFL; em 1999-2002 peloPMDB. Foi Vereador em 1989-1990 pelo PMDB. Este é seu primeiro mandato para deputado federal, já pelo PPB.
O deputado Vieira Reis, 2º vice-presidente, também é radialista e cumpre seu primeiro mandato como deputado federal. Vieira Reis trabalhou ainda como missionário no Peru e na Bolívia de 1996 a 1998.
Por fim, o deputado Silas Câmara, 3º vice-presidente, cumpre seu segundo mandato como deputado federal e já foi membro da Comissão de Comunicação em legislaturas passadas."
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