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CURIOSIDADE & INFORMAÇÃO
José Paulo Lanyi

"Falta de curiosidade nas redações", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 29/7/02

"Situação A:

O repórter coleta informações sobre um novo segmento da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F). Chega à emissora e deixa um relatório para uma nota coberta de televisão (off que será narrado pelo apresentador, com a devida cobertura das imagens).

O editor analisa o material e pergunta: ‘Me ajude a simplificar... Em uma linha: o que faz uma bolsa de futuros?’. O repórter diz que não sabe. ‘Você fez uma matéria na BM&F e não sabe o que é a BM&F?! Me desculpe, isso é inacreditável! Fez a reportagem e nem sabe onde estava...’

O repórter reage: ‘Isso é só uma coletiva para uma nota coberta, coisa rápida! E foi corrido, eu tinha vindo de outra matéria! Isso você não vê!’

Os dois se exaltam e trocam acusações: um é relapso; o outro, intolerante. O editor liga para a BM&F, consegue a tal da ‘explicação em uma linha’ e, irônico, transmite-a ao repórter, que vai para casa remoendo o que considera uma injustiça.

Mais tarde o repórter telefona para a redação e pede desculpa ao editor. ‘Você tinha razão’.

Situação B:

O editor de uma emissora de televisão analisa o off de uma matéria completa sobre o crescimento do ramo das farmácias de manipulação.

Lá estão muitos números: quanto o segmento faturou no ano anterior, quanto deve faturar no ano corrente, quanto cresceu, quanto deve crescer, quantas farmácias como essas existem em São Paulo, quantas são em todo o País. O texto também explica por que as farmácias de manipulação estão crescendo, apesar de cobrarem mais caro do que as drogarias e farmácias comuns. Chama, ainda, quatro entrevistados com suas teorias interpretativas de macroeconomia.

‘Sinto falta de uma informação, diz o editor. Afinal, como funciona uma farmácia de manipulação?’ ‘Todo mundo sabe’, responde a repórter. ‘Tudo bem, então me diga uma ou duas frases’. ‘Hummm, parece que...’ E nada.

Aí vem o inevitável: ‘Você foi fazer uma matéria analítica sobre as farmácias de manipulação e não sabe o que é uma farmácia de manipulação... Esteve no laboratório e não fez nem uma pergunta sequer sobre isso?!’. ‘Pois é, mas eu achei que não precisava, as pessoas sabem’. O editor responde que ele mesmo tinha apenas uma noção do que seria uma farmácia daquele gênero, mas era pouco, precisava de uma resposta objetiva e, acima de tudo, correta.

A repórter reconhece a falta, liga para a farmácia e em poucos segundos ela e o editor têm a explicação exata, insofismável. Em mais algumas horas, milhares de telespectadores também a teriam.

Limito-me, neste artigo, a contar duas histórias que se passaram em redações de emissoras importantes de São Paulo. Acho que dizem muito. Em todo caso, os fatos são sintomáticos e ilustram algumas das sérias deficiências que nos rodeiam no dia-a-dia do Jornalismo, e que valem uma análise em nossa próxima edição.

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En Pasant

Casa dos Famosos - Estreou nesta segunda-feira o site Zappeando. É o que se chama de ‘revista eletrônica’ com notícias e informações sobre o dia-a-dia dos famosos e dos bastidores da televisão. Parceiro do iBest, o Zappeando tem mais um endereço na internet: todas as quintas-feiras, das 20h às 21h, a apresentadora Flávia Viana entrevista famosos nos estúdios da AllTV. ‘O Zappeando pretende ser mais do que um ‘site de fofocas’. Nosso objetivo é oferecer ao usuário e telespectador a informação relevante, que valha a pena ser transmitida. E discernir o que interessa do que é inútil é uma de nossas tarefas’, explica o diretor do site, Alexandre Suguimoto. ‘O diferencial do Zappeando é a utilização completa das possibilidades que a internet proporciona. Além do programa na AllTV, foram testados sistemas de transmissão wireless, em banda larga. Dessa forma, os repórteres poderão sair a campo e transmitir conteúdo multimídia em tempo real.’

Plural difícil - O Manual de Redação e Estilo do Estadão deve ganhar mais uma seção até o fim do ano. Reflexo da preocupação de seu autor, Eduardo Martins (chefe do Arquivo do jornal paulista), com os erros persistentes dos jornalistas na hora de escrever o plural das palavras compostas.

Cara nova - A gerente da sucursal de São Paulo da Radiobrás, Angela Rímoli, está modernizando a sede que fica no 19º andar de um edifício no centro da cidade. A reforma vai desde o acabamento das salas da redação e da área técnica até a instalação de novos computadores. Tudo devidamente licitado pela matriz em Brasília.

Lula e a TV-Lixo - Lula criticou a qualidade da programação da TV ao participar, em São Paulo, do ciclo de encontros com candidatos à presidência no Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. O candidato disse que a televisão falha em seu papel de informar e educar a população. E citou dois maus exemplos: os ‘reality-shows’ Casa dos Artistas e Big Brother Brasil, que não teriam nada que se aproveite. O único elogio foi para a autora Glória Perez e a forma inteligente como tratou o tema das drogas na novela ‘O Clone’.

Rádio Foca - Produzida por alunos do 5º semestre de Jornalismo, a rádio interna da Universidade 9 de julho (Uni9), de São Paulo, começa a funcionar em caráter definitivo a partir da primeira semana de agosto. O coordenador do projeto, Prof. Álvaro Bufarah Jr (abufarah@uol.com.br), diz que a ênfase vai ser nas entrevistas e na prestação de serviço, em sintonia com os demais cursos da universidade (Saúde, Direito, Administração de Empresas e Economia). O telefone da Uni9 é (11) 6633-9000.

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Lapidares...

‘Enfiou, junto com o Citigroup, US$ 8,5 bilhões em uma companhia especializada em fraudar a contabilidade e não se deu conta’.

Clóvis Rossi, sobre a capacidade do JP Morgan de avaliar o risco-país brasileiro. Folha de S. Paulo, 24/07

‘É inegável que a maioria esmagadora dos fãs brasileiros da F-1 torceu e torce para que alguém ou algo consiga parar o alemão, mesmo que seja um muro’.

Marcelo Damato. LANCENET!, 23/07

‘Quem sabe isto não serviu para chamar a atenção das pessoas para Ferraz de Vasconcelos, uma cidade com alto índice de violência, mortalidade infantil e desemprego. Se isso foi percebido, pode-se dizer que já foi um milagre’.

Padre Eduardo Coelho, da Cúria Metropolitana de São Paulo, sobre a imagem da Nossa Senhora que apareceu na janela de uma casa da cidade. Jornal da Tarde, 23/07

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... e Tumulares

‘O sangrento fato, cometido na Guatemala no sábado passado, deixou feridos a outros três jovens, assinala um comunicado da Casa Alianza, que qualifica o fato de ‘massacre’. Os seis dormiam em uma rua da zona 8 da capital, ao sul do centro histórico, quando uns desconhecidos que viajavam em carro lhes dispararam com metralhadora. As vítimas mortais (...)’.

iG (Último Segundo), 22/07, com a agência EFE

Não resisti a um período inteiro... Poderia ir além, para encher nossas taças com um estilo de rara grandiloqüência. Já que inventar é bonito, vamos deixar a taça à meia-boca.

‘Mercado Global Vive Sexta Sangrenta’.

Caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo, 20/07

Fico me perguntando que adjetivos não usariam para noticiar a explosão de uma bomba da Al Qaeda em Wall Street ou na City londrina... E o Crack de 29? Terá sido o quê?

‘Depois do Crime Perfeito, a Prisão’.

Jornal da Tarde, 19/07

Quando o crime dá errado acontece o quê? Todo mundo viaja para curtir a vida em Monte Carlo."


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