08/07/2003 4/20

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MÍDIA EM CRISE
Delmar Marques

"Diploma e família afastam empreendedores do jornalismo", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 4/07/03

"A exigência do diploma para o exercício profissional e o fato de as grandes empresas do setor dependerem de estruturas familiares podem estar entre as principais causas da crise que afeta os meios de comunicações brasileiros. As assertivas estariam corretas se fossem considerados os pontos de vista de Renato Bernhoeft, um desses especialistas de vozeirão retumbante e tom afirmativo que soma a experiência em consultorias para mais de duzentas grandes companhias em três continentes.

Presidente da Bernhoeft Consultoria e representante para a América Latina da FBCGi (Family Business Consulting Group International), Renato lamenta que o sistema de ensino brasileiro, mesmo o acadêmico de mais alto nível, não prepare os alunos para assumirem o papel de empreendedores. ‘Todos saem da faculdade pensando num emprego público ou em trabalhar numa multinacional’, diz. Lembrando que das cem maiores fortunas brasileiras, apenas doze são fruto de herança, ele afirma que os grandes empreendedores nascem na periferia, não têm acesso às universidades e se fazem na vida com muito trabalho e disciplina.

Os filhos da classe média, ainda segundo a opinião dele, anseiam apenas por bons salários. A segurança da família os acomodam nas aspirações medianas, evitam riscos e, invariavelmente, aplicam o pouco que conseguem poupar em carros novos e roupas de grife. Nas empresas familiares, base dos grupos societários controladores da mídia brasileira, o comodismo seria ainda maior, no entendimento de Bernhoeft.

Talvez estejam aí as razões de os grandes conglomerados de comunicações enfrentarem atualmente dificuldades financeiras e desempregarem em massa sem que surjam empreendimentos capazes de absorver essa mão de obra e ocupar os novos espaços abertos pelo desenvolvimento tecnológico e social. Herdeiros insistem em linhas editoriais ultrapassadas, brigam por picuinhas, estabelecem feudos, perdem o controle das despesas e tomam decisões equivocadas nos investimentos, comprometendo todo o patrimônio amealhado pela primeira geração. Quando buscam alternativas, recorrem sempre aos mesmos profissionais, gente moldada sob seu tacão e compromissada com a continuidade. E nada muda.

Falando sobre o tema ‘Empresa Familiar: Desafio da Continuidade’ no Núcleo de Jovens Empreendedores (NJE) da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Bernhoeft colocou que muitos empresários desenvolvem um comportamento autoritário e machista, acreditando serem eternos. ‘Outro dia’, brincou ele, ‘tentaram dar uma tartaruguinha de presente para o Roberto Marinho, mas ao saber que o animal viveria no mínimo uns trinta anos ele a recusou, dizendo que não queria se apegar a um bichinho que poderia morrer antes dele.’

Silvio Santos seria, nas palavras de Bernhoeft, outro exemplo de descaso com a sucessão familiar, preterindo as filhas na tentativa de entregar o poder a um sobrinho. Como as herdeiras poderão ter, um dia, o controle do grupo, problemas sucessórios poderão surgir, com reflexos óbvios na empresa. ‘Na volta do cemitério é a pior ocasião para se resolver as coisas.’

Na hora lembrei de Maurício Sirotsky, meu mais próximo exemplo de empresário bem sucedido no setor. Ele começou com a ‘voz do poste’ em Passo Fundo, foi para Porto Alegre trabalhar como radialista, assumiu uma rádio cheia de dívidas, depois um jornal quase quebrado, montou uma televisão e seguiu driblando as dificuldades até deixar o invejável conglomerado que é a RBS para seus descendentes. Acordava cedo e era dos últimos a sair. Fui produtor de um programa de notícias na sua rádio que começava às 6hs e ele o ouvia e chegava na empresa às 7hs recomendando, delicadamente, que baixasse o tom nos próximos dias para compensar o malho dado na ditadura naquela edição. Às 23 hs, quando eu colocava no ar o noticioso noturno da sua televisão, lá ainda estava ele. Haveria espaço, hoje, para essas aventuras empresariais?

Num país em que entrar para o serviço público para merecer uma aposentadoria privilegiada sempre foi a meta da grande maioria, talvez seja o momento de pararmos para pensar em todas as oportunidades de realização profissional que estamos perdendo. Fracassamos com a Coojornal (Cooperativa de Jornalistas de Porto Alegre) e em muitas outras tentativas de associação para lançamento de veículos alternativos. Seguimos de um emprego para outro, em carreiras atribuladas e inseguras, mais preocupados em lutar por ilusórios privilégios corporativos, alimentando nossos egos com títulos vazios, editor disso, diretor daquilo, sem nenhum compromisso com o futuro.

Vamos acumulando experiências desastrosas, idade e cabelos brancos, colecionando tombos, profissionais e do cavalo, literalmente, sem outra pretensão além de sentar diante do teclado, mera extensão de nossos dedos, para soltar o verbo e jogar nos impulsos eletrônicos as confusões mentais que nos afligem. Na esperança de que acordem alguém, jovem e empreendedor, capaz de construir alguma coisa onde só vemos o caos. Com trabalho e disciplina. (Jornalista, escritor e dramaturgo, diretor da DM Textual Editoração Eletrônica, de São Paulo, e da Editora Paralelo 30, de Porto Alegre.)"

 

Daniel Castro

"Sky reduz queda da TV paga em 2003", copyright Folha de S. Paulo, 4/07/03

"Pelo segundo trimestre consecutivo, o mercado nacional de TV paga por satélite teve crescimento em sua base de assinantes, invertendo tendência de queda após resultados negativos nos primeiros nove meses de 2002.

Segundo relatório da PTS (Pay-TV Survey), empresa de pesquisa do setor, de janeiro a março de 2003, as operadoras por satélite registraram saldo de 17.627 novos assinantes, 1,55% a mais do que no trimestre anterior, atingindo um total de 1,157 milhão de clientes pagantes, que respondem por 33,6% do mercado nacional.

O crescimento da TV por satélite, no entanto, se deve a apenas uma operadora, a Sky, agora sob o controle gerencial do grupo News Corp. A empresa, segundo a PTS, foi a única das grandes que cresceu no trimestre, em torno de 5% (ou 30 mil assinantes pagantes). Sua principal concorrente, a DirecTV, caiu 3,5% (cerca de 15 mil clientes a menos).

O resultado da TV por satélite, que já havia crescido 0,12% entre outubro e dezembro, amenizou o impacto da queda de assinantes das operadoras de cabo (-1,08%) e MMDS (-1,87%), que perderam, juntas, 27.017 assinantes. Assim, o setor (satélite mais cabo e MMDS) fechou o primeiro trimestre de 2003 com 9.389 clientes a menos do que em dezembro, uma queda de 0,27%. No total, a TV paga tinha em 31 de março 3,449 milhões de assinantes, 92 mil a menos que um ano antes."

 

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Cidade Biz

"BB abre concorrência por conta anual de R$ 142 milhões", copyright Comunique-se (www.cidadebiz.com.br), 7/07/03

"O Banco do Brasil abriu concorrência por sua conta publicitária anual de R$ 142 milhões. Serão escolhidas três agências para atender o BB e a Fundação Banco do Brasil. A verba prevista é a segunda maior do governo federal para o prazo de um ano. A da Secom (Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica) é de R$ 150 milhões e a dos Correios, R$ 72 milhões.

Agências interessadas devem entregar os envelopes com documentos de habilitação e propostas técnicas e de preços no dia 19 de agosto, das 15h00 às 16h00. Na ocasião, terá início a abertura dos envelopes de habilitação.

O edital completo pode ser obtido das 9h00 às 15h00, no Balcão de Licitações, Setor Comercial Sul, Quadra1, Bloco H, Edifício Camargo Correa, 1° andar, Brasília, mediante a apresentação de depósito de R$ 50 na conta 516.634.500-6, em qualquer agência BB."


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