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SHOPPING NEWS DE VOLTA
Eduardo Ribeiro
"Shopping News, suplemento do DCI", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 3/07/03
"Muitos de nossos leitores nem sabem exatamente que raios é esse tal de Shopping News, seja porque são da nova geração de jornalistas ou porque são de fora da cidade de São Paulo. Quem é da capital paulista, no entanto, e tem mais de 35 anos, certamente conheceu o mais importante jornal de bairro (na verdade de bairros, pois o Shopping News circulava em todos os bairros classe média e alta de São Paulo) do País, nunca mais igualado.
Pois esse mesmo jornal, que circulou por duas ou três décadas, religiosamente aos domingos (dia de ir à missa), chegou a tirar mais de 500 mil exemplares e conquistou uma legião de leitores fiéis, tal o prazer que levava aos paulistanos com suas matérias de comportamento, reportagens sobre a cidade, artigos de especialistas (sobretudo da área médica), anúncios de imóveis, de carros e classificados em geral. Era um jornal que todos apreciavam receber e efetivamente ‘consumiam’.
Tal era a força que tinha e o interesse que despertava no mercado publicitário, que sua brochura muitas vezes superava, em gordura, o próprio Estadão. Me lembro, por exemplo, de ver os senhores entregadores penso de um lado, tal o peso de papel que carregavam na cinta de distribuição, para ir deixando os exemplares de casa em casa, ou em lotes maiores nos cada vez mais numerosos prédios de apartamentos.
O jornal faliu, junto com a empresa que editava também o DCI, e deixou centenas de colegas e fornecedores na rua da amargura, afundado em dívidas e dúvidas sobre a honestidade na condução dos negócios. Foi um tempo de muita tristeza para muita gente.
Os dois títulos e os outros que compunham o portfólio editorial da empresa (revistas Visão, Dirigentes etc.) acabaram indo a leilão e, em seguida, numa operação complementar (e casada), arrendados por Orestes Quércia, interessado que estava em voltar à mídia impressa, depois de ter vendido o Diário Popular (atual Diário de S.Paulo) para as Organizações Globo. O ruim, nesta história, foi que um jornal desaparece e ressurge, valendo-se das regras legais e da habilidade de juristas e advogados, sem que tenha honrado com seu passivo, sobretudo o trabalhista. Esta, aliás, tem sido uma operação comum no segmento editorial, e o jeito jurídico encontrado para separar a parte podre da parte boa. E quem compra, caso de Quércia, fica só com a parte boa.
Esse, no entanto, é um assunto que deve ser discutido e encabeçado por quem conhece melhor os meandros das leis e por aqueles que foram efetivamente prejudicados com operações do gênero, entre elas o próprio DCI e a Editora Bloch.
Num e noutro caso há a contrapartida de que os velhos títulos estão renascendo e com eles a esperança de melhoria do mercado, em empresas mais responsáveis e que honrem seus compromissos.
Quércia está cumprindo a parte dele. Arrematou o título e efetivamente relançou o DCI, de olho no micro e pequeno empresário - e está com um produto realmente de qualidade no mercado. Agora, para atender as exigências legais e garantir a exploração de um dos outros títulos assumidos, começou a explorar o Shopping News, por enquanto em forma de uma coluna dentro do próprio DCI - coluna semanal publicada às sextas-feiras na última página do jornal, com roteiros de lazer e dicas de entretenimento.
O ex-governador de São Paulo, em depoimento a este Jornalistas&Cia, afirmou que ‘está nos planos da empresa o pleno lançamento do título’ e ainda que ‘o projeto está sendo analisado para definição de qual o melhor momento e em quais proporções ele será relançado’. No depoimento, quase escapa um ‘ainda este ano’, mas é um compromisso que ele não quer assumir, preferindo, obviamente, observar a evolução do mercado.
O projeto, conforme apurou esta coluna, está prontinho e pode ser lançado no momento em que ele quiser. Se for ainda este ano (hipótese provável), teremos aí uma nova redação sendo montada. Talvez não em número muito grande, na fase inicial, mas com grande potencial para isso."
EDITORA ABRIL
Eduardo Ribeiro
"A semi-aposentadoria de Thomaz S. Corrêa", copyright Comunique-se (www.comumique-se.com.br), 2/07/03
"Falar de gente, sobretudo num portal público como o Comunique-se, é sempre complicado, quanto mais se os comentários trazem lá pontas de críticas ou de elogios. Como ninguém é unanimidade, elogios podem cheirar a puxassaquismo e críticas a ressentimentos ou despeito.
Quero dizer que nunca privei da amizade de Thomaz Souto Corrêa e tampouco tenho dele qualquer procuração para falar o que quer que seja. Mas quero aproveitar um dos comentários deste Jornalistas&Cia - Cenários, para falar dele, a propósito do anúncio de sua saída da linha de frente do Grupo Abril.
Trabalhei na Abril em duas ocasiões, uma ainda menino, dos 14 aos 19 anos, como contínuo e exercendo funções administrativas (era 1969 e nessa época eu entregava correspondências na empresa, inclusive a um certo Thomaz Souto Corrêa, que dirigia a revista CLAUDIA e que tinha por secretária Emeri Loretto); e outra, já na embocadura do jornalismo, como repórter, tendo ali uma de minhas primeiras oportunidades na profissão. Fui da equipe de CASA CLAUDIA, que era uma publicação de certo modo próxima a ele, mas sem qualquer vinculação ou subordinação - e a editora-chefe era ninguém menos do que a ex-secretária de Thomaz, Emeri Loretto. Nunca cheguei sequer a conversar com ele, apesar dessa proximidade.
Bem mais tarde, precisamente no ano 2000, eu o convidei a fazer a conferência de abertura do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas, evento que ajudo a organizar e que é frequentado por cerca de 800 jornalistas e colegas de relações públicas de todo o País. Foi nessa ocasião que nos encontramos pela primeira e única vez na vida. E ele não só aceitou como deu um show. Deixou o público literalmente perplexo com sua apresentação, rica em detalhes e informações sobre o que estava efetivamente acontecendo e se desenhando com o mercado de jornalismo no Brasil e no mundo.
Lembro-me perfeitamente de um de seus prognósticos, sobre o amanhã da mídia: ‘o futuro está efetivamente nos meios eletrônicos e na Internet, e nós, lá na Abril, sabemos disso e estamos empenhados em nos preparar para essa nova realidade, até por questão de sobrevivência. Nosso negócio não é revista, mas sim conteúdo, que deveremos veicular seja através de revistas, da Internet, da televisão e de quaisquer outros meios que se mostrem apropriados às nossas estratégias. Sabemos que todos os dias morrem leitores de publicações impressas e nascem leitores do mundo virtual ‘.
Estão aí os números e o mercado para comprovar o acerto de sua tese. As tiragens das publicações impressas despencaram no mundo inteiro e não há qualquer certeza de que se recuperem ou de que mantenham no futuro uma curva de crescimento compatível com a população e com outros meios de comunicação.
Sem querer ser exagerado, mas talvez já o sendo (e aceitando humildemente as críticas daqueles que de mim discordarem), digo que Thomaz é para a Abril e para o mercado de revistas, no Brasil, o que o Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho) foi para a Globo e para a televisão brasileira.
Embora tenha passado pouco mais de cinco anos em outras paragens, foi na Abril que ele sentou praça por 40 anos, ocupando inúmeras funções. Começou em 1963 como redator-chefe de CLAUDIA, e foi, sucessivamente, diretor de redação de CLAUDIA, diretor editorial do grupo de revistas femininas, às quais acrescentou a direção editorial do grupo de revistas masculinas, tendo depois acumulado a direção editorial e comercial dos dois grupos. Foi o primeiro executivo da Abril a ganhar o título de Vice-Presidente, nomeado por Victor Civita, em janeiro de 1979. Depois de Vice-Presidente Executivo de Revistas, Thomaz passou a Vice-Presidente Executivo e Diretor Editorial do Grupo Abril, posição na qual permaneceu até ser nomeado para o Conselho de Administração da Abril. Além disso, cumpriu dois mandatos como Presidente da Associação Nacional de Editores de Revistas. Na área internacional, foi o primeiro latino-americano a ser eleito para o Conselho Executivo da Federação Internacional de Imprensa Periódica (FIPP), que reúne associações de revistas e empresas editoriais do mundo inteiro. Em 1999, TSC foi eleito Presidente do Conselho da FIPP. Culminou esse mandato com a realização do primeiro Congresso Internacional de Revistas na América Latina, em abril de 2001, com sede no Rio de Janeiro e em Buenos Aires. Ele continua ligado à FIPP como membro do Conselho Executivo.
Não é pouco, como se vê, mas independente dos cargos que ocupou, Thomaz sempre esteve na linha de frente, ousando, ampliando fronteiras, ajudando a criar empregos. Errou também, mas seus acertos certamente foram maiores, e se assim não o fosse não teria permanecido por tanto tempo em posição de destaque na maior editora de revistas da América Latina e uma das maiores do mundo.
Sua saída vem sendo articulada há dois anos, mas mesmo assim, como diz um colega da Abril, ‘um clima de tristeza se abateu sobre grande parte dos jornalistas da Casa nesta 2ª feira (30/6), quando a notícia, já há muito esperada, finalmente se tornou oficial’.
Não chega a ser, na verdade, uma saída, uma vez que ele continuará a dar expediente ao menos duas vezes por semana na empresa, além de integrar o Conselho de Administração e de prestar consultoria na área editorial. Mas será, como diz o título, uma semi-aposentadoria, que lhe garantirá mais tempo para estar mais próximo da família e dos amigos e para dedicar-se a projetos pessoais, como ler mais (ele tem uma impressionante biblioteca sobre jornalismo, revistas e comunicação em geral), escrever etc.
Nas declarações que deu ao PSC (o jornal interno do Grupo Abril), disse: ‘Preciso de um pouco de tempo para fazer as coisas que quero enquanto tenho energia’. Vale lembrar que ele se casou há um mês com Guida, sua companheira de já 18 anos, viajando em lua-de-mel para Paris e Positano, na Costa Amalfitana (Sul da Itália).
Com o afastamento de Thomaz, o agora Diretor Secretário Editorial, Laurentino Gomes, assume integralmente a coordenação das ações editoriais da empresa, tarefa que envolve 650 jornalistas, 42 títulos e dez unidades de negócio. Nessa função, irá reportar-se ao presidente executivo, Maurizio Mauro. Nos próximos dias, deve sair um novo comunicado explicando em detalhes a atribuição dos novos papéis da área editorial da Abril."
LEITURAS DE VEJA
Marcos Linhares
"Médico alerta para perigo de matéria de Veja", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 4/07/03
"A matéria de capa da edição 1809 (2/7) da revista Veja, sobre dor de cabeça, apontou um medicamento - o Topiramato- como ‘uma das novidades mais promissoras na prevenção da enxaqueca’. Talvez a mais veemente reação contra a matéria da revista,seja do clínico geral paulista, autor do livro ‘Enxaqueca - Finalmente Uma Saída (Editora Arx)’, Alexandre Feldman. O especialista é presidente da Associação Brasileira para a Prevenção da Enxaqueca (entidade que atende gratuitamente os carentes portadores do mal) e diretor do site especializado enxaqueca.com.br.
Feldman enviou material embasado ao Comunique-se, preocupado e até mesmo revoltado com a, segundo ele, omissão importante de dados aos leitores, sobre os efeitos colaterais da droga."
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