08/07/2003 20/20

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TV & RÁDIO
Keila Jimenez

"Televisão para ouvintes", copyright O Estado de S. Paulo, 6/07/03

"Quem disse que a era do rádio acabou? Depois de ver seu casting de estrelas se esvaziar e de perder seus formatos mais importantes para a TV, o rádio começa a fazer o caminho inverso. Oportunismo ou intenção de aproveitar as migalhas da televisão, o fato é que o veículo resolveu escancarar suas portas para artistas e programas que nasceram no chamado ‘primo rico’.

Do outro lado, artistas e profissionais de TV buscam novos públicos, testar outra mídia e faturar mais com a grife consolidada pelos telespectadores.

De olho nisso, a Record pretende realizar ainda este mês uma espécie de ‘integração’ da programação de sua rádio com a da TV. A rede estuda lançar no rádio títulos como Cidade Alerta e Fala Brasil. Tudo com nova roupagem e linguagem adaptada.

Não é reaproveitamento de áudio. São novos programas, até com outros apresentadores. Entre os nomes que podem ganhar uma atração radiofônica estão: Ricardo Capriotti, que faria uma versão do Fala Brasil, Wagner Montes, Eleonora Paschoal e Oscar Roberto de Godoy. Com o processo de integração em andamento, a Record prefere não comentar esses planos, mas tenta seguir a linha de sucesso de outros produtos televisivos que estão nas ondas do rádio.

Gente como a trupe do Casseta & Planeta, da Globo. Ela adapta algumas de suas melhores piadas para esquetes veiculados em rádios espalhadas por todo País : Mix (SP), 94 FM (Bauru), Folha FM (Paraná), Cidade FM (Recife), entre outras.

‘Nunca reaproveitamos o áudio da TV. Algumas peças são adaptações dos melhores quadros, outras, criações exclusivas para rádio. É outra mídia, com características bem específicas’, explica o Casseta Hubert. ‘Procuramos seguir a mesma dinâmica do programa da TV, em que o que vale é notícia do momento.’

Além de atingir um público diferente - os esquetes radiofônicos são diários -, os cassetas dizem que o espaço no rádio vale também para desovar piadas que não couberam na Globo, ou que ficariam velhas demais para o programa da semana seguinte.

Empolgados com o veículo, os humoristas agora ensaiam aumentar sua participação no rádio, com novos quadros. ‘Estamos desenvolvendo um piloto que pode vir a ser um programa só do Seu Creysson (Cláudio Manoel) no rádio’, conta Hubert.

A mesma empolgação com esse universo contagiou a VJ Sarah, da MTV. Desde o ano passado, ela comanda um programa semanal na 89 FM, uma espécie de parada de sucessos americana.

‘Sempre adorei rádio, há muito tempo batalhava para ter um programa meu, mas nunca dava certo’, conta a VJ. ‘Quando a 89 me convidou, não pensei duas vezes. Além de apresentar, eu produzo, separo os e-mails e pesquiso sobre os assuntos que vou falar na rádio’, continua. ‘ Posso dizer que faço por satisfação, pela experiência, não por retorno financeiro. Quem conhece rádio sabe que o veículo dificilmente deixa alguém rico.’

Mesmo com tanta dedicação, Sarah admite que só depois de virar VJ da MTV é que as portas do rádio se abriram. ‘A TV é uma vitrine e tanto. Essa história de levar gente da TV para o rádio é uma forma de usar esse prestígio, de agregar valor’, conta ela.

Taxistas - Para Jô Soares, o rádio traz a satisfação de atingir um público bem diferente daquele que o acompanha na TV. Jô conta que foi ele próprio quem sugeriu para a rádio CBN, na época em que estava levando seu talk show para a Globo, a veiculação simultânea do áudio do programa de TV na emissora.

‘Achei que seria outra ótima opção de divulgação do meu trabalho e a CBN topou logo de cara’, conta Jô. ‘Eles transmitem o áudio do programa na íntegra e sei que há muita gente que gosta de ouvir as entrevistas’, continua. ‘O meu maior retorno é de gente que trabalha à noite, de taxistas, quem não pode ver o programa na TV e então ouve no rádio.’

Jô acredita que até a parte de apelo visual do programa, que ficaria sem sentido no rádio, diverte as pessoas. ‘Só de você ouvir a platéia ao fundo, rindo, dá vontade de rir. Mesmo assim, procuro não deixar o programa muito tempo com ações em silêncio.’

Além do Programa do Jô, a Globo resolveu levar ao rádio outros produtos. Em parceria com a ONG Viva Rio, que abriga rádios comunitárias de todo o País, a emissora colocou à disposição, por meio de um site, um cardápio de programas que pode ser baixado e transmitido pelas 300 rádios cadastradas.

Entre os títulos disponíveis estão: o Zorra Total, a Grande Família, Os Normais e Sítio do Picapau Amarelo. A iniciativa, criticada por preencher com programas televisivos espaços que deveriam ser utilizados em favor de cada comunidade, é defendida pela emissora.

‘Foram as rádios que nos pediram o áudio da programação, não fomos nós que as procuramos’, afirma Luís Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação. ‘A alegação delas é que muitas pessoas carentes, que não têm acesso a esses programas, poderiam ter via rádio. As rádios utilizam o áudio dos programas quando quiserem, se quiserem, é uma opção da comunidade.’

A Globo estuda ainda lançar outros dois trunfos da TV na CBN, ou Rádio Globo: o áudio, na íntegra, do Jornal Nacional, e um resumo diário de suas novelas. Mas os projetos têm seus empecilhos : o noticiário ancorado por Willian Bonner e Fátima Bernardes utiliza muito material de agências internacionais cujos direitos de uso não se estendem ao rádio. Já com as novelas, a emissora estuda um meio de adaptar o áudio dessas ao formato radiofônico. Seria a volta das radionovelas.

É o rádio cobrando a conta dos benefícios que deu à TV, há mais de 50 anos."

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"TV herdou as melhores fórmulas radiofônicas", copyright O Estado de S. Paulo, 6/07/03

"Fenômeno de massa na primeira metade do século, o rádio serviu de molde para a TV nos primórdios. Foi ‘musa inspiradora’, cedeu artistas e formatos de sucesso - há receitas que nunca caíram em desgraça - para o início da televisão. Não apenas novelas, mas programas de auditório, humorísticos, jornalísticos e musicais que deram certo no rádio, ganharam seu espaço na TV. As inovações radiofônicas eram literalmente copiadas ou partiam para a carreira televisiva mesmo.

É o caso dos personagens Primo Pobre e Primo Rico, vividos por Paulo Gracindo e Brandão Filho, que saíram do rádio para compor um dos mais clássicos esquetes de humor na TV. Ou do Alô Doçura, quadro radiofônico de Otávio Gabus Mendes, que seu filho, Cassiano, tornou hit na TV Tupi nos anos 50.

A lista das estrelas que a TV ‘importou’ do rádio também é extensa: Hebe Camargo começou sua carreira nos anos 40, cantando com sua irmã na dupla Rosalinda e Florisbela; Ratinho foi radialista em Curitiba; Lima Duarte foi sonoplasta e fez radionovela; Chacrinha já gongava calouros no rádio; e Tom Cavalcante fazia imitações em rádios nordestinas.

Até dois protagonistas da famosa guerra de audiência aos domingos, Silvio Santos e Faustão, são ex-radialistas. Fausto Silva foi durante muito tempo repórter esportivo e trabalhou no programa Balancê, na rádio Excelsior, e Silvio Santos teve seu primeiro programa na rádio Nacional.

Nos anos 60, essa migração rádio/TV deixou o ‘primo pobre’ dos meios de comunicação em situação difícil. Os profissionais e os donos dos formatos receberam propostas milionárias para reeditar na telinha o sucesso do rádio.

Foi um esvaziamento em massa. Nessa leva, migraram para a TV programas como Balança Mas Não Cai, Repórter Esso, Noite de Gala, com Flávio Cavalcante, O Céu É o Limite, Sítio do Picapau Amarelo, Praça da Alegria, com Manoel da Nóbrega, entre outros. Chico Anysio criou A Escolinha do Professor Raimundo na rádio Mayrink Veiga, no Rio, quadro que só se consagrou na TV anos depois.

Lá fora -A migração rádio -TV não é exclusividade brasileira. O faroeste americano Gunsmoke era da rádio CBS na década de 50 e mais tarde emplacou duas décadas na TV. Lucille Ball, protagonista de I Love Lucy, estreou em rádio com a primeira versão do programa, My Favorite Husband. A série Papai Sabe Tudo, da CBS, também teve origem no rádio, assim como a série Superman, na época em que Clark Kent nem pensava em conhecer Lois Lane, nem exigia efeitos especiais para convencer a platéia de que era capaz de voar."

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"Eles fazem a nova era da migração rádio-TV", copyright O Estado de S. Paulo, 6/07/03

"Após dez anos tirando sarro de tudo e de todos, a turma do Pânico, programa da rádio Jovem Pan FM, vai colocar a cara para bater. Eles vão estrear ainda este mês um programa dominical na Rede TV! , das 19h30 às 20h30, levando o formato que conquistou 20 milhões de ouvintes em todo o Brasil para a telinha. O convite é antigo, mas só agora a trupe, formada por Bola, Emílio, Ceará, Carioca, Japa, Mendigo e Zé Fofinho - acredite, é assim que eles querem ser chamados - , aceitou.

Seguem a escola de outros radialistas da nova geração adeptos do humor escrachado, Paulo Bonfá e Marco Bianchi. A dupla, que fez sucesso no rádio como Os Sobrinhos do Athayde, estreou na TV há alguns anos fazendo participações especiais no campeonato de futebol entre músicos na MTV, o Rock e Gol. Este ano, ganharam espaço cativo no canal musical, com um debate regado a muito besteirol e pouco futebol aos domingos na emissora.

‘Meu maior problema é a vergonha de aparecer na TV, não sei se vou me acostumar com isso. Uma coisa é você falar besteira, tirar um sarro da cara das pessoas escondido no estúdio de rádio. Ninguém sabe sua cara, ninguém está te vendo. Outra é fazer isso olhando para uma câmera em rede nacional, para uma platéia. Me dá um frio na espinha só de pensar’, fala Bola, um dos líderes do Pânico. E ele nem é tão novato assim na telinha. Bola já foi jurado de Ratinho, na Record, e fazia participações esporádicas com outro integrante do Pânico, Emílio, no Caldeirão do Huck, da Globo.

Quanto à transposição da linguagem do rádio para a TV, ele diz que a equipe não está enfrentando muitos problemas. Tanto é que muitos dos quadros de sucesso deles na Jovem Pan vão ganhar versão na Rede TV! Entre eles está o do repórter meio surdo Carlos Caramujo, que sairá às ruas para fazer entrevistas. A Morte, personagem famoso do programa, também terá um quadro no novo formato, em que levará candidatos da platéia para aventuras sinistras.

A atração também terá platéia e convidados especiais, gente como Dercy Gonçalves, João Gordo e Pedro de Lara estão entre as presenças esperadas pelos rapazes do Pânico na TV. Eles prometem ainda fazer sátiras de quadros famosos de seus futuros concorrentes, como Arquivo Confidencial, de Faustão, e Telegrama Legal, de Gugu, entre outros.

‘Já estamos testando cenário e figurino. Na rádio, eu podia ir trabalhar até de chinelo. Agora tenho de ficar galã’, brinca Bola."

 

ARY BARROSO, 100
Leila Reis

"Só TV paga se lembra dos 100 anos de Ary Barroso", copyright O Estado de S. Paulo, 6/07/03

"Assim como todas as instituições dos Estados Unidos, a TV é uma grande cultuadora dos mitos americanos. A notícia da recente morte de Katherine Hepburn foi apoiada por vários documentários biográficos como se pôde ver pelos canais pagos.

Existem gerações de telespectadores que cresceram sendo alimentados pela indústria da TV com uma oceânica variedade de programas sobre ícones americanos. Abraham Lincoln, John Kennedy, Jaqueline Onassis, Marilyn Monroe, John Wayne, Ingrid Bergman, Clark Gable, Rock Hudson, os irmãos Gershwin, Nat King Cole, Louis Armstrong, Frank Sinatra, Billie Holiday, Elvis Presley, Jim Morrison foram e são assuntos de uma infinidade de programas e documentários.

Essa reverência não é privilégio só dos que já morreram. Michael Jackson, Madonna, Spike Lee, Clint Eastwood e muitos artistas que estão em plena atividade já têm suas trajetórias registradas pela TV. O povo americano adora orgulhar-se de seus ídolos e a mídia permite esse exercício e faz mais: exporta esse interesse para o mundo inteiro.

Aqui as coisas são bem diferentes. Só em caso de morte, a biografia de celebridades é exibidas. Enquanto durar a comoção popular. Lembrem-se de Elis Regina, Tom Jobim, Cazuza, Ayrton Senna e Leandro. Não existe espaço na programação da rede aberta para homenagens extemporâneas, sem provocação factual forte. Os que fazem TV talvez acreditem que o telespectador brasileiro não se interesse por seus ídolos ou não os valorize a ponto de merecerem um investimento.

Isso deve explicar a ausência do produto documentário na rede aberta. Só a TV Cultura é que, quando pode, produz. Por isso cabe registrar iniciativas como a da STV - Rede SescSenac de Televisão (disponível para os assinantes da NET, Sky, DirecTV e Tecsat), que acaba de exibir e promete reprisar um programa que marca o centenário de nascimento de Ary Barroso.

Dirigido por Dimas Oliveira Junior e Felipe Harazim, O Brasil Brasileiro de Ary Barroso é uma produção modesta, mas necessária em um País sem memória e que pouco valoriza os seus talentos.

Por meio de depoimentos da filha, jornalistas, pesquisadores e amigos, o documentário traça o perfil do compositor que, até hoje, representa o Brasil para os gringos. Os primeiros acordes de Aquarela do Brasil continuam marcando a presença brasileira no cinema e em eventos. Foi ele quem inspirou Walt Disney a criar o personagem Zé Carioca, que contracena com o Pato Donald cantando Você Já Foi à Bahia? em um filme estrelado por Aurora Miranda na Hollywood dos anos 40.

Cantoras dos sucessos de Ary - Carminha Vasconcelos, Carmélia Alves, Salomé Parísio, Leila Silva - e outros artistas em atividade (Chitãozinho e Xororó, Célia e Celma, José Vasconcelos) ajudam a compor a personalidade explosiva do compositor, cronista esportivo e comandante de programas de calouros que revelou uma geração inteira de cantores, entre eles, Ângela Maria e Nelson Gonçalves.

Sabemos pelo programa que Ary, flamenguista doente, foi o criador das carreiras de repórter de campo, comentarista e locutor de futebol. E que há um busto dele dentro do Estádio do Maracanã.

O Brasil Brasileiro de Ary Barroso só peca em dois pontos: na falta de legenda das fotos (não muitas) em que Ary aparece com outras personalidades e na ‘reconstituição’ de musicais cujas imagens a produção não conseguiu.

Vestir atores a caráter para dublar Araci de Almeida, Linda e Dircinha Baptista, Orlando Silva e outros emblemas da MPB não funcionou.

De qualquer maneira, vale a iniciativa. Afinal, alguém lembrou do centenário de um grande brasileiro."

 

PERFIL / JOHN HERBERT
Adriana Del Ré

"As várias facetas de John Herbert", copyright O Estado de S. Paulo, 6/07/03

"Aos 74 anos de idade, John Herbert é o que podemos chamar de artista polivalente. Ator de televisão, cinema e teatro, já experimentou o gostinho de ser produtor de teatro e diretor de cinema. Foi considerado também um dos maiores galãs do cinema nacional. Hoje, ele guarda a serenidade de quem acumula 50 anos de carreira, mas sem perder o ímpeto de atuar, dirigir, produzir. De trabalhar, enfim. ‘Fiz 62 filmes, 32 novelas e seriados e 30 peças de teatro’, diz ele, orgulhoso. Para relembrar essas cinco décadas, John Herbert está sendo alvo de celebrações e retrospectivas.

Semana passada, o ator recebeu homenagens num evento realizado em São Paulo, que teve a coordenação-geral de sua mulher, Claudia Librach, e reuniu família, amigos e imprensa. O crítico de cinema Rubens Ewald Filho foi mestre-de-cerimônias da festa e conduziu uma retrospectiva de personagens marcantes na interpretação de Herbert. A TV Cultura também fará as honras ao ator, exibindo dois filmes que considera significativos na carreira dele.

O primeiro será Maria 38, de Watson Macedo (1959), atração do programa Cine Brasil, hoje, às 15h30. No dia 11, às 22h30, vai ao ar no Cine Cultura o filme A Hora Mágica, de Guilherme de Almeida (1998). A retrospectiva une as pontas de duas fases na vida artística do ator. Maria 38 remete aos primórdios de sua carreira no cinema e ainda traz no elenco Eliana, Herval Rossano e Zilka Salaberry, além da participação especial do sambista Moreira da Silva. Já A Hora Mágica é uma produção recente que trata das relações entre cinema, rádio e televisão.

‘O bom é que, nesses últimos 50 anos, eu acompanhei toda a evolução, todas as fases do cinema nacional, da televisão e do teatro’, ele observa. Entre as três manifestações artísticas, Herbert não faz distinção.

Para o ator, elas têm a mesma relevância, cada qual com suas peculiaridades e dificuldades. Sob sua ótica, o teatro é o exercício do sacerdócio e da paixão. O cinema nacional é marcado por uma série de ciclos e, na maioria das vezes, visto de forma depreciativa pela crítica. A televisão, por sua vez, proporciona visibilidade e fama, mas pode oferecer bons papéis.

Alô, Doçura! - Quem não vivenciou o início da tevê no Brasil, certamente, ouviu falar de um seriado de sucesso chamado Alô Doçura!, da extinta TV Tupi, que ganhou uma versão infeliz estrelada (!) por Virgínia Novick e César Filho, nos anos 90. Mas voltemos ao que interessa, que é o Alô Doçura! original, escrito e dirigido por Cassiano Gabus Mendes, e protagonizado por John Herbert e sua ex-mulher, Eva Wilma, de 1954 a 1964.

‘Cassiano pegou uma velha idéia de seu pai, que era de rádio’, conta. ‘Era o encontro de um casal em diversas situações, numa grande cidade.’ No início do seriado, Eva Wilma tinha outro par, o galã-mor da Vera Cruz, Mário Sérgio, mas pouco tempo depois ele decidiu abandonar o papel. ‘Como sabiam que eu namorava a Vivinha, fui convidado a participar.’

A química do casal funcionou dentro e fora das telas. Herbert e Eva, a Vivinha, foram casados durante mais de 20 anos e tiveram dois filhos. E, apesar de separados há muitos anos, a amizade se mantém. Ou então, ele não chamaria a ex-mulher pelo antigo apelido até hoje. ‘No Alô Doçura, Eva tinha um time de comédia e fui aprendendo com ela’. Depois de dez anos, a fórmula acabou por se esgotar. ‘Mas não tem nada gravado, a Tupi não guardou nada!’, revolta-se o ator.

Depois de participar de algumas novelas na Tupi, Herbert estreou na Rede Globo na novela Água Viva, de Gilberto Braga, na década de 80. ‘Mas a novela que mais gostei de fazer foi Que Rei Sou Eu?, do Cassiano, que é um gênio.

Participei de todas as novelas que ele fez na Globo, ficamos muito amigos.’

Outro autor que Herbert admira é Benedito Ruy Barbosa, com quem trabalhou no teatro e na televisão. Benedito é autor da peça teatral Socorro, Mamãe Foi Embora!, uma comédia que escreveu sob medida para sua mulher, Marilene, numa espécie de mea-culpa por ter ignorado, durante anos, os dotes artísticos dela. O espetáculo estreou em 2000 e Herbert estava no elenco.

Na televisão, o mais recente trabalho de John Herbert foi na novela Esperança, interpretando o papel do judeu Jonathan, a convite de Benedito.

Antes, ele havia passado pela minissérie O Quinto dos Infernos e pelo seriado Malhação. Para ele, todas as experiências são válidas. Agora, o ator aguarda a convocação da Globo para entrar no elenco da novela das 7, Kubanacan. Enquanto o chamado não vem, ele está em busca de novos projetos no teatro e no cinema. É a vantagem de ser um polivalente."

 

SBT
Daniel Castro

"SBT estuda explorar mais as madrugadas", copyright Folha de S. Paulo, 8/07/03

"O SBT está elaborando um projeto que amplia sua programação jornalística. Encomendado por Silvio Santos, prevê, inicialmente, uma melhor exploração das madrugadas. Atualmente, a emissora exibe, entre 2h/3h e 6h, reprises consecutivas de seu único telejornal, o ‘Jornal do SBT’.

A proposta em estudo no SBT visa ocupar esse horário com uma mistura de informação e entretenimento. A intenção é criar um ‘entretenimento informativo’, tirando o foco do noticiário tradicional (‘hard news’), que custa mais caro à emissora.

Numa primeira etapa, o ‘Jornal do SBT’ será exibido com atualizações do noticiário, ao vivo, e intercalado com pequenos programas de serviço (como saúde, por exemplo), material de arquivo reeditado, musicais, videoclipes e produtos internacionais (menos dramaturgia). Parte do horário pode ser preenchido com produções terceirizadas.

O projeto será implantado em fases. Na primeira delas, não haverá investimentos nem contratações. Gradualmente, se atrair anunciantes e resgatar credibilidade ao jornalismo do SBT, poderá ser ampliado e até gerar um novo telejornal, em horário nobre.

Silvio Santos deve receber uma proposta detalhada no final deste mês. Se aprovado, o projeto _uma das atuais prioridades do departamento comercial da emissora_ começará a ser implantado em agosto."

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