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VIVENDI EM CRISE
Steve Lohr

"Fim da era de fusões dificulta venda de ativos da Vivendi", copyright O Estado de S. Paulo / The New York Times, 4/7/02

"Espera-se que a companhia de mídia Vivendi Universal, que está em dificuldades, coloque à venda uma parte de suas operações, mas qualquer leilão que venha a ser feito provavelmente será muito menos concorrido do que teria sido há alguns anos. As ambições empresariais e forças do mercado que induziram a Vivendi e outras companhias de mídia como a AOL Time Warner a colecionar empresa após empresa, em busca do seu futuro digital, passaram por uam transformação.

Os conglomerados de mídia está sobrecarregados de dívidas, atualmente. Os sonhos da industria tecnológica de obter dinheiro fácil com a transmissão de informações por meio de todos os veículos de mídia, pela internet, ou pelo sistema sem fio, desvaneceram-se. E as ações das companhias, que foram a moeda usada nas transações gigantescas do passado recente, vão se desgastando à medida que os investidores se distanciam de empreedimenos que os atraiam em outra época. ‘Os dias de glória das fusões de companhais de mídia terminaram’, disse Harold Vogel, analsita de mídia independente.

Assim, enquanto a Vivendi tenta vender parte da empresa para reduzir suas dívidas, os compradores em potencial tendem a se mostrar difíceis de contentar. Haverá grande intresse, dizem alguns banqueiros de investimentos e analistas da indústria, por vários empreendimentos da companhia francesa, que vão de sua rede TV a cabo USA Networks até sua editora de livros, a Houghton Mifflin.

Entretanto, essas transações serão menores e mais seletivas do que as vendas gigantescas feitas há alguns anos - o que, segundo analistas, provavelmente se converterá em padrão para os próximos anos. ‘Acho que passaremos por um período de trocas de ativos entre as companhias de mídia, com a formação de associações de empresas que farão mais sentido,’ afirmou Michael J. Wolf, o sócio responsável pela área de mídia global da McKinsey & Co."

 

Cidade Biz

"Ações da Vivendi sobem após mudança no comando", copyright Cidade Biz, 4/7/02

"As ações da Vivendi Universal foram impulsionadas para o terreno positivo na quinta-feira, depois que um grupo de executivos veteranos franceses assumiu o controle do grupo de mídia, prometendo evitar uma crise de caixa e recolocar a gigante de mídia no seu lugar.

A nova diretoria terá de trabalhar em uma missão de resgate para enfrentar a dívida deixada por um dos construtores da empresa, Jean-Marie Messier. A posse do grupo propiciou alta de 17% nos papéis da Vivendi depois de sofrerem com as vendas nos pregões desta semana.

Em um sinal de que a elite francesa quer salvar o vacilante grupo de mídia, a Vivendi convocou um time de pesos pesados dos negócios da França na quarta-feira para que tomassem as rédeas do segundo maior grupo de mídia do mundo depois de demitir seu antigo presidente.

O novo presidente, Jean-Rene Fourtou, em seus primeiros comentários sobre a Vivendi, reconheceu que a situação de caixa da empresa era tensa, graças à farra de aquisições promovida pelo antigo comandante da empresa.

Porém ele afirmou estar confiante que a gigante, cujo ativos incluem a a Universal Studios e a gravadora global de mesmo nome, vai contornar os problemas de caixa e fazer os resultados serem satisafatórios. As ações da Vivendi, que acumularam perdas de 75% até agora este ano, estavam em de 7,77%, a 14,98 euros, às 11h16, na bolsa de Paris.

‘A nova equipe foi contratada basicamente para resolver a curto prazo os problemas de liquidez da empresa e provavelmente deve ser bem sucedida nisso. Isso é tudo o que o mercado quer agora, não está preocupado muito com estratégia’, disse um analista sediado em Londres."

 

FSP

"Bola da vez, Vivendi Universal cai 25,5%", copyright Folha de S.Paulo, 3/7/02

"Os mercados globais não tiveram tempo para respirar, depois do abalo provocado pelo escândalo da empresa de telecomunicações norte-americana WorldCom, na semana passada. Ontem a bola da vez foi a Vivendi Universal, cujas ações chegaram a desabar 40%.

Todas as principais Bolsas encerraram o dia no vermelho. Nos EUA, a Nasdaq bateu novo recorde de baixa.

A crise na Vivendi Universal se agravou depois que o jornal francês ‘Le Monde’ publicou ontem uma reportagem que põe em xeque a lisura da contabilidade da companhia. O grupo também teve sua classificação rebaixada pela agência Moody’s.

Os investidores entraram em pânico, por temer uma concordata, e iniciaram uma venda maciça dos papéis do grupo francês. Ao final do dia, as ações fecharam com queda de 25,5%.

Origem no esgoto

A Vivendi, que nasceu na França como uma estatal de serviços de água e esgoto há 150 anos, tornou-se uma das maiores corporações de mídia do planeta ao assumir o controle da americana Universal. Em meio a uma grave crise de credibilidade e sob severa pressão dos acionistas, o presidente da companhia, Jean-Marie Messier, foi obrigado a renunciar ao cargo no começo da semana.

Só neste ano, as ações da Vivendi já perderam 70% de seu valor. Para evitar a bancarrota, a empresa estaria em conversas com bancos para assegurar um empréstimo emergencial estimado entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões.

Messier tem sido responsabilizado pelas dificuldades da empresa. O executivo teria agido rápido demais ao transformar a centenária companhia de saneamento em uma gigante que controla a Universal e é dona do ‘passe’ de celebridades pop como Sting e U2.

‘Tentei fazer muito, muito rápido’, afirmou Messier em entrevista ao jornal ‘Le Figaro’.

‘Junk’

De acordo com os analistas, o novo presidente do grupo, que ainda não foi apontado, terá uma dura tarefa para recuperar a confiança perdida. Com o rebaixamento de ontem, a agência Moody’s derrubou a classificação dos papéis da dívida de longo prazo para a categoria de ‘junk bonds’ (de risco elevado).

‘Há uma reação de pânico. Os investidores correm a cada menção das palavras ‘contabilidade’ e ‘irregularidade’, disse um analista francês. ‘Com a renúncia do presidente [Messier’ e dúvidas sobre a estratégia do grupo, o investidor não tem motivos para ficar com as ações da Vivendi.’"


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