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M. F. NASCIMENTO BRITO (1922-2003)
Borges Neto

"O inovador do Jornal do Brasil", copyright Jornal do Brasil, 9/02/03

"No dia 16 de agosto de 2000, os leitores do Jornal do Brasil foram surpreendidos por uma carta através da qual Manoel Francisco do Nascimento Brito comunicava seu afastamento das funções executivas na empresa a que estivera ligado durante 51 anos. Só a doença - um acidente vascular cerebral que lhe paralisou parte dos movimentos do lado direito, dia 6 de outubro de 1978, quando passava férias na Venezuela - tirou àquela carta um pouco da sua força de impacto. Afinal, a vida do doutor Brito - como só era conhecido na casa - foi um pouco, ou muito mesmo, a história do JB na segunda metade do século 20.

Mesmo afastado, continuou no entanto exercendo a função de consultor algum tempo e manteve sua condição de acionista. Por força do hábito adquirido desde que entrara na empresa, doutor Brito haveria de voltar muitas vezes àquele que fora seu gabinete de trabalho, mas cada vez com menos regularidade. ‘Estou fora do jornal, não tenham dúvidas. Não entrava na minha cabeça ficar aqui eternamente. Sempre tive pânico de encerrar minha carreira diante desta mesa’, disse a uma equipe de jornalistas que o entrevistou ao apagar das luzes do ano 2000.

O convidado

A vida do doutor Brito dentro do JB começa em 1949. É quando Ernesto Pereira Carneiro o convida a deixar o cargo de procurador do Banco do Brasil e integrante do conselho fiscal da empresa aérea Cruzeiro do Sul para prestar seus serviços de advogado na rádio e no jornal dos quais o conde era dono. Em 1952, doutor Brito já é o superintendente da rádio.

No mês de fevereiro de 1954 morre o conde Pereira Carneiro, e a direção do JB passa para as mãos da viúva, Maurina Dunshee de Abranches Pereira Carneiro. E é ela quem pouco depois decide levar a efeito uma reforma efetiva no jornal - que se tornaria conhecido como ‘o jornal da condessa’.

Um jornal se faz com conteúdo gráfico e editorial

A execução dessa reforma, no entanto, é delegada por Maurina ao doutor Brito, seu genro, a quem logo encarrega das primeiras providências, a começar pela importação de novo equipamento gráfico. A ele também competirá o comando do setor administrativo e financeiro da empresa. Em 1956, e agora na condição de superintendente do JB, doutor Brito convida o jornalista Odylo Costa, filho, para começar a reforma do jornal, com a adaptação de novas técnicas de redação, modernização da impressão gráfica e a criação de uma nova linha editorial. Foi o início de uma das maiores revoluções do jornalismo brasileiro.

De ‘jornal das cozinheiras’ - como, pejorativamente, era ele apelidado devido ao grande número de anúncios através dos quais as pessoas procuravam empregadas e empregados domésticos - o agora ‘jornal da condessa’ passa a ser visto como um dos mais conceituados órgãos da imprensa nacional. Ele ia muito além das aparências. Valia não apenas pelo conteúdo mas também pela embalagem. Anos mais tarde, doutor Brito poderia dizer com conhecimento de causa: ‘Um jornal não se faz com reformas meramente estéticas e sim com o aprimoramento, dia a dia, do seu conteúdo gráfico e, principalmente, editorial’. A partir da reforma que comandou, doutor Brito passa a revelar o que viria a ser: não tanto jornalista mas um empresário de comunicação. Isso já ficara bem claro desde 1953, quando ele introduziu na Rádio JB um novo estilo de programação, ao mesclar música com informação. Também a rádio reformada por doutor Brito tornou-se modelo para outras rádios do país. O liberal

Doutor Brito sempre creditaria o mérito da reforma à condessa Pereira Carneiro. Foi ela quem, de alguma forma, continuou influindo no jornal até a sua morte, em dezembro de 1983, quando doutor Brito se tornou presidente do Conselho Editorial. Na verdade, é o doutor Brito quem, desde a saída do Odylo (1958) e até declarar seu próprio afastamento, deve ser considerado o orientador político do Jornal do Brasil.

Todo dia e pontualmente, doutor Brito reunia-se às 15h com a equipe de editorialistas, que subiam até o nono andar, onde tinha seu gabinete - no prédio em que o JB teve sua sede, de fevereiro de 1973 a janeiro de 2002. Aquele que durante meio século foi cabeça e dínamo do Jornal do Brasil gostava de inteirar-se, com os melhores jornalistas, de tudo o que se passava dentro e fora do país. E durante pelo menos uma hora passava com eles a sugerir, pesar e discutir temas considerados de maior relevância e cuja análise melhor traduzisse a opinião do jornal.

A melhoria do JB e sua aceitação pelo público podiam ser avaliadas pela avalanche de cartas que, sobretudo no tempo da repressão militar, os leitores lhe enviaram - nunca menos de meia centena a cada dia que passava. O doutor Brito sabia que era através dessas cartas que ‘o povo procurava se expressar’. Nessa época, o diretor do JB pôde dizer: ‘Sei que há censura em outras publicações, mas o nosso jornal goza de ampla, total e absoluta liberdade. Publica o que quer e só não publica o que não quer’.

A fidelidade a esta determinação, traduzida na prática do dia-a-dia, foi afirmada por ele mais de uma vez. Por exemplo, falando para empresários gaúchos, no dia 18 de junho de 1987, doutor Brito, insinuando uma crítica ao sistema dominante, defendeu o liberalismo como o caminho mais certo para resolver problemas nacionais. ‘O que ocorre no Brasil’, disse, ‘é que um cidadão entra para a burocracia e vai para Brasília. De lá, com toda a prepotência, passa a ditar ordens e resoluções para todo o país’. E disse mais: ‘O JB é um jornal que manifesta seu liberalismo em sua linha editorial e na sua maneira de ser’.

O aprendiz

Não foi à-toa que, pouco depois que entrou no JB e sem prejuízo de suas funções junto à diretoria, doutor Brito aproveitava eventuais tempos livres para fazer fotografia, paginação, montagem de placas para impressão, todos os misteres próprios de quem trabalha em uma empresa de comunicação. Uma vez iniciada a reforma do jornal, doutor Brito achou que devia fazer um aprendizado especializado. Em 1959 foi para os Estados Unidos, onde durante sete meses participou de um seminário sobre jornalismo que a Universidade de Columbia ministrou em Nova York. Na ocasião estagiou, também, em diversos jornais norte-americanos e, no ano seguinte, de volta ao Brasil, tornou-se o diretor-executivo do JB.

Sempre em busca do melhor para o seu jornal, doutor Brito assinou, em agosto de 1970, acordo de cooperação técnica com o diário El Mercurio, do Chile. Durante algum tempo o JB chegou a circular no país vizinho e um intercâmbio de notícias e artigos enriqueceu então os dois órgãos de imprensa. Gostava de escrever - o que fazia com muita elegância - e sempre que podia ia até a redação do jornal que, orgulhava-se de dizer, ‘sempre se caracterizou por ter em seus quadros os melhores profissionais do país’. Tinha um texto enxuto e objetivo, de que é amostra um belíssimo ensaio ensaio em que relata suas viagens ao exterior: EUA (1959), URSS (1963), Vietnã (1967), Israel e Grã-Bretanha (1968) e Itália (1969).

Era dotado de uma espécie de faro quando se tornava necessário apontar a direção para onde o jornal devia se voltar e também quando tinha de escolher profissionais à altura dos objetivos que se propunha. Exemplo é Carlos Castello Branco, jornalista que até a sua morte (1993) se tornaria autor da coluna política mais importante e lida em todo o país. Foi o doutor Brito quem, em 1962, trouxe para o JB o ainda pouco conhecido Castelinho da Tribuna da Imprensa, que, um ano antes, ele tinha comprado do jornalista e político Carlos Lacerda. Doutor Brito era exigente na elaboração do jornal mas ao mesmo tempo aberto a sugestões. Marcos de Castro, que desde os anos 60 trabalhou por diversas vezes no JB até chegar a compor o grupo de editorialistas, lembrou uma vez que, mesmo quando a condessa era viva, doutor Brito já tinha muita influência no jornal. Era ele quem, na prática, traçava a linha editorial seguida pelo jornal mas sabia escutar. ‘Ele demonstra muito respeito pelos jornalistas. Muitas vezes propus editoriais com os quais doutor Brito não concordava mas sempre permitia que eu os escrevesse. Por isso, acho que se deve a ele esse perfil liberal que caracteriza o JB’, atestou o jornalista.

Graças ao prestígio que alcançou e ao interesse que tinha pela notícia em primeira mão, muitas vezes doutor Brito tornou-se precioso depositário de informações privilegiadas. Dispunha de respeitável cadeia de informantes e freqüentemente era ele o intermediário das notícias mais eletrizantes entre suas fontes e a redação. Exemplo é a derrubada do governo de João Goulart em março de 1964. Uma semana antes, doutor Brito já sabia que havia um movimento militar pronto a tomar o poder.

Outro exemplo é o da doença que matou Tancredo Neves (21/4/85). Duas semanas antes da data em que o presidente eleito deveria receber a faixa (15/3/85), doutor Brito recebeu Tancredo em casa para jantar. Reparou, entretanto, que o hóspede passava a todo instante a mão sobre o abdômen, e o diretor-presidente do JB não teve dúvida: o presidente eleito devia estar com algum problema de saúde. Através dos seus informantes, entre os quais alguns dos maiores médicos do país, doutor Brito soube que Tancredo estava com diverticulite, teria de ser operado e não tomaria posse. E, quando no ano 2000 outros jornais davam como novidade que o governador Tasso Jereissati era o candidato do presidente Fernando Henrique Cardoso à sucessão, doutor Brito já tinha conhecimento da informação três semanas antes.

O combatente

A atitude combativa e independente que sempre marcou a linha editorial do JB, inclusive nos anos da ditadura militar (1964-85), foi obra também do doutor Brito. Pagou por isso preço alto. Pouco depois de anunciar seu afastamento do jornal e quando o jornalista Elio Gaspari quis saber dele qual sua pior lembrança no exercício do cargo, aquele que durante tantos anos fora o diretor-executivo do JB respondeu rápido:

‘A pior, de longe, foi a pressão feita em 1976 contra o Jornal do Brasil pelo presidente Ernesto Geisel (através da supressão de todo e qualquer anúncio oficial, suspensão de crédito, execução de débitos e pressão contra anunciantes). O que começou como uma tentativa de intimidação terminou se transformando num projeto de destruição do jornal (...). Os poderosos sempre acham que podem tudo’. Na época partiram ordens do então chefe de Gabinete Militar da Presidência da República, general Hugo Abreu, para, conforme disse, ‘quebrar a espinha do JB’.

Doutor Brito revelou também que, em contrapartida, sua melhor lembrança tinha sido o ‘convívio com os jornalistas e a transformação do JB em um padrão de técnica, copiado no Brasil e no exterior’. Doutor Brito foi eleito várias vezes membro da diretoria da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), da qual foi presidente em 1971. Já em 1966 tinha sido vice-presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa para o Brasil, da SIP, a que serviu durante 15 anos.

Faz sentido o que, em agosto de 1980, dele afirmou o então presidente do Partido Popular, senador Tancredo Neves: ‘Ele tem sabido manter, sustentar e fortalecer a tradição de luta, cultura e democracia do Jornal do Brasil, que, pelos padrões intelectuais e éticos, faz honra à imprensa do continente’. Ao responsável-mor pelo JB, o senador atribuiu ‘um incessante trabalho do mais alto e requintado nacionalismo’.

Graças à visão com que doutor Brito conduziu o JB desde a sua reforma como intermediário entre a redação e a diretoria até se tornar o responsável pela sua linha editorial, o ‘jornal da condessa’ tornou-se ‘uma espécie de escola do moderno jornalismo brasileiro’. Esta é a melhor definição do jornal que teve o doutor Brito como seu maior responsável na segunda metade do século 20. E quem a deu é um jornalista que em 1957 começou a trabalhar no JB e dele se tornou, em 1991, seu vice-presidente: Wilson Figueiredo.

O independente

Mesmo quando nos anos 70 começou a ter problemas financeiros, o JB não deixou de ser escola de jornalismo. Continuou a publicar editoriais ajustados ao momento histórico. Muitas vezes incômodos e contrários ao governo. Só nos anos 1998-2000, quando a crise atingiu seu pique, a linha editorial adotaria um estilo menos agressivo. Mas, mesmo então e sempre com o beneplácito do doutor Brito, o jornal manteve sua independência e nunca se recusou a publicar artigos avessos ao regime político ou ácidos para com fatos alheios à boa ética.

Ao doutor Brito se deve a contratação de empresas de consultoria para formulação de estruturas compatíveis com os rumos do JB em tempos de prosperidade, que culminaram, em fevereiro de 1973, com a mudança da sede do jornal da Avenida Rio Branco para a Avenida Brasil, 500, em São Cristóvão. A área construída da nova sede tinha 35 mil metros quadrados além de 12 novas unidades impressoras. O empreendimento pretendia superar problemas de local e logística que a antiga não tinha - com seus não mais que 5 mil metros quadrados de área e construída na parte mais sensível do coração da cidade. As finanças do JB, pelas quais doutor Brito sempre foi responsável, começaram a ficar abaladas a partir da perseguição política e do bloqueio econômico impostos pelo regime militar. Concomitantemente ocorreu a perda do monopólio dos classificados - situação agravada com as crises financeiras do país nos anos 70-80, quando diminuíram em publicidade os investimentos da iniciativa particular.

Outro fator que muito concorreu para agravar o problema foi a política comercial adotada pelo jornal O Globo. O concorrente oferecia substanciosos descontos a quem publicasse anúncios em suas páginas com a condição de que fosse em caráter exclusivo. Com o doutor Roberto Marinho, dono das Organizações Globo, no entanto, doutor Brito manteve sempre boas relações, até porque durante muitos anos ambos freqüentaram o Sindicato de Proprietários de Jornais e Revistas do Rio de Janeiro. Mas também não deixava de, reservadamente, fazer críticas aos métodos com os quais o concorrente-mor construiu seu império. Além da recusa de publicidade com que os governos Ernesto Geisel e João Figueiredo contribuíram para a crise financeira do JB, doutor Brito reconhecia que lhe fez muita falta um canal de televisão. Ele o disputou desde 1956, quando no Rio havia só a TV Tupi. E estava pronto o decreto para a concessão do canal quando a publicação de uma foto no jornal deitou tudo a perder. A foto, que ficou conhecida pelo refrão carnavalesco Me dá um dinheiro aí, mostrava Foster Dulles, secretário do Tesouro dos EUA, como que segurando nas mãos uma caderneta que lembra uma bolsa, e na sua frente o presidente Juscelino Kubitschek, de mãos abertas na direção do visitante. No dia seguinte, JK, quando viu a imagem, ficou profundamente irritado e rasgou o decreto. Nem por isso o doutor Brito se arrependeu, alguma vez, de em 1958 ter dado orientação para que o JB desse boa cobertura a tudo o que surgisse no encalço da Operação-Pan-Americana, de que Juscelino era um dos maiores entusiastas junto com o seu assessor e poeta Augusto Frederico Schmidt. O próprio doutor Brito chegou a escrever artigos e editoriais a respeito.

Só no dia 18 de janeiro de 200l, após prolongadas e difíceis negociações entre a diretoria do JB e a DocasNet, a crise chegou ao fim. Um acordo entre o empresário Nelson Tanure e a Agência JB criou uma parceria que garantiria uma fase de maior tranqüilidade para o Jornal do Brasil e os que nele trabalhavam.

O aviador

O doutor Nascimento Brito era neto de português, filho da inglesa Amy e do brasileiro José do Nascimento Brito. Carioca da Tijuca, nasceu no dia 2 de agosto de 1922, fez os primeiros estudos no Colégio de São Bento e formou-se na Faculdade de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Com o advento da Segunda Guerra Mundial, alistou-se na Força Aérea Brasileira, a que serviu como oficial e piloto nos anos 1943-45. Participou das operações militares realizadas no litoral brasileiro. Findo o conflito, tornou-se primeiro-tenente da reserva da FAB e, muitos anos depois, ainda gostava de dirigir aviões de porte médio em viagens de trabalho e lazer.

Em 1946 casou-se com Leda Marina Marchesini. Leda é filha de Maurina Dunshee de Abranches, que se tornaria condessa quando com ela casou, em segundas núpcias, em 1942, o conde Ernesto Pereira Carneiro. Respeitoso e afável no trato com aqueles que trabalhavam a seu lado, assumia para eles a imagem de um verdadeiro gentleman. Ou de um diplomata. Nada estranho, sabendo que o embaixador Jaime do Nascimento Brito era seu tio e Margarida, secretária do Itamaraty durante muitos anos, sua irmã.

Em 1960, participou da delegação brasileira, como membro da Comissão Econômica e Social, na 16ª Assembléia-Geral das Nações Unidas - considerada então ‘a reunião do século’ em face do comparecimento dos principais chefes de Estado de todo o mundo. Homem voltado para as artes, foi membro do Conselho Internacional do Museu de Arte de Nova York e patrono da Ópera Metropolitana de Nova York. E desde 1989 era presidente do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Recebeu os prêmios de jornalismo Maria Moors Cabot (1967), dos Estados Unidos. E, entre outras condecorações, recebeu a da Legião de Honra (França), Ordem de Cavaleiro do Império Britânico (Inglaterra), Ordem dos Guararapes (Pernambuco), Ordem do Rio Branco (Itamaraty), Ordem do Mérito das Forças Armadas, Ordem do Mérito Aeronáutico, as medalhas do Atlântico Sul, Mérito Industrial, Semana do Exército, Ben Gurion, Pacificador e da Inconfidência. A revista Tendência distinguiu-o também, em 1986, com o prêmio de Comunicação e em 1987 foi escolhido a personalidade do ano pela Associação Brasileira de Propaganda, além de ter ganho, da Varig e do Índice Banco de Dados, o Prêmio Visconde de Cairu.

De todas as honrarias, a que mais terá gratificado doutor Brito foi a da Ordem de Cavaleiro do Império Britânico, que lhe confere o direito de antepor o Sir a seu nome. Com ele só outros dois brasileiros mereceram esse galardão: Pelé e o empresário Celso Rocha Miranda. O governo britânico bem entendeu que doutor Brito fazia jus. Ainda a Guerra das Malvinas (1982) não tinha estourado, e já o JB publicava editoriais não só colocando-se ao lado da Inglaterra como opondo-se a um possível envolvimento do Brasil no conflito. Diplomatas do Reino Unido deram a conhecer, mais tarde, que a diretriz do doutor Brito terá pesado muito na decisão do governo brasileiro pela neutralidade no caso. Ele era um Sir."

 

Roberta Pennafort

"Morre Nascimento Brito, ex-diretor do ‘JB’", copyright O Estado de S. Paulo, 9/02/03

"O ex-diretor-executivo do Jornal do Brasil (JB) Manoel Francisco Nascimento Brito, de 80 anos, morreu ontem, às 7h40, de falência cardíaca. Ele estava internado no Hospital Copa D’Or, em Copacabana, desde o dia 20, por causa de um acidente vascular cerebral. Por 52 anos, Nascimento Brito ficou no comando do JB, de onde se afastou aos 78 anos, em agosto de 2000, com uma breve carta aos leitores, publicada na primeira página.

Nascimento Brito perdera os movimentos do lado direito do corpo em 1978, quando sofreu um derrame, durante uma viagem à Venezuela. Ele pescava quando se sentiu mal. Sua saúde manteve-se relativamente estável e ele levou uma vida normal, até ocorrer outro acidente vascular. A família contou que, apesar de ter perdido a fala, ele estava consciente. Comunicava-se por meio de gestos e tinha a companhia de familiares. O jornalista teve cinco filhos:

José Antônio - que preside o Conselho Editorial do JB -, Manoel Francisco, Maria Regina, Teresa e Maria Isabel. O corpo de Nascimento Brito será cremado hoje, no Cemitério Memorial do Carmo, ao meio-dia.

O neto mais velho, José Joaquim, de 24 anos, disse que o avô ‘sempre foi muito teimoso’ e recusava-se a andar em cadeira de rodas, apesar de se locomover com dificuldade. ‘De um ano para cá, a saúde dele se deteriorou rapidamente. Foi uma morte lenta e sofrida. Ele perdeu a fala, mas continuava lúcido. Os últimos meses foram especialmente dolorosos.’

Patriarca - Joaquim lembrou ainda que a família tinha o hábito de se reunir uma vez por mês na casa do patriarca, em Laranjeiras, zona sul. Antes de se mudar para lá, ele morava no bairro de Santa Teresa, onde viveu por cerca de 30 anos. Nascimento Brito era casado com dona Leda, filha do conde Ernesto Pereira Carneiro. Foi ele que levou Nascimento Brito para o jornalismo, em 1949, quando o convidou para dirigir a Rádio Jornal do Brasil."

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