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RÁDIO
LM

"Concorrência no dial vira luta armada", copyright Folha de S. Paulo, 10/7/02

"As rádios brasileiras, pelo menos as mais espertas, aderiram à filosofia do ‘se ficar, o bicho pega’. Preocupadas com a crise publicitária e tentando se preparar para a entrada do capital estrangeiro, AMs e FMs devem transformar a concorrência em uma espécie de luta armada.

Em São Paulo, quatro grandes emissoras assinaram um serviço lançado este mês no mercado, o MediaSpot. Trata-se de programa de computador que registra, 24 horas por dia, todos os anúncios e promoções que vão ao ar no dial.

Assim, uma estação pode descobrir todas as estratégias comerciais de suas maiores concorrentes. E, principalmente, passar a bater na porta dos anunciantes alheios para tentar angariá-los.

O MediaSpot -que irá monitorar as campanhas publicitárias em 150 emissoras de AM e FM de todo o país- também será uma arma valiosa em outro processo atual, muito forte no rádio: a formação de redes nacionais.

Ficará mais fácil detectar as estações regionais que reúnem os melhores anunciantes, ou seja, as mais atraentes para se tornarem afiliadas ou retransmissoras.

Outra utilização importante: agências de publicidade poderão checar se os anúncios pelos quais pagou estão realmente sendo veiculados. Afinal, tem muito anunciante que paga por espaço no rádio e nunca consegue ver -ou melhor, ouvir- sua propaganda.

Mais uma vez, o eterno problema das rádios piratas de Minas Gerais estará em debate.

No 6º Congresso Mineiro de Radiodifusão, que acontece nesta semana em Belo Horizonte, o setor discutirá estratégias para lidar com as 20 mil estações clandestinas que existem no Estado, segundo João Bosco Torres, presidente da Amirt (Associação Mineira de Rádio e Televisão).

O tema será discutido amanhã, com a participação de representantes do Ministério das Comunicações, da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), da Polícia Federal, da PM mineira, dos ministérios públicos estadual e federal e da Justiça Federal.

O que se espera é uma espécie de acareação, já que, quando o assunto é rádio pirata, cada órgão costuma jogar a bomba no colo do outro. E isso nem é um ‘privilégio’ de Minas Gerais.

Entrada do capital estrangeiro, digitalização, formação de redes, crise do mercado publicitário, programação e regras para a cobertura eleitoral também estão em discussão no congresso. Heródoto Barbeiro, da rádio CBN, está entre os debatedores."

 

INTERNET & PLÁGIO
Mario Lima Cavalcanti

"Plágio de conteúdo jornalístico na Web", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 8/7/02

"‘PLÁGIO É QUANDO ALGUÉM COPIA SEM CITAR. QUANDO ALGUÉM TENTA SE APROPRIAR DO QUE NÃO É DELE. A DEFINIÇÃO PARECE CLARA MAS, NA PRÁTICA, NEM TUDO É ASSIM TÃO FÁCIL’ António Granado, editor do site Ciberjornalismo.com

Em quase todas as listas de discussão sobre jornalismo e mídia digital que participo, o assunto plágio na Web está sempre em evidência. Seja de textos escritos ou de imagens, o número de plágios no meio online cresce na mesma velocidade que a internet.

O plágio de conteúdos jornalísticos na internet não é um problema nacional. Na coluna Media News, do site Poynter.org, o jornalista Jim Romenesko alerta para um artigo do jornal Austin American-Statesman copiado por uma escritora que sequer citou a fonte.

Há quem pense que os que copiam textos na internet não sabem o que estão fazendo. Mas até ‘gente grande’ faz coisa errada. Segundo comunicado de 30 de junho de 2002 do editor do jornal norte-americano The Salk Late Tribune, seu colunista de TV, Marty Renzhofer, perdeu o cargo por copiar parágrafos de textos de outro site.

Os dois casos acima aconteceram recentemente. Particularmente, acho que citações de fontes deveriam ser uma obrigatoriedade, por questões éticas e morais. Seria uma maravilha se a cultura de citar o terceiro existisse. No entanto, a jornalista, professora e consultora em projetos de comunicação e webjornalismo Tina Andrade consultou advogados especialistas no assunto plágio e que trabalham para empresas de tecnologia e, segundo ela, a resposta que obteve foi que, exceto o material publicado e registrado na Biblioteca Nacional, tudo aquilo que se lança na Rede é passível de ser compartilhado.

Assim como Tina, eu também lamento. Solução concreta para eliminar plágios na Web, eu creio que ainda não tenha nascido. Mas existem algumas soluções que, de certa forma, amenizam o problema. Para quem conhece bem a linguagem HTML, Tina dá uma dica: ‘Uma boa tentativa de proteger os direitos autorais do seu conteúdo é inserir palavras-chave (como o nome do autor do texto) nas metatags da página. Isto vai ajudar (e muito) na rotina de realizar buscas periódicas. Uma vez por semana eu entro com estas palavras-chaves no Google e faço a festa’, comenta.

Quem trabalha no meio online sabe que ter textos copiados é o que mais ocorre em sites de conteúdo. Vicente Tardin, editor do Webinsider, acredita que as pessoas confundem informação de uso livre com cópia: ‘Existe uma certa confusão entre informação livre e cópia de conteúdo. Quem copia textos de sites de conteúdo está na verdade vendendo um pastel cujo recheio não é dele. Se alguém gostou de uma matéria publicada no seu site, por que não a comenta e aponta links?’ diz o jornalista, que já teve alguns de seus textos publicados sem autorização em vários sites.

Mas, apesar do aborrecimento que o plágio traz, Vicente prefere tomar providências com tranqüilidade e esperar por uma solução realmente sólida: ‘Na prática, penso que devemos reclamar sempre com o copiador, para que ele saiba que estamos de olho. Reclame por escrito com todos os nomes do site que você conseguir identificar. Quem tiver recursos, deve acionar o departamento jurídico. Uma intimação costuma produzir resultados. Quem não tem essa estrutura deve reclamar da mesma forma e procurar se acalmar. Pense que o copiador é alguém muito pequeno em relação a você e portanto não deverá ser um competidor - mesmo que venda espaço para propaganda e serviços, tirando proveito do conteúdo que você desenvolveu. A internet é um saco de gatos - há gente boa e também muitos aproveitadores. Estes são os que atrapalham. É a vida como ela é’, completa Tardin.

Você já teve textos copiados ou plageados? Conhece algum remédio para amenizar a pressão? Então participe comentando no fórum abaixo. Até o próximo artigo!

Em tempo 1: Vale a pena conferir a Lei nº 9.610 de 19/02/1998, do Ministério da Ciência e Tecnologia, que altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais.

Em tempo 2: Leia o artigo ‘Copy-and-paste: na Web plágio (ainda) é muito relativo’, de Tina Andrade, e conheça outras dicas para afastar o problema."


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