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ASSESSORIA DE IMPRENSA
Eduardo Ribeiro
"Os donos de agências e a crise de identidade profissional", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 10/7/02
"Há pouco mais de 20 anos começavam a nascer as empresas independentes de assessoria de imprensa, fundadas por um ou dois jornalistas saídos de alguma redação. Ou porque tinham perdido o emprego e não encontravam outro ou porque efetivamente estavam de saco cheio de chefes, patrões, pescoções e aquela coisa infernal e estressante de fechamento atrás de fechamento e quase nenhuma qualidade de vida.
Não eram poucos, aliás, os que vinham das hostes das esquerdas, com uma visão socialista das relações capital-trabalho, e que mesmo abrindo uma empresa, com CGC, empregados, encargos etc., não se sentiam empresários. Na política, alinhavam-se com o PT ou com algum partido ou corrente afinados com a social democracia. Na categoria, posicionavam-se como um misto de autônomo e pequeno empreendedor, confortados com a certeza de que além de terem conseguido fugir do cabresto do patrão ainda davam uma pequena contribuição para a economia e para o nível de emprego, oferecendo emprego para mais alguém por salário obviamente melhor do que o da redação.
E na vida... Bem, na vida, o que se via era uma verdadeira crise de identidade, porque pouco a pouco esses colegas que optaram por ter seu próprio negócio viam que jornalista, propriamente dito, como antigamente, já não eram mais, mas empresários eles não queriam e não estavam preparados para ser. Muitos, aliás, pela história política, foram ferozes combatentes do capitalismo, do empresariado, da ditadura, e o fizeram seja na militância política, seja no cotidiano do jornalismo, com o conhecido poder de crítica típico da imprensa e dos jornalistas.
Essa crise de identidade durou mais de década e criou no nosso meio um profissional-empresário híbrido, que não sabia direito qual o seu verdadeiro papel no mercado. Uma figura que queria, por exemplo, participar da vida sindical, para não perder o vínculo com a categoria, mas que nunca se sentia à vontade (com razão) em votar nas assembléias, particularmente nos assuntos relativos às questões trabalhistas e salariais.
Havia e de certo modo há um medo de que ao se tornar empresário se deixe de ser jornalista e se assuma, de vez, o ‘odioso’ manto do capitalismo selvagem, renegando toda a história de militância e pensamento político. É, sem dúvida, um difícil conflito, mas um falso conflito, pois ninguém melhor do que aqueles que têm uma visão humanista e socialista para gerar uma empresa cidadã, capaz de cumprir com correção, talento, suor, ousadia e quantos adjetivos mais quisermos colocar aqui, seu papel social e econômico na vida do País. Ou será que um médico, apenas por virar dono de hospital, perde todas as qualificações e deixa de contar com o respeito de sua comunidade?
Essa crise de identidade fez com que muitos colegas patinassem na construção de um negócio mais próspero, embora tenham conseguido atingir boa parte dos objetivos de sobrevivência e qualidade de vida, longe do
estresse das redações. Tanto é assim que poucos - ou quase ninguém - quiseram pular de novo o balcão regressando às redações. Montaram a empresa e encontraram-se nesse novo negócio.
Felizmente isso tem mudado e muito. Está aí, por exemplo, a Abracom - Associação Brasileira das Agências de Comunicação, que é a prova viva de que a crise de identidade vai chegando ao fim e aqueles profissionais que antes conviviam com essa angústia começam a assumir pra valer esse seu papel. Um papel, diga-se de passagem, dos mais dignos, decente e que hoje é cada vez mais reconhecido pelo mercado, qualquer que seja o ângulo observado.
Estamos falando de empresas que geram empregos, pagam bons salários, investem no treinamento e qualificação das equipes, buscam novas oportunidades de negócios com ética (não estou aqui tratando das exceções), cumprem, enfim, com o compromisso pessoal, profissional e social que lhes cabe, com uma diferença dos tempos antanhos: trocaram a vergonha pelo orgulho da camisa que vestem.
E se enganam aqueles que pensam que isso só vale para as grandes agências. De modo algum: pequenos, médios e grandes empreendedores começam a ter cada vez mais noção de sua missão empresarial e sabem que o mercado é grande e generoso o suficiente para abrigar a todos, sem a mínima necessidade de uma disputa fratricida ou de ações antiéticas para sobreviver e crescer.
Não é outra a razão do expressivo crescimento ocorrido
nesse segmento e isso é apenas o começo, já que há
um mundo de oportunidades a desbravar. Para aqueles, portanto, que ainda não
desceram do armário, a recomendação é de que o façam,
pois a crise de identidade, embora sutil e por vezes imperceptível, é
perversa e traiçoeira com os objetivos maiores de qualquer negócio."
FÓRUM ABI
Ivson Alves
"Fórum da ABI discutirá os assuntos certos", copyright Comunique-se, 14/7/02
"Confesso que já estava um tanto desanimado com a possibilidade de não ver discutidos pontos que considero importantes relativos ao assassinato de Tim Lopes. Estava começando a acreditar que o pessoal da desconversa ia acabar fazendo todos esquecerem que há uma necessidade premente de discutirmos pontos específicos dos métodos de trabalho que usamos hoje no chamado jornalismo investigativo. Havia a promessa de que o ‘Fórum Tim Lopes, Nunca Mais!’, marcado para entre 5 e 9 de agosto, fosse se dedicar a isso, mas eu duvidava um pouco. Graças a Deus estava errado.
Constatei o fato ao receber a programação do Fórum, que reproduzo abaixo. Além de assuntos mais gerais, como o poder paralelo e sua relação com a imprensa, há os específicos que ainda não foram discutidos com a seriedade e a profundidade necessários, como segurança no trabalho e novas formas de contrato e as perdas de garantias trabalhistas geradas por elas, algo que certamente as empresas não gostariam de ver dissecado.
O programa do Fórum, que acontecerá no auditório do 9º andar da ABI (Rua Araújo Porto Alegre, 71), é esse:
Abertura 5/08 (segunda) 10hs
Mesas
5/08 (segunda)
14h às 17h: PODER PARALELO E LIBERDADE DE IMPRENSA
6/08 (terça)
9h30 às 12h30 e de 14h às 17h: VIOLÊNCIA, IMPRENSA E MUDANÇAS NO CÓDIGO PENAL
7/08 (quarta)
9h30 às 17h: ATÉ ONDE VAI O JORNALISMO INVESTIGATIVO?
8/08 (quinta)
9h30 às 12h30: RELAÇÃO DAS EMPRESAS DE MÍDIA E COM OS JORNALISTAS
14h às 17h: RELAÇÃO DOS JORNALISTAS E COM AS EMPRESAS DE MÍDIA
9/08 (sexta)
9h30 às 12h30: SEGURANÇA NO TRABALHO JORNALÍSTICO
14h às 17h:NOVAS FORMAS CONTRATUAIS/PERDAS DE GARANTIAS TRABALHISTAS
Os nomes que comporão as mesas ainda estão sendo confirmados pela Márcia de Almeida, que coordena o Fórum com o apoio da Diretoria de Assuntos Culturais da ABI, a cargo de Fischel Davit. Espero realmente que as discussões sejam frutíferas e saia delas pelo menos um esboço de propostas a serem encaminhadas pelas nossas entidades representativas e pelas empresas.
Batatadas - É assim que o mestre Marcos de Castro denomina os nossos erros em seu livro ‘A Imprensa e o caos na ortografia’ (Editora Record. Recomendo). Pois o meu querido mestre deve estar muito triste com o que está sendo perpetrado nos jornais ultimamente. Só na semana passada, em apenas um jornal (O Globo), três erros crassos de ortografia foram cometidos:
Acento, referindo-se a lugar onde se senta (coluna do Ancelmo de quarta, dia 10);
Entitulado, no lugar de intitulado (matéria de capa da Economia da sexta, dia 12);
Ceita, no lugar de seita (matéria sobre terapias alternativas no Jornal da Família na edição deste Domingo, dia 14).
Das duas primeiras, a do Ancelmo teve pedido de desculpas, mas a outra não. A do domingo ainda pode ter na edição de segunda (estou escrevendo no domingo à noite).
Tudo bem que errar, podemos errar todos (Andréa, estudante de Letras e que sempre foi melhor do que eu em português, sempre se arrepia com os meus), mas três erros dessa magnitude em menos de uma semana, em três editorias diferentes de um jornal que grita sua qualidade aos quatro ventos, não é normal. É quase uma epidemia. Há que se tomar um providência."
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