18/11/2003 19/24

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TV CULTURA EM CRISE
Eliane Pereira

"Cultura aperta mais o cinto", copyright Meio e Mensagem, 10/11/03

"Disposta a achar um caminho para sobreviver em meio à crise que se abate sobre a mídia brasileira - agravada, no caso da TV Cultura de São Paulo, pelo corte de verbas do governo estadual -, a Fundação Padre Anchieta, mantenedora da emissora, anunciou na semana passada novas medidas referentes ao ‘amplo processo de reestruturação’ que está sendo implementado. Essas medidas incluem a demissão de 108 funcionários, a terceirização dos serviços de segurança, limpeza e alimentação e a renegociação de parte da dívida total de R$ 50 milhões.

As medidas vão gerar economia em torno de R$ 3,2 milhões por ano, segundo estimativa da própria mantenedora. Esse dinheiro, como afirma a diretora superintendente da Fundação Padre Anchieta, Julieda Puig Pereira Paes, será investido em programação e compra de equipamentos. ‘Nosso objetivo não é reduzir custos, e sim liberar recursos para a realização de programas, contratação de profissionais, confecção de cenários, enfim, o que for preciso para nossa atividade-fim, que é fazer televisão’, explica Julieda.

A direção da emissora estuda também, para o futuro, a internalização do departamento comercial - hoje a venda dos espaços publicitários é feita pela Connect. A terceirização foi a opção escolhida quando a TV Cultura começou a aceitar comerciais (dentro de uma política bastante restrita de veiculação) porque a emissora não tinha experiência em lidar com o mercado publicitário, e vice-versa.

A idéia agora é fazer uma aproximação mais direta com o mercado e, na medida do possível, ampliar as receitas com publicidade - que, aliadas à venda de serviços (como a produção e geração de imagens para a TV Justiça e TV Assembléia, por exemplo), já chegaram a gerar R$ 40 milhões anuais, e atualmente não passam dos R$ 25 milhões. O orçamento anual da Cultura é de R$ 110 milhões, sendo que cerca de 80% corresponde a verbas repassadas pelo governo do Estado.

Complementação orçamentária

Para o ano que vem, a Fundação está pedindo à Assembléia Legislativa que aprove uma complementação orçamentária de R$ 4 milhões, que serão utilizados para novos projetos. A definição do orçamento só será feita no início de dezembro, mas programas infantis e juvenis, como Cocoricó e Guerrilha, e os jornalísticos continuam na programação de 2004, que terá ainda a série Contos da Meia-Noite.

Para acertar sua situação financeira, a Cultura anunciou o pagamento de R$ 6 milhões em dívidas atrasadas e o refinanciamento de outros R$ 29 milhões de débitos, parcelados em 15 anos, além de ter se comprometido a retomar o pagamento pontual de todas as suas contas. Também será implantado um sistema de gestão integrada para racionalizar os processos administrativos da emissora. A parte mais dolorida do processo é mesmo a demissão de praticamente 10% dos funcionários - 64 deles trabalhavam no restaurante, na lanchonete e nos setores de limpeza e segurança, que serão terceirizados, e 44 eram da área administrativa. Vale lembrar que, em fevereiro, a Cultura já havia promovido um primeiro corte que atingiu cerca de 250 pessoas."

 

PERSONAL VIDEO RECORDER
Época

"Televisão mais interativa", copyright Época, 17/11/03

"Enquanto a televisão digital ainda é um sonho distante do consumidor, aumentar a interatividade já melhora bem a vida de quem gosta de passar horas em frente à telinha ou simplesmente não quer perder aquele capítulo especial de um seriado da TV por assinatura. Famoso nos Estados Unidos, no Reino Unido, no Canadá e na França, o serviço conhecido como Personal Video Recorder (PVR) chega agora ao Brasil, lançado pela operadora SKY, de televisão por satélite. O aparelho é uma espécie de gravador capaz de armazenar digitalmente até 50 horas de programação. Sem fita - tudo fica guardado num disco de memória, como num computador. O sistema brasileiro tem funções semelhantes aos dos americanos ReplayTV e TiVo, que já superou a barreira do 1 milhão de assinantes. A gravação pode ser feita de diversas formas e também é possível pausar cenas ao vivo - para aquele momento emocionante da novela em que o telefone insiste em tocar.

O SKY+, como foi batizado o equipamento, tem memória de 80 gigabites e uma porta USB, na qual será possível ‘plugar’ outros equipamentos no futuro. Há planos de trazer produtos periféricos específicos, como, por exemplo, uma memória extra (um disco rígido externo), que permitiria a gravação de mais tempo de programação.

Um dos fatores do sucesso do serviço está na facilidade de utilização. ‘O desafio era desenvolver um produto que qualquer pessoa da família pudesse operar’, diz Rosamélia Girão, gerente da SKY. Diferentemente do que ocorre com o videocassete comum, para gravar um programa o assinante precisa apenas marcá-lo na grade de programação. ‘Nos países onde há o serviço, observou-se um aumento significativo do número de horas em frente à televisão e maior variedade de programas vistos’, comenta Rosamélia.

Tanta comodidade tem preço um pouco salgado para os padrões nacionais. O aparelho custa R$ 1.499, e a mensalidade sai por R$ 19,90. Além disso, o assinante tem de continuar pagando seu pacote mensal. Ainda assim, a SKY espera uma adesão de 10% de seus 770 mil assinantes ao serviço em 18 meses.

A DirecTV também pretende lançar um equipamento para cumprir função parecida - um cabo que, ligado a um videocassete, permite a gravação dos programas distribuídos por satélite. Para usá-lo, porém, é preciso programar o vídeo da maneira tradicional, e a gravação é limitada ao espaço da fita. A única vantagem em relação ao VCR tradicional é que, por R$ 50, pode-se gravar sem deixar a TV ligada."


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