|
TV / COMBATE À BAIXARIA
Daniel Castro
"Governo estuda nova faixa de classificação", copyright Folha de S. Paulo, 13/12/02
"O Ministério da Justiça deve publicar na última semana deste ano, no ‘Diário Oficial da União’, portaria que cria nova faixa de classificação de programas de TV, filmes, espetáculos e jogos eletrônicos. A nova faixa será a de produtos de entretenimento impróprios para menores de oito anos, intermediária entre a classificação livre e a de 12 anos (20h, na TV). Seu horário ainda não está definido, mas deverá ser 18h ou 19h.
A portaria deve ser assinada no próximo dia 20, durante a segunda reunião do Comitê Interinstitucional de Classificação Indicativa, criado em novembro e formado por representantes de igrejas, Poder Judiciário, cinema e televisão (Record e TVs públicas). A principal função do comitê é avaliar os critérios de classificação usados pelo Ministério da Justiça.
Atualmente, os programas de TV são classificados como livres (exibição até as 20h), impróprios para menores de 12 anos (veiculação a partir das 20h), 14 anos (21h), 16 anos (22h) e 18 anos (23h). As redes de TV entendem que a classificação, por ser indicativa, é apenas uma sugestão, mas uma liminar da Justiça Federal as obriga a cumprir determinação etária desde outubro.
A nova regra de classificação, que tem a oposição das redes de TV, não irá interferir em programas policiais e de auditório exibidos à tarde. Isso porque programas ao vivo e jornalísticos são dispensados de classificação prévia."
LITERATURA SOBRE MÍDIA
Ivson Alves
"Leituras para o Bom Noel (2002)", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 15/12/02
"O Natal já está às portas e, como no ano passado (coluna de 8 de dezembro), vou dar umas sugestões para quem está naquele dilema de saber o que vai dar ao amigo oculto coleguinha ou sobre o que vai pedir de presente ao Bom Velhinho. Procurei ser bem eclético nas sugestões, mas pediria que quem tivesse suas próprias idéias, mandá-las para o retângulo lá de baixo, também como em 2001. Os preços da lista - exceto um - foram retirados da loja on line da Saraiva entre 9 e 14 de dezembro, portanto, pode haver mais barato por aí. Bom, vamos lá.
Showrnalismo - A notícia como espetáculo (José Arbex Jr./Casa Amarela/R$ 30,00)
Pare de me ler agora e vá à livraria mais próxima, real ou virtual, comprar este livro. Nele Arbex mostra, com conhecimento e rigor, como o jornalismo virou espetáculo de forma a afetar não só nossa visão do mundo, mas até como nos lembramos de nossa própria vida.
Sobre a Televisão (Pierre Bourdieu/Jorge Zahar Editor/R$ 18,00)
Seminal. O filósofo francês procura demonstrar como a TV, da maneira como é feita, é um perigo que assola as diversas esferas da sociedade, desqualifica o debate (quando não simplesmente acaba com ele) e ameaça a democracia.
A Mídia e a Modernidade (John B. Thompson/Editora Vozes/ R$ 32,70)
O sociólogo inglês sustenta que o desenvolvimento da mídia em escala planetária mudou completamente nossa percepção de tempo e espaço, alterando em conseqüência nossas relações com o mundo e as pessoas.
Planeta Mídia (Dênis de Moraes/Letra Livre/ R$ 21,50)
Os dados estão defasados e a maior parte das previsões furaram. Então por que ler este livro, escrito em 1998 e que precisa de uma segunda edição revista? Porque Dênis, meu ex-chefe no Globo em fins dos anos 80 e hoje professor do curso de mestrado da UFF, mostra como a comunicação é a indústria central do capitalismo de hoje, usando para isso um estilo vertiginoso que lembra William Gibson, o romancista-guru do ciberespaço.
Jornalismo em ‘tempo real’ - O fetiche da velocidade (Sylvia Moretzsohn/Revan/R$ 24,00)
Se você tem a paciência (e uma tendência ao masoquismo, lamento dizer) de me acompanhar há algum tempo, falei da tese de mestrado que a Sylvia estava para publicar em livro. Bom, aqui está. Nele, a professora da UFF, e minha ex-colega nos saudosos (pelo menos para mim) tempos de jornalista esportivo, demonstra que o jornalismo on line é o exemplo acabado da ideologia que transformou a própria rapidez na transmissão das notícias num valor em si, e mostra quais as conseqüências disso.
Quem tem medo de ser notícia? (Marilene Lopes/Makron Books/ R$ 39,00)
A craque em comunicação empresarial, ex-Xerox do Brasil e multipremiada pela Aberje, indica os atalhos e as armadilhas no caminho de quem pretende montar a estratégia de comunicação de uma empresa.
O Papel do Jornal - Uma Releitura (Alberto Dines/Summus/R$ 24,00)
O veterano e respeitadíssimo jornalista, mentor do Observatório da Imprensa, faz uma revisão do clássico que escreveu sobre jornalismo brasileiro, à luz das mudanças ocorridas nos últimos 20 anos.
A Deusa Ferida - Por que a Rede Globo não é mais a campeã absoluta de audiência (Silvia H. Simões Borelli e Gabriel Priolli/Summus/R$ 36,50)
Grupo de pesquisadores, comandado por Borelli e Priolli, realizou pesquisas exaustivas e comprovou que a média de audiência da Estrela da Morte na década de 90 caiu em relação às duas décadas anteriores. Publicado em fins de 2000, a obra antecipa e explica a crise pela qual passa a ex-Vênus Platinada.
O que é jornalismo sindical? (Vito Giannotti/Brasiliense /R$ 12,00)
O bravo companheiro Vito Giannotti explica neste livrinho da coleção Primeiros Passos a importância do jornalismo sindical, este campo de trabalho tão desprezado pelos coleguinhas, mas repleto de história e essencial para a vida de uma sociedade democrática.
Formação Superior em Jornalismo: uma exigência que interessa à Sociedade (Diversos autores/Fenaj-UFSC/ R$ 10,00)
Este livro é o único que não é vendido em livrarias. Editado pela Federação Nacional dos Jornalistas com apoio da Universidade Federal de Santa Catarina, demonstra, por A+B, a importância da formação específica para a profissão de jornalista. O preço é o cobrado no Sindicato do Rio, podendo variar em outros sindicatos."
COMUNICAÇÃO & CULTURA
AcessoCom
"Brasil deve priorizar ‘função política’ da cultura", copyright Epcom (www.acessocom.com.br), 16/12/02
"‘A sociedade brasileira se encontra hoje sob a hegemonia cultural estrangeira, em especial da produção cultural norte-americana, que decorre das estruturas de mercado que se criaram ao longo do tempo, devido à incompreensão, miopia e omissão dos governos em relação à política cultural, de comunicação e de educação.’ No ponto de vista do embaixador, ex-chefe do Departamento Econômico do Itamaraty e ex-diretor do Instituto de Pesquisas em Relações Internacionais (Ipri) do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, o cenário cultural do Brasil encontra-se assim porque a ‘função política da cultura’ e das inter-relações entre produção cultural, estruturas econômicas de produção e de comercialização cultural foram ignoradas pelos governos. Ele sustenta em artigo para ‘Carta Maior Agência de Notícias’ que o ‘ Estado brasileiro tem limitado sua ação a um modesto apoio assistencialista, colonizado e envergonhado à produção cultural de elite ou de pequeno impacto social através de isenções fiscais, sem se preocupar em promover e garantir a livre competição nos mercados culturais de massa, onde se forma o imaginário social’.
Introduzindo o texto com definições sobre cultura, manifestações culturais e Estado, o embaixador destaca que a produção cultural ‘tem importância fundamental na política internacional’ porque são os livros, filmes, notícias, relatos, fotografias que formam o imaginário do ser humano, sua ‘visão de mundo’ e consequentemente a imagem das sociedades e dos países. No entender de Guimarães, por este motivo a política cultural e de comunicação ‘estão profundamente vinculadas’ ao sistema educacional, cujos valores hoje transmitidos são da ‘produção material e da maximização do consumo individual, do ser humano como unidade de trabalho e não como cidadão político solidário, digno de uma vida espiritual superior’. Em sua análise, o embaixador dá destaque especial à educação e à comunicação, criticando as quatro horas diárias que os cidadãos brasileiros consomem assistindo a ‘programas de TV idiotizantes e degradantes’.
Transmissão do imaginário
Para Guimarães, este tempo foi ‘capturado’ pela televisão, mas os governos continuam tratando o meio como uma atividade ‘normal’ e não como um ‘veículo com influência extraordinária sobre a sociedade e seu imaginário’. Mencionando que a situação agravou-se com a emenda constitucional que permitiu a participação do capital estrangeiro nas empresas jornalísticas e de radiodifusão de sons e imagens, o embaixador lamenta que as crianças e jovens estejam expostos à uma programação ‘onde há um permanente ainda que difuso processo de transmissão de um imaginário estrangeiro, além de estímulos ao consumo conspícuo, ao individualismo, à violência, à banalidade e ao culto do corpo’. Ele sustenta que além da política cultural estar articulada com as políticas de comunicação e educação, a legislação ‘deve estabelecer tratamento fiscal diferenciado e mais favorável’ às empresas produtoras e difusoras de produtos culturais que em suas atividades ampliassem a participação das manifestações culturais brasileiras. Enquanto, no entendimento de Guimarães, empresas que trabalham e que desejem privilegiar a produção cultural estrangeira, podem fazê-lo com seus próprios recursos, não com os recursos da coletividade.
Reconstrução da escola
Dada a influência da televisão, observa, a ‘escola tem de ser reconstruída como veículo de transmissão de valores culturais brasileiros’, porque a ausência de imagem própria ou a existência de imagem distorcida, fragmentada ou incompleta afeta a sociedade, ‘com efeitos sobre sua auto-estima, sua capacidade de apoiar seus dirigentes e a capacidade desses dirigentes de agir para enfrentar os seus desafios internos e externos’. Para diminuir estes efeitos, ele sugere que a legislação amplie gradativamente o número de horas de permanência dos estudantes na escola para reduzir sua exposição à TV, assim como forneça os meios para que cada escola pública e privada tenha videotecas, discotecas e a bibliotecas básicas. Outra sugestão do embaixador é a instituição de concursos públicos sobre temas culturais brasileiros, com prêmios para professores e alunos. Internacionalmente, ele aconselha que o Brasil também organize concursos das mais diversas manifestações culturais sobre temas, autores e compositores brasileiros para estimular a formação da imagem da Nação. O embaixador adverte que o País deve estar atento ao assinar acordos internacionais, regionais e multilaterais, que podem ter um cunho aparentemente econômico, mas que podem limitar a diversidade cultural brasileira."
|
|