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HUMOR
Ricardo Valladares

"A volta por baixo" copyright Veja, 19/12/01

"Em janeiro de 2002, o ranking de salários da Rede TV! trará em primeiro lugar o nome de João Kleber. Ele vai embolsar 135.000 reais por mês, graças à boa audiência de seus dois programas, o Eu Vi na TV e o Canal Aberto. ‘Consegui dar a volta por cima’, diz o humorista e apresentador, que adora circular por São Paulo a bordo de um Mercedes último tipo. De fato, há muito tempo ele não desfruta de tanto prestígio. Quando assinou contrato com a emissora paulista, em meados de 1999, Kleber vinha de um período de ostracismo que já durava seis anos. Pode-se dizer que ele havia sofrido impeachment juntamente com Fernando Collor de Mello. Durante a campanha de Collor à Presidência, e nos primeiros tempos de seu mandato, João Kleber fez o papel de bobo da corte. Vivia sendo convidado para animar as festas da quadrilha de Alagoas. ‘Foi uma fase de desbunde, eu assumo’, diz ele. Quando os escândalos da Presidência collorida estouraram, as coisas começaram a dar errado para ele também. Perdeu o emprego que tinha na Rede Globo e, de vinte shows por mês, sua agenda passou a não registrar mais do que um ou dois. ‘Um monte de gente me virou a cara’, choraminga ele. ‘A Hebe Camargo, que também freqüentava a Casa da Dinda, foi uma dessas pessoas. Só o Fausto Silva e o Chico Anysio continuaram me apoiando. Fausto me emprestou dinheiro.’ Na opinião de Kleber, a única coisa boa que lhe restou desse período turbulento foi o casamento com Wanya de Barros Engydio, em 1995. Três anos antes ela havia sido capa da revista Playboy, com o nome artístico de Wanya Guerreiro. Seu maior atrativo na época: ter sido amante do morcegão PC Farias e do irmão do ex-presidente, Pedro Collor.

Na Rede TV!, João Kleber tem se destacado pelo mau gosto. Ele estreou com o programa Eu Vi na TV, que vai ao ar às segundas-feiras no final da noite. Seu primeiro quadro a ter repercussão foi o de Charlotte Pink, em que o apresentador se travestia para fazer reportagens e entrevistas desbocadas sobre sexo. Durante uma gravação numa casa de massagens, João Kleber exagerou na baixaria e levou um puxão de orelhas da direção da emissora. ‘A Charlotte está de férias, mas ela ainda vai voltar’, promete ele. Depois da interdição de Charlotte Pink, o caminho foi investir nos ‘testes de fidelidade’, em que atores se insinuam para homens ou mulheres comprometidos, enquanto os respectivos parceiros observam tudo. Com essa bobagem, em que invariavelmente ele derrama lágrimas de crocodilo, Kleber começou a roubar pontos das emissoras concorrentes. ‘Meus adversários copiaram a idéia. Até o programa da Adriane Galisteu, que é cheio de pose, fez coisa parecida’, reclama. Com a audiência do Eu Vi na TV girando em torno dos 7 pontos, o apresentador ganhou no mês passado o comando de Canal Aberto, exibido de segunda a sexta-feira no final da tarde. Testes de paternidade, brigas entre parentes armadas no auditório e coisas desse gênero são a matéria-prima do show. Ele resume a filosofia da atração numa frase: ‘O povo quer circo’. Só faltou completar que o circo, na sua visão sofisticada, deve ser sempre de horrores. Kleber saiu da República de Alagoas, mas a República de Alagoas não saiu de dentro dele."


LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Comunique-se

"‘Sou uma presa em liberdade condicional’" copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 13/12/01

"A jornalista Maura Fraga, de 53 anos, 33 de jornalismo, não pode se ausentar de Vitória por decisão da juíza Lúcia de Barros, da 2ª Vara Criminal, em processo movido pelo deputado federal Max Mauro (PTB) por calúnia, injúria e difamação - Maura relacionou, em coluna no jornal A Gazeta, o governo de Max (1987) à CPI do Narcotráfico. A ação foi suspensa mas a Justiça estabeleceu algumas condições: Maura deve comparecer à Justiça todos os meses durante dois anos para dar conta de seus passos. ‘Sou uma presa em liberdade condicional’, disse a jornalista a Comunique-se.

Segundo Maura, ela apenas resgatou fatos ocorridos em 87, ano em que Max Mauro fez um empréstimo de R$ 19 milhões para o empresário Toninho Martins, hoje preso por exportar 600 kg de cocaína pelo porto de Vitória. Toninho Mamão, como é conhecido, falou para uma Comissão de Investigação na Assembléia Legislativa, que investigava escândalos na desapropriação de terras na Grande Vitória.

O deputado rebate: ‘A juíza estabeleceu condições favoráveis a Maura quando suspendeu a ação. O prejudicado fui eu’. Max disse também que Maura foi ré confessa no processo. ‘Ela admitiu ter escrito tudo aquilo sem checar as informações’.

A jornalista afirmou que em momento nenhum teve direito a defesa. ‘Ela (juíza) não deixou meu advogado falar em nenhum momento, alegando que ele já prestou serviços para ela. Essa mesma juíza foi advogada de Max Mauro e a filha do então deputado, Márgia Mauro, é promotora da 2ª Vara Criminal, onde fui julgada. Mesmo assim, Lúcia ficou à frente do processo ‘, disse indignada. Max negou qualquer relação com a juíza.

Em nota oficial, o Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo repudia o que considera ‘cerceamento da liberdade’ de Maura, que também está proibida de ingerir bebidas alcoólicas e freqüentar bares ou restaurantes.

O processo foi ‘suspenso’ por esse período e Maura tem de se apresentar à Justiça mensalmente ‘para informar e justificar suas atividades’. O Tribunal de Justiça do Espírito Santo ainda não marcou data para julgamento do habeas corpus impetrado pelo advogado de Maura, Homero Mafra.

Hoje, Maura trabalha com assessora de imprensa da Agência de Desenvolvimento em Redes (Aderes). Ela já passou por jornais como Estadão, O Globo, Folha e Estado de Minas."


GAZETA MERCANTIL
Comunique-se

"Demitidos criam Associação Herbert Levy" copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 14/12/01

"Uma associação criada por dois repórteres demitidos da Gazeta Mercantil, Maurício Corrêa e Marcelo Antunes, que leva o nome do diretor-responsável pelo jornal, Fernando Levy, ainda vai dar muito o que falar. A Associação Herbert Levy de Defesa dos Trabalhadores Demitidos pela Gazeta Mercantil deverá ser registrada nos próximos dias. ‘Herbert Levy é um homem sério e correto e sempre pautou a vida com dignidade, ao contrário do que o filho está fazendo conosco’, disse Corrêa. Ele explicou que a idéia da associação é defender os interesses dos funcionários demitidos, trabalhando junto com o Congresso Nacional. ‘Temos o apoio de partidos da oposição e do governo’, comemora.

Entre as propostas da associação estão, segundo o jornalista Corrêa: patrulhar toda a publicidade de caráter legal ou institucional do setor público, questionando o governo por ‘colaborar’ com o diário; fazer um mailing para cerca de 250 empresas do Brasil, incluindo agências de publicidade, explicando o que aconteceu nesses últimos tempos com a Gazeta Mercantil; e preparar um dossiê que será enviado para bancos, fundos de investimentos e empresas estrangeiras que tenham interesse em negociar com o jornal depois de aprovada a proposta de abertura de 30% da mídia ao capital estrangeiro.

Na Argentina, o clima ainda é tenso. Jornalistas do Comercio Y Justicia, da Gazeta Mercantil, não estão trabalhando. Eles resolveram voltar ao estado de greve porque os salários de outubro até agora não foram depositados. Em comunicado enviado ao cordenador editorial do diário, Oscar Vilas, os grevistas exigem o pagamento dos meses de outubro e novembro.

Enquanto os argentinos voltam à greve, os jornalistas demitidos da Gazeta no Brasil procuram advogados para entrar na Justiça com ações individuais. Segundo o empresário Sérgio Thompson Flores, cerca de 50 jornalistas já procuraram a direção da empresa para negociar o pagamento parcelado da rescisão. A advogada do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Sílvia Neli, disse a Comunique-se que a direção está blefando quando diz que está havendo adesão à proposta da empresa. ‘Quando fizemos uma reunião aqui no sindicato, apresentamos a proposta de parcelamento. A maioria ficou revoltada’, recorda Sílvia. Fred Ghedini, presidente do Sindicato, confirmou informação da advogada. ‘Cerca de 80 pessoas que participaram de nossa última assembléia se negaram a negociar. Só se esses 50 jornalistas que Flores diz que estão negociando não participaram de nossas reuniões’, disse.

Segundo a assessoria de imprensa da Gazeta, o diretor administrativo, Osvaldo Coltri, está visitando as cidades onde há ou havia redações - já que muitas delas foram fechadas - para apresentar a negociação e parcelar a rescisão com cada jornalista demitido. ‘Dezenas de pessoas estão negociando. A empresa está tentando quitar os débitos trabalhistas’, afirmou a assessoria.

Voltando a Brasília, alguns dos demitidos procuraram a DRT onde foi instaurado um processo administrativo de fiscalização. ‘A Justiça vai investigar a violação das normas que garantem os direitos trabalhistas’, explicou Roberto Donizete, advogado que vem representando um grupo de ex-jornalistas da Gazeta, na capital brasileira."


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