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ELEIÇÕES 2002
Keila Jimenez
"TV Cultura é multada pelo TRE", copyright O Estado de S. Paulo, 14/08/02
"A TV Cultura, por meio de sua Assessoria da Imprensa, informa que vai recorrer da condenação que sofreu do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por dar tratamento privilegiado ao governador Geraldo Alckmin. A emissora foi processada pela ‘Coligação Resolve São Paulo’ (PPB / PL / PSDC / PTN), de Paulo Maluf, e condenada e pagar multa de R$ 21 mil. Os advogados da coligação alegam que o programa Opinião Nacional, exibido no dia 31 de julho, difundiu opinião favorável ao governador Geraldo Alckmin e ofendeu o candidato Paulo Maluf."
Folha de S. Paulo
"Eleição Secundária", editorial, copyright Folha de S. Paulo, 13/08/02
"Para quem assistiu ao debate entre os candidatos a governador do Estado de São Paulo, na TV Bandeirantes, a impressão que restou foi a de um encontro algo caótico, protagonizado por figuras em sua maioria pouco conhecidas e mal preparadas. Nove candidatos participaram do programa, o que tornou as intervenções de cada um muito restritas e pulverizou demais as falas dos principais pleiteantes.
Registre-se que o argumento do excesso de candidatos no debate não serve como justificativa para a ausência, deplorável, do pepebista Paulo Maluf, líder nas pesquisas. Isso porque a assessoria do ex-prefeito da capital há dois meses vinha participando das reuniões que decidiram as regras do programa. Maluf informou que não participaria do debate 48 horas antes do evento.
O debate foi monótono: todos criticavam o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), e o governador, na medida em que o tempo permitia, tentava defender-se. Fora o confronto entre Fernando Morais (PMDB) e Alckmin, o restante do tempo ficou, praticamente, tomado pela intervenção de candidatos ‘nanicos’.
Um debate com nove participantes dificilmente é produtivo para o espectador. Foram poucas as chances que tiveram os candidatos mais competitivos de defrontar-se. Entende-se a preocupação que tiveram os organizadores do debate de não correr riscos na Justiça, mas o resultado acabou sendo pior do que o do debate entre os quatro presidenciáveis, no domingo anterior.
O segundo aspecto a lamentar é o calendário eleitoral, que faz coincidir o pleito presidencial com o dos governadores de Estado, relegando as disputas locais a um inevitável segundo plano. A esse respeito, seria interessante estudar, até, uma mudança de datas para que essa coincidência deixe, no futuro, de sequestrar atenção de eleições importantes como a de governadores."
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"O Novo Ciro", edirorial copyright Folha de S. Paulo, 15/08/02
"O Ciro Gomes que participou, na terça-feira, de sabatina promovida pela Folha já não era apenas o candidato sustentado pelos periféricos PPS, PDT e PTB. A fala do ex-governador do Ceará teve de agregar novos elementos para moldar-se ao status que a sua candidatura rapidamente adquiriu na disputa pelo Planalto. Trata-se de tentar harmonizar a retórica radicalmente oposicionista do pepessista com o fato de que sua candidatura passou a sustentar-se, também, num ramo significativo da direita conservadora.
Ciro Gomes -contrastando com a branda participação de Lula no dia anterior- manteve a disposição de mostrar-se como o mais descompromissado, dentre todos os principais candidatos, com o ‘establishment’ político, empresarial e social do país. Numa generalização descabida, o presidenciável do PPS tachou toda a ‘grande mídia’ de governista e, portanto, contrária a seu projeto de poder; nos bancos, criticou o fato de estarem auferindo lucros extraordinários em plena crise.
Mas, se a proposta de Ciro Gomes é mudar substancialmente a condução das políticas públicas e, portanto, derrotar setores tradicionalmente privilegiados no Brasil, como explicar a adesão à candidatura da Frente Trabalhista de um oligarca como Antonio Carlos Magalhães? Como vociferar contra o que ele chama de governismo da ‘grande mídia’ e, ao mesmo tempo, associar-se a políticos que detêm controle de meios de comunicação de massa?
A fórmula encontrada por Ciro Gomes para resolver o impasse é clássica: o exercício do poder pessoal do líder político é o elemento capaz de fazer com que essa aliança heterogênea trabalhe a favor do país. Nessa visão da política, a liderança ‘moral e intelectual’ do presidente é fundamental para, por exemplo, convencer a oligarquia, aliada, a dobrar-se às forças da suposta modernização.Por mais que Ciro Gomes seja estrategicamente evasivo a respeito, se ele for eleito na atual configuração, das duas uma: ou paga o preço de governar com o suporte da direita conservadora -cedendo cargos e poder político-, ou a sua Presidência tenderá a defrontar-se com impasses e turbulências constantes."
UOL News
"Ibope diz que ‘Época’ cometeu ato ilegal e que ‘pesquisa eleitoral’ com suposta alta de Serra era apenas estudo feito com ‘não eleitores’", copyright Uol News (www.uolnews.com.br), 19/08/02
"O Ibope informou ao UOL News que não era pesquisa, mas um ‘estudo interno para testar metodologia’, a informação publicada pela revista ‘Época’ como sendo uma pesquisa eleitoral de intenção de voto para a corrida presidencial. O estudo foi feito com pessoas que nem eram eleitores, segundo o instituto.
A ‘Época’ publicou: ‘Pesquisa do Ibope com 3 mil entrevistas revela que Ciro Gomes caiu 3 pontos porcentuais. Seus eleitores se dividiram entre Luiz Inácio Lula da Silva (que subiu 1 ponto) e José Serra (2 pontos).’
Não havia pesquisa semelhante registrada no TSE. O Ibope disse ao UOL News que o que a revista fez é ‘ilegal’. O instituto divulgará aos candidatos e à revista uma nota a respeito do ocorrido.
A informação sobre a suposta pesquisa foi reproduzida pelo site do candidato José Serra (PSDB), citando a ‘Época’. Clique aqui para ver a informação no site de Serra.
O site de Serra chegou a destacar a ‘pesquisa’ como uma das notícias mais acessadas nesta segunda-feira. Veja a reprodução do site de Serra.
Advogado da Frente Trabalhista estuda processo contra Serra
O advogado Hélio Parente, da Frente Trabalhista (do candidato do PPS, Ciro Gomes), informou à editora do UOL News em Brasília, Dolores Mendes, que estuda duas providências: uma representação contra a Editora Globo, que publica a revista ‘Época’, e uma representação contra o candidato José Serra, porque publicou a ‘pesquisa’ no seu site."
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