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BIG BROTHER / ÁFRICA
Michael Dynes
"‘Big Brother’ promove a unidade africana", copyright O Estado de S. Paulo, 19/07/03
"A África nunca viu nada disso. Em todo o continente, brancos e negros, dos grandes banqueiros aos mais humildes agricultores, correm para casa todas as tardes para assistir aos últimos acontecimentos do Big Brother. Movido a uma combinação de sexo e diversão, a primeira versão pan-africana do reality show atraiu até agora 30 milhões de espectadores. Concorrentes de 12 países estão vivendo em uma casa de Johannesburgo, brigando, flertando e competindo pela popularidade para evitar a expulsão.
Pelo menos uma vez, o conflito, o caos e a corrupção que assombraram a África durante décadas deram espaço para conversas banais, provocação e titilação. Os produtores do dizem que o programa Big Brother África se tornou a ‘sensação do continente’. Alguns espectadores entusiasmados disseram que fez mais para promover a unidade africana do que a independência do colonialismo ou o movimento pan-africano.
Os concorrentes, que passam o tempo conversando, brigando, lendo, cozinhando, falando sobre o que são e o que querem ser, estão competindo para ser o último na casa, ganhando US$ 100 mil em dinheiro. Eles passam seus dias e suas noites sob a vigilância permanente de 27 câmeras, que capturam cada movimento, gesto, comentário deles, deixando muito pouco para a imaginação. Nada é censurado, desde os exibicionistas do grupo até quem está beijando e fazendo carícias em quem, sob os cobertores.
Kole Omotoso, o conselheiro cultural nigeriano do programa, disse que todos os ocupantes foram escolhidos a dedo para garantir interesse do espectador.
Mas foram selecionados das elites culturais de seus respectivos países e não representam de modo algum a população pobre e sofrida da África.
Inicialmente transmitido por um sistema de televisão por satélite, o Big Brother África estava restrito a espectadores de classe-média que podiam pagar uma mensalidade equivalente a R$ 150 - mais de duas vezes o salário médio de um trabalhador africano. A decisão de permitir que as emissoras de televisão abertas retransmitissem programas diários de 30 minutos deu ao Big Brother África uma audiência sem precedentes.
Menos de 10% da população africana de 800 milhões tem televisão. Mas aparelhos comunitários em bares, vilas e igrejas são comuns e o programa aparece na maior parte das conversas. Considerada uma série inovadora, em que os africanos têm condição de avaliar a si mesmos como indivíduos, longe de estereótipos negativos, os produtores do programa afirmam que a atração está ajudando a criar uma identidade africana.
No entanto, o BB foi criticado na Namíbia, onde uma disputa começou porque seu concorrente, Stefan Ludik, de 22 anos, é branco, o único não negro na casa - até a chegada de um escocês de 32 anos, vindo da casa do Big Brother na Grã-Bretanha, há um mês. ‘É muito bom para a África’, disse Alan Nsubuga, de 31 anos, espectador de Uganda. ‘Há tanto tribalismo e estereotipização entre nós, africanos. Nunca tivemos a chance de nos conhecermos.’
Os concorrentes tocam em uma variedade de temas delicados, como aids, poligamia, estereótipos raciais e preconceitos étnicos. Embora poucos duvidem que a verdadeira atração do programa seja a famosa hora do banho, em que os espectadores podem ver quem está ensaboando quem ou qual relação amorosa vai decolar. Mas não há como negar a sede por imagens de africanos, em um continente que não tem emissoras capazes de financiar os próprios programas e que cresceu à base de programas importados da Europa e EUA.
‘Nós, africanos, não queremos mais assistir a programas importados’, disse Wafala Oguttu, espectador de Kampala. ‘O BB é comédia africana. Há brincadeiras sobre famílias grandes e homens que se casam com várias mulheres, é sobre nós. Por isso, gostamos.’ Carl Fisher, produtor do Big Brother África, diz que é reconfortante ver na telinha os africanos que não estão esfomeados ou morrendo. ‘Estamos oferecendo a oportunidade de observar como se dá a integração entre pessoas que jamais se encontrariam no continente. Em certa medida, o programa dá uma imagem diferente sobre os africanos.’"
TV POLÍCIA
Marcelo Barbosa
"Foragido preso depois de aparecer na TV", copyright Zero Hora, 19/07/03
"A exposição em cadeia nacional de TV acabou com a liberdade de um gaúcho foragido da polícia havia 16 meses. Acusado de matar um adolescente de 15 anos em Foz do Iguaçu (PR), o policial militar reformado Pedro da Silva Prusch, 52 anos, foi preso na madrugada de ontem, em Gravataí, apenas três horas após ter sido denunciado no programa Linha Direta, da Rede Globo.
Natural de Torres, Pedro Cadela, como era conhecido, vivia desde a infância no Paraná, onde trabalhou na Polícia Militar no final dos anos 70. Prusch já havia sido condenado por tentativa de estupro a uma criança em 1985. Em março do ano passado, após envolver-se com uma menina de 13 anos, invadiu um ônibus escolar e atirou em Thiago Mizael Ferreira, que seria namorado da garota. Prusch era vizinho da vítima.
- Essa menina azarou a minha vida - lamentou ao ser preso em uma casa sem água nem luz em um beco no bairro Itatiaia.
Com prisão preventiva decretada pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Foz do Iguaçu, Prusch foi preso pelo Pelotão de Operações Especiais do 17º Batalhão de Polícia Militar. Segundo o comandante da unidade, tenente José Vianei da Rosa, as primeiras denúncias chegaram à Brigada Militar por volta da meia-noite, uma hora após a exibição do Linha Direta. O centro de operações do batalhão recebeu um fax da produção do programa com dois endereços onde o suspeito teria sido visto. Em um dos locais indicados, os policiais localizaram o irmão de Prush.
- Por meio dele chegamos ao proprietário da casa onde o acusado se escondia. Ele nos deu o endereço e armamos a operação - explica o tenente.
Policiais posaram para fotos ao lado do preso
Por volta das 2h, a BM chegou ao local, uma casa de tijolos com dois cômodos. Um dos policiais bateu na porta e se identificou como irmão do suspeito. Sonolento, Prusch, que não sabia de sua participação no programa, abriu a porta e recebeu voz de prisão.
Após a operação, os policiais fizeram questão de serem fotografados ao lado do foragido, em frente ao casebre. Um comboio de quatro viaturas conduziu Prusch para a 1ª Delegacia da Polícia Civil de Gravataí. Na manhã de ontem, ele foi levado para o Presídio Central.
A prisão de Prusch surpreendeu os vizinhos. Considerado uma pessoa reservada, o acusado apresentava-se como caseiro da residência e vivia de biscates pelo bairro.
- Vez por outra ele pedia um pouco de água. A gente só estranhava o fato dele vivar trancado ali, sem água e sem luz - conta uma vizinha, a dona de casa Simone Lopes Machado, 23 anos.
Criminosos na telinha Em menos de um mês, Pedro da Silva Prusch é o segundo foragido gaúcho preso a partir de denúncias feitas ao programa Linha Direta. Seu rosto foi mostrado no programa de quinta-feira à noite. No dia 26 de junho, outro foragido retratado pelo programa, Paulo Marcelo Rodrigues Zancan, 33 anos, foi preso em Joinville (SC). Ele confessou ter matado o funcionário público Paulo Ricardo Pires Afonso, 42 anos, com golpes de tesoura, em agosto de 2001."
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