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QUINTO DOS INFERNOS
Celso Fonseca

"Corte do barulho", copyright IstoÉ, 23/01/02

"Na terça-feira 15, o capítulo da minissérie global O quinto dos infernos lembrou os velhos tempos da pornochanchada. Quase a um só tempo, a inocente camponesa Manuela - vivida pela voluptuosa Danielle Winitts - foi estuprada pelo padrasto, por um batalhão de soldados franceses e, mesmo depois de tantas mazelas, encontrou fôlego para entregar-se pela primeira vez ao namorado, o aventureiro Chalaça (Humberto Martins). Durante o périplo sexual, a azarada Manuela disse ter aprendido a diferença entre ‘a dor e o amor’. A rima é pobre, mas o português é quase castiço, como quer o autor Carlos Lombardi. Afinal, a trama dita de época se passa no século XIX e traz como pano de fundo um pedaço importante da história do País. Foi quando a corte portuguesa desembarcou no Rio de Janeiro, chegada em 62 navios, trazendo no comando o rei dom João VI, divertidamente vivido por André Mattos. Só que o coitado vem sendo apresentado sem nenhum resquício de nobreza. Apenas como um glutão covarde e marido traído.

A visão caricata de dom João VI irritou integrantes da família real brasileira e historiadores. O príncipe dom Francisco de Orleans e Bragança - bisneto da princesa Isabel - alerta que ‘dom João nunca foi bobo’ e não à toa se tornou um dos únicos monarcas europeus a não sucumbir ao expansionismo de Napoleão. Para não se chatear, o príncipe dom Francisco tem ignorado a minissérie, ainda que venha recebendo informes escandalizados de amigos. ‘Dizem que é uma pornochanchada com cenas quase explícitas.’ Maria Luisa Albiero Vaz, mestre em história social pela Universidade de São Paulo (USP), é outra que se decepcionou. ‘De história não tem nada. A reconstituição cai no clichê e há um apelo sexual exagerado. Parece uma Malhação qualquer.’ Segundo ela, é impossível que dom João VI, criado para ser um rei absolutista e formado num ambiente da corte de Portugal - uma potência colonial - fosse tão aparvalhado.

Para Lombardi, toda a polêmica é falsa. ‘Estamos em janeiro, o famoso mês de falta de assunto na mídia’, comentou secamente. Contra seus argumentos há, inclusive, uma disposição da Justiça em averiguar os excessos. A comissária Valéria Fernandes, da 1ª Vara da Infância e Juventude, recebeu inúmeros telefonemas indignados, falando do erotismo exagerado e da participação de crianças em cenas impróprias. Como Valéria não assistiu à minissérie, encaminhou à Rede Globo um ofício pedindo cópias do programa, para depois, quem sabe, punir a emissora. Mas a Globo não colhe apenas dissabores. Na mesma terça-feira 15, O quinto dos infernos registrou 30 pontos na medição do Ibope. Números promissores para um canal que terminou 2001 sob o impacto de derrotas para Casa dos artistas, do SBT. Só que, ao contrário do programa da rival, preferiu dispensar o edredom."

 

Carla Meneghini

"Justiça tira menores de minissérie da Globo", copyright Folha de S. Paulo, 18/01/02

"O juiz Leonardo de Castro Gomes, da 1ª Vara de Infância e Juventude do Rio, concedeu liminar determinando a suspensão da participação de menores de 18 anos na minissérie ‘O Quinto dos Infernos’, da Rede Globo.

Segundo a liminar, concedida a pedido do Ministério Público estadual, a emissora não pode usar imagens de menores já gravadas.

A Globo é acusada de não possuir o alvará que permite a participação de crianças e adolescentes na minissérie e de supostamente submetê-los à gravação de cenas de sexo, nudez e violência.

A emissora informou que não havia recebido a intimação até o fechamento desta edição. De acordo com a sua assessoria, nenhum programa da rede possui alvará para participação de menores, porque foi firmado recentemente um acordo com o Ministério Público que a desobriga.

O Ministério Público disse que desconhece tal acordo e afirma que a emissora assinou este mês um termo de comprometimento de entrada de pedido de alvará.

Segundo o Ministério Público, caso a emissora continue veiculando as cenas depois de receber a intimação, deverá pagar multa de R$ 100 mil por criança envolvida por cena. Cabe recurso.

Segundo a comissária de Justiça Valéria Fernandes, um ofício foi encaminhado na última segunda pedindo uma cópia do primeiro capítulo e a lista dos menores de 18 anos participantes e de seus pais. A Globo tem até o próximo dia 21 de janeiro para entregar."


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