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ELEIÇÕES 2002
José Paulo Lanyi

"O raivoso que calculava", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 15/10/02

"A política é uma coisinha bem nojenta... Mas há os que se esmeram em torná-la ainda mais escassa, os que acham que o mundo dos outros tem mesmo de se fazer em meio a legumes, jornais velhos e anotações de fim de feira.

Veja só, meu bom leitor, vez por outra aparecem por aqui certos guardinhas da (própria) liberdade, a brandirem cassetetes broncos, a regurgitarem, a se esvaírem em delíquios públicos e patéticos. Dêem-lhes os sais, dêem-lhes os sais...

Pois não é que o tal artigo sobre o jornalismo ‘lulista’ acabou por colher-me a testa? Vassouradas à piaçava...? Bem que o Serra me avisou, quando me enviou a pauta:

‘Caro José Paulo, sei que você é fiel às minhas idéias - que só são minhas, lembre-se, só minhas. De qualquer forma, bem que eu gostaria de escrever esse artigo aí para o Comunique-se. Não, não é centralismo, não. É diversão. Afinal, eu, os outros candidatos e - também - alguns de nossos assessores, todos nós sabemos que aí só tem trouxa mesmo, é só falar em isenção, em boas intenções reformadoras que o mundo inteiro gargareja, faz bochecho e engole’.

Aí fiquei pensando. Pô... É mesmo. Como o seu Serra é solerte. Eu mesmo já percebera: os outros candidatos fazem a mesma coisa. Que profissionais, hã, que bela assessoria. No primeiro turno, no segundo turno, no terceiro. Tocante.

Mas... Não é que descobriram os nossos planos?! Tudo por causa daquele guardinha da (própria) liberdade. O guardinha do apito puxador das ilações imundas e ofensivas. Também... desta vez o seu Serra abusou, foi muito atirado. Me veio com essa pauta de falar mal de jornalista ‘lulista’. É mesmo, devia ter disfarçado. Falado mal de jornalista ‘serrista’, de jornalista ‘garotista’, de jornalista ‘cirista’. Aí, lá no meio, a gente descia ao porão e estrangulava o Lula.

Peraí... Mas eu não falei mal dos jornalistas ‘lulistas’. Nada disso. Por disfarce - e tão-somente por isso - disse até que vivemos - eu e eles - dos ideais mais altos, que havemos comungado à revelia das seitas e dos partidos políticos.

Por favor, meus amigos petistas de hoje e sempre, falem bem de mim pra ele, falem bem de mim pra ele...! Falem bem de mim para o guardinha e seu talonário bem timbrado! E também para aqueles que, no cordão do ‘vem comigo’, só conseguem divisar as engrenagens.

O mundo, para esses, é uma manada. Por que, então, falar sobre os anseios do indivíduo? Não, vamos nos pautar por decisões corporativas, vamos falar da cobertura do ‘veículo’, como se ninguém mais houvesse falado disso antes (inclusive nesta coluna, ó desmemoriados!). Vamos desprezar a militância que vai na alma.

Percebo que, como na política, para muita gente o ser humano é um detalhe. Para outros, não, ele é um ser útil, e nada mais. É, seu Serra, as vassouradas idealistas a gente até atura. Mas político é sempre político. O senhor me traiu, atirou-me, também, aos pés dos outros, mais perigosos. Os da pior espécie. Os raivosos que calculavam e continuam calculando. Aos sofistas com a caneta atrás da orelha.

Ah! Deixa pra lá, seu Serra, deixe-me falar com o leitor. Não resisto, não vou me furtar a uma tortinha na cara dos que empunham suas vassouras histéricas: ainda que não seja petista, neste primeiro turno a esmagadora maioria dos meus votos foi para o Partido dos Trabalhadores.

Digo-o com a honestidade que sempre me caracterizou. Pois, como se pode ver, há ainda quem se proponha à isenção.

Um abraço para o senhor Ruy Nogueira."

 

Sonia Rodrigues

"O medo de Regina Duarte", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 16/10/02

"Amarilys acha bobagem as pessoas terem preconceito contra o medo. Ou medo de ter medo. Não é só a Regina Duarte que tem medo. A atriz disse com todas as letras uma coisa que muita gente sente.

Os leitores dessa coluna querem saber de alguns medos? Amarilys tem medo de pensar na reação do guardador de carros que vota no Lula quando descobrir que Lula não é milagreiro. Sim, porque o guardador vota ‘porque ele (Lula) vai dar emprego, saúde e educação para todo brasileiro, vai botar para quebrar, vai acabar com essa história de dívida externa’. Palavras textuais do entrevistado. Como ele devem existir muitos. É claro que nenhum presidente eleito dia 27 vai acabar com os problemas brasileiros por decreto. Nem rápido. Essa fantasia quando se descobrir frustrada pode provocar depressão ou mania. É de dar medo, não é?

É de dar medo também todo tipo de obrigatoriedade de pensamento único. Por que a Regina Duarte não pode dizer que tem medo de que o Brasil entre numa quadra de instabilidade com a eleição de Lula? Tem gente que tem medo da continuidade representada por Serra. Qual o problema? ‘Ah, mas há 25 anos, ela foi contra a censura e agora usa seu prestígio para atacar o candidato certo e defender o errado!’ Gente, Regina Duarte é eleitora, cidadã, vota e defende o que quiser na hora que quiser, é um direito! A pressão para que todos pensem da mesma forma, numa eleição presidencial, é assustadora também.

O PT entrou no TSE pedindo que o programa político de José Serra fosse suspenso durante três dias por causa da declaração da Regina Duarte. Já pensou se os juizes atendessem a esse pedido? Seria uma campanha só no ar durante três dias, a dez das eleições. Candidato único, coligação única, uma penalidade dessas ia pegar muito mal. Pelo menos, para os eleitores de Lula que não têm medo de que ele vença, mas têm medo de gente que considera o seu lado o único com direito a falar e aparecer. ‘Ah, mas guerra é guerra, o PT não pode entregar o jogo, tem que continuar batendo até ganhar a eleição.’

Tudo bem, mas quem bate apanha. Lula tem mais de 60% dos votos, mas a Regina Duarte não gosta disso. Pode, não pode? O TSE acha que sim. Não existem palavras de protesto que dêem conta do absurdo que foi o atentado em Bali. É verdade que Amarilys odeia guerras idiotas e resoluções violentas de diferenças culturais. Por isso, o atentado fica mais hediondo ainda. ‘Existem guerras justas, bombas justas, violência inevitável’, teorizarão os que conhecem a história exemplar da humanidade.

Não dá para concordar. Explodir bombas contra pessoas, alvos civis, já é um ato que implica numa onipotência esquisita. Chance de defesa zero, não envolvimento dos atingidos, uso de estatísticas de morte e mutilação como forma de pressão. Muito estranho fazer isso. Explodir em boate, num lugar adorável como Bali, pode ser um recado pior. Típico de quem tem problemas com gente jovem, bonita, alegre, se divertindo.

Talvez seja o caso de considerar o fundamentalismo, em qualquer versão, como o que se deve temer no século XXI. A menos que o vale-tudo contra os inimigos seja alguma coisa na água que certos setores bebem. Algo que explique as atitudes de militares americanos, terroristas orientais e presidente dos EUA, ao mesmo tempo. Se for na água, não pega. A menos que todo mundo beba da mesma fonte."

 

Marcos Sá Corrêa

"Extra, extra: uma reportagem na eleição", copyright No Mínimo (www.nomimo.com.br), 19/10/02

"No Rio de Janeiro, quem estiver interessado em saber como se organizou a bagunça na cidade tem dois caminhos. Se não tiver pressa, pode esperar pelas novidades que a prefeitura está acumulando em seu banco de dados, o Instituto Pereira Passos, sobre o crescimento das favelas cariocas de dez anos para cá. Trata-se de um verdadeiro ensaio sobre a especulação imobiliária no mercado paralelo.

E os apressados devem ler o ‘Correio Braziliense’. Embora publicado na nova capital da República, o jornal tem aberto atalhos para se entender o que acontece na antiga. Com suas denúncias sobre a grilagem que o governador Joaquim Roriz promove no Distrito Federal, ele informa aos cariocas por que as duas cidades estão ficando tão parecidas. Em ambas, pelo menos o populismo é o mesmo. A diferença é que lá os políticos tem que se entender com repórteres como Antonio Vital, um especialista em atazanar a máfia que privatiza terras públicas com documentos falsos e ocupações incorporadas. Graças a ele, Brasília já sabe que invasão é negócio.

Antonio Vital foi o autor daquele flagrante num terreno de 221 hectares e 400 milhões de reais na beira do Lago Sul, que empresários amigos do governador estavam loteando no peito, com o apoio de uma verdadeira bancada de deputados distritais. A denúncia saiu em agosto, quando a campanha mal estava começando, e chegou ao segundo turno como única marca memorável que o jornalismo brasileiro foi capaz de deixar nestas eleições. O resto se perde no bate-boca da temporada. Reportagem pode não andar muito na moda. Mas ainda é a melhor coisa que a imprensa sabe fazer.

A do condomínio pirata, por exemplo, balançou Joaquim Roriz em pleno palanque do candidato José Serra. Antes que a notícia do ‘Correio Braziliense’ chegasse às outras praças, Roriz se comportava como trunfo eleitoral do PSDB. Estava quase todo dia na propaganda de Serra. Depois, fichado como suspeito, saiu de fininho, sob pena de ser incorporado definitivamente ao horário gratuito como munição dos marqueteiros de Lula. E o resultado é que Roriz, coadjuvante da eleição presidencial, foi apresentado ao eleitorado do país inteiro por um jornal que se considera local. A imprensa carioca, que tem muito mais calibre, nunca fez nada parecido com a candidatura Anthony Garotinho.

Antonio Vital é do ramo. Dois anos atrás, ganhou o prêmio Esso com a série que levou à cassação o senador Luiz Estêvão. Já levantou pistas para uma CPI da Grilagem. E, para provar que faro não tem lado, há cinco meses revelou que todos os partidos de esquerda que gravitavam ao redor do governo petista de Cristóvão Buarque cavaram um buraco de 20 milhões de reais na previdência dos funcionários das escolas municipais de Brasília, desviando dinheiro para a campanha eleitoral de 1998.

Mas o escândalo que ele levantou no Lago Sul não chegaria aonde chegou - por exemplo, às primeiras páginas dos jornais no Rio - se não tivesse entrado no assunto a repórter Tina Evaristo, que normalmente trata de economia. Foi ela quem fez o empresário Pedro Passos abrir a arapuca eletrônica onde a família prendia há anos todos os políticos que passavam por seu escritório para falar de negócios imobiliários.

‘Eu trabalho em editoria, quase não mexo em coisas da cidade’, diz ela. Mas num domingo de folga ouviu o boato de que Passos ameaçava matar o presidente da Terracap, Eri Varela. Por que? ‘Ele mandou derrubar as cercas do loteamento clandestino que Passos estava fazendo’, respondeu-lhe um amigo. Puxando o fio dessa história, Tina ligou para Pedro Passos.

‘Ele não quis saber de conversa, mas ficou com o número do meu celular’, ela conta. ‘E dias depois me ligou para dizer que estava disposto a dizer tudo o que sabia’. Impunha uma condição: ‘Tenho filmes, documentos... O jornal vai ter espaço para isso?’ Ela garantiu que sim. Marcaram a conversa para o dia seguinte, na sede da empresa, a Bonvirá Cosntruções e Incorporações. Segundo ela, o lugar ‘parece um bunker’, monitorado por sistemas eletrônicos desde a portaria. Cinco anos atrás, o prédio sofreu um assalto. Depois disso, quem entra ali cai automaticamente numa rede de vigilância, que segue seus passos com câmeras de TV. E através delas os proprietários passaram a arquivar as inconfidências, os desabafos e as propostas estranhas que as autoridades levam ao pé de seus ouvidos. Sempre no mesmo canto de sala, debaixo de um crucifixo.

No gabinete de Passos, um aparelho de televisão esperava a repórter. ‘Era desses com vídeo acoplado’, lembra Tina. O anfitrião lhe anunciou que estava cansado de ser chamado de grileiro por seus cúmplices na política do Distrito Federal. ‘Aí ligou o vídeo. Era uma fita editada, com legenda e tudo. Ele cuidava daquilo como um patrimônio. Tinha mais de cem cópias da gravação. Vi o secretário de assuntos fundiários acertando a propina para a legalização de lotes grilados. Em dinheiro’.

Foram essas as fitas que o TRE tirou de circulação, quando o debate político em Brasília virou caso de polícia. Mas a reportagem e seu estrago estavam feitos. Se a Justiça Eleitoral tivesse um prêmio para a cobertura jornalística de uma campanha eleitoral, a do ‘Correio Braziliense’ seria uma candidata imbatível."

 

Keila Jimenez

"Para votar e zapear", copyright O Estado de S. Paulo, 20/10/02

"Nem os mais otimistas acertaram. As mudanças em audiência e no comportamento do telespectador durante a exibição do horário político surpreenderam a todos. Com a medição de audiência nos canais por assinatura, criada pelo Ibope no ano passado, o mercado de TV pode, pela primeira vez, ver com precisão o que há tempos vislumbrava: a migração do público, cansado das ladainhas eleitoreiras, rumo aos canais por assinatura. Em cerca de 27% dos domicílios que possuem TV paga, os telespectadores migraram para os canais por assinatura durante o horário eleitoral, no primeiro turno. É um patamar animador, diante dos 6% de migração antes previstos pelo mercado. Mais surpreendente é o índice de 152% que a TV paga cresceu no mês de agosto, somando a audiência que migrou de um canal para o outro e aquela que já ligava a TV sintonizando alguma emissora paga.

‘Há três meses, nunca apostaria que tantas pessoas fugiriam para a TV por assinatura durante o horário político’, fala o diretor de Divisão de Audiência do Ibope, Antônio Ricardo Ferreira. ‘Para mim, fica claro que o maior problema da TV por assinatura é a disputa com a qualidade da TV aberta. Claro que o fator dinheiro, custo, também influencia na estagnação do setor. Mas, quando o telespectador vê na TV paga uma opção de conteúdo mais atrativo que o da aberta, ele muda de canal. Esses números mostram isso.’

Notícia e esportes - É o caso do gerente industrial Altair Teixeira da Silva, de 35 anos, que viu na TV por assinatura uma opção para fugir da mesmice eleitoral. Ele conta que, durante o primeiro turno, chegou a assistir ao horário político em seus primeiros e últimos dias, mas era nos canais pagos que ele sintonizava na maior parte do tempo.

‘Eu já tinha escolhido meus candidatos e só assisti a um pouco do horário político por curiosidade, para dar uma olhada na qualidade dos programas’, conta. ‘Na maioria das vezes, mudava para um canal de notícias, como a Globo News, ou para um infantil, como o Cartoon, para ver com meu filho, de 3 anos.’

Assim como a família de Altair, a maioria dos telespectadores que migraram para a TV paga no horário político procurou por notícias. Segundo pesquisas do Ibope, canais esportivos como Sportv e ESPN Brasil, e os de notícias, como Globo News e Band News estão entre os mais beneficiados no período. O Sportv teve um crescimento de 430% de sua audiência em agosto, pulando de quarto, para primeiro lugar no ibope em TV paga. A Globo News pulou da 15.ª posição para a 6.ª em audiência durante o horário eleitoral.

‘Os canais masculinos se deram muito bem. Durante o horário político, prevaleceu na casa a vontade do dono do controle remoto no horário, no caso, o chefe de família, que tinha acabado de chegar do serviço e queria ver TV’, analisa Antônio Ricardo, do Ibope. ‘Em outros períodos, é a vez de a criançada mandar no controle remoto no horário. Por isso, o Cartoon está constantemente na frente.’

Para o diretor de mídia da Talent, Adrian Serguson, o telespectador evitou alterar muito seus hábitos de consumo, por isso buscou na TV paga o que costumava ver na TV aberta. ‘O horário eleitoral noturno caiu bem em cima do horário habitual dos noticiários dos canais abertos. O cara que via o Jornal Nacional mudou automaticamente para a Globo News’, diz ele. ‘Na correria em que pessoas vivem, ninguém quer perder tempo. Durante a propaganda política, se aquele era o horário de se informar, vai continuar sendo, só quer na TV paga’, continua. ‘Acho que a tendência é a TV por assinatura se beneficiar cada vez mais com essa migração em períodos eleitorais. Imagine a tentação que é optar entre as incansáveis promessas políticas, ou zapear entre 80, 90 canais.’

Fãs do programa eleitoral - Mesmo com tamanha migração para a TV por assinatura, os indecisos, os mais interessados em política - ou no humor proporcionado pelo programa - e até os fãs do então candidato Enéas garantiram boa audiência ao horário eleitoral. Segundo dados do Ibope, cerca de 17% dos domicílios com TV desligaram o aparelho durante a propaganda política noturna, durante o primeiro turno. Em 2000, nas eleições para prefeito e vereadores, essa fuga foi de 18%.

A fim de escolher seus candidatos para deputado estadual e federal, a dona de casa Maria Vieira Gonçalves, de 37 anos, não perdeu um só dia o horário político. Conta que costumava assistir aos programas eleitorais enquanto fazia o almoço e jantar da família, em um televisor que tem na cozinha.

‘Às vezes, ficava só ouvindo, pois estava prestando atenção na comida, mas acabava sempre dando uma olhadinha, nem que fosse para dar risada, ou para olhar bem a cara dos safados’, fala ela. ‘O que acho injusto é que alguns partidos têm tão pouco tempo, que não dá para o eleitor escolher um candidato. Acabam ganhando as eleições os mesmos que estão no poder, os que têm dinheiro, os que têm mais tempo no horário político.’

Maria conta que seu hábito de assistir ao programa eleitoral é antigo e que seus três filhos também assistem. ‘Tem muita gente que vota com base no comentário dos outros sobre os debates, sobre uma reportagem, sobre o horário político. Eu, não. Quero ver com os meus olhos e analisar a quem confiarei o rumo do País. Depois, não posso sair falando que não sabia o que estava fazendo.’

O vice-presidente da DM9, Paulo Queiroz, acredita que, além da importância dos cargos governamentais a serem escolhidos este ano, a ampla cobertura que a mídia deu ao assunto é responsável pelo despertar desse maior interesse do público.

‘Não me lembro de ter visto tantos debates, entrevistas de candidatos e reportagens na TV em eleições anteriores, como vi nessa. Essa fuga de cerca de 20% do público da TV no horário político pode parecer muito, mas é pouco se pensarmos que, de cada 10 pessoas, apenas 2 resolveram não assistir às propagandas políticas’, explica. ‘Acho que a TV paga ganhou, mas não tanto como alardeiam. Apostar nessa fuga marginal de espectadores, num espaço tão curto de tempo, não é tão bom negócio assim para os anunciantes.’

Apesar da boa audiência -, a estréia do horário eleitoral registrou 52 pontos de média - a propaganda gratuita não é motivo de festa nas emissoras abertas. Durante sua exibição, as redes são isentas do pagamento de alguns impostos ao governo, o que costuma beneficiar canais ‘nanicos’, que faturam menos por break comercial. As grandes redes, no entanto, não ganham o mesmo que faturariam com a programação normal.

Na Record, por exemplo, a conta é simples: o potencial de faturamento nacional da novela Joana, a Virgem, exibida diariamente das 20h15 às 21 horas, gira em torno dos R$ 5,9 milhões por mês. Nos meses de horário político, a emissora deixa de ganhar isso e a isenção de impostos não cobre esse valor.

‘Pela legislação, há isenção de alguns impostos, mas, com certeza, isso não tem grande impacto no nosso negócio’, afirma o superintendente comercial da Record, Walter Zagari. ‘Não há perda de dinheiro pela exibição do horário eleitoral, o que acontece é a falta de interesse do telespectador em assistir ao programa eleitoral e, conseqüentemente, isso provoca perda de audiência para as emissoras.’

Audiência essa que até tenta assistir ao horário político nos primeiros dias, mas logo desiste. ‘Assisti nos primeiros dias ao horário noturno, para olhar a proposta dos candidatos, mas, assim que decidi em que ia votar, desisti de ver’, conta a chef de cozinha Flávia Carnicelli, de 27 anos. ‘Acho até que as propagandas políticas evoluíram. No primeiro turno, os candidatos não perderam tanto tempo se atacando como em eleições anteriores, mas a propaganda ainda está longe de ser interessante, atraente, de ser realmente um bom programa.’"


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