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ELEIÇÕES 2002
Lilian Christofoletti
"Na TV, Maluf ‘tira o chapéu’ para Lula e FHC", copyright O Estado de S. Paulo, 18/04/02
"O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), convidado ontem a participar de um quadro no Programa de Raul Gil, na TV Record, tirou o chapéu para o presidente Fernando Henrique Cardoso. Ao tirar o chapéu, que no programa é um símbolo de aprovação, a platéia vaiou o ex-prefeito.
Maluf explicou que, apesar de ter restrições a FHC por conta do desemprego, reconhecia o êxito do seu plano econômico. Ele também tirou o chapéu para os petistas Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Eduardo Suplicy.
Lula, disse, ‘cresceu muito politicamente e aprendeu com a democracia’. Em relação ao senador, Maluf disse tirar o chapéu ‘pelo momento difícil que ele passou na vida pessoal’, referindo-se à separação de Marta.
Ele se negou a tirar o chapéu ao senador José Serra (PSDB), ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e à prefeita Marta Suplicy (PT). Disse que Serra é o responsável pela epidemia de dengue, e Alckmin, pelo aumento da criminalidade. Sobre Marta, afirmou que a ‘cidade está abandonada’. O programa vai passar na segunda."
Wilmar Alves
"Baixaria de resultados", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br, 22/04/02
"Os governos têm o péssimo costume de alimentar com o dinheiro público certas publicações sem as quais a humanidade continuaria caminhando do mesmo jeito, talvez até um pouco melhor. Dessas publicações que interessam mais a quem as inventa e surgem da noite para o dia com a finalidade imediata de emitir faturas e embolsar as verbas oficiais. Algumas ousam arriscar um projeto de influência política e editorial, mas só convencem os leitores imprevidentes e mais apressados.
Em sua maioria, são jornais e revistas que chegam apenas às repartições públicas e algumas poucas bancas. Se deixam de circular, ninguém sente falta. Mas, se circulam, pode ser um deus-nos-acuda, especialmente quando se colocam a serviço de governantes que, irresponsavelmente, não vacilam em pendurá-las no cabide do erário. A conta fica para o povo, assim como o rombo do dinheiro que salva os bancos falidos e enriquece os que fraudam as sudams e sudenes da vida.
Os tais jornais e revistas de aluguel faturam alto em épocas pré-eleitorais. Como não têm compromisso com a ética e a seriedade, são usados para produzir material de campanha, manchetes fortes para conteúdos podres, fabricados de acordo com a encomenda de quem tem as chaves do cofre.
Geralmente essas publicações são governistas de conveniência, desde a primeira até à última página. Seus colunistas freqüentam as mesmas fontes, os mesmos palácios e os mesmos interesses. Só mudam a postura quando o povo muda os governantes, mas logo estão eles lá, de novo, vendendo o pescoço para as novas autoridades pendurarem a chapa branca.
É muito fácil identificar essas publicações e os negócios escusos que elas representam. Entre os jornalistas e os políticos com um pouco mais de estrada, só não vê isso quem não quer.
As empresas que as editam não cumprem nenhuma finalidade social. No lugar de um quadro próprio de profissionais, têm colaboradores e colunistas que às vezes até cobram pelas notas que publicam. Puro jabaculê. Em vez de articulistas respeitáveis, têm bate-paus e puxa-sacos. As matérias são criteriosamente planejadas para bater ou bajular. Destroem uns, enaltecem outros. Os donos são mestres em chantagens; gritam nos corredores da tesouraria do governo, oferecem propinas e alimentam arapongas com uma competência de fazer inveja às ditaduras que já vivemos.
Costumam dever quantias fabulosas ao fisco, à previdência, ao FGTS, aos fundos de desenvolvimento. Conseguem financiamentos com tamanha facilidade, que parecem ser os empresários mais idôneos do mundo. Auréola falsa. Não sobreviveria sequer a uma quebra de sigilo fiscal ou bancário.
Os proprietários dessas estruturas investem muito mais em suas fazendas e em outros negócios do que nas publicações propriamente ditas. Não precisam modernizar a estrutura física nem o caráter. Papel aceita tudo; leitores desavisados, também.
Se os governos lhes negam alguma coisa, eles atacam. Se a dádiva é modesta, eles ferroam. Se o gestor público não os reconhece ou não lhes dá a importância que reivindicam, eles achincalham. Mas se os governos os privilegiam, eles abraçam.
A dignidade dos ofendidos os poupa do revide no mesmo nível, porque as pessoas prejudicadas julgam indigno se sujarem de coisa tão ruim.
Por que os governos alimentam essas publicações e esses ‘negócios’? Com que direito dão o dinheiro do contribuinte à vigarice, à sordidez e ao submundo da imprensa de aluguel? Afinal, isso é ou não é corrupção? Quem financia quadrilhas é o quê?
E os jornalistas? Por que se omitem e vêem assim tão passivos se aviltarem o mercado de trabalho e a própria profissão? Para quem não compreende os mecanismos internos e os interesses externos de determinadas publicações, somos todos iguais. Uns têm respeito pelas nossas credenciais, outros nos consideram a excrescência da intelectualidade. E, para muitos, somos bandidos mesmo.
Enquanto isso, os governantes que sustentam esses negócios...
Puxa, eles costumam se reeleger com a conivência de muitos jornalistas, gente que ‘forma opinião’."
Comunique-se
"Enquete do Correio Braziliense é fraudada", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br, 19/04/02
"Em sua coluna desta sexta-feira (19/4), Ricardo Noblat, diretor de redação do Correio Braziliense, revela que um computador do Ministério da Saúde foi utilizado para que a enquete ‘O governo deve manter Serra como candidato ou substituí-lo?’ fosse fraudada.
A pergunta foi feita por Noblat na terça-feira (16/4) e oferecia as seguintes opções:
a) deveria manter
b) deveria substituir
c) estou pouco me lixando
Até às 14h de quarta-feira (17/4), a enquete havia recebido 554 acessos. A primeira opção somava 33% dos votos, contra 34% para a opção B e 33% para a opção C. ‘Entre 14h e meia-noite, quando um novo comentário substituiu o anterior, foram contabilizados 5.166 acessos. No período de 10 horas, esse espaço chegou a ser acessado até 92 vezes por minuto’, explica Noblat em sua coluna.
Qual não foi a supresa do diretor do Correio ao ver que na última quinta-feira, o número de opções pró-Serra alcançou 98% dos 5.166 votos. A equipe de tecnologia do Correio Web descobriu que a fraude foi realizada a partir da máquina cujo registro é 200.214.130.10, que funciona nas dependências do Ministério da Saúde.
A assessoria do ministério disse que a área técnica está tentando descobrir quem foi o autor da fraude. Disse que a chefia nada tem a ver com isso.
A enquete será realizada novamente."
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