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ESTADÃO SEM MESQUITAS
Cidade Biz

"Família Mesquita se prepara para deixar direção do Grupo Estado", copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 20/02/03

"Tem início em março a implantação do novo modelo administrativo do Grupo Estado, que tira a família Mesquita do comando da empresa, onde reina absoluta há mais de 100 anos, desde o lançamento do jornal O Estado de S. Paulo. Francisco Mesquita Neto, diretor superintendente da empresa, se recolhe ao Conselho Consultivo. A receita, parecida com a aplicada ao Pão de Açúcar, foi dada pelo ex-ministro da Indústria e Comércio Alcides Tápias, contratado em dezembro passado para tocar a reestruturação do grupo, que busca um quadro financeiro mais saudável e também um sócio.

Na operação, Tápias é auxiliado por Cláudio Galeazzi, da Galeazzi & Associados, consultor especializado em assessorar empresas com problemas. Galeazzi, que já dá expediente direto no andar da diretoria do Grupo Estado, é quem negocia a dívida com os bancos credores e cuida do processo de profissionalização do grupo. No modelo que será implantado mês que vem, o único Mesquita que continuará com funções executivas é o jornalista Rui Mesquita, que seguirá dirigindo a linha editorial do Estadão e do Jornal da Tarde.

Com tais decisões, os Mesquita demonstram a mesma coragem que sempre norteou a conduta editorial dos jornais da empresa, mesmo nos mais difíceis momentos políticos vividos pelo país, como na Ditadura Vargas (quando a família foi deposta da empresa) e durante o regime militar. Se o exemplo da família Mesquita encontrasse seguidores na mídia, muitas empresas hoje em dificuldade poderiam reencontrar o caminho da prosperidade de modo mais rápido e menos penoso.

Este processo foi longo e envolveu o convencimento de todos os 57 membros da família Mesquita com direitos societários sobre o grupo. Todos avalizaram a operação, que deu plenos poderes aos consultores externos para agirem em seu nome, tanto na negociação com os bancos, quanto com a profissionalização. Uma vez contratado, o ex-ministro Tápias passou a integrar, junto com seus sócios Roberto D’Utra Vaz e Octávio Castelo Branco, de seu escritório, um Comitê de Reorganização, subordinado ao Conselho de Administração.

Quando anunciou publicamente o início de seu plano de reestruturação, o Grupo Estado disse, em nota, que se tratava de um plano de reestruturação para livrar a empresa das dificuldades impostas pela indústria de mídia, recuperar sua rentabilidade, preparar o acesso aos mercados de capitais e deixar a companhia pronta para a abertura da mídia.

O comunicado já prenunciava o modelo administrativo que estréia em março. ‘Paralelamente, o Conselho de Administração estará desenvolvendo estudos para a implantação de um novo modelo de Governança Corporativa, voltado a adaptar os processos decisórios do Grupo aos desafios de crescimento dos negócios, do acesso aos mercados de capitais e da abertura do setor da mídia’, dizia o texto."

 

Consultor Jurídico

"Grupo Estado pode passar por reestruturação histórica", copyright Consultor Jurídico (www.conjur.com.br), 19/02/03

"Está praticamente acertada a transferência dos integrantes da família Mesquita para um Conselho Consultivo do Grupo Estado. Com isso, os herdeiros do conglomerado abandonariam as funções administrativas nas unidades da Casa - em um processo semelhante ao do Grupo Pão de Açúcar.

As medidas, ainda não confirmadas, seriam implantadas em março e atenderiam as exigências para o saneamento do grupo destinadas a possibilitar o aporte de capital estrangeiro . O principal candidato ao investimento seria um grupo de seguros internacional - muito provavelmente a American International Group (AIG), o mesmo que está investindo na Gol.

O primeiro a se afastar seria o diretor da rádio Eldorado, João Lara Mesquita, que se encontra em tratamento médico. Na manhã desta quarta-feira, em reunião na emissora, fez-se o anúncio de que profundos cortes reduzirão drasticamente a estrutura da unidade.

A força-tarefa incumbida de formular a reestruturação teria descartado o afastamento dos Mesquita das funções editoriais - solução temida pelos herdeiros - por entender que a ‘marca Mesquita’ integra o ativo do conglomerado e o seu valor de mercado.

Entre as primeiras medidas para contenção de custos estaria o imediato retorno das unidades localizadas fora do edifício-sede do Estadão, na avenida Marginal. Em pelo menos uma delas, a OESP Mídia, já se distribuiu comunicado anunciando a mudança entre os dias 3 e 9 de março. A rádio Eldorado, localizada hoje no bairro da Aclimação, teria um problema adicional para voltar ao prédio original: a localização de sua antena de transmissão.

Pelo diagnóstico produzido pelo grupo de trabalho comandado por Alcides Tápias e pelo executivo Cláudio Galleazzi, a corporação acumulou custos desnecessários criando unidades e empreitadas com o único objetivo de acomodar os 17 membros da família. Seis deles (cinco homens e uma mulher) integram o Conselho de Administração e as decisões são adotadas por maioria simples.

A assessoria de imprensa da administração comercial do grupo não quis se manifestar a respeito das possíveis mudanças. O site aguarda resposta a mensagem eletrônica remetida ao diretor de redação de O Estado de S.Paulo, Fernão Lara Mesquita."

 

MÍDIA EM CRISE
Ivson Alves

"Esperança e coragem", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 23/02/03

"Recebi dois emeios semana passada que me fizeram ficar tenso. O primeiro foi de uma colega, assessora em São Paulo que tem como um dos clientes conhecida agência de clipping eletrônico. O cliente abriu duas vagas, uma para estagiário e outra para um recém-formado. Pois ignorando as restrições desabaram sobre a mesa da pessoa responsável pela seleção cerca de 300 currículos, a maior parte dos quais de gente com anos de experiência em redação. Se o tom do emeio da colega é assustado, no outro, de um velho amigo - um dos melhores textos de minha geração - ele se corporifica em palavra. ‘De um marido e pai assustado com o futuro’, encerra ele a mensagem, antes de assinar mandando um abraço fraterno.

Os emeios me fizeram lembrar o Outubro Negro de 1998. Naquele período, os patrões, já sabendo que a derrocada do real era inevitável, mandaram centenas de jornalistas embora em diversos mercados (no Rio, foram demitidos algo em torno de 80, pelo que me lembro). A sensação mais forte que senti à época, quando era assessor do sindicato, foi a de impotência, causada pelo fato de a entidade pouco poder fazer por aquelas pessoas em cujos olhos se lia decepção e medo.

Quando a gente é demitido é duro não apenas por não se saber o que vai ser da gente e de nossa família. Esses problemas se tornam ainda maiores devido a uma sensação doída de derrota, de incompetência pessoal, que os chefes sempre conseguem passar quando mandam embora. E não há jeito de se evitar isso (mesmo quando os chefes querem, o que nem sempre acontece: tem uns tarados que adoram ver os outros sofrer), pois fica sempre a pergunta: ‘por que eu?’.

Bom, mano/mana, só posso dizer que a culpa não é sua. Não é sua culpa que Luiz Fernando Levy seja um incompetente megalomaníaco; que Nélson Tanure seja um aventureiro; que os Marinho tenham apostado as calças num negócio (TV a cabo) que não pode dar certo num país campeão do mundo em concentração de renda e dependente de dinheiro externo para manter o câmbio equilibrado; que os Frias tenham querido criar a ‘AOL latina’ sem ter base em outras mídias além de um pequeno grupo de jornais; que o Sílvio Santos continue a fazer negócio como quando vendia bugingangas na barca para a Ilha.

Somando e diminuindo, pesando e dividindo, você é muito mais competente que esses patrões. Não pode interiorizar a incompetência que é deles. Não é você que, quando a coisa aperta, vai correndo ao governo pedir proteção, como fizeram os dirigentes da ANJ há três semanas, no Palácio Planalto. Nem que faz lobby para a aprovação de uma lei dizendo que ela seria solução para todos os seus problemas e depois não tem capacidade para fazer nada com ela (estou falando, é claro, daquela lei que liberou pessoas jurídicas nacionais e estrangeiras de investirem em empresas de comunicação, aprovada em outubro passado a toque de caixa).

Ou seja, mano/mana, não há motivo algum para que você se sinta mal. Aflito/a com certeza. Com medo, talvez um pouco. Mas, se você é mais velho, olhe para trás e veja quanta dureza você venceu; se é mais novo, sua juventude por si só é uma oportunidade enorme. O que não pode acontecer, de maneira nenhuma, é deixar que estes patrões incompetentes, e muitas vezes desonestos, roubem também sua esperança e sua coragem.

Silêncio denunciador - Aí por volta de 95, O Globo criou, em parceria com a PUC, um chamado Projeto Calandra (não sei que fim levou, mas parece que acabou logo). Para a primeira turma, foram escolhidos jovens muito talentosos que trabalhavam no jornal. Além de se exercitarem em assuntos que a empresa considerava importantes (internet, por exemplo), eles ouviram palestras de especialistas em várias áreas, incluindo a nossa.

Um desses bambambans foi um famoso colunista da casa, cujo estilo ainda hoje é o de palmatória do mundo. Daí o choque sofrido por alguns quando este colegão, ao falar de seu relacionamento com as fontes, disse, no seu estilo tonitruante:

- Eu não falo mal de fonte. Por exemplo, vocês nunca vão me ouvir falar mal do senador Antônio Carlos Magalhães.

Esta é a explicação para que o jornalista - e, desde fins do ano passado, também autor best seller - esteja ensurdecedoramente calado sobre as acusações de grampo contra o senador baiano. É este silêncio que me faz desconfiar, mais do que qualquer denúncia de ex-amante, na procedência das atuais suspeitas contra o parlamentar pefelista.

Proposta: que o colega escreva em sua coluna dominical - publicada em um jornal paulista também - o que disse aos jovens do Calandra. Ele tem o direito de proteger quem quiser de sua palmatória, claro, desde que avise disso seus leitores."


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