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TV DIGITAL
Ismael Pfeifer

"Mercosul e China: um sistema comum", copyright Gazeta Mercantil, 21/02/03

"O governo brasileiro propôs ontem à Argentina uma parceria tecnológica para o desenvolvimento de um sistema próprio de televisão digital, com o objetivo de fugir dos padrões pré-existentes criados por Estados Unidos, Europa e Japão, aos quais os sócios do Mercosul teriam de pagar royalties estimados em US$ 20 a US$ 30 por aparelho fabricado. Segundo o ministro brasileiro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, a idéia da associação bilateral foi recebida com entusiasmo pelo presidente Eduardo Duhalde, com quem ele encontrou-se ontem em Buenos Aires. ‘Também estamos iniciando conversações para a inclusão da China, com o que nosso sistema passaria a ser um dos mais utilizados no mundo’, explicou Amaral.

Potências colonizadoras

O ministro brasileiro termina hoje sua primeira viagem de trabalho à Argentina. Ontem, além de conversar com o presidente, manteve reuniões durante todo o dia com a equipe do secretário argentino de Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva, Julio Luna. ‘Além das razões econômicas e tecnológicas, há razões de ordem pedagógica para buscar um sistema próprio de tecnologia digital. É preciso explicar ao nosso povo, inclusive às elites, que o subdesenvolvimento é também ideológico e cultural. Não temos que entrar no terceiro milênio seguindo o destino imposto pelas potências colonizadoras. Quando diziam que no Brasil não havia petróleo, mostramos que havia e hoje temos tecnologia de ponta no setor, assim como em energia hidrelétrica e no álcool combustível. Por que não fazer a própria TV digital?’, pregou Amaral durante entrevista ao lado de Luna, ontem à tarde.

O ministro brasileiro minimizou a importância de uma maior demanda de tempo para se obter a tecnologia própria, em comparação à rapidez da adoção de um dos três modelos já desenvolvidos. ‘Se tivermos que esperar dois anos a mais, isso seria pouco em comparação à autonomia que teremos’, contra-argumentou. A tese foi corroborada pelo secretário de Informática e Tecnologia, Francelino Lamy Grando, que o acompanhava. ‘Na Europa a TV digital foi lançada há cinco anos e, apesar do enorme poder aquisitivo nos países do bloco, hoje o sistema só atinge a 5% da população, o que torna relativa essa demanda maior de tempo relativa’, afirmou Grando.

‘Por que sempre ter que depender do modelo dos outros e pagar royalties?’, perguntou Amaral. Nas estimativas do governo brasileiro, um mercado associado entre Brasil, Argentina e China significaria uma rede potencial de 200 milhões de aparelhos, mais do que o mercado norte-americano ou o europeu. A US$ 20 dólares de royalties por aparelho, isso significaria ao longo do tempo uma economia conjunta de US$ 4 bilhões.

Durante a entrevista coletiva dos representantes brasileiro e argentino, ambos expressaram-se politicamente e criticaram em vários momentos os governos anteriores, definidos como neoliberais e com políticas equivocadas para a área tecnológica - embora Duhalde seja considerado um líder conservador e populista do peronismo. E questionado sobre a iminência da guerra contra o Iraque, Amaral relativizou as conseqüências para a região. ‘Estamos geograficamente distantes para temer por eventuais ataques químicos. E para o bem ou para o mal, nós não temos a mesma quantidade de petróleo (que o Iraque)’, disse.

Atuação conjunta

Durante as reuniões de ontem, os representantes dos dois governo reafirmaram os acordos tecnológicos vigentes - e reforçaram a atuação conjunta na pesquisa em energia atômica e aeroespacial. Amaral comunicou a Duhalde a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de abrir toda a infra-estrutura tecnológica brasileira aos pesquisadores argentinos, desde laboratórios até disponibilizar a base de Alcântara para o lançamento de satélites. Os encontros terminam hoje à tarde, após a assinatura de documento conjunto resumindo as tratativas das reuniões bilaterais."

 

Paulo Braga

"Argentina pode apoiar novo padrão de TV digital", copyright Comunique-se Valor Econômico, 21/02/03

"O ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, reiterou ontem a intenção brasileira de desenvolver um sistema próprio de TV digital. Amaral, que encerra hoje uma visita a Buenos Aires, disse que a idéia, lançada no Brasil pelo ministro das Comunicações, Miro Teixeira, recebeu o apoio do presidente argentino, Eduardo Duhalde. Além disso, já teriam sido feitos contatos iniciais com o governo da China, que segundo o ministro recebeu bem a proposta.

A união dos três países, e posteriormente do resto da América do Sul, daria ao padrão a possibilidade de abranger ‘ o maior mercado de aparelhos de TV do mundo ‘ , com escala suficiente para viabilizá-lo. ‘ O Brasil deu seguidas demonstrações das possibilidades de seguir seu próprio caminho ‘ , disse Amaral. O ministro citou como exemplo o fato de que ‘ as potências colonizadoras diziam nos anos 30 que nossa vocação era agrária ‘ , mencionando depois êxitos brasileiros na exploração de petróleo, hidrelétricas e com o Proálcool.

‘ Por que não fazemos isso com a TV digital? Não temos de depender da tecnologia dos outros, pagando royalties ‘ , afirmou Amaral. O governo brasileiro acredita que, uma vez definido o padrão a ser adotado por Brasil e Argentina, o mesmo modelo tecnológico deve ser seguido pelo restante do continente.

‘ Ao desenvolver um modelo adequado à realidade brasileira se pensa ao mesmo tempo em escala de mercado, por exemplo, a China. Por isso o ministro trouxe ao presidente Eduardo Duhalde uma proposta de desenvolvimento conjunto ‘ , disse Francelino Lamy de Miranda Grando, secretário de Informática e Tecnologia do ministério.

‘ Se o Brasil e a Argentina tomam uma decisão, nós viramos a América do Sul. É uma conseqüência lógica ‘ , afirmou.

Em comum, os três países teriam o fato de a maioria de suas transmissões de televisão serem pela chamada via terrestre, com antenas espalhadas por seus territórios cobrindo extensas áreas geográficas. Grando disse também que o formato próprio permitirá ao Brasil economizar entre US$ 20 e US$ 30 que teriam de ser pagos em royalties por cada aparelho de televisão comercializado, além de evitar que o país fique dependente ‘de decisões referentes à tecnologia vindas de fora, das quais não podemos participar.’"

 

FSP

"Brasil propõe TV digital própria", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 21/02/03

"O Brasil propôs aos governos da Argentina e da China um acordo de cooperação para que os três países desenvolvam um sistema próprio de televisão digital. O ministro de Ciência e Tecnologia brasileiro, Roberto Amaral, fez a proposta ontem ao presidente argentino, Eduardo Duhalde, durante visita oficial ao país.

Com o projeto, elaborado pelo Ministério das Comunicações, o Brasil desistiria de optar por um dos padrões hoje disponíveis: o japonês, o americano e o europeu. Até o final do ano passado, o debate a respeito da TV digital era sobre qual dos sistemas era mais apropriado para o Brasil e que tipo de vantagens cada um traria.

O ministro disse que o governo já iniciou os contatos com a China também. A intenção é concentrar recursos e iniciar pesquisas conjuntas para desenvolver um padrão único para os três países.

‘As negociações começaram agora, e não temos idéia ainda de quanto tempo vão durar’, disse Francelino Lamy Grando, secretário de Política de Informática e Tecnologia. Ele, no entanto, afirma que os três países têm todos os recursos e tecnologia necessários para abrir mão da tecnologia importada dos outros três sistemas existentes.

‘Um problema que poderia ser apontado seria a falta de mercado’ disse Grando, ao explicar que uma das barreiras para fazer um sistema próprio seria a falta de um número significativo de consumidores para justificar os investimentos. Mas, segundo Grando, um acordo com a Argentina e a China criaria o maior mercado mundial em termos de padrão de transmissão de TV digital. ‘Seriam 200 milhões de residências.’

Ele nega que a espera pelo desenvolvimento de tecnologia própria pode deixar o Brasil ‘atrasado’ em relação aos demais países e diz que todos os três sistemas disponíveis têm características que não seriam adequadas para o caso brasileiro.

‘O sistema norte-americano foi construído para um país que está todo interligado por cabos. O europeu, para atender toda a diversidade que exigem as diversas comunidades da região. O japonês é baseado em satélites’, disse.

Segundo Grando, Brasil, Argentina e China têm hoje infra-estruturas semelhantes de transmissão de sinais de TV: sistemas de antenas e transmissão de longa distância. ‘Essas semelhanças podem ajudar-nos a desenvolver um padrão adequado para essas características’, avalia."

 

Cidade Biz

"TV digital brasileira pode ter mesmo padrão que argentina e chinesa", copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 20/02/03

"O ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, anunciou nesta quinta-feira, após encontro com o secretário de Ciência e Tecnologia e Inovação Produtiva da Argentina, Júlio Luna, que Brasil e Argentina trabalharão juntos com a China para desenvolver um sistema comum de TV Digital.

O ministro se reuniu com Luna para reforçar o objetivo de aprofundar os projetos tecnológicos entre os dois países. Mas o assunto mais discutido foi o desenvolvimento e a unificação de tecnologia digital para transmissão de dados e televisão em vez de importar sistemas estrangeiros.

A reunião foi um dos compromissos do ministro em sua primeira visita oficial ao país. O ministro também foi recebido pelo presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, dando continuidade a um histórico de cooperação iniciado na década de 80.

A programação da visita, que tem como objetivo incrementar a cooperação com a Argentina, inclui ainda reunião entre o ministro e representantes do Ministério brasileiro e do Conselho Interinstitucional de Ciência Tecnologia (CICyT).

Segundo o ministro, isso poderá criar um grande mercado e viabilizar investimentos para desenvolver este modelo para toda a América do Sul em associação com a China, com quem o Brasil já iniciou os primeiros contatos nesse sentido.

Pelas estimativas do secretário de Política de Informática e Tecnologia do ministério brasileiro, Francelino Lamy de Miranda, poderão ser beneficiados 200 milhões de lares com essa tecnologia na China e toda a América do Sul."

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