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O FURO DA RTP
O Estado de S.Paulo

"RTP dá furo em grandes redes mundiais", copyright O Estado de S.Paulo, 22/3/03

"A Rádio e Televisão Portuguesa (RTP) se está vangloriando por ter furado as grandes redes de TV do mundo inteiro com seus noticiários sobre a guerra no Iraque. Com suas reportagens sendo transmitidas ao vivo pela TV Cultura, de São Paulo, o telespectador que acompanhou os diversos canais informativos no primeiro dia de ataques ao Iraque certamente percebeu que a emissora portuguesa estava à frente das demais.

A RTP foi a primeira a mostrar a carga de foguetes americanos contra o Iraque, com as bolas de fogo cruzando os céus de Bagdá.

O enviado especial da RTP a Bagdá, Carlos Fico, instalado no terraço do Hotel Méridien da capital iraquiana e usando o sistema de videofone (cuja transmissão é feita via internet) mostrou Bagdá toda iluminada, sem nenhum blecaute. O jornalista explicou que se tratava de uma decisão do governo iraquiano para manter o moral da população.

Fico também deu um furo em seus concorrentes, informando que a rádio estatal de Bagdá estava sendo pirateada pelas forças invasoras, que transmitiram uma mensagem em árabe justificando o ataque.

A RTP também mostrou as imagens do presidente americano, George W. Bush, se preparando para fazer seu discurso sobre o início do ataque ao Iraque, em um estúdio montado na Casa Branca (ler abaixo).

Nas imagens, uma cabeleireira arruma o cabelo do presidente americano, passa um spray, e dá os últimos retoques em seu visual, enquanto ele ensaia o discurso que faria ao mundo. Um pouco depois, a BBC também passou a mostrar essas imagens, enquanto a CNN, percebendo que estava sendo furada, explicou que perdera a conexão com suas câmeras instaladas na Casa Branca. (AE)"

***

"Os ângulos da guerra, segundo cada canal", copyright O Estado de S.Paulo, 24/3/03

"A CNN escalou 200 pessoas para a cobertura da guerra no Iraque: são 2 âncoras em estúdio no Kuwait e 45 jornalistas espalhados pelo Oriente Médio.

A emissora atinge 230 milhões de domicílios em 212 países. Para quem prefere os franceses aos norte-americanos, a TV5, mesmo com aparato menor, tem sido uma boa opção. Na TV aberta, a Band tem mesclado melhor as imagens de agências ou CNN com as da rede árabe Al Jazeera, o chamado ‘outro lado’. Mas ninguém até agora superou o feito, quase acidental, da portuguesa RTP, a primeira a exibir o início do bombardeio em Bagdá."

 

INTERNET EM ARMAS
Roberto Dias

"Explode audiência de sites noticiosos", copyright Folha de S.Paulo, 24/3/03

"Os pacifistas continuam pregando ‘Faça amor, não faça guerra’, mas, ao menos na internet, Saddam Hussein pode se gabar de ter hoje mais que o dobro da popularidade de Pamela Anderson, musa histórica da rede.

O site de buscas Google (www.google.com) apontava ontem 953 mil referências encontradas sobre o iraquiano, contra 397 mil da loira de ‘Baywatch’.

Já o Yahoo! (www.yahoo.com) traçou uma comparação entre as buscas feitas em seu endereço pelos termos ‘Saddam Hussein’ e ‘Britney Spears’, outra entre as preferidas dos internautas.

De novo, uma goleada do iraquiano. Ele perdia até o penúltimo domingo, mas, a partir do início da semana passada, disparou e chegou ao ponto de despertar cinco vezes mais interesse nos internautas do que a cantora.

Na quinta-feira, o Freeserve (www.freeserve.com), maior provedor da Inglaterra, anunciou que o termo ‘guerra’ havia ultrapassado a palavra ‘sexo’ como a mais procurada em seu endereço.

Não é só a popularidade de Saddam que cresceu com o início dos combates. Na primeira guerra de grandes proporções da era da internet, o conflito no Iraque fez disparar a audiência dos principais sites de notícia dos EUA, como mostrou um levantamento feito pelo instituto Media Metrix.

Quem mais ganhou foi o endereço virtual da rede de televisão Fox News, que obteve um crescimento superior a 200% em relação aos níveis pré-guerra.

Os sites de outras emissoras, como a CBS e a CNN, tiveram ganhos semelhantes.

No caso da Fox News, a guerra praticamente esmagou o restante do noticiário. O site contratou mão-de-obra nos últimos dias e reduziu significativamente o espaço para notícias não relacionadas ao combate.

Alguns sites apostam que esse conflito poderá desempenhar para os endereços noticiosos na internet o papel que a Guerra do Golfo teve para a CNN.

Analistas dizem que a internet deixou a infância como fonte de notícia após os atentados de 11 de setembro e que essa é sua grande chance, o empurrão definitivo, especialmente em uma guerra que vai sendo operada de forma quase ininterrupta pelas Forças Armadas americanas.

O endereço da rede ABC (abc.abcnews.go.com) oferece, por US$ 10 mensais, um centro de comando virtual, onde é possível acompanhar, permanentemente, os ataques ao Iraque, entrevistas da Casa Branca e do Pentágono e manifestações de pacifistas ao redor do planeta.

Mas a reação do mundo virtual à guerra é curiosa. Na quarta-feira, por exemplo, na primeira hora após o início dos ataques, o nome do porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, foi o quarto termo mais procurado no Yahoo!.

Em outros sites, é possível apostar sobre resultados do conflito, em meio a tentativas de adivinhar resultados da NBA e do futebol europeu.

O endereço britânico Tradesports, por exemplo, abriu uma seção em que é possível apostar quando ocorrerá a queda do ditador iraquiano. ‘O mercado tem mais sensibilidade do que qualquer grupo de especialistas’, diz John Delaney, executivo do site.

Já o Bet on Sports traz dúvidas mórbidas do tipo ‘A embaixada americana no Paquistão sofrerá um ataque nuclear?’."

 

Toni Marques

"Repórteres relatam o dia-a-dia do conflito em sites e blogs", copyright O Globo, 22/3/03

"Se a guerra no Afeganistão foi a primeira da era on-line, a guerra no Iraque tem a marca digital da proliferação dos diários na internet, os chamados blogs, sites pessoais no jargão da rede. Escassos são os relatos despachados de quem vive o horror do ataque em Bagdá, ao passo que os blogs ligados aos militares americanos são muitos – especialmente os de esposas de combatentes.

Apesar de não serem numerosos, os relatos on-line de jornalistas e cidadãos que estão no Iraque passaram a ser muito mais valiosos desde ontem, devido à expulsão das equipes da rede CNN de Bagdá. Eles oferecem uma visão limitada do que está acontecendo no principal teatro de guerra, mas transmitem, de todo modo, a intensidade dos fatos.

Repórteres, militares e famílias de soldados mantêm sites

O blog de Kevin Sites, jornalista e fotógrafo freelance que está trabalhando para a CNN no norte do Iraque, é peculiar. Experiente na cobertura dos conflitos de Kosovo e do Afeganistão, Kevin Sites se intitula um ‘garoto da guerra’, e seu trabalho na CNN chega a ter uma certa dose de ironia.

Um blog curioso é o do ‘Tenente Smash’ <http://lt-smash.com>. Supostamente, ele é um militar da reserva que, convocado pelo Exército americano, estaria em algum lugar do Golfo Pérsico.

A agência de notícias Reuters tem um correspondente, Luke Baker, que está acompanhando a 535ª Companhia de Engenharia do Exército. Ele escreve o ‘Diário de um correspondente’, que pode ser acessado, em inglês, no link <www.alertnet.org/thenews/newsdesk/L21447110>.

O lado mais pessoal da cobertura tem outros canais de escoamento, na própria cobertura televisiva. É freqüente o modo como os repórteres que acompanham as tropas americanas – não só da CNN, como também das redes CBS, ABC e NBC – se dirigem aos telespectadores como se fizessem parte da ação de guerra. Eles costumam se referir ao movimento das tropas americanas usando ‘nós’.

– Acho que há um certo exagero no modo como eles se expressam – disse ao GLOBO Brent Cunningham, editor-chefe do periódico de crítica jornalística ‘Columbia Journalism Review’, da Universidade Columbia, em Nova York.

A cobertura on-line das redes tem aberto espaço para as esposas dos militares formarem comunidades de aflição e esperança. O website MSNBC.com criou o ‘Diário da família do Exército’. Nele, a jovem Tamara, que tem 17 anos e está grávida de dez semanas, fala da saudade que sente de seu noivo, o tenente Joel (sobrenomes não são divulgados). ‘O jeito que as pessoas olham para mim é o jeito que julgam minha situação’, ela escreveu no último dia 19. ‘Preciso do meu noivo, preciso do meu melhor amigo.’

Em termos de cobertura geral, o trabalho dos gráficos interativos é destaque nos sites da revista ‘Newsweek’ e do ‘Washington Post’."

 

Marijô Zilveti

"Bloggers têm cobertura pró e contra a guerra", copyright Folha de S.Paulo, 24/3/03

"A guerra no Iraque é o novo mote dos bloggers [blogs] diários virtuais, em que seus autores põem na rede pensatas, discussões e fotos. Aceitam comentários dos leitores que acessam suas páginas.

Quatro dias após o ataque dos EUA ao Iraque, a rede traz centenas de bloggers [blogs] contra o ataque da coalizão anglo-americana. São pacifistas que questionam o ataque e o modelo de democracia que o presidente George W. Bush tenta impor, segundo artigo em www.adammagazine.com.

O PeaceBlogs (peaceblogs.org/list.php) reúne 538 ciberdiários de 29 países, com relatos atualizados hora a hora. Foi criado com o objetivo de opor-se a blogueiros americanos a favor de Bush, entre eles o www.blogsofwar.com, que traz notícias da cobertura.

Na abertura da página, o autor pede que não lhe mandem links de sites pacifistas. ‘Comentários antiguerra e propaganda árabe serão banidos do site.’ No lado esquerdo, há vários links para autores de diários a favor do governo norte-americano.

Também contra o Iraque há o diário www.crazysaddam.com. O autor atualiza notícias em tempo real. Mais crítico é o www.warblogging.com/archives/000566.php, com artigos pró e contra e comentários sobre as notícias veiculadas por CNN e Fox.

Os sites noticiosos adotaram o formato de ciberdiário como um diferencial para seus internautas. Criaram links especiais para os correspondentes de guerra. É o caso da BBC, em news.bbc.co.uk/2/hi/indepth/2873651.stm. Correndo por fora, Kevin Sites, jornalista da CNN e correspondente de guerra, criou seu blogger em www.kevinsites.net, com fotos e pequenos comentários. A atualização das notícias do profissional foi suspensa na semana passada, sem mais explicações, e a CNN colocou à disposição dos interessados impressões mais impessoais em www.cnn.com/2003/WORLD/meast/03/22/otsc.irq.sites/index.html. O endereço para relatos dos outros correspondentes da rede está em www.cnn.com/WORLD/otsc/archive.

No Kuait, um grupo de internautas criou o blog www.qhate.com, com clipes de vídeo do canal de TV árabe Al Jazeera. O diário reúne informações do cotidiano dos autores.

Daily Cos (www.dailykos.com/archives/catwar.html) promete análises e tem extensa lista de textos antes do início do conflito.

O portal Warblogs:cc (www.warblogs.cc) reúne dezenas de diários virtuais que estão fazendo a cobertura da guerra. Há seção para os blogs contra o ataque. Inclui ainda links para notícias veiculadas no site do ‘The New York Times’ e da BBC."


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