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REALITY SHOWS
Keila Jimenez

"Diminui febre dos reality shows", copyright O Estado de S. Paulo, 23/06/02

"A febre dos reality shows está baixando. Pelo menos é isso que aponta uma pesquisa recente realizada pelo Instituto QualiBest, que comercializa seus estudos para o mercado publicitário. O levantamento, realizado entre os dias 23 de maio e 3 de junho, com cerca de 300 entrevistados, mostra que o interesse do brasileiro por programas que expõem o cotidiano de famosos ou anônimos na TV diminuiu: 47% dos entrevistados dizem estar menos interessado por essas atrações, enquanto apenas 15% atestam que seu interesse aumentou.

Motivos para a queda de apetite pela intimidade alheia não faltam: várias edições seguidas do mesmo programa, manipulação da direção das atrações, falta de espontaneidade dos concorrentes, muita baixaria, provas e competições chatas. Essas são algumas das reclamações dos participantes da pesquisa, que teve 50% de seus entrevistados em São Paulo, 22% no restante do Sudeste, 17% no Sul, 6% no Centro-Oeste e 5% no Nordeste.

‘A tendência é o formato desses programas ir se esvaziando, são atrações meteóricas. A novidade acabou e, com ela, o interesse do público’, explica a professora da USP Maria Thereza Fraga Rocco, que desenvolve estudos sobre TV há 20 anos. ‘Não é como uma novela, que você fica esperando o que vai acontecer no capítulo seguinte. Reality show não é dramatização nem vida real, pois as pessoas vão perdendo a espontaneidade com o passar das edições. É aí que o público cansa, pois não tem nem uma coisa nem outra.’

O estudante Rafael Figueira, de 24 anos, é um exemplo de quem perdeu a paixão pelo formato. Fã de Big Brother1 e Casa dos Artistas1 - chegava a gravar cenas das primeiras edições - hoje não suporta mais assistir aos reality shows. ‘Casa e Big Brother eram o máximo. Lembro que as pessoas só falavam sobre isso o dia todo’, diz ele. ‘Em Casa 2 , senti que o Silvio Santos começou a mexer demais e o elenco já não era tão legal. Então fui parando de assistir’, continua. ‘Big Brother 2 e Casa 3 ninguém tem paciência de ver. Já chegaram a me perguntar, outra semana, quais participantes tinham sido eliminados da véspera. Antes, todo mundo sabia.’

Para o público da pesquisa QualiBest, em grande parte com idade entre 21 e 30 anos, solteiro e cursando nível superior, Casa dos Artistas 2 ainda era o melhor dos reality shows: o preferido por 31% dos entrevistados. Mesmo assim, Big Brother é citado como o mais acompanhado: 69% dos entrevistados assistiram ao programa da Globo. Cerca de 15% dos participantes preferem Fama e 24% não querem nem ouvir falar desses programas."

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"Anunciantes perdem entusiasmo", copyright O Estado de S. Paulo, 23/06/02

"Excesso de atrações ou desgaste nos formatos do gênero, o fato é que mesmo com público e mercado publicitário cansados do voyeurismo no aquário eletrônico - sim, os anunciantes não estão mais tão empolgados com esses programas -, Big Brothers e afins continuam com uma audiência considerável e com perfis mutantes.

Tanto Casa dos Artistas como Big Brother tiveram queda de ibope da primeira para a segunda edição. BBB1 marcou média 39,9, enquanto BBB2 registrava, até a última terça-feira, 37 pontos de média de audiência na Grande São Paulo.

Casa dos Artistas despencou mais: Casa 1 marcou 31,7 pontos de média e Casa 2, 23 pontos. Com Casa 3 está pior: o programa tem alcançado entre 15 e 20 pontos de média no ibope.

‘A audiência vai cair, mas acabará estagnando em um índice razoável, pois essas atrações são curtas e costuram a programação das redes. O público acaba digerindo na esteira das atrações do dia, mas sem o mesmo entusiasmo e repercussão. É o que vai espantando os anunciantes’, diz Maria Thereza.

Perfil - Em comum entre seus telespectadores, os reality shows têm apenas uma coisa: a maior audiência entre o público feminino.

Já as diferenças, são muitas. Observando os reality shows da Globo, isso é nítido. A audiência de Big Brother rejuvenesceu de uma edição para outra.

A primeira versão da atração, que foi ao ar no início do ano, tinha uma platéia mais velha, a maioria do público com idade acima de 35 anos. Big Brother 2 tem conseguido fisgar a atenção de telespectadores mais jovens e sua audiência é composta em maior parte pelos que têm entre 18 e 34 anos.

A explicação da emissora para essa oscilação na concentração de faixas etárias é a mudança de horário do programa. BBB1 era exibido mais cedo, por volta das 22 horas, e BBB2 está indo ao ar depois das 23 horas. Jovens assistem TV até mais tarde, alega a emissora.

Comparando BBB e Fama, também vemos públicos bem distintos. Apesar de não apelar para baixarias e de ter participantes de talento real - coisa rara em programas do tipo -, Fama encontra sua maior concentração de audiência entre o público adolescente (de 12 a 18 anos) e de classe social mais baixa.

Enquanto Big Brother é mais visto pelas classes A e B, o reality show de calouros agrada mais os públicos de classes D e E. A justificativa da Globo é novamente o horário: sábado à tarde, na edição mais longa de Fama, há maior concentração de público dessa faixa social.

Casas - Com audiência em queda, Casa dos Artistas, do SBT, também viu o perfil do seu telespectador mudar de uma edição para outra. Segundo dados do ibope, o público envelheceu. Em Casa dos Artistas 1, que foi ao ar de outubro a dezembro do ano passado, o público jovem (12 a 17 anos), que representava 16% da audiência, caiu para 14% na segunda edição.

O ibope entre a classe social mais baixa aumentou. Cerca de 29,7% da audiência de Casa 1 era composta pelo público de classes A e B. Em Casa dos Artistas 2, esse número caiu para 28%. Há explicação. ‘Classes sociais mais baixas não possuem TV a cabo, por isso praticam menos zapping’, explica a professora da USP. De acordo com ela, a audiência entre esse público tende a se manter, assim como entre o telespectador mais velho, que não tem o hábito de ficar mudando muito de canal.

Maria Thereza explica ainda que a queda no número de jovens assistindo a um determinado programa já é sinal de que o furor está passando. ‘Mas, o lançamento de formato inusitado poderá retomar a febre’, adverte - para alegria de uns e desespero de outros."

 

Carla Meneghini

"E a ‘Casa’ caiu...", copyright Folha de S. Paulo, 23/06/02

"O ibope da ‘Casa dos Artistas’ não é mais o mesmo. A terceira versão do ‘reality show’ do SBT -que entrou para a história ao vencer o até então imbatível ‘Fantástico’, da Globo- não repete as audiências das ‘Casas’ 1 e 2.

As duas primeiras semanas de ‘Casa 3’, que estreou em 2 de junho, alcançaram média de 13 pontos nas transmissões de segunda a sábado. Na ‘Casa 1’, a média nas duas primeiras semanas foi de 25 pontos e, em ‘Casa 2’, de 22 pontos.

O diretor do programa, Rodrigo Carelli, nega que o formato esteja desgastado: ‘‘Casa 3’ está entre os programas de maior audiência do SBT, não se pode dizer que não há interesse do público’.

Carelli atribui a baixa na audiência nas duas primeiras semanas à concorrência com os últimos capítulos de ‘O Clone’. O Ibope de ‘Casa 3’ na última segunda, primeiro dia sem ‘O Clone’, foi de 16 pontos, três acima da média, mas ainda longe dos índices das antecessoras.

O Ibope dominical -dia em que não há concorrência com a novela das oito- também não foi muito bem em comparação com as edições passadas. No último domingo, o terceiro desde o início de ‘Casa 3’, a atração perdeu para o ‘Fantástico’, por 29 contra 32 pontos.

No terceiro domingo de exibição, a primeira ‘Casa’ atingiu 39 pontos, contra 26 do ‘Fantástico’; ‘Casa 2’ também ganhou, por 36 contra 26 pontos.

‘O público está cansando, né?’, diz a modelo Mari Alexandre, participante da ‘Casa 1’. ‘Está ficando repetitivo e os participantes não são espontâneos.’

Para Alexandre Frota, também ex-’Casa 1’, o problema da ‘Casa 3’ está no elenco, que conta com seis artistas e seis fãs. ‘Os fãs são um bando de oportunistas inexpressivos; o público nem sabe o nome deles’, diz o ator.

Carelli considera bem-sucedida a estratégia de confinar supostos fãs com os artistas para fugir da repetição. ‘Isso fez com que o prêmio fosse o principal objetivo, o que aumenta os conflitos e dinamiza a convivência’, diz.

‘Casa dos Artistas 3’ foi recebida com receio pelo meio publicitário: o SBT só conseguiu vender uma das duas cotas de patrocínio, e por um preço 42% mais barato que o cobrado na ‘Casa 2’. ‘A primeira ‘Casa’ provocou uma grande corrida, mas, agora, a atração já não é mais prioridade das agências, pois preferimos investir onde está a novidade’, diz o diretor de mídia da DPZ, Flávio Rezende.

O SBT pretende dar férias à ‘Casa’ assim que terminar essa edição, em 28 de julho, e concentrar esforços em outro ‘reality show’, ‘Ilha da Sedução’. No entanto, segundo o diretor, a emissora não descarta a realização de uma ‘Casa 4’. ‘É um programa rentável e com bons índices de audiência, por isso não é improvável que haja outra, mas ainda não há nada acertado’, diz Carelli."

 

DC

"Governo pune ‘Casa 3’ por ‘Big Brother 2’", copyright Folha de S. Paulo, 18/06/02

"As imagens, da primeira relação sexual real da TV, foram ao ar na Globo, mas acabou sobrando também para o SBT. Em despacho publicado no ‘Diário Oficial’ da União de ontem, o ministério da Justiça reclassificou não só ‘Big Brother Brasil 2’, mas também ‘Casa dos Artistas 3’ como programa impróprio para menores de 16 anos, que não pode ser veiculado antes das 22h.

Para a Globo, a mudança não altera sua grade, porque ‘BBB 2’ sempre vai ao ar depois das 22h. Mas para o SBT a reclassificação causou ontem um dia de correria, já que ‘Casa 3’ vai ao ar às 21h.

Advogados do SBT iriam ontem à tarde impetrar recurso contra a reclassificação. Até as 13h, não estava definido em que horário seria exibido o programa de ontem. A TV não é obrigada a cumprir a classificação, porque ela é apenas indicativa, mas não é politicamente interessante descumpri-la.

A Globo foi punida pelo governo por exibir, na última segunda, imagens em que participantes de ‘BBB 2’ copulavam debaixo dos lençóis. Isso não aconteceu no ‘reality show’ do SBT.

Os dois programas eram livres. De acordo com a portaria de ontem, ‘BBB 2’ agora é impróprio para antes das 22h por ter ‘sexo realista, grande desvirtuamento de valores éticos e conflitos psicológicos’. Já ‘Casa 3’ contém ‘temática adulta e conflitos psicológicos’, impropriedades comuns para a faixa das 21h (14 anos).

OUTRO CANAL

Reviravolta 1

Não era só o futebol que alavancava o ‘Domingão do Faustão’ e derrubava o ‘Domingo Legal’ no Ibope. Há três domingos o programa do SBT perde no horário do futebol para os filmes reprisados pela Globo na ‘Temperatura Máxima’. Anteontem, Eddie Murphy e seu ‘Dr. Dolittle’ deram um lavada em Gugu Liberato: 24 a 14 pontos na Grande São Paulo.

Reviravolta 2

No horário do ‘Domingão do Faustão’, no entanto, a disputa continua equilibrada, com uma ligeira vantagem para a Globo. Domingo, o placar foi de 24 a 24. Gugu só se saiu melhor com o material produzido em Marrocos, que venceu por 27 a 24.

Espantalho

A crise econômica que afeta quase todas as emissoras de TV está passando longe da MTV. O canal segmentado no público jovem entrou em junho com 80% de sua meta de faturamento para 2002 já fechada. Boa parte desse resultado vem de grandes anunciantes, como montadoras e fábricas de bebidas. Seu faturamento deve crescer 10% neste ano.

Abandono

A Rede TV! vai manter pelo menos nos próximos dias o nome de José Luiz Datena, que volta novamente para a Record dia 1º, no ‘Datena Repórter Cidadão’, agora apresentado por Marcelo Rezende. Acha que isso a favorece em ação judicial em que irá cobrar R$ 5 milhões do apresentador."


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