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CÁTEDRA OCTAVIO FRIAS DE OLIVEIRA
Getulio Bittencourt
"Uma cátedra para Octavio Frias, pai", copyright DCI, 26/02/02
"Conheci Octavio Frias de Oliveira, o principal acionista da ‘Folha de S. Paulo’, como repórter iniciante de seu jornal em 1974. Recebi então da editoria de cidade uma tarefa difícil, a de entrevistar o prefeito de São Paulo sobre a rodoviária paulistana, que ficava defronte à estação Júlio Prestes, no final da avenida Duque de Caxias, e pertencia, entre todos os empresários, ao próprio Frias.
A história foi publicada numa página inteira do jornal, e naquele dia, de passagem pela redação, Frias veio conversar comigo. Ele tinha várias perguntas apropriadas ao tema, do ponto de vista estritamente jornalístico, que eu deveria ter feito, mas não fiz. No fim, com sua franqueza às vezes brutal, ele concluiu: ‘Bom, você não estava preparado para esta entrevista, não é?’
Tive que admitir que era verdade.
A lenda no jornal dizia que ele começou a vida como contador, mas os anos, e sua incrível vivacidade, de fato fizeram dele um repórter mais perspicaz que os melhores na sua equipe. Quando comecei a participar dos almoços semanais de visitantes ilustres com editores na ‘Folha’, aprendi muito com o seu estilo direto, honesto e implacável de fazer perguntas. Lendo seu próprio jornal, ele freqüentemente sabia mais do que as páginas revelavam, especialmente as de Economia, uma seção em que felizmente nunca trabalhei na sua casa.
A argúcia que Frias usa para indagar serve também para escolher talentos. Certa vez, o governador paulista Laudo Natel lhe telefonou, queixando-se que o prefeito paulistano José Carlos de Figueiredo Ferraz recebia melhor cobertura na ‘Folha’ do que ele. Frias ouviu a queixa e pesquisou o jornal por alguns dias. Depois, ligou de volta para Natel e sugeriu:
‘Laudo, você deve contratar o assessor de imprensa do Figueiredo Ferraz. É um rapaz chamado Boris Casoy. Ele é muito esperto. Manda para nós uma série de notícias curtas sobre assuntos diferentes; é por isso que o Figueiredo Ferraz aparece em várias páginas. Já o seu pessoal manda poucas notas, e muito longas, que são mais difíceis de aproveitar’.
Infelizmente para a divulgação do governo estadual, Laudo Natel não seguiu o conselho. Frias acabou contratando Casoy, primeiro para fazer a coluna ‘Painel’, e mais tarde, com a saída de Cláudio Abramo, para dirigir o jornal.
O grande Cláudio Abramo foi um dos talentos que Frias trouxe para relançar a ‘Folha’ no período da distensão lenta, gradual e segura do governo Ernesto Geisel. Outros, além de Casoy, foram Alberto Dines, Paulo Francis, Tarso de Castro, Mauro Santayana, Osvaldo Peralva, Samuel Wainer. Francis descreveu o grupo, numa conversa com Dines, como ‘os comunistas do Frias’.
Mas a ‘Folha’ é o grande jornal que se tornou hoje também graças a Octávio Frias de Oliveira. O primeiro Grande Prêmio Esso da história da ‘Folha’, concedido à entrevista que Haroldo Cerqueira Lima e eu fizemos com o general João Baptista Figueiredo em 1978, só foi publicada porque o editor-chefe da época (Boris Casoy) foi liberado por Frias para usar critérios puramente editoriais nessa decisão.
Cláudio Abramo, então assessor de Frias, ao encontrar-me no elevador alguns dias depois, me disse que se fosse o editor-chefe jamais publicaria aquela entrevista agressiva. Cláudio, por ser trotskista como Francis, talvez fosse mais uma vez para a cadeia se o fizesse, enquanto Boris, com um perfil conservador, não seria visto como um agente provocador contra a ditadura militar.
Só voltei a encontrá-lo no final da década de 1980, quando secretário de Comunicação Social do governo Sarney. Sempre em busca da notícia, ele me pediu uma entrevista exclusiva com o presidente da República para relançar a carreira de seu amigo Cláudio Abramo, que publicaria em grande estilo e duas páginas. Ele tornou-se desde ontem, merecidamente, nome de cátedra numa faculdade de jornalismo."
Folha de S. Paulo
"Fiam homenageia publisher da Folha", copyright Folha de S. Paulo, 24/02/02
"O empresário Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha, recebe amanhã às 20h30 o título de professor honoris causa da Fiam (Faculdades Integradas Alcântara Machado), em São Paulo. O evento faz parte das comemorações do 30º aniversário da instituição e homenageia os 40 anos do empresário à frente do Grupo Folha.
Também amanhã será inaugurada a Cátedra de Jornalismo Octavio Frias de Oliveira, que vai promover simpósios acadêmicos durante todo o ano, concurso de reportagem e outras iniciativas ligadas à comunicação.
A cátedra é a primeira de uma série de parcerias entre faculdades e empresas jornalísticas que a Fiam pretende realizar, segundo seu diretor, José Marques de Melo. A escola oferece cinco cursos de comunicação com 1.800 alunos -882 deles estudam jornalismo.
No seminário de amanhã, falam o diretor editorial da Folha, Otavio Frias Filho, o diretor-adjunto do jornal ‘Valor Econômico’, Carlos Eduardo Lins da Silva, o colunista da Folha Clóvis Rossi e o jornalista Boris Casoy, âncora do ‘Jornal da Record’.
Participa da solenidade o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, representando o presidente da República.
O título de professor honoris causa será entregue por Edevaldo Alves da Silva, presidente do grupo que mantém, além da Fiam, a FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) e a Faam (Faculdade de Artes Alcântara Machado). ‘É uma homenagem a um guardião da liberdade de informação no país’, afirma Alves da Silva.
Como publisher da Folha, Frias revolucionou o modo de fazer jornalismo no Brasil, avalia Lins da Silva, 49. Inovou tecnicamente, com a impressão offset e a composição a frio, e implantou o projeto editorial que, alicerçado na isenção e no pluralismo, transformou a Folha no jornal de maior circulação do país.
‘Foi a ‘invenção’ da independência como ativo jornalístico’, diz Clóvis Rossi, 59. Até então, afirma, o jornalismo brasileiro servia para defender causas políticas e interesses particulares.
‘É o melhor empresário que conheço. Tem um surpreendente conhecimento do ser humano e um grande amor pelo país’, diz Boris Casoy, 61, que chefiou a Redação da Folha por nove anos, nas décadas de 70 e 80."
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