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ELIO GASPARI / AS ILUSÕES ARMADAS
Roberto Pompeu de Toledo

"Nas entranhas da ditadura", copyright Veja, 27/11/02

"Às 2h30 da madrugada de 31 de março de 1964 o insone general Olympio Mourão Filho, comandante da 4ª Região Militar, com sede em Juiz de Fora, acendeu um charuto, abriu seu diário e registrou: ‘Não estou sentindo nada e, no entanto, dentro de poucas horas deflagrarei um movimento que poderá ser vencido, porque sai pela madrugada e terá de parar no meio do caminho’. Na verdade, o general Mourão, misto de militar atrevido e de bufão, mais bufão que atrevido, e que pouco depois viria a se autoqualificar como uma ‘vaca fardada’, demorou para sair. Quando saiu foi devagar. E, de tão devagar, chegou atrasado. Passou para a história que a ação de Mourão, rebelando suas forças e pondo-as a caminho do Rio de Janeiro, desencadeou o movimento que os vencedores chamariam de ‘Revolução’, ‘Revolução de 31 de Março’ ou, numa fórmula mais cômica, ‘Revolução Redentora’. De certa forma, foi mesmo. Mas, ao declarar-se rebelado, Mourão encenou apenas a primeira das ninharias, dos movimentos pífios e ações militares inócuas que caracterizaram as 48 horas seguintes. Foram 48 horas de não-fatos, de ameaças sem seqüência, de muito-barulho-por-nada. No entanto, na contramão do provérbio, o rato pariu uma montanha: aquelas 48 horas viriam a dar à luz um regime que, pela sanha liberticida e vocação para a monstruosidade, mas também pela desorganização e chefias infelizes, seria responsável por algumas das páginas mais negras da história do Brasil.

Estamos nos iniciando no universo de A Ditadura Envergonhada (Companhia das Letras; 420 páginas; 40 reais) e A Ditadura Escancarada (idem; 508 páginas; 44 reais), os dois primeiros volumes de uma série de cinco com os quais o jornalista Elio Gaspari se debruça sobre o regime militar. Entre o povo nas ruas, aquelas 48 horas registraram ocorrências graves. Sete pessoas morreram, em três cidades: Rio de Janeiro, Recife e Governador Valadares. Entre os protagonistas, porém, o que de mais grave ocorreu foi a entrada à força do coronel César Montagna no QG da Artilharia da Costa, anexo ao Forte de Copacabana, empurrando uma sentinela, e a altercação entre o chefe da Casa Civil do presidente João Goulart, Darcy Ribeiro, e o comandante da região de Brasília, general Nicolau Fico, a quem Darcy, ao se dar conta de que mudara de lado, chamou de ‘macaco traidor’ e acrescentou: ‘Estou vendo os pêlos crescendo no seu rosto’. Elio Gaspari comenta: ‘Um empurrão, dado no Rio por um coronel numa sentinela, e um insulto humilhante, imposto por um professor a um general, simbolizaram a violência dos combates na cúpula do regime e na vanguarda da rebelião’.

Diga-se desde logo e sem rodeios, sobre os livros em questão, que constituem um prodígio. Não se tem sobre o período, e raramente se encontrará sobre qualquer outro período da história recente do país, obra tão circunstanciada, tão bem apurada, bem escrita e bem apresentada. A essas qualidades acrescente-se a monumentalidade que o trabalho exibirá ao cabo da publicação dos volumes pendentes. Está-se diante de um autor no pleno e completo domínio de seu tema, com o qual se familiarizou e no qual se aprofundou muito antes de sequer sonhar com um livro. Ex-diretor adjunto de VEJA e hoje autor de uma coluna publicada na Folha de S. Paulo, em O Globo e em outros jornais, Gaspari notabilizou-se, durante a ditadura, como o jornalista que, por meio de janelas hábil e persistentemente abertas na crosta de censura e de segredo que caracterizava o regime, mais e melhor conheceu suas entranhas. Uma dessas janelas, a principal, foi aberta quando, jovem jornalista recém-chegado à redação de VEJA, em 1969, e trabalhando numa reportagem sobre o conceito, tão em voga, de ‘segurança nacional’, ouviu do colega Dirceu Brisola a sugestão de telefonar para o general Golbery do Couto e Silva, fundador do SNI e ideólogo do regime. ‘Ele não vai te prender mesmo’, argumentou Brisola. Gaspari telefonou e, para sua surpresa, teve atendida a pretensão de um encontro com aquele homem misterioso, agora afastado do poder, mas do qual se continuava a dizer que não gostava de jornalistas. Gaspari deu-se conta, no encontro que se seguiu, de que Golbery era um conversador exuberante e uma preciosa fonte de informações, dessas que um jornalista, uma vez tendo encontrado, não pode deixar escapar, e pôs-se a cogitar, quando a conversa avançava para o fim, num estratagema que facilitasse novos encontros. Encontrou um: pedir ao interlocutor que lhe emprestasse um par de livros sobre o tema da reportagem em que trabalhava. Assim garantiria novo encontro para devolver os livros, do qual sairia talvez com outros livros, que por sua vez teriam de ser devolvidos, e assim por diante. Deu certo, e assim foi. De conversa em conversa, livro emprestado em livro emprestado, nasceu um relacionamento que virou amizade até a morte do general, em 1987.

Outro encontro decisivo se deu com o já ex-presidente Ernesto Geisel, com quem o jornalista passaria a conversar assiduamente a partir do ano - 1979 - em que Geisel deixou o poder. Gaspari fixou pé, assim, nos dois personagens que mais o fascinavam no período, duas personalidades fortes, tão unidas pela amizade e lealdade quanto opostas em temperamento, companheiros de muitas aventuras em comum e sócios num paradoxo: tendo ambos se engajado, em papéis relevantes, na construção da ditadura, foram também eles que, ao se reencontrarem com o poder, em 1974, encetaram o trabalho de desconstruí-la. Do conhecimento dos dois, do regime que protagonizaram e da obra que conduziram, o jornalista extraiu a idéia de um ensaio - O Sacerdote e o Feiticeiro. O sacerdote era Geisel e o feiticeiro, Golbery. Quando ainda traçava os primeiros esboços, no entanto, sucedeu algo que, para o pesquisador, equivale à graça para o devoto: um dos personagens sobre o qual dirigia sua investigação, Golbery no caso, decidiu doar-lhe as caixas esverdeadas, até cobertas do mofo da garagem em que estavam amontoadas, em que guardava seus papéis. O ensaio, que não deveria passar de 100 páginas, começou a metamorfosear-se, criar asas, virar outro bicho. Incorporava fatos não sabidos ou mal sabidos, encorpava em abrangência e em substância. Ao longo dos últimos dezoito anos, pois data de 1984 a idéia de O Sacerdote e o Feiticeiro, e já de posse do arquivo Golbery, Gaspari compilou outros documentos, fez dezenas de entrevistas, leu tudo o que se publicou sobre o período e muito do que se pensou no mundo sobre ditaduras, e armou, em seu computador, um manancial de quase 30.000 fichas. O balão tanto inchou que o sacerdote e o feiticeiro comparecem apenas de passagem nestes dois primeiros volumes, que vão, o primeiro, até a edição do Ato Institucional nº 5, em 1968, e o segundo, daí ao fim do governo Médici. Eles surgirão com força nos dois volumes seguintes, em que se traçarão suas biografias e se avançará governo Geisel adentro. O quinto volume retomará o governo Geisel, em sua fase final, e trará dois anexos, um sobre o atentado do Riocentro e outro sobre os anos finais do sacerdote e do feiticeiro.

Estes dois primeiros livros, e pode-se adivinhar que também os outros três, estruturam-se em torno de dois eixos principais. Um é a idéia da ‘anarquia militar’, como a chama o autor. Tratava-se de um regime em que, nas palavras de Gaspari, ‘conviveram esquizofrenicamente uma obsessão pela ordem pública e a desordem nos quartéis’. O senso comum imagina uma ditadura como um regime monolítico, em que a disciplina é imperativa e a ordem e a organização o terreno em que se fecunda. O senso comum vai se surpreender, à leitura dos livros de Gaspari, ao deparar com um estado de coisas em que cada militar é soberano em seu feudo, uns atropelam os outros, o subordinado vive desafiando o comandante, e raros são os que, em algum momento, não estão metidos em alguma conspiração. Em Goiás, porque queria derrubar o governador Mauro Borges, o coronel Danilo da Cunha e Mello tantas fez que virou um estorvo para o general que comandava a 11ª Região Militar. Escreve Gaspari, com seu jeito cáustico: ‘O coronel insubordinou-se e o general, com a anarquia molhando-lhe o culote, deu-lhe voz de prisão, mas dele não recebeu oitiva de preso’. O coronel continuou solto e, afinal, prevaleceu em seu desiderato, pois acabou obtendo a cassação de Mauro Borges. Anos depois, quando o meio militar se dividia entre os generais Emílio Médici e Albuquerque Lima para a Presidência da República, um almirante de quatro estrelas convocou um de três, seu subordinado, para avisar-lhe que estava com Albuquerque Lima. O outro respondeu que estava com Médici. ‘Isto não é uma consulta, é uma ordem’, disse o almirante maior. ‘Ordem coisa nenhuma’, respondeu o menor. ‘Nesse caso, mando prendê-lo’, insistiu o maior. Nesse ponto um terceiro almirante, também com menos estrelas, que presenciava a cena e era gago, interveio: ‘E eu dou-...lhe u...ma...ma ra...rajada de de me...metra...lhadora’.

A anarquia reinante em Goiás ou no gabinete do almirante quatro estrelas era reflexo da anarquia instalada no centro do poder, um de cujos paradigmas era a hostilidade, fermentada na ambição descontrolada, entre o ministro do Exército - ou da Guerra, como ainda se chamava no começo do período - e o presidente. Desde que assumiu - no grito, como bem se conta no primeiro dos dois livros - o posto de ministro do Exército, o marechal Costa e Silva elegeu como tarefa prioritária solapar o governo do colega Castello Branco. Para tanto, arvorava-se em caudatário supremo das reclamações pelo endurecimento do regime que, vindas dos setores apelidados de ‘linha dura’, constituíam uma espécie de fundo musical da anarquia. Gaspari explica que Costa e Silva não era, ele próprio, um radical - ‘era apenas um manipulador da anarquia’. Tal esperteza pavimentou-lhe o caminho para tornar-se o próximo presidente, mas isso à custa não só de fustigar o então titular do cargo, mas de avacalhar a própria Presidência. Conclui Gaspari: ‘As mãos com que Costa e Silva manipulara a anarquia durante o governo de Castello atrapalharam-se quando chegou a sua vez de segurar o baralho. Para subir, ajudara a degradar a figura constitucional da Presidência. Quando a assumiu, recebeu-a degradada’.

O segundo eixo em torno do qual se estrutura a obra é a tortura. Na verdade, a anarquia e a tortura se olham, ao longo de toda a reconstituição do período, como parceiras. A anarquia possibilitava a tortura. A tortura cevava e fortalecia a anarquia. A partir do governo Médici, elas viram uma única e mesma coisa. Quem procurar, nesses livros, o desempenho da economia no período, ou o panorama social correspondente, não vai encontrar. É por isso que Gaspari desautoriza chamá-los de uma história do período militar. ‘Falta ao trabalho a abrangência que o assunto exige’, escreve, no prefácio. O que se tem, de um lado, são os militares, e, de outro, seus opositores - os opositores de esquerda, bem entendido, e em especial da esquerda armada. Os livros, mais o segundo que o primeiro, demoram-se em descrever em detalhes as organizações de esquerda, seus militantes e suas ações. Seguem-se, na vida e na morte, as trajetórias de Marighella e de Lamarca, além de outros menos notórios. O último capítulo do segundo volume, chamado A Floresta dos Homens sem Alma, é uma pungente reconstituição da guerrilha do PC do B no Araguaia. ‘Rosa, morena miúda, calçava 33’ é a primeira frase do capítulo, e já por aí - pelo simples fato de, de saída, dirigir o foco ao tamanho dos sapatos da personagem - se verifica que o autor afinou o instrumento no tom da alta dramaturgia. Segue-se um enredo em que os personagens, castigados pela selva e pela perseguição do inimigo, flagelados a ponto de comer carne crua e vizinhos ao limite de empenhar a razão, vão virando bichos, quando não viram sombras, desmilingüindo-se até o destino final de ser varados de balas e, na boa tradição brasileira, decapitados - como ocorreu com insistência na história nacional, das revoluções do Sul a Canudos, para não falar de Tiradentes, que além da cabeça perdeu os braços e as pernas.

De permeio entre esses dois blocos, os militares de um lado, os contestadores da esquerda de outro, é que surge a realidade assombrosa da tortura. Num dia de outubro de 1969, segundo narra Gaspari, uma centena de militares, entre sargentos e oficiais das três Armas, reuniu-se numa dependência da Polícia do Exército na Vila Militar, no Rio. Eram os alunos. Numa espécie de palco postou-se o professor, o tenente Ailton Joaquim, de 27 anos. De microfone e retroprojetor em punho, informou: ‘Agora vamos dar a vocês uma demonstração do que se faz clandestinamente no país’. Para a demonstração, Ailton tinha à disposição dez presos, enfileirados perto dele. Depois de uma exposição inicial, com o auxílio de slides, passou à prática. Um dos presos foi ligado a um magneto pelos dedos da mão, enquanto o tenente explicava como dosar as voltagens para controlar a duração dos choques. Outro preso foi posto de pés descalços sobre as bordas de duas latas abertas, outro teve os dedos esmagados com barras de metal, outro apanhou de palmatória. E assim foi, numa aula minuciosa, ministrada com fumos de ciência. O Exército chegara ao ponto da ‘banalidade do mal’, para citar a fórmula com que Hannah Arendt qualificou a normalidade burocrática com que os nazistas produziram o holocausto. Também atingira desenvoltura capaz de permitir-lhe não só falar no assunto, mas também ilustrá-lo com experiências práticas, perante uma platéia de 100 pessoas.

Gaspari não se limita a descrever casos. Os dois primeiros capítulos do segundo livro são dedicados à tortura ela própria, em abstrato. O tom narrativo cede lugar ao ensaístico, e o trabalho alcança um de seus grandes momentos. ‘A tortura é filha do poder, não da malvadeza’, escreve o autor, para então se pôr a demolir dois mitos, um, o de que a tortura era praticada sem o consentimento e até à revelia dos hierarcas do regime e, dois, o de que o torturador é um desequilibrado. O tenente Ailton jamais se permitiria dar sua aula de tortura, expõe Gaspari, se temesse alguma punição dos superiores. Muito pelo contrário, os oficiais - e policiais - envolvidos em centros de tortura mereciam, entre outros carinhos, a condecoração com a Medalha do Pacificador (do Pacificador!). Sem precisar dizê-lo, e dispensados de tocar nos presos, os chefes sancionavam a máquina, e assim faziam por uma razão singela: os superiores de Ailton, de seu comandante direto até os generais, destes aos ministros e dos ministros ao presidente, eram beneficiários tanto das informações extraídas nas torturas quanto do terror dissuasório que a notícia de que se pratica a tortura espalha entre potenciais contestatários. Os hierarcas negam a tortura, ou fingem condená-la, porque isso faz parte da etiqueta das ditaduras. Com isso, produzem uma mentira oficial que, nas palavras de Gaspari, é ‘o reverso da covardia da tortura’, pois, por meio dela, ‘sinalizam um medo de assumir a responsabilidade por atos que apóiam e recompensam’. O leitor, ao cabo desses capítulos, ganhará o prêmio de sair com a cabeça mais arrumada sobre o assunto. ‘Na medida em que a responsabilidade desliza da sala de jantar para o porão dá-se a construção do estereótipo do torturador indisciplinado, emocionalmente desequilibrado’, escreve o autor. ‘A realidade é bem outra, pois a máquina, com suas recompensas, cria torturadores competentes, capazes de demonstrar a virtude de seus métodos através da qualidade do desempenho de suas investigações.’ E ainda: ‘O torturador maluco, vítima de uma perversão, é em geral um produto da fantasia política. Para a ditadura, funciona como um álibi. Permite-lhe ter à mão a tese da insanidade do agente para salvar a honra do regime se algum dia a oposição conseguir provar os suplícios e identificar os torcionários.’

A tortura não é o apêndice maldito de um regime como aquele que o Brasil conheceu. Integra-o de pleno direito. Mas o regime, se dela se beneficia por um lado, paga por outro o preço de deixar mais lenha queimar na fornalha da anarquia, pois o torturador adquire condição, mais do que de inimputável, de intocável. O delegado Sérgio Fleury, o mais famoso integrante da metade civil da máquina repressora, dobrava o expediente de torturador com o de associado de traficantes e de ás do Esquadrão da Morte. Os processos contra ele tropeçavam em ações - ou inações - como a do procurador-geral da Justiça de São Paulo que conteve os subordinados com este aviso patético: ‘A impunidade do doutor Fleury é ponto de honra para a cúpula do governo e das Forças Armadas!’. Eis o Exército confinando com traficantes e matadores. O mergulho em direção ao pântano era inevitável, desde que se acordou na conivência com um crime como a tortura. ‘O delegado Sérgio Fleury não ficou parecido com um oficial do Exército. Eram os oficiais do Exército que ficavam parecidos com ele’, escreve Gaspari. Um desses oficiais, o capitão Ailton Guimarães Jorge, inventou o lucrativo esporte de, ao deixar os centros de tortura, usar os veículos do Exército para abordar contrabandistas e roubar-lhes a carga. Acabou virando contrabandista ele próprio, e foi brilhantemente escapando das sindicâncias e dos processos contra ele armados, até decidir deixar o Exército e dedicar-se à carreira de banqueiro do jogo do bicho e dirigente de escola de samba, onde reina até hoje com o nome de ‘Capitão Guimarães’.

Se a tortura e a anarquia, entrelaçadas, emprestavam vida e prosperidade uma à outra, as duas juntas arrastavam o regime para o esgoto. Geisel começará a repor a ordem institucional ao demitir seu ministro do Exército, Sylvio Frota, que, como era praxe, tentava canalizar o barulho da anarquia para alvejar-lhe a Presidência. Este episódio, ocorrido em seguida à morte sob tortura, em São Paulo, do operário Manoel Fiel Filho, abre o primeiro livro de Gaspari, emblematicamente isolado numa introdução, e fechará os volumes em que se tratará do sacerdote e do feiticeiro. Não é preciso esperar por esses livros, no entanto, para saber por que a dupla Geisel-Golbery decidiu pôr fim ao regime que havia ajudado a criar. Gaspari já adianta a resposta, nessa mesma introdução. Foi porque o regime, ‘outorgando-se o monopólio da ordem, era uma grande bagunça’."


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