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GLOBO EM CRISE
Sergio Ripardo

"Prejuízo da Globopar chega a quase R$ 2 bilhões no primeiro semestre", copyright Folha de S. Paulo, 21/11/02

"A Globopar, holding da família Marinho que controla empresas de comunicação, acumulou um prejuízo de R$ 1,935 bilhão no primeiro semestre deste ano.

O valor aponta um crescimento de 383% em relação à perda de R$ 400,37 milhões registrada nos primeiros seis meses de 2001. Ou seja, o prejuízo quase quintuplicou em seis meses.

A holding creditou o resultado ao impacto da alta do dólar em sua dívida e às perdas de suas controladas, como a Net (antiga Globo Cabo). No final de junho, a dívida da Globopar somava R$ 7,042 bilhões -86% do total estava em moeda estrangeira.

Em 28 de outubro, a companhia anunciou um reescalonamento de sua dívida, com previsão de durar 90 dias. Entre os credores de uma dívida de R$ 693,7 milhões estão o Citibank (R$ 693,7 milhões), o BBA (R$ 89 milhões), o Unibanco (R$ 69,455 milhões), o BB (R$ 61,999 milhões) e o Bradesco (R$ 44,792 milhões).

Avalista da Globopar, a TV Globo fechou o primeiro semestre no azul. Lucrou R$ 74 milhões -uma queda de 42% em relação ao mesmo período de 2001.

Só no segundo trimestre deste ano, o prejuízo da Globopar somou R$ 1,255 bilhão.

No final de junho, o patrimônio líquido da holding era negativo em R$ 461 milhões. Isto é: seus ativos (tudo o que a empresa possui ou tem a receber) são insuficientes para cobrir seus passivos (todos os compromissos e dívidas).

A Globopar não tem capital aberto no Brasil. A empresa não é obrigada a divulgar seu balanço à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Os números do primeiro semestre foram divulgados no site da companhia, em inglês."

Daniel Castro

"Copa reduz lucro da Globo no 1º semestre", copyright Folha de S. Paulo, 20/11/02

"Por causa do prejuízo com a Copa do Mundo, a TV Globo teve seu pior primeiro semestre contábil pelo menos desde 1998, quando a holding Globopar começou a divulgar relatórios financeiros da emissora e empresas do grupo.

O lucro operacional do período foi de R$ 81,9 milhões, uma queda de 27,5% em relação ao primeiro semestre de 2001 (R$ 113 milhões). Sem contar os custos de direitos de transmissão da Copa bem como o incremento de faturamento que o evento gerou (R$ 65 milhões), o lucro da Globo no primeiro semestre de 2002 teria sido de R$ 231,7 milhões, pouco menos do que os R$ 250 milhões anunciados pela TV em agosto.

Incluindo a Copa, as receitas foram de R$ 1,293 bilhão, um crescimento de 15,9% em relação ao primeiro semestre de 2001.

Esses dados são baseados em relatório do segundo trimestre de 2002, divulgado anteontem, e no do primeiro trimestre.

A TV Globo declara prejuízo de R$ 174 milhões com a Copa (R$ 315,5 milhões incluindo Globosat e Sky). A emissora faturou R$ 245 milhões com o evento, mas considera que, desse total, teria R$ 180 milhões com ou sem Copa. Por isso, o incremento de receita é de apenas R$ 65 milhões.

A Copa de 2002 custou só à TV Globo R$ 239 milhões. Juntando Globo, Globosat (canal SporTV) e a operadora Sky, o custo foi de R$ 395 milhões, e o incremento de receita, de R$ 79,5 milhões."

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"Globo reduz preço de anúncio em ‘BBB 3’", copyright Folha de S. Paulo, 25/11/02

"Principal ‘reality show’ da TV brasileira em 2002, ‘Big Brother Brasil’ volta desvalorizado à grade da Globo, em 14 de janeiro.

Na semana passada, a Globo lançou o plano comercial da terceira edição do programa. Oferece quatro cotas nacionais de patrocínio por R$ 4,2 milhões cada, em quatro parcelas mensais.

O valor de tabela é 7,7% inferior ao das cotas (R$ 4,55 milhões) do segundo ‘Big Brother Brasil’, veiculado entre maio e julho. Mas é ainda superior ao efetivamente cobrado pelo patrocínio do primeiro (janeiro a abril), R$ 3,75 milhões, cujo preço originalmente, na tabela, era de R$ 4,75 milhões por cota (que incluía rádios e jornais do grupo Globo). Entretanto, a tabela de preços da Globo foi reajustada duas vezes (em abril e outubro), em cerca de 5%.

Há duas explicações para essa desvalorização. A primeira é o período de exibição de ‘Big Brother Brasil 3’, no primeiro trimestre, o mais fraco comercialmente. Nesse período, até a Globo, que detém mais de 75% das verbas publicitárias de televisão, pratica descontos de até 30%.

O segundo motivo é a expectativa de queda de audiência com o terceiro ‘Big Brother Brasil’. Isso já ocorreu da primeira para a segunda edição. As médias nacionais semanais de ‘BBB 1’ oscilaram de 35 a 44 pontos, com 59 na final. As médias de ‘BBB 2’ variaram de 35 a 42 pontos, com 43 no último programa."


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