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DESNACIONALIZAÇÃO
Ivson Alves

"Operação Tasca-Império", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 25/11/02

"No dia 5 desse mês, a Comissão de Educação do Senado aprovou, em caráter terminativo, o PL 175/01, do senador Ney Suassuna (PMDB-PB), que permite a grupos estrangeiros adquirirem o total do capital de empresas de TV a cabo, contra os 49% admitidos hoje. Para entrar em vigor, o projeto de lei precisará ainda passar pelo plenário da Câmara e depois ser assinado pelo presidente.

Não seria nada demais se a aprovação não tivesse deflagrado ataques que unem inimigos que se pensava inconciliáveis, como o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e quase todas as empresas de TV aberta do país, na condenação do PL. Os inimigos da aprovação do PL brandem o argumento do perigo da desnacionalização da mídia do Bananão, mas, na verdade, estão é abrindo a temporada de revanche contra Império Global.

E o que tem o Império com isso? Bom, a aprovação do PL 175/01 permitiria que ele passasse nos cobres a problemática NET - empresa que já entrou para a história como o maior erro estratégico do grupo Globo, maior mesmo que a malograda aventura da Telemontecarlo, na década de 80. Hoje, a única pretendente real à NET é a News Corporation, de Rupert Murdoch, que comprou o controle da Sky há pouco e com quem os Marinho já estão em conversações há algum tempo para passar adiante a empresa de cabo. Estas conversas é que apavoram a concorrência.

Esse pavor poreja do texto publicado há duas semanas na Folha de São Paulo e assinado por Luiz Eduardo Borgerth, presidente da União Nacional de Emissoras e Redes de Televisão (UneTV), entidade que se opõe à Abert (dominada pela Globo), e (não por acaso) consultor do SBT. No artigo, Borgerth alerta à nação que a permissão para que os gringos tenham 100% de controle sobre empresas de cabos seria uma desgraça que nada ficaria dever às sete pragas do Egito.

Para entender este medo todo, há que se olhar as coisas da perspectiva da concorrência do Império. Como se sabe, a Globopar está passando por uma crise profunda, tendo até suspendido por 90 dias os pagamentos de suas dívidas. A situação da holding do grupo (que não inclui os jornais, as rádios e a TV Globo, mas controla a NET, a Globosat, a editora, a gráfica e os estúdios do Projac) abalou as bases do Império, um momento esperado por décadas pela concorrência que vê aí a chance de a própria TV Globo acabar sendo levada de roldão. Afinal - apesar de ainda estar bem, tendo faturado R$ 1,3 bilhão no primeiro semestre do ano e tido um lucrinho de R$ 74 milhões - a Estrela da Morte é avalista de US$ 400 milhões de subsidiárias da Globopar e pau-da-barraca do grupo como um todo.

É neste momento há anos esperado que a concorrência vê chegar a cavalaria da News Corp para ajudar os imperiais. É realmente de revoltar. Como isso se daria? Bom, Rupert Murdoch não é bobo nem nada (foi nele que se inspiraram os roteiristas de um filme em que James Bond enfrentava um ensandecido magnata das comunicações) e não iria querer pegar a NET, empresa que é um desacerto só, por nada. Em troca de assumir aquele pepino, o globalizadíssimo Murdoch (que nasceu na Austrália, fez fortuna na Grã-Bretanha e hoje é cidadão americano) quer ter um naco da superavitária Globo, o que acaba por vir ao encontro da estratégia em que a empresa brasileira aposta seu futuro (algo que comentarei na semana que vem, se tudo der certo). Se este plano funcionar, a concorrência não só não conseguiria tascar o Império como o veria sair da crise talvez ainda mais sólido.

Há outro problema, de mais longo prazo. Se for seguida aqui a tendência americana, com a ampliação dos alcance da TV por assinatura, em alguns anos a audiência da TV aberta cairá o suficiente para que um volume significativo de verbas publicitárias seja desviado dela para a TV paga. A Globo será atingida, claro, mas como ainda assim manterá uma audiência muito maior do que as de suas coirmãs juntas, poderá absorver o baque mantendo os mais de 50% da grana da publicidade que tem hoje. Perderá dinheiro, mas as outras perderão bem mais.

Por essas razões é que os inimigos dos imperiais estão apelando para um nacionalismo que há pouco muitos desprezavam. Este, porém, não é o caso do FNDC, uma entidade cujo nacionalismo está inscrito no DNA. Para a entidade, o problema é outro, político, e vem de longa data. Com justificada razão, o Fórum odeia o Império por sua atitude ferozmente monopolista. Na verdade, pode-se dizer que o FNDC nasceu da luta contra o monopólio do Império em geral e da Estrela da Morte em particular. Assim, não admira que, como a concorrência global, a entidade também se sinta revoltada de ver seu arquiinimigo se safar de uma crise que teria tudo para derrubá-lo.

Mas não é esse o único motivo para que o Fórum se alie à concorrência do Império para evitar a aprovação do PL 175/01. Reforçando a sua determinação nacionalista, o FNDC deseja ver levado a sério o Conselho de Comunicação Social (CCS), não só por achar que esta seria a instância correta a ser consultada numa questão que diz respeito à área de comunicação, como também porque Daniel Herz, mentor do Fórum e petista gaúcho, é um dos conselheiros e se fortaleceria politicamente, dentro e fora do partido, por sua atuação em uma instância realmente influente.

Do jeito que a situação se apresenta, o tempo deve esquentar nos próximos dias, ainda mais com a assunção de um governo petista cujos futuros e poderosos membros já vêm dando mostras de grande compreensão com as angústias imperiais (e a recíproca tem sido verdadeira...). As coisas tendem a ficar muito divertidas.

Escorregão - A vontade de tascar a Globo é tanta que fez o Luiz Eduardo Borgerth desmascarar suas reais intenções. No artigo na Folha, ele diz temer que, com a venda da NET aos gringos, ‘mãos bilionárias e competentes’ acabem por adequar o preço dos serviços de TV a cabo ao ‘bolso nacional’. Ora, segue-se então que o presidente da UneTV e consultor do SBT defende que a TV por assinatura do Brasil fique em mãos pobres e incompetentes para que estas continuem a cobrar um preço acima das possibilidades da população. Por que será que defende isso, hein?

Tasca jornalista - Não é só o Império que está sob pressão no Bananão. Nosotros também. Agora, parece já não haver dúvidas que juízes de primeira instância resolveram tascar-nos sempre que puderem. Apesar de um tanto paranóico, não creio que haja - pelo menos ainda - um movimento organizado. O que está dando pinta é que, informados sobre as decisões de colegas, os meritíssimos espalhados pelo país partiram para o ataque. Essa disposição certamente foi criada por eles terem observado que somos divididos a ponto de não nos defendermos em conjunto do ataque à própria base de nossa profissão desfechado por aquela decisão de acabar com a necessidade de diploma superior para ser jornalista. ‘Se esses manés não se unem nem para se preservar como categoria profissional, o que estamos esperando para dar-lhes uma lição?’, se perguntam eles, retoricamente e - vamos admitir - com razão.

Esta situação é ruim, mas pode ficar bem pior se este ataque encontrar apoio nas segundas instâncias. É que os juízes de primeira instância geralmente são jovens e portanto, por insegurança, muito ciosos do corporativismo do Judiciário. Vendo as matérias que fazemos contra as mazelas da Justiça (muitas vezes com aquele tom sensacionalista tão característico da imprensa tupiniquim), tomam as dores do Poder e retaliam. Se esta vontade de bater em jornalista se estender aos juízes mais velhos e experientes, aí estaremos mesmo numa grande enrascada."

ENTREVISTA / ANTONIO FERNANDO BORGES
Sandro Guidalli

"A mídia totalitária", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 24/11/02

"Não sou dado a recomendações e sou mau conselheiro. Mas há um livro na praça que merece ser lido. É ‘Braz, Quincas e Cia’, do premiado romancista carioca Antonio Fernando Borges. De estampa caprichada, feita por Victor Burton, foi editado pela Companhia das Letras, tem 171 páginas e custa R$ 27,00.

É um tambor de oxigênio na Lua estéril do mercado editorial do país e insere o autor na seleta esfera dos melhores ficcionistas da língua de Machado. Não vou fazer aqui qualquer comentário maior a seu respeito nem resumirei seus capítulos. Vou dizer apenas que o livro é de imprescindível tanto em tempos de totalitarismo midiático agudo quanto este que vivemos na atualidade e cujo slogan pode ser algo como ‘É Proibido Divergir’.

Borges vive no Leblon, tem 48 anos e além de escritor talentoso é jornalista. Conhece bem a imprensa brasileira e seus protagonistas e é um de seus melhores críticos. Convidei-o para uma entrevista, cujos principais trechos partilho esta semana com os generosos leitores desta coluna:

Sandro Guidalli - Em seu último livro, recentemente lançado pela Companhia das Letras, o herói é um dos últimos ‘indivíduos’ em circulação, prestes a ser cooptado pela consensualidade coletiva e que exerce enorme poder sobre o homem nos dias de hoje, eliminando as opiniões divergentes e intimidando quem ousar expressá-las. Transportando isso para a mídia, não parece que vivemos um momento de sufocamento das idéias contrárias ao pensamento dominante, ou seja, passamos do ‘proibido proibir’ para o ‘proibido divergir’?

Antonio Fernando Borges - Não é de hoje que se tornou difícil e como! separar inteiramente as idéias de mídia, como agora a entendemos, e de pensamento dominante, essa síndrome incurável que a todos abate, sem descanso. Afinal, quando o homem substituiu o essencial pelo contingente, o universal pelo conjuntural e o eterno pelo histórico, estava abrindo caminho para o jornalismo diário.

Quer dizer: em certo sentido (e ninguém me entenda mal...), a imprensa já nasceu totalitária na medida em que passou a retroalimentar o comportamento coletivista, o gosto mediano. Numa palavra, o pensamento totalitário do consenso. Não foi à toa que Walter Benjamin a saudou do ponto de vista do ‘homem novo’: o demônio coletivo o Proletariado, cujo nome é Legião.

Na verdade, a imprensa vive da crença superticiosa de que entre as tardes e as manhãs ocorrem fatos que é proibido ignorar. Se considerarmos que a beleza, o heroísmo e as grandes revelações não acontecem todos os dias, teremos uma idéia do quanto de banalidades e ‘abobrinhas’ precisam vicejar na seara esforçada dos jornais, revistas, emissoras, que se pretende fértil e constante.

Ao se falar no atual ‘sufocamento de idéias’, não se pode esquecer de destacar que a criança (a mídia) já nasceu respirando mal.

SG - Curioso também notar como a mídia rotula e carimba as ‘minorias’ que discordam em assuntos hoje tratados quase como unanimidade. Estas pessoas, que ainda criticam determinado tema dado como consensual, acabam virando ‘extremistas’, ‘lunáticos’, quer dizer, a ponderação e o equilíbrio são atribuídos apenas aos que defendem o que se tornou convencional, apoiado por uma maioria que, aliás, nem sempre sabe sobre o que está opinando. Simplesmente é levada a isso...

AFB - O problema principal é o seguinte: a razão estatística que emana das votações a chamada maioria, suporte das democracias não tem nenhuma validade fora do terreno da política. Nem a Verdade nem as grandes Virtudes, por exemplo, dependem da opinião das ‘maiorias’. Mas quando tamanha distorção ocorre como está ocorrendo agora instala-se a chamada ditadura do Consenso, que procura se impor em nome de uma suposta autoridade dos números.

É essa a doença que contaminou o espírito do indivíduo, e sobretudo seu habitat social.: a ‘golpes de maioria’ (a expressão, uma delícia!, é de Rui Barbosa), a tirania se apresenta como liberdade, e a insanidade como Razão. E essa contaminação é tanto maior na medida em que muita gente nem se dá conta desse estado de coisas.

Todas essas flores do mal nascem da mesma semente daninha: a idéia monstruosa de que as pessoas são necessariamente iguais e que, portanto, só podem pensar de uma mesma maneira! E que, se ainda não é assim, um dia será! Pode haver pesadelo maior, na forma de um horizonte iminente? Pois o fato é que isso diz muito sobre a sanidade destes tempos. Em épocas normais, nenhum indivíduo sadio pode admitir a idéia de que os homens são iguais. E nem sou eu quem diz isso, mas alguém da genialidade e da importância de Aldous Huxley.

SG - Temas como o desarmamento civil, as cotas raciais, a poluição do meio-ambiente são exemplos de questões em que é ‘politicamente correto’ ser a favor da opinião predominante a respeito deles. Qual o papel da imprensa aqui? Você acredita que iremos perder, paulatinamente, o espaço tradicional da mídia para defender posições contrárias aos dos grandes esquemas de propaganda de entidades ligadas à ONU, por exemplo? Será que este verdadeiro debate de idéias estaria migrando para o jornalismo na internet?

AFB - Com uma origem ‘tão pouco inocente’ dessas (ver resposta acima), a imprensa tem que estar sempre se esforçando para aprender uma lição que não é sua de berço: a pluralidade, a diversidade, a liberdade e, em certa dose, alguma anarquia. Sem dúvida, com a hegemonia da Doxa de esquerda, à la Gramsci, esse espaço vem ficando cada vez menor. Falar contra as cotas raciais (princípio abertamente injusto e discricionário), defender o direito de o cidadão ter uma arma para se defender (inclusive contra o próprio Estado), debochar das obsessões ecológicas: são coisas que hoje exigem uma boa dose de independência e coragem.

Nesse ambiente inóspito ao debate, a internet está se tornando o último espaço não regulamentado, onde ainda se possa ‘botar para quebrar’. Mas os abutres já estão de olho e, quando digo abutres, procuro abranger o leque de mesmice que cada vez mais engole, no mesmo saco, o intelectual e o homem comum, irmanados no mesmo coro. Só para ilustrar, posso citar um episódio recente, numa reunião inocente em casa de amigos:

Em nome dos ‘perigos da pedofilia e da pornografia’, discutia-se a certa altura uma eventual necessidade de se estabelecer controle e regulamentação para o acesso e o uso da internet. Quando me manifestei inteiramente contra a interferência do Estado, por questão de princípio, a maioria se impacientou comigo, olhando-me com olhos de revolta e incredulidade como se encarassem algum avatar do Cão. E então, pior ainda, quando ousei argumentar que não é justo que todas as pessoas de bem sejam vigiadas por causa de ‘uma meia dúzia de tarados’, não foram poucos os que perguntaram: ‘Mas o que você quer dizer com pessoas de bem?’ Pelo visto, os ‘tarados’ já são bem mais do que ‘meia dúzia’...

SG - Por falar em politicamente correto, a expressão não designaria justamente a opressão do pensamento predominante sobre os discordantes? O constrangimento me parece a principal arma de atuação dos grupos que pretendem a tal consensualidade total.

AFB - O constrangimento vem sendo, sem dúvida, uma arma cruel e eficiente, nessa guerra contra a diversidade, contra a vida do espírito. Cada vez mais, as pessoas se sentem intimidadas, face à escalada desse monstro de mil-e-uma patas e uma só cabeça: o homem coletivo. Sob o rótulo de ‘Democracia’, esmagam-se as diferenças abissais entre Thomas Mann e Paulo Lins, ou entre Beethoven e Zeca Pagodinho...

Mas há um outro dispositivo eficaz, e muito confortável, nesse mecanismo devorador. Todas as teorias deterministas colocadas à disposição do homem contemporâneo desde o advento da Revolução Francesa (das classes sociais de Marx-Lênin ao inconsciente freudiano, passando pelos jogos de linguagem de Wittgenstein) trazem a doce seqüela de lhe tirar dos ombros a responsabilidade pelos próprios atos passando a atribuí-los a entidades abstratas, como ‘a desigualdade econômica’, a ‘injustiça social’, etc. Pouco importa que, para isso, nosso homem coletivista precise abrir mão de alguns ‘detalhes’, como seu livre arbítrio.

SG - Você poderia citar assuntos em que virou quase proibido divergir e sua opinião a respeito disso?

AFB - Guerra de opiniões contra os EUA, defesa aberta do terrorismo, adoração do Estado, satanização da liberdade econômica, apologia romântica do crime, estabelecimento de cotas para negros e homossexuais, etc., etc. Por se tratar de uma tendência hegemônica e abrangente, qualquer tema que eventualmente se destaque será sempre à guisa de exemplo. Nesse sentido, destaco apenas dois, que eu situaria nos extremos do extenso leque de sandices: o desvario ecológico e ambientalista e a perseguição aos fumantes. Não se pode negar que a mídia tem papel decisivo nesse unanimismo.

O primeiro constitui o mais absurdo arcabouço ‘teórico’ armado contra a dignidade do indivíduo de que tivemos mais um exemplo recente e patético no protesto terrorista contra a modelo Giselle Bünchen. Em nome da preservação de qualquer ‘roedor peludo’, agride-se um ser humano?! Parece ser essa a proposta: nivelar por baixo, é claro! todas as espécies, sejam homens ou percevejos e lacraias. Deus do céu! Será que a gula igualitarista não conhece indigestão?

No outro extremo, está a campanha diária contra o cigarro, conduzida sem nenhum refinamento teórico contra a indústria mundial do cigarro (uma campanha abertamente anticapitalista, portanto) sob a capa inocente da preocupação com a saúde alheia. Como se ninguém tivesse direito e soberania sobre o próprio corpo. Aliás, a idéia deve ser essa mesmo: estender o controle do estado até o espaço pessoal mais íntimo.

SG - Me fale mais sobre seu livro dentro deste contexto em que conversamos.

AFB - Nunca pretendi que meu romance, Braz, Quincas & Cia., fosse um prenúncio do Mal iminente, ou o retrato amargo e atualizado de nosso tempo como, de alguma forma, poderá parecer. Agora, que a ‘peste chegou a Tebas’ e os templos ameaçam ruir, há quem venha a lê-lo como a crônica de fatos consumados. O indivíduo está acuado: o coletivismo é uma triste realidade, e não mais uma hipótese, muito antes do resultado das últimas eleições.

Ainda assim, insisto: as questões de que o livro trata tem raízes mais profundas e também mais antigas. A referência-homenagem à vida e à obra de Machado de Assis (manifestada desde o título e a estrutura do livro) já procura dar conta da longevidade dessas questões. Machado não apenas abordou o assunto, nos romances e contos, mas sobretudo desmentiu, com sua própria existência, a balela do determinismo social ou racial. Negro, pobre e doente (epilético), chegou ao topo da respeitabilidade, na vida pública, e aos limites da excelência, na Literatura."


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