28/10/2003

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MÍDIA DE PIRES NA MÃO
Rosa Costa

"Mercadante defende crédito para a mídia", copyright O Estado de S. Paulo, 25/10/03

"O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), defendeu ontem da tribuna o programa de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as empresas de comunicação. Segundo ele, o banco deve financiar todo e qualquer setor estratégico da economia brasileira, sem que isso implique em interferência de qualquer das partes. ‘Que barreira é essa que temos de opor ao financiamento público aos meios de comunicação?’

O líder assegurou que com essa linha de crédito, não se pretende ‘cercear a liberdade de imprensa e de expressão no papel fundamental que a imprensa tem a discutir’. Ele sugeriu que também os fundos de pensão, ‘cuja capacidade de poupança é muito grande’, poderiam igualmente ser parceiros no financiamento desse setor.

‘À medida que o BNDES tem de repactuar uma dívida com uma empresa como a AES (Eletropaulo), que deve US$ 1,2 bilhão, por que não financiar empresas que são estratégicas e essenciais ao desenvolvimento da Nação?’, perguntou, ao apartear discurso do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).

No seu discurso, o tucano interpretou que o dono do jornal Folha de S.Paulo, Otávio Frias, estaria se referindo ao ‘autoritarismo do governo’, quando declarou numa entrevista que ‘o governo quer a mídia de joelhos’.

Mercadante discordou e disse que o ‘o governo precisa de oposição, precisa de liberdade de expressão e de debate’. O petista citou ainda o exemplo do empresário Antonio Ermírio de Moraes, ‘que pega tanto financiamento do BNDES, e hoje disse que é contra o Bolsa-Família’."

 

Folha de S. Paulo

"Entrevista de publisher da Folha gera debate sobre financiamento", copyright Folha de S. Paulo, 25/10/03

"Por mais de duas horas, governo e oposição debateram ontem no plenário do Senado o financiamento público às empresas de comunicação e a liberdade de imprensa, tendo como ponto de partida uma entrevista do publisher da Folha, Octavio Frias de Oliveira, ao site ‘AOL Notícias’.

Na entrevista, o publisher manifesta ‘receio’ de que o socorro financeiro do governo à mídia, por meio de empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), possa comprometer a independência da imprensa.

‘Eu tenho um receio muito grande. Isso tende a interferir. Para falar claramente, (....) o que interessa ao governo é a mídia de joelhos. Não uma mídia morta. Uma mídia independente não interessa a governo nenhum’, afirmou.

O líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), defendeu o governo na tribuna. Apoiou o financiamento do BNDES às empresas de comunicação e sugeriu, inclusive, que os fundos de pensão sejam ‘parceiros’ na capitalização do setor. Ele negou que o governo, com essa ajuda, pretenda interferir na liberdade de imprensa.

O debate foi iniciado pelo senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB e ex-líder do governo Fernando Henrique Cardoso, que leu da tribuna trechos da entrevista e disse que Frias fez um ‘alerta’ ao ‘processo de autoritarismo’ que estaria em curso no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

‘Vejo-o [Frias] inconformado com os erros de quaisquer latitudes, de quaisquer ideologias, de quaisquer governos. Esse homem, que quase nunca fala -não me lembro de outra entrevista dele-, é profundamente eloquente quando nos chama a atenção para o fato de que se deve advertir o governo em relação ao autoritarismo crescente e ao maniqueísmo que precisam dar lugar ao convívio democrático’, disse Virgílio.

O tucano disse que há um ‘processo autoritário’ em curso no governo Lula e, como exemplo, citou o plano de expandir os poderes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Criticou, ainda, o que considera ‘maniqueísmo no poder’.

Virgílio lembrou o episódio em que a Folha foi invadida pela Polícia Federal, em 1990, durante o governo Fernando Collor de Mello. ‘[Frias] Mostrou, naquele momento, que a Folha de S.Paulo iria manter a sua tradição libertária. E agora ele volta a falar depois de muitos anos (...) Cuidado, porque há um processo autoritário! Tenho certeza de que Octavio Frias e tantas pessoas que fazem a imprensa brasileira não permitirão isso.’

Liberdade de imprensa

A interpretação de Virgílio sobre a entrevista de Frias foi rebatida da tribuna por Mercadante. Também lendo trechos da entrevista, o líder do governo afirmou que, ‘em nenhum momento, o sr. Frias, quando diz que o governo quer a mídia de joelhos, faz qualquer menção, na sua entrevista, a qualquer ato autoritário deste governo contra a liberdade de imprensa’.

Mercadante fez questão de destacar que, na entrevista, o publisher da Folha afirma que nunca viu a ‘mídia tão endividada como hoje’. Em seguida, o senador afirmou que a mídia não se endividou ‘neste governo’, mas no governo passado, de Fernando Henrique Cardoso.

Mercadante atribuiu essa situação à ‘desvalorização abrupta do real’, a partir de 1999, no governo FHC, que desequilibrou as finanças de empresas com dívidas dolarizadas -como as de comunicação, de telecomunicações, de energia e aéreas.

‘Estamos financiando a indústria naval, de papel e celulose e a agricultura. Por que não podemos ter financiamento para a mídia? Se o setor é fundamental para a democracia brasileira, então o BNDES, que é um banco público, deve, sim, financiar a mídia para que ela saia da crise financeira’, disse Mercadante."

***

"Ciro faz ataque à imprensa e defende juízes", copyright Folha de S. Paulo, 23/10/03

"O ministro Ciro Gomes (Integração Nacional) voltou a criticar ontem a imprensa, em particular ‘a grande imprensa paulista’, durante palestra, em Brasília, a juízes e servidores da Justiça Federal.

‘A média da grande imprensa brasileira é inconfiável, [está] a serviço dos interesses mais subalternos que exploram a sociedade brasileira’, disse ele.

O ministro também criticou o tratamento da imprensa ao Judiciário. Segundo ele, a mídia poderia mostrar que o juiz não é responsável pela demora nos julgamentos, porque a rapidez dependeria de mudanças na legislação.

Ciro disse também que a ‘grande imprensa paulista’ é ‘paroquial, provinciana, desequilibrada e mentirosa’."

 

Jornal do Senado

"Virgílio aponta viés autoritário em Lula", copyright Jornal do Senado, 28/10/03

"O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) advertiu na sexta-feira que o país tem manifestado inquietação e medo com o viés autoritário que vem detectando no governo Luiz Inácio Lula da Silva. Há indícios de intolerância nas relações do governo com a imprensa e o Congresso, ressaltou.

- Estou inquieto e não estou sozinho, vejo fumaças ruins no horizonte. Tenho encontrado gente intimidada, e com medo, por esse Brasil afora. Não me lembro desse fato acontecer durante o governo Fernando Henrique. Ele era criticado por muitas razões, mas nunca vi ninguém preocupado com um possível autoritarismo de sua parte - afirmou.

Virgílio sustentou que houve um entendimento equivocado do líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), em relação ao seu posicionamento sobre a concessão de empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) às empresas de comunicação em dificuldades. Arthur Virgílio declarou que não é contra esse apoio e afirmou que não falou em desnacionalização da imprensa no seu pronunciamento, em que se referiu a declaração do jornalista Otávio Frias, proprietário do jornal Folha de S. Paulo, segundo o qual ‘a mídia está de joelhos’.

O senador tucano explicou que sua posição é contrária à ação ‘autoritária’ por parte dos gestores da comunicação do governo. E aproveitou para solicitar publicamente que a Radiobrás deixe de encaminhar para sua casa o boletim diário Em Questão, que classificou de propaganda oficial semelhante à do Pravda, órgão de imprensa do Partido Comunista da extinta União Soviética.

Virgílio enfatizou que não foi Fernando Henrique quem perdeu credibilidade no final do governo e amargou índices elevados de rejeição. Ele atribuiu esse cenário ao risco de instabilidade que, naquela época, representava a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.

O líder do PSDB pediu que o governo saia do imobilismo e cumpra os compromissos de campanha. Ao exortar o presidente da República a ter mais ação, o senador se referiu a charge da revista IstoÉ Dinheiro em que, com equipamento na mão, Lula dá ordem de ‘luzes, câmera’, enquanto a população pede ‘ação’, para que a filmagem se inicie."


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