29/07/2003 11/25

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MÍDIA ELETRÔNICA
Rodrigo Moreira

"A grande mídia e a inclusão desprezada", copyright Notícia na Internet (www.noticianainternet.blogger.com.br), 17/6/03

"Autor de vários textos sobre mídia e internet, principalmente no Observatório de Imprensa, o jornalista Luciano Martins Costa mostra sua visão otimista em relação às novas oportunidades trazidas pela Internet aos profissionais de comunicação e aproveita para questionar o papel da mídia eletrônica, sugerir formas de democratizar a informação e ainda criticar a postura mercadológica que a imprensa vem assumindo. Por e-mail, o jornalista respondeu à entrevista.

Notícia na Internet: Quais as novas oportunidades surgidas para o jornalismo com o advento da internet?

Luciano Martins Costa: A Internet derrubou as barreiras de tempo e espaço para o jornalismo, trazendo a possibilidade de manter os sistemas informativos operantes durante todo o tempo, alcançando todas as pessoas disponíveis em qualquer lugar onde seja possível conectar um computador a uma rede de comunicação. Isso significa uma mudança radical no jornalismo, como atividade profissional e como negócio. Uma das oportunidades é alcançar frações do público alvo localizadas fora do alcance da distribuição do jornal-papel. Outra oportunidade é a criação de conteúdos em tempo real, muito úteis para quem precisa tomar decisões bem fundamentadas e com rapidez.

N.I: A crise nos setores já tradicionais da imprensa tem permitido a reavaliação do trabalho jornalístico. Quais iniciativas práticas, que você tem conhecimento, buscam a solução desse impasse?

L.M.C.: As iniciativas práticas são as clássicas reduções de custos, com demissões e menos investimento em reportagem. Com isso, reduz-se a qualidade do jornalismo. Também se buscam sócios e parceiros, o que deverá conduzir a um novo perfil das empresas de comunicação. A grande oportunidade para a imprensa aconteceu entre 1998 e 2000, mas a maioria investiu errado, entrando em setores nos quais não tem experiência, como telefonia, TV a cabo e outros negócios arriscados. A reavaliação do trabalho jornalístico, quando feita no meio de uma crise, quase sempre leva a decisões erradas, porque no momento da crise os gestores enxergam mais o risco do que a oportunidade e se tornam ainda mais conservadores.

N.I.: O jornalismo on-line corre o risco de ser controlado por grandes grupos de comunicação, a exemplo do que ocorre com outros veículos impressos?

L.M.C.: Sim. Mas também corre o risco de se fragmentar em mídias quase personalizadas. Com a popularização da conexão em banda larga sem fio (wi-fi, de wireless fidelity), qualquer pessoa poderá publicar na rede páginas com muitos dados, fotografias e vídeo digital, concorrendo com os grandes grupos no noticiário de comunidade e setorial, por exemplo. Em Nova York, já é comum o compartilhamento de redes sem fio. Qualquer pessoa pode acessar a Internet de um laptop próximo a uma conexão de banda larga e distribuir notícias por todo o mundo. Ou receber notícias de todo o mundo. Essa é uma prática muito difícil de regulamentar e o controle exige tecnologias muito caras. Assim, estamos entre o grande sistema e a anarquia.

N.I.: Quais as vantagens da mídia on-line para os jornalistas em relação as da imprensa? E para os leitores?

L.M.C.: A rigor, há poucas vantagens. O jornalista na mídia online trabalha muito mais. Não havendo o dead-line, o prazo mortal para encerramento da edição, o profissional normalmente é convocado a acompanhar uma série de eventos até o fim, e corre o risco de trabalhar muito mais horas. Mas há algumas vantagens, como a agilidade na preparação das edições, a possibilidade de trabalhar arquiteturas mais atraentes para a notícia, recursos de áudio e vídeo que o jornal impresso não tem. Do outro lado do balcão, onde fica o leitor, essas são as vantagens mais evidentes: ter a notícia em tempo real, podendo arquivá-la para ver mais tarde, e não apenas ler, mas também ouvir e ver o fato noticiado. O leitor não fica preso à temporalidade da mídia impressa nem à escolha de horário da emissora de TV ou rádio.

N.I.: De que forma a imprensa pode auxiliar no combate à exclusão digital, democratizando a informação de forma mais ampla?

L.M.C.: Um dos grandes erros das empresas de comunicação no período de grandes investimentos na Internet foi não ter buscado parcerias para estimular a cidadania digital. Isso teria ampliado o espectro de leitores, aumentando o mercado para a informação. Também teria educado os gestores da imprensa a trabalhar com parcerias do tipo ganha-ganha, em que todos, inclusive a sociedade, são beneficiados. A prática mais comum de parceria que a imprensa conhece continua sendo a permuta por espaço publicitário. O advento da Internet exige a reinvenção dessas práticas. Por exemplo, uma empresa de comunicação poderia se associar a uma empresa de telefonia e oferecer conexão em banda larga para uma comunidade, associando-se a uma empresa que tenha interesse nesse público, como a indústria de alimentos básicos, lojas populares, bancos de varejo etc. Ao mesmo tempo que estaria combatendo a exclusão digital, essa iniciativa poderia estimular a noção de comunidade e fornecer uma fonte de monitoramento de saúde pública e outros problemas sociais.

N.I.: Qual deve ser o perfil do profissional de comunicação disposto a trabalhar na mídia on-line? Em que ele se difere dos jornalistas que trabalham em veículos impressos?

L.M.C.: O jornalista de comunicação para a mídia online deve ter todas as qualidades do jornalista dedicado à mídia tradicional, como boa redação, capacidade de síntese, habilidade para fazer escolhas certas em tempo curto, excelente formação ética, e mais a habilidade para lidar com a linguagem específica da Internet, aprendendo a pensar multimídia, ou seja, ao fazer uma reportagem ou edição, pensar no texto, na imagem e até no som que pode acompanhar o relato. Ele se difere justamente nisso, nessa agilidade e nesse pensamento mais amplo em termos de possibilidades da comunicação.

N.I.: A diminuição da qualidade dos jornais tradicionais e da ética jornalística têm alguma relação com o sistema neoliberal? Até que ponto os jornais digitais estariam livres dessa influência?

L.M.C.: Esta é a questão mais importante que se tem feito ultimamente, em todos os debates de que participo. Vamos refletir juntos: a imprensa é tipicamente uma invenção burguesa. É uma instituição que surgiu com os burgos, com o adensamento das cidades. Ela era tipicamente um instrumento de educação burguesa. Ensinava as pessoas que, ao contrário da vida no campo, na cidade não era correto fazer cocô na rua. Os velhos jornais de Londres, Paris e São Paulo às vezes traziam matérias com destaque, falando dos carroceiros que não se preveniam para que suas mulas não sujassem a cidade. Ainda hoje, jornais de todo o mundo ainda fazem matérias sobre pessoas que levam os cachorros pra passear e deixam o cocô na calçada. Parece gozação, mas é esse o fundamento da imprensa: dizer aos leitores o que é o interesse público e estabelecer linhas de boa convivência entre as muitas forças presentes no contexto social. Não estou dizendo que o tema central da imprensa é cocô. Estou dizendo que o tema central da imprensa é a harmonia de interesses. Nesse sentido, somos todos burgueses. Quem vive isolado, fora das cidades, lê jornais ou vê TV como curiosidade.

Quem vive na cidade tem na imprensa uma necessidade vital, essencial para sua sobrevivência e seu bem-estar. A diminuição da qualidade da imprensa não tem nada a ver com neo-liberalismo. Aliás, não acredito na existência desse tal neo-liberalismo, assim como considero uma bobagem dizer que vivemos numa sociedade pós-moderna. Vivemos um tempo de transição do capitalismo, no qual a dimuição do Estado abriu espaço para um tipo de agente oportunista, assim como a perda do sistema imunológico abre espaço para os vírus oportunistas. Nesse período de transição, algumas forças econômicas ficaram monstruosamente poderosas, mas não é isso que diminui a qualidade da imprensa. O que reduz a qualidade da imprensa é a própria imprensa, que abdicou de seu papel de educar a sociedade e preferiu se transformar em órgão de entretenimento.

Tudo virou espetáculo, porque a imprensa deixou de mirar a sociedade e passou a focalizar apenas o mercado. Com isso, ela deixa de ser essencial ao processo civilizatório e também passa a ser vista como apenas mais um acessório no aparato da vida burguesa. A ética jornalística é afetada diretamente por essa escolha da imprensa. As decisões editoriais são cada vez mais influenciadas pelo fluxo de caixa das empresas de comunicação, que perderam a noção de sua responsabilidade como entidades de educação para a democracia e a boa cidadania.

Os jornais digitais não estão livres dessa influência. São até mais vulneráveis, uma vez que são editados sempre às pressas, sem que se tenha uma noção mais completa do significado dos eventos. Mas, como o jornal digital é mais democrático, no sentido de que escapa do controle dos grandes conglomerados e no sentido de que permite a interatividade do leitor, ele pode ser um ponto de partida para uma reação, em busca de mais ética e qualidade. Para isso, é preciso que muitos jornalistas se disponham a virar o jogo, e principalmente que muitos leitores entulhem as redações com mensagens de protesto a cada mancada da imprensa. (Rodrigo Moreira é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais e participante do coletivo Notícias da Internet)"

 

TV & INTERNET
Folha de S.Paulo

"TV digital deve fazer conexão com internet", copyright Folha de S.Paulo, 27/7/03

"A TV digital está se desenhando para ser uma mistura de televisão com internet. Um aparelho que permita ao telespectador comprar o vestido da protagonista da novela ou acessar informações sobre um produto que acabou ver na tela.

Além da interatividade, na televisão digital há ainda a melhoria na qualidade da imagem: não há nenhum tipo de interferência, chuviscos etc. A imagem é perfeita.

Para isso, são necessárias duas coisas. A primeira é que as emissoras invistam em equipamentos para poder transmitir em sistema digital. A segunda é que os telespectadores tenham um aparelho compatível, um televisor digital -que, ao menos no início, será mais caro que a TV convencional."

 

REDE GLOBO
Folha de S.Paulo

"Globo quer mudar sua forma de fazer TV", copyright Folha de S.Paulo, 27/7/03

"A Globo não tem mais programas de TV: ela tem, agora, ‘media products’, ou produtos de mídia -que têm de ser feitos não só para a televisão, mas para a internet, internet banda larga, celular etc.

A afirmação é de Juarez Queiroz, coordenador do grupo de diretores da emissora responsável por pensar as transformações que levarão a Globo à era da televisão interativa. Diretor-geral da Globo.com -que recentemente foi incorporada pela TV- e da Globo Filmes, ele diz que a Globo está passando por uma ‘revolução criativa’: ‘O grande desafio que temos é transformar um programa como a novela em um produto interativo’.

Por interativo, leia-se não apenas uma atração na qual é possível, por exemplo, votar no final ou escolher o filme preferido pelo telefone ou via internet. A nova ordem na emissora é fazer o telespectador ter uma relação com os programas que ultrapasse o ato de sentar no sofá e assisti-los.

Em comunicado interno há algumas semanas, a diretora-geral da Globo, Marluce Dias da Silva -que ficara afastada por motivo de saúde-, disse que seu principal projeto ao voltar à emissora é justamente o da distribuição de conteúdo por novas mídias.

‘O consumidor quer ter uma relação de participação. Isso implica algumas modificações na TV Globo. É preciso pensar e conceber o produto para que ele possa trafegar em diferentes mídias’, diz Queiroz. Para isso, ele coordena um grupo formado pelos responsáveis por cada departamento da Globo, além da própria Marluce. A missão é repensar o modo como se faz televisão.

O principal exemplo desse modelo de ‘produto’ foi o ‘Big Brother Brasil’. Além de assistir ao ‘reality show’ pela TV, o telespectador podia votar, acompanhar o site, comprar o ‘pay-per-view’ para assistir 24 horas por dia etc.

Mas só a interatividade não basta. ‘O Jogo’, ‘reality show’ sobre a investigação de um crime fictício, tem todos esses elementos e é um fracasso de audiência -costuma ter médias de 14 pontos no Ibope . ‘Estamos num processo de aprender. Não adianta ter interatividade, o produto original tem de ser atrativo para o consumidor’, afirma Queiroz.

Estratégia

Preparando-se para um futuro com a TV digital -em que há uma fusão entre televisão e internet-, um dos principais investimentos da Globo é a distribuição de seus programas via internet banda larga.

‘Estamos trabalhando no desenvolvimento da TV interativa, e a banda larga permite trabalhar esse conceito. A internet abriu a primeira janela no sentido de construir essa TV. A grande questão é saber utilizar a programação de TV adaptada para a banda larga’, explica Queiroz.

Segundo ele, o que menos importa é saber em que equipamento se dará a convergência entre a televisão e a internet. ‘Qualquer que seja o desenho, é preciso ter um processo de desenvolvimento de produto e um de mudança de hábito do telespectador’, diz.

Há cerca de um mês, o ministro das Comunicações, Miro Teixeira, colocou em consulta pública a minuta de decreto com o modelo brasileiro para a TV digital. Há anos existe uma disputa entre os defensores dos sistemas japonês, americano e europeu para a escolha de um padrão para o país.

A Globo sempre defendeu o padrão japonês, pela possibilidade de transmissão móvel, como TV em celulares e carros."

 

Laura Mattos

"Globo deve produzir telejornal nos EUA", copyright Folha de S.Paulo, 28/7/03

"A direção da Globo tem planos de produzir um telejornal em Nova York, dirigido aos brasileiros que moram nos Estados Unidos.

O programa, com foco em notícias locais, seria transmitido pela Globo Internacional. O canal é distribuído por satélite e custa US$ 20 por mês ao assinante. ‘Estamos avaliando uma série de programas para dar uma cara local ao canal’, diz Marcelo Spínola, diretor da Globo Internacional.

Atualmente, a programação dirigida aos estrangeiros é praticamente a mesma da brasileira, com algumas alterações de horário.

Ficam de fora filmes e eventos esportivos (como Fórmula 1) dos quais a Globo possui direito de transmissão apenas para o Brasil. O ‘Jornal Nacional’ e os outros telejornais são exibidos ao vivo.

A produção do jornalístico local deverá utilizar a estrutura do escritório da Globo em Nova York. Em junho, foi inaugurada um sede nova na cidade, a poucos quarteirões de onde ficavam as torres do World Trade Center. O estúdio mostra a redação ao fundo, como ocorre no ‘Jornal Nacional’.

A intenção é ampliar a base de assinantes no país, hoje perto de 50 mil. Para isso, além da criação de programas exclusivos para os EUA, a Globo irá patrocinar eventos ligados à comunidade brasileira residente no país, como o ‘Brazilian Day’, no dia 31 de agosto. A Globo Internacional chega a 47 países. No Japão, possui 40 mil assinantes e na África, 50 mil."

 

MÍDIA & MERCADO
Cidade Biz

"Telefónica assume controle de 71,97% do Terra", copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 25/7/03

"A Telefónica confirmou que assumiu o controle de 71,97% do capital da unidade de internet Terra Lycos, após a conclusão do processo de oferta pública de aquisição (OPA) de ações.

A Telefónica detinha uma participação de 38% quando lançou a OPA, oferecendo 5,25 euros (US$ 6,02) para cada ação que estava na mão de outros acionistas. O resultado da OPA significa que a empresa desembolsou 1,06 bilhão de euros (US$ 1,21 bilhão) para ampliar a sua participação.

A Telefónica informou que cancelou a meta mínima de assegurar 75% do controle como condição para concluir a OPA. As informações são da Dow Jones."


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