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DIRETÓRIO ACADÊMICO
Cartas
Prezados colegas, em boa hora vem dos estudantes da Enecos um apelo à reflexão a todos os participantes das discussões de Campinas. As interpretações equivocadas em torno do documento preliminar decorrente da reunião realizada em Brasília em fevereiro e o clima emocional que elas têm provocado – em alguns casos com afirmações levianas a respeito da legitimidade daquele encontro – põem em risco a própria existência da área acadêmica dos estudos de Comunicação e, por conseqüência, a própria idéia de que suas habilitações possam existir sem um eixo teórico-prático que lhe dê consistência. Penso que estão enganados aqueles que imaginam uma formação profissional – tecnicista e praticista – em qualquer dessas habilitações de forma desvinculada da natureza da cultura universitária.
O documento preliminar de Brasília é o resultado de uma reflexão séria e aberta ao debate e à ampla contribuição. Em sua essência, propõe diretrizes genéricas e abre caminho para que as habilidades específicas também amadureçam a concepção que têm de sua natureza.
A diretoria da Intercom, participante desde o primeiro momento das discussões das Diretrizes Curriculares e presente à reunião que deu origem ao documento preliminar, vê com entusiasmo a iniciativa da Fenaj em promover as discussões dos dias 24 e 25 [de abril], e oferece ao evento – através do GT de Jornalismo, coordenado pelo professor Victor Gentilli – todo o apoio para que ele seja um acontecimento expressivo em benefício da qualidade do ensino de Comunicação. Ao mesmo tempo, no entanto, pede aos seus participantes que incorporem às discussões as reflexões acuradas e sérias da Enecos e das demais entidades que se fizeram representar em Brasília.
Vamos todos a Campinas.
José S. Faro, presidente da Intercom
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Caros colegas, parece-me que se instaurou uma falsa (ou desvirtuada) polêmica em torno da proposta de Diretrizes Curriculares elaborada em conjunto pelas entidades e a Comissão de Especialistas do MEC. Em primeiro lugar, gostaria de reforçar que o trabalho dos relatores refletiu exatamente o que foi discutido em Brasília.
Diferentemente do que afirmou o professor Nilson Lage [veja remissào abaixo] em seu artigo no Observatorio da Imprensa, o documento é fiel ao que foi tratado. Coloco aqui algumas observações provindas de discussões que têm sido feitas pela Enecos.
Alguns comentários que tenho visto são colocados como se a proposta negasse as habilitações. Em nenhum momento isso apareceu dessa forma. Apenas o grupo lá reunido não chegou a um consenso sobre especificar ou não os conteúdos por habilitação. Essa decisão foi deixada justamente para essa fase de discussão mais ampla. E realmente não nos sentiríamos à vontade tendo que decidir sobre habilitações que não estavam sequer representadas em Brasília.
Temos que discutir que conceito de curso de Comunicação queremos. Diante do atual quadro, é impossível negar a importância de que enxerguemos o fenômeno comunicacional como um todo. Acho reducionista enxergar cada habilitação do curso de Comunicação como fenômenos totalmente distintos que devem ser tratados em separado. É esse conceito que impera hoje em várias escolas de Jornalismo, e que contribui para a formação de profissionais sem fundamentação acadêmica, e que também não são preparados para o chamado "mercado de trabalho", que pelo seu dinamismo não consegue ser acompanhado pelos cursos.
A Universidade nunca conseguirá acompanhar o "mercado", até porque não é esta sua função. Três meses de redação sempre irão ensinar mais do que a faculdade inteira, se permanecer essa visão. O que não significa cairmos num academicismo exacerbado que mantém o curso isolado de qualquer realidade.
Justamente por isso temos que pensar numa formação ampla, que dê possibilidades ao estudante de compreender e interferir na realidade na qual ele está inserido. A ação como profissional vai ser muito mais rica se este tiver uma visão que compreenda as habilitações como a parte final de um processo muito mais abrangente.
Em relação às profissões, continuamos tendo RPs, publicitários, jornalistas etc., e isso é afirmado no documento, que inclusive atenta para o surgimento de novas habilitações e define critérios para que elas não sejam simplesmente adaptações de outras existentes.
É interessante, contudo, atentarmos para a pesquisa sobre os egressos realizada aqui na USP pela professora. Imacolatta. Constatou-se claramente que existe uma transição de uma área para outra dentro da Comunicação, o que talvez demonstre a proximidade entre elas.
São algumas observações que não poderia deixar de fazer e que, espero, contribuam para o debate. Parabenizo a Fenaj pela iniciativa de promover um seminário acerca do tema, o que, certamente, enriquecera a discussão. Um forte abraço,
João.
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Sou professor de Tecnologia da Comunicação na UFRN, em Natal, (www.ufrnet.ufrn.br/~mbolshaw/) e tentei de participar da lista de discussão do Observatório da Imprensa (observatorio@news.com.br) para discutir questões relacionadas ao jornalismo e ao seu ensino. A lista está desativada?
Recentemente escrevi um artigo (ccc.unisinos.tche.br/users/m/marcelobg/artigo.html) nesta discussão sobre Diretrizes Curriculares que o próprio Observatório desencadeou. Está havendo um encontro em Campinas, em que a Intercom tentará sustentar as Diretrizes Curriculares aprovadas pelo MEC, demasiado teóricas para alguns, por demais técnicas para outros. Porém, pouco se fala sobre criatividade, arte e quociente emocional para agüentar o stress do deadline. O jornalismo se transformou em uma Arte, mas os professores continuam discutindo se a Comunicação é uma Técnica ou uma Ciência. Em Portugal, já existem licenciaturas de Comunicação <http://ubista.ubi.pt/~soccom/cs.html>. Será que os cursos de Comunicação Social a nível superior estão destinados a se aproximar cada vez mais de uma licenciatura de educação artística?
Gostaria de saber o que a Intercom e outros jornalistas pensam a respeito.
Marcelo Bolshaw Gomes
Victor Gentilli responde: Não há lista de discussão alguma patrocinada pelo Observatório. A reunião de Campinas é patrocinada pelo Observatório, pela Fenaj, pelo Fórum Nacional de Professores de Jornalismo e pelo GT de Jornalismo da Intercom. Foi articulada exatamente em defesa do ensino.

Proposta de currículo consagra a não-profissão
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