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DIRETÓRIO ACADÊMICO

 

Fenaj e a Comissão de
Especialistas em Jornalismo

Elisabeth Costa e Valci Zuculoto (*)

 

A Fenaj avalia a formação da Comissão de Especialistas em Jornalismo, entre outros, também como resultado de um trabalho organizado de pressão que o Movimento pela Qualidade de Ensino vem desenvolvendo junto ao MEC no sentido de ser ouvido e consultado sobre as definições para o ensino na área da comunicação. A Fenaj esclarece que não foi consultada em relação à formação ou composição da Comissão mas acredita que esta pode transformar-se em mais um canal de interlocução para onde as entidades que integram o Movimento devem encaminhar sugestões, propostas e reivindicações e através do qual devem buscar interferir ao máximo nas decisões do Ministério para o nosso campo. Mais especificamente em relação à formação do jornalista, a Fenaj vê a Comissão como o começo do atendimento às propostas elaboradas no Seminário realizado em Campinas [em 24 e 25 de abril de 1999]. Isto porque as propostas de diretrizes resultantes do Seminário garantiram, no nosso entender, o aprofundamento necessário ao respeito às especificidades das profissões integrantes do campo da comunicação, no nosso caso o jornalismo.

Lembramos que o Seminário, entre outras deliberações por consenso, reconheceu como válida e legitima a possibilidade de existência de Cursos Superiores de Jornalismo, não necessitando, assim, se constituir como uma habilitação de Curso de Comunicação. Também propôs que, além da exigência genérica de que a Estrutura Geral do Curso defina um "percentual mínimo de disciplinas técnico-profissionais (reportagem, redação e edição para diferentes mídias)", este percentual mínimo seja fixado, nas Diretrizes Curriculares em 50% (cinqüenta por cento).

A Fenaj acredita que, diante destas especificações, nada mais natural que também se tenha uma Comissão de Especialistas voltada para o jornalismo, onde seja possível tratar com maior profundidade e atenção das questões exclusivas desta formação profissional. Mas isto não impede que o jornalismo e os jornalistas continuem empenhados nas discussões comuns da qualidade do ensino dentro do campo da comunicação. Pensamos que com a criação da Comissão ocorrerá justamente o contrário: teremos mais um canal, ampliando assim nosso palco de atuação.

Com este entendimento, a Fenaj informa que já está encaminhando também à Comissão de Especialistas em Jornalismo o documento final de Campinas. E, por fim, conclama a todas as entidades integrantes do Movimento pela Qualidade de Ensino em Comunicação a estreitarem cada vez mais os seus laços e a aprofundarem as discussões em todas as frentes em que atuam no momento.

Aproveitamos para lembrar a necessidade urgente de adiantarmos nossa intervenção quanto aos cursos seqüenciais, que são motivo de preocupação para todas os segmentos do nosso campo. Pela qualidade do ensino na comunicação!

(*) Presidente da Fenaj; diretora do Departamento de Educação da Fenaj

 

Mais uma palavra sobre
Comissão de Jornalismo

J.S.Faro (*)

 

Fico assustado com o raciocínio elementar desenvolvido pelo professor Eduardo Meditsch para tentar justificar a recente criação da Comissão de Ensino de Jornalismo, desmembrada da atual Comissão de Comunicação Social. De acordo com ele, basta a simples menção do que ocorreu com o curso de Odontologia, que foi apartado da Medicina, para que se conclua que a separação do curso de Jornalismo dos cursos de Comunicação Social é boa. Quer dizer: se os dentistas podem ter o seu curso, por que os jornalistas não podem? Meu susto é provocado por vários motivos, mas como essa discussão já vai se estendendo além da conta, congestionando até o nosso correio eletrônico, quero me restringir a apenas dois deles.

O primeiro é que essa comparação mecânica feita por Meditsch ignora um fato crucial: a organização acadêmica dos cursos de graduação, em qualquer área do conhecimento, não é um processo que pode ser concebido de maneira compartimentada e formal. Ela deve, muito mais que isso, obedecer a graus variados de maturidade teórico-prática de cada uma dessas áreas. É só a partir da legitimação propriamente conceitual e metodológica dos campos em que o conhecimento do mundo se divide que se pode admitir a autonomia, enquanto "curso", de cada um deles. Não fosse assim, e o ensino universitário teria adquirido uma tal fragmentação que perderia o seu vínculo com aquilo que o caracteriza, já que é possível admitir-se, em tese, que todo ele é formado por componentes de um mesmo universo. Nessa linha, não é apenas a Odontologia que justifica sua desvinculação da Medicina e o Jornalismo da Comunicação Social, mas também a Ciência Política das Ciências Sociais, a Física Quântica da própria Física, a História das Mentalidades da própria História e assim por diante. E apenas um prejuízo resultaria desse processo: a possibilidade de que, em cada um desses fragmentos do conhecimento, o próprio conhecimento fosse anulado por sua atomização.

Tenho sérias dúvidas sobre a possibilidade de que o jornalismo tenha adquirido – é polêmica a hipótese de que algum dia venha a adquirir – essa especificidade pretendida por Meditsch, a menos que o exercício de sua prática não seja mais que um conjunto de técnicas desprovidas do sentido formador e humanista que deve ter o ensino universitário. Na verdade, a julgar pelo elenco de demandas disciplinares que a Fenaj acaba de divulgar em seu confuso apoio à nova Comissão, é disso que se trata: pretende-se com a especificidade a ênfase numa série tão pobre de "técnicas" – algumas até com indicações percentuais – que não causará surpresa a ninguém se, a partir de agora, proliferarem cursos seqüenciais de Jornalismo que conseguirão dar conta, em algumas pinceladas, de tudo quanto diz respeito à particularidade reivindicada pelos pais dessa idéia. Chego até a afirmar que a autonomia curricular dos cursos de Jornalismo pode ser mortal para ele próprio, pelo menos para o jornalismo que se pretenda coerente e em sintonia com os desafios do mundo contemporâneo.

E, no entanto, nada do que a Fenaj ou o professor Meditsch – para citar dois nomes que estão envolvidos nessa discussão – propõem como ênfase à especificação das habilidades do curso de Jornalismo deixa de ser contemplado no documento sobre as diretrizes curriculares para os cursos de Comunicação Social que foi aprovado também no seminário de Campinas. A diferença está no fato de que a proposta genérica preserva, enquanto a proposta específica dissolve.

Vem dessa constatação – os documentos todos estão disponíveis – [ver remissão abaixo] o segundo motivo de meu susto: o caráter autoritário que teve a criação desta comissão. Embora ela estivesse sendo reivindicada há quase um ano pelo grupo de cinco ou seis professores e profissionais que produziram o provão, sua concretização se deu no exato momento em que uma comunidade acadêmica inteira está envolvida num histórico debate sobre as diretrizes curriculares para os cursos de Comunicação Social.

Não chego ao extremo de afirmar que a nova comissão foi criada de forma ilegal, porque ainda vivemos na vigência da Resolução 2/84 que estabeleceu o currículo mínimo para esses cursos; mas não tenho a menor dúvida em concluir que sua existência é ilegítima e arbitrária, na forma e no conteúdo, não fazendo jus nem mesmo aos nomes daqueles que a propuseram. A partir de qual consenso ela vai emitir seus pareceres? Ou antes: qual o foro que deu a ela o direito de desmembrar os cursos de Jornalismo dos demais cursos de Comunicação Social? Vistas as coisas de agora, tenho a sensação de que o zelo corporativo sobre a formação acadêmica dos jornalistas turvou o seu entendimento do que estava acontecendo, e bastou isso para que se buscasse uma saída de gabinete, com todo o desrespeito que isso significa para o elenco de entidades e de personalidades que ainda estão envolvidas nessa discussão. Mais ou menos como se os dentistas tivessem decidido sobre os rumos que devem ser dados aos cursos de Medicina, para ficar no exemplo de Meditsch.

Eu, sinceramente, espero que o debate prossiga, mesmo com esse preço estressante do diálogo silencioso dos e-mails, mas espero também que ele possa subir um tom, ou uma nota, recuperando as identidades e não as diferenças. As verdadeiras identidades, e não as aparentes diferenças.

(*) Presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação - Intercom, membro da Comissão de Especialistas do MEC de ensino de Comunicação e professor da Universidade Metodista de São Paulo.

Obs.: O presente texto é o resultado de uma manifestação absolutamente pessoal, não envolvendo a opinião de meus pares nem da Intercom nem da CEE-COM.

 

Professores de
Jornalismo, uni-vos!!!

Luís Alberto Scotto (*)

 

Os comunicólogos estão enfurecidos com a decisão do MEC de criar a Comissão de Especialistas de Jornalismo, reforçando, desta forma, o caráter profissionalizante da formação jornalística. E-mails enraivecidos trocados, professores do nosso departamento, aqui da Universidade Federal de Santa Catarina, sendo acusados de provocar a cizânia. Imaginem alguém defender a criação de cursos de Jornalismo, com jornalistas como professores e alunos que querem exercer a profissão de jornalistas? "Fico assustado...", diz o professor de comunicologia José Faro.

É um dado da realidade: mais do que susto, a academia sente ódio de jornalistas. Durante os anos em que a formação dos jornalistas esteve ligada aos cursos de Artes, nosso trabalho era visto como uma "literatura menor". Lima Barreto, que era jornalista, fazia uma literatura muito próxima da realidade – falta-lhe arte, diziam e ainda dizem seus críticos. Nelson Rodrigues, que era jornalista, fazia um teatro pobre – cópia da realidade, diziam seus críticos. Para o cânone acadêmico, o principal defeito de ambos – e de muitos outros – sempre foi a proximidade com esta coisa insignificante que é a realidade.

Conto uma história. Cinco anos atrás, o Curso de Comunicação Social, aqui da Federal de Santa Catarina, resolveu dar o título de Notório Saber a José Hamilton Ribeiro. Mas quem é este Hamilton Ribeiro? Jornalista com Notório Saber? O doutorado dele é "por onde"? Não havia maneira de atribuir uma pontuação mínima ao trabalho do Zé Hamilton. Suas publicações pouco valiam porque não estavam em revistas indexadas. Seus livros não tinham objeto claro, faltavam-lhes sustentação científica e não havia nenhum trabalho apresentado em encontros ou seminários. Titulação, nota zero. Resumindo: tivemos que alterar o estatuto da Universidade para poder dar-lhe o título.

A Academia odeia o jornalismo por todas as razões e por todos os caminhos. Um mesmo discurso atravessou o século usando as roupas da moda. O cânone acadêmico sempre achou o jornalismo muito politiqueiro... muito superficial... muito mundano... pouco artístico... sem profundidade. Mas estamos virando o século e o professor J.S. Faro atualiza o discurso: "..pretende-se com a especificidade a ênfase numa série tão pobre de ‘técnicas’..." Maravilha! "...tão pobre de técnicas..." Pérola do pensamento obscurantista. Gostaria que ele dissesse que as técnicas não pertencem à Universidade num curso de Química, de Engenharia...

Técnica é uma coisa menor, na opinião do comunicólogo. Temos que nos dedicar à catequese, à formação de "mentes", a salvar almas das labaredas do ensino técnico, do inferno reducionista de uma "escolinha" do Senac. Aquela idéia dominante de que o importante é ensinar "a pensar criticamente a realidade". Este projeto e suas variantes (o formador de opinião, a consciência crítica da sociedade, mediador social e bobagens do tipo) vêm fazendo água há muitos anos. E uma evidente divisão nos departamentos de comunicação ficou estabelecida.

Manhosa ou ingenuamente alguns chamam de divisão entre teoria e prática. O que existe são pessoas que pensam e ensinam uma profissão, e, de outro lado, os que dizem pensar a Comunicação Social – esta caixa preta que há dezenas de anos invadiu o ensino do Jornalismo, numa espécie de troca da guarda: saíram as "Artes" entrou a "Comunicação". O Jornalismo e outras habilitações passaram a constituir gomos de uma laranja que é a Comunicação Social. Somos uma parte deste todo, estudamos e ensinamos parte deste todo. Portanto, nada mais natural que os estudiosos do todo se alvorocem como os detentores do verdadeiro significado da coisa.

Está falácia levou a Comunicação a deter um poder hegemônico e autoritário sobre o conhecimento e os estudos do Jornalismo (e das outras habilitações também). É só olhar para o passado e vamos entender como isto aconteceu. O Jornalismo foi inserido no universo acadêmico de maneira discreta – foi-lhe permitido ocupar um fundo de corredor nos departamentos de Filosofia e de Artes. Quando a demanda pela formação ficou evidente e a criação dos cursos estava madura, nos meteram um kit acadêmico completo: antropólogos, sociólogos, historiadores. Pessoas com as mais diversas e variadas formações, tiveram apoio institucional para participar da formação de jornalista. Através do manto sagrado da Comunicação Social, a instituição acadêmica criou sua interface com o Jornalismo. Estabeleceu os parâmetros do cânone para o Jornalismo e o próprio desprezo pela "formação tecnicista".

Atualmente os cursos de Comunicação Social repetem o modelo dos cursos de Letras: estudam os efeitos, fomentam a crítica, a análise, as implicações culturais de determinado texto literário. A única diferença é que as escolas de Letras não estão aí para formar escritores, e os cursos de Comunicação Social têm como objetivo a formação de jornalistas e outras profissões, conforme as habilitações definidas. Acabamos por formar críticos infantis (mirins, seria o mais apropriado) do processo(?) de comunicação(?) e, ao mesmo tempo, incapazes de fazer um lead.

Poderíamos dizer assim: a prática social do jornalismo está no mercado de trabalho há mais de cem anos, e não existe nenhum curso para o ensino desta profissão; e existe uma ampla formação acadêmica, chamada de Comunicação Social, cujo mercado de trabalho é o de professores de Comunicação Social. Isto na melhor das alternativas. A maioria, o máximo que consegue é se transformar neste personagem de anedotas – o estudante de Comunicação Social.

E é sob a chibata do discurso dos comunicólogos que bons professores de Jornalismo se submetem – em muitos casos de forma intelectualmente humilhante. Há casos de professores que escondem um conhecimento adquirido em anos de redação para não serem tachados de tecnicistas. São os que carregam turmas de redação com 25 alunos, 200 textos por semana para corrigir. Enquanto isto, os doutos da comunicologia falam sobre a sexualidade, sobre o capítulo de ontem da novela, o emissor, o problema da mulher, o problema do negro, a recepção, sobre receitas culinárias dentro "de uma tradição oral", sobre a Mãe Dinah e o padre Marcelo Rossi, porque, afinal, tudo faz parte do "processo de comunicação de sociedades complexas". Lustram seus títulos com a arrogância que só os hospedeiros, de uma área que não lhes pertence, conseguem ter.

São nossos tutores. Dizem o que deve ser estudado no Jornalismo, como devemos formar os futuros jornalistas e odeiam o jornalismo. Não sabemos pensar, eles pensam por nós. E se algum jovem aparecer querendo ser jornalista, imediatamente correm para ridicularizá-lo, porque ser jornalista é servir aos poderosos. Convenhamos, nenhuma formação profissional perdeu de tal maneira seu objeto de estudo. Nenhuma formação profissional se deixou levar a tamanho ridículo.

É neste cenário que surge o MEC com a criação da Comissão de Especialistas de Jornalismo. Qual o significado disto? É a luz verde para a criação de Curso de Jornalismo e mais do que isto. É a possibilidade de criar cursos de pós-graduação em Jornalismo. Qual o argumento para buscar enfraquecer a criação desta comissão? Dirão – minto, já estão dizendo – que é uma atitude autoritária do MEC. E a Comissão de Especialistas de Comunicação Social, é o quê? Alguém, por acaso, chegou a ser consultado quando da sua criação? Logo, logo, irá aparecer aquela insinuação fatal, aquela pergunta estilo Arquivo X: a quem serve a criação desta comissão de Jornalismo? Deixando de lado a teoria conspiratória, podemos dizer que vai servir aos jornalistas que atualmente exercem a função de professores e que pensam em criar cursos de Jornalismo. Assim como a criação da Comissão de Comunicação Social tem servido para reforçar a atuação dos comunicólogos.

O momento que vivem as escolas de Comunicação é marcante para o futuro da nossa profissão. É agora que nós – jornalistas ou profissionais de outras áreas com desempenho ou estudos comprovados na profissão – poderemos, de fato, construir uma formação de ofício, em que as pessoas possam exercê-la com a dignidade que advém da competência. E eu espero, do fundo do coração, que os comunicólogos fundem um partido político, uma associação de minorias perseguidas ou uma igreja fundamentalista e saiam da aba do nosso chapéu.

Companheiros, nossa hora é chegada: aos computadores!! Escrevam, manifestem-se, mandem e-mail pra todo lado, levantem-se contra os tiranos que estão no próprio Departamento ocupando nossos lugares.

Professores de Jornalismo, uni-vos!!!

(*) Professor de jornalismo da UFSC

 

Fragmentação perniciosa

José Coelho Sobrinho (*)

 

Alguns dos mais conhecidos colegas da área de Jornalismo saudaram a Comissão de Especialistas, recém-nomeada, como o grito de independência. Do meu ponto de vista de educador, parece precipitada a comemoração dos que pensam assim.

A quem, afinal, interessa a segmentação da área de Comunicação? Àqueles que não participavam da Comissão de Especialistas de Comunicação e agora bradam por vingança por não serem reconhecidos como especialistas da área? Não creio. Essa atitude é muito mesquinha para docentes de alto nível intelectual e científico.

Aos que buscam a possibilidade de transformar os cursos seqüenciais e o mestrado profissionalizante em substitutos das atuais graduações em Jornalismo? É até possível. Entretanto, em nome da ética, seria de bom princípio a clareza dos discursos, principalmente em eventos como o recém-realizado em Campinas [Seminário Nacional das Diretrizes Curriculares do Ensino de Jornalismo, na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, em 24-25/4/99, iniciativa do Departamento de Jornalismo da PUCCAMP, com organização da Federação Nacional dos Jornalistas, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares em Comunicação, Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo e Observatório da Imprensa]

Alguns colegas lembram a prática antropofágica que marca a história de muitas associações, como a Abepec, a associação de escolas públicas de comunicação, o movimento nacional em defesa do diploma e outras que marcaram a vida acadêmica de alguns professores. Entendo pouco provável essa recaída. Afinal, os colegas que usavam essa prática já têm maturidade suficiente para não repetir alguns equívocos que deslustraram a autoria de outras louváveis iniciativas.

O reconhecimento de jornalismo como ciência? Improvável. Quando é maior a crise dos paradigmas científicos e quando mais se fala na interdisciplinaridade do conhecimento, não acredito que alguns colegas queiram comandar a academia para percorrer a contramão do atual caminho da ciência.

Exterminar o cartório representado pelo diploma? É possível. Entretanto, não seria necessário correr o risco que representa a fragmentação da área de comunicação para atingir esse objetivo. Se esses colegas apresentarem um esboço de legislação que impeça a deterioração da prática profissional aos níveis existentes antes da regulamentação, tenho a certeza de que serão aplaudidos e reconhecidos por toda a categoria.

Aplicar o modelo acadêmico que está dando certo em outros países – como o da Universidade de Columbia/Nova York – à organização universitária brasileira? É um engodo. Essa discussão sempre vem à tona quando se quer justificar mudanças no jornalismo, como acabar com a obrigatoriedade do diploma, transformar o jornalismo em curso de pós-graduação etc. Os defensores desse modelo podem ser classificados em dois grupos: os que defendem essa mudança por osmose e desconhecem a organização jornalística americana (a mais citada neste caso); e os que desejam alterações para delas retirarem benefícios (não cabe relacioná-los), mesmo sabendo que no atual estágio o jornalismo brasileiro não está organizado para emitir credenciais para cobertura das casas que representam os poderes democráticos, para não me alongar em discussões éticas.

Alguns entendem que esse divórcio não significa abandonar o teto da comunicação. A prática, entretanto, desmente essa visão. Imediatamente após o anúncio de que a Comissão de Especialistas de Jornalismo havia sido nomeada, os profissionais de Relações Públicas e de Propaganda, por suas entidades representativas, solicitaram a abertura de processo para que suas comissões de especialistas fossem criadas na SESu.

Está faltando clareza nos discursos dos colegas que defendem a segmentação da área porque os argumentos não representam o pensamento das associações. Não conheço um só colega que tenha sido consultado por sua entidade para se pronunciar sobre o assunto em assembléia. E isso é muito estranho. Não podemos, com nossas atitudes, destruir os ideais democráticos pelos quais muitos de nossos colegas deram a vida. Entre as muitas incongruências que se pode observar na intempestiva criação da comissão está a desestabilização de organizações que até hoje não haviam sido contestadas quanto a importância e necessidade. É o caso da Compós, da Intercom, da Abecom, da Cátedra Unesco de Comunicação, entre outras. O mesmo se pode aplicar à filiação de entidades brasileiras à Alaic, Felafacs e outras associações internacionais.

Além dessas divagações sobre a "detonação" da comunicação, permito-me citar alguns trechos de trabalhos publicados de alguns de nossos colegas que defendem a criação da – alguns dela fazem parte – Comissão de Especialistas de Jornalismo. Não vou dar-lhes os respectivos créditos. O nosso presidente fez escola quando pediu que esquecessem algumas de suas mais importantes obras, e acredito que esses colegas também se arrependeram da autoria de algumas idéias que foram leitura obrigatória nas boas escolas de comunicação do país.

Um deles, defendendo a existência da comunicação, escrevia, em 1978, que "a tarefa do comunicador, que é a finalidade das escolas de comunicação, é preservar a linguagem como alguma coisa pertencente a todo o povo, e não a grupos de elite artificialmente constituídos; articular as linguagens fragmentadas do saber, ainda que isto se torne revelador e, portanto, incômodo. O comunicador tem como projeto não se conformar com o poder conseguido através do respeito pelo ininteligível, nem com a corrida das modas culturais, que borboleteiam de autor a autor, como as artes vão do figurativismo ao abstracionismo tachista ou ao concretismo. Seu projeto é o futuro e a evidência das verdadeiras contradições e reais interesses da sociedade; a transmissão de mensagens ao maior número de pessoas. O estudo e a crítica das linguagens são um instrumento para isso."

Um outro escreveu, em 1998, que "os fenômenos do jornalismo podem e precisam ser vistos como objeto de estudo pelos pesquisadores dos mais diversos campos de conhecimento. Cabe, também, a visão particular sob a ótica de pesquisadores de jornalismo. Todas elas tendem a se intensificar, sob o estímulo do provão." Um belo exemplo de que o jornalismo extrapola a visão monodisciplinar para o seu estudo.

Existem aqueles que fazem exegese da LDB e criticam o currículo vigente, como se não tivessem nenhuma responsabilidade sobre a sua aprovação, e afirmam que "há experiências que contabilizam resultados positivos e que podem funcionar, a médio prazo, como modelos capazes de ser reproduzidos em outras instituições. Com a liberdade curricular estabelecida pela nova LDB existem condições legais para que elas germinem e se multipliquem, superando o retrocesso curricular dos anos 80. Desta maneira, o jornalismo poderá resgatar a sua autonomia como carreira universitária, convivendo com as demais carreiras midiáticas no espaço das escolas ou faculdades de Comunicação, mas reafirmando sua identidade profissional." O artigo de onde se extraiu este trecho, do ano passado, tende à defesa de uma visão mais intensa do mercado para a formação do jornalista, afastando o currículo de jornalismo das ciências sociais aplicadas.

De meu lado, entendo que este abandono de área é prematuro e, por que não dizer, perigoso. Não me sentiria à vontade ao ver o nome de meus colegas e professores incluídos em algum texto semelhante ao de Dizard (Dizard, W. P., A nova mídia: a comunicação de massa na era da informação, trad. Edmond Jorge, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1998, pág. 32), que afirma que "com exceção de McLuhan, a trilha está cheia de ossos de acadêmicos, pensadores e outros videntes autonomeados que fizeram adivinhações erradas sobre o advento da chamada revolução da informação. Seus instintos estavam certos, mas eles estavam defasados no tempo. Seu erro foi avaliar mal a rapidez com que as forças tecnológicas, econômicas e políticas iriam convergir para realizar a promessa de uma nova mídia". E a incerteza prevalece quando (pág. 286) o autor afirma que "...as indústrias da mídia estão sendo transformadas por poderosas forças tecnológicas, econômicas e sociais. Essas forças podem reforçar a influência corporativa dominante da mídia tradicional centralizada, ou dispersá-la de maneiras novas e mais democráticas. As opções ainda estão em aberto. Muito do que a mídia produz hoje reflete as tendências narcisistas e escapistas da sociedade americana, mais do que dá informação e definições dos problemas e oportunidades que se abrem diante de nós."

Interessante. Nem os criadores da midiologia estão seguros dos caminhos que ela trilhará. Mas os nossos midiólogos se sentem à vontade para, inclusive, criar uma área acadêmica autônoma, mesmo sabendo das conseqüências que este ato representa para o conhecimento nacional.

(*) Professor de Jornalismo da ECA/USP

 

CARTAS
Jornalista é
comunicador social

Gostaria de tecer alguns comentários sobre a política educacional para o ensino superior que vem sendo implementada/imposta pelo governo federal. A última das ações foi a criação da Comissão de Especialistas em Jornalismo. O ato isolado, em si, talvez não traga maiores prejuízos – luta pela qualidade da formação em comunicação. Porém, gostaria de analisar a questão como parte de um processo. Um processo que inclui o provão para jornalismo (que prefiro chamar de ENC, pois acho que não merece o superlativo) e a questão conturbada das diretrizes, a forma como foi conduzida a discussão, os prazos e a falta de debate nas escolas sobre todos os temas.

Antes de mais nada, porém, gostaria de me apresentar: meu nome é Vitor Fraga, e sou estudante de Jornalismo da UFF (o pior curso do Brasil, segundo o ENC). Participei das discussões no Movimento como coordenador-geral da Enecos, cargo que ocupei até janeiro deste ano, e faço
parte desta lista de discussão.

Vejo com certa preocupação a criação de uma Comissão de Especialistas em Jornalismo. Como já disse, menos pelo fato em si, e mais pelo que envolve a questão. Senão, vejamos: é público e notório que o planejamento do MEC para o ensino superior degrada o conceito de educação, banaliza o papel social da universidade, descarta a pesquisa como parte fundamental da formação e desestimula a extensão como forma de interação entre a universidade e a sociedade, preferindo investir em programas assistencialistas e mais preocupados em ganhar espaço na mídia do que realmente colocar o conhecimento acadêmico a serviço do povo, o que por sua vez poderia arejar o pensamento às vezes tão preso aos muros da instituição.

Mas não estou aqui para polemizar a política do governo federal. Não me lembro de ninguém por estas bandas defendendo a política educacional de Fernando Henrique. Afinal, estamos todos no mesmo barco, não?

Pois é. Ano passado, tivemos que enfrentar o famigerado ENC(alhe), apesar de todos os protestos. Uma atitude imperial, que impôs aos cursos um modelo de "avaliação", sem que sequer fossem levadas em conta outras experiências, como a Avaliação da Capes, projetos da Andes e discussões que vinham sendo encaminhadas por outras entidades, entre elas o Movimento pela Qualidade da Formação. Exigiu-se que os estudantes fizessem a "prova", sob pena de não receberem seus diplomas – o que, todos sabemos, é literalmente um ato ditatorial, inconstitucional (é fundamental dizer o nome certo das coisas, mesmo que pareça um discurso mofado), que não respeita nem o direito adquirido, que dirá outros direitos.

Ao formar a comissão que iria elaborar o ENC(olhimento do conceito de formação), o MEC chamou alguns professores de Jornalismo, cujo conhecimento da área não coloco em suspeição – todos, sem dúvida, profundos estudiosos de Comunicação Social. Porém, lembro que o Movimento travou séria discussão sobre o perigo que significava apoiar uma atitude imperial como o ENC(omendado fim das universidades).

A Fenaj havia sido convidada, e indicara um membro da diretoria para participar do processo, sob o argumento de que isso "seria mais um canal de interlocução com o MEC". Embora não tivesse sido consultada sobre a criação da pseudo-avaliação, acreditava que "a participação na comissão não impediria que a Fenaj continuasse ao lado das demais entidades na luta pela qualidade da formação". Quando cobrada por seus parceiros no Movimento, a Fenaj admitiu que aceitar o convite foi um erro, uma atitude ingênua, e que não era possível crer que o MEC aceitaria mudanças pra valer em sua "avaliação". A entidade retirou-se da comissão, e voltou para o lado de seus verdadeiros parceiros, para o lado de quem realmente defende um ensino superior público, gratuito, de qualidade, e que esteja a serviço do desenvolvimento social, político-econômico e cultural de nosso país.

Portanto, acho que não cabe detalhar mais essa questão, já que o falido ENC(alhe de papel) provou que não prova nada. Afinal, um dos membros da comissão que elaborou o dito, o professor Nílson Lage, é um dos criadores do curso de Comunicação da UFF, que tirou nota E. Como não acredito na hipótese de esquizofrenia entre meus colegas, muito menos em relação ao nobre professor, prefiro imputar a falta de coerência ao MEC, este ente que deveria defender a educação, em vez de ser considerado seu inimigo público número um.

Depois disso, tivemos o processo das diretrizes, que foi pró-imposto de forma tão vertical quanto o ENC(urtamento da visão crítica). Tivemos que correr para poder apresentar alguma proposta, lembram? Custamos para conseguir um espaço de interlocução com o MEC. Em maio de 1998, no 2Ί Seminário pela Qualidade da Formação, finalmente conseguimos agendar uma reunião com a Comissão de Especialistas em Comunicação que, embora adiada várias vezes, acabou acontecendo este ano, em fevereiro. Quando enfim parecia que as entidades da área de comunicação teriam um espaço digno de debate sobre a nossa formação, a formação do futuro profissional, do futuro professor, do futuro sindicalista, do futuro mestre e doutor, do futuro dirigente de escola, pois bem, lá vem o nosso amigo MEC com suas travessuras!

Peço licença aos colegas, mas não posso deixar de exclamar: que rapazinho insolente esse senhor Paulo Renato de Souza! Esse incompetente, ou melhor, insolente senhor imagina, sem mais, que a partir desta data a habilitação em Jornalismo do curso de Comunicação Social será dirigida por uma comissão própria.

Os problemas são óbvios. Não vou discutir se isso vai ou não nos separar, se isso vai ou não atrapalhar o Movimento e a luta pela qualidade da formação. As entidades envolvidas nessa luta, e seus representantes, são competentes ao extremo, são motivo mesmo de orgulho para seus representados. Jamais se deixariam enfraquecer por uma ação de fora. Acho que estamos analisando a coisa por um prisma um pouco desviado. Parece que estamos cobrando da Fenaj e dos jornalistas uma posição. Não, não é por aí. Usar o conceito de jornalistas vs.comunicadores, de técnicos vs. teóricos, isso sim seria decretar a morte de nosso grupo, seria vestir a carapuça.

Todos nós temos direito de ser contra (ou a favor...) uma comissão de especialistas. Afinal, temos um "pacto federativo", não é mesmo? Por exemplo, o nosso colega jornalista Daniel Herz tem tanto conhecimento político do tema quanto o nosso colega professor Albino Rubim, ou quanto nosso colega estudante João Brant. Não podemos nos separar em grupos, ou estaremos aceitando a segmentação que apenas o ministro Paulo Renato vê. Segundo as leis, existe um curso de Comunicação Social, com várias habilitações, entre elas a de Jornalismo. Se o governo cria uma nova lei, temos portanto uma questão amparada na legalidade. Mas, indubitavelmente, questionável do ponto de vista da legitimidade.

Aos colegas da Fenaj, gostaria de tranqüilizá-los. Já passamos por isso, e sabemos de que lado estão os profissionais. Como na comissão do provão, a entidade acreditava estar fazendo o melhor, já que agora usa os mesmos argumentos para defender a comissão de jornalistas. Não se trata de perdermo-nos em "minúcias jurídicas" da validade ou do prejuízo da criação de uma comissão de especialistas em jornalismo. Não se trata de discutir o ato em si, e sim o conceito que há por trás dele. Deixo a minha opinião de que mais canais de interlocução nem sempre significam melhores resultados. Como dizem meus professores de Comunicação, tanto os
de disciplinas práticas quanto das teóricas, a comunicação deve ser bem-feita, deve ter qualidade. Mais do que quantidade, os meios de interlocução devem primar pela qualidade da informação transmitida. Sem ruídos.

A formação universitária está muito além de questões políticas de ocasião. Se o MEC hoje pensa dessa maneira, não significa que isso reflita o pensamento das partes interessadas, até porque não houve discussão alguma antes da decisão final (?). Um jornalista é um comunicador social. Esse é o conceito. É nisso que concordamos (ao menos, parece). Portanto, não importa se o MEC quer mudar esse conceito. Basta que nós não concordemos. Um grande abraço a todos,

Vitor Fraga

Proposta da UFF

Victor Gentillli, fico feliz em saber que você gostou da proposta da UFF, mesmo sendo algo muito sintético e genérico, embora compatível com as informações de que dispúnhamos na época e coerente, também, com o que nos era solicitado então.

Esclareço que essa proposta, resultado de uma reunião extraordinária de departamento realizada em março de 98, foi enviada à SESu pela UFF, com tantas outras sugestões semelhantes de outros cursos, em atendimento à "chamada" do MEC, em fins do ano anterior. Lamentavelmente, não faço a menor idéia do que foi feito com o texto.

Como você sabe, o ano passado foi particularmente conturbado. Estivemos em greve por mais de três meses e não pudemos exatamente soltar fogos pelo resultado, pois a GED trouxe para dentro da universidade uma disputa inédita entre professores e ampliou a distância entre titulados e não-titulados. A volta às aulas foi marcada pelas eleições para reitor (e pesava sobre todos o fantasma do que ocorrera na UFRJ) [foi nomeado o reitor menos votado da lista] e pela ansiedade em torno do recebimento da gratificação. Nesse quadro, teríamos pouco tempo e tranqüilidade para nos ocupar do desenvolvimento das propostas para o novo currículo.

Retomamos a discussão no início de 99 e posso lhe dizer que, também entre nós do setor de jornalismo, não são poucos os que defendem a criação de um curso específico, baseado exatamente nos argumentos que Eduardo Meditsch expôs em artigo no Observatório. Particularmente, discordo dessa proposta, não pelos seus pressupostos, mas porque me parece que essa divisão decorre menos de uma serena argumentação em torno da validade de um determinado tipo de formação e mais de uma disputa de espaço político, que não é de hoje, sobre o poder e a autoridade de dizer "o que é" o jornalismo.

Se é verdade que os cursos de Comunicação Social surgiram como uma forma de desmobilizar o potencial crítico do jornalista, num momento em que a ditadura entrava em sua fase de maior violência, e se é fato que, no início, os cursos reuniam quase que exclusivamente professores sem nenhuma intimidade com a prática jornalística, também é verdade que o tempo e as lutas pelo aprimoramento da formação profissional levaram a mudanças curriculares importantes e trouxeram jornalistas experientes para a sala de aula e para os laboratórios que então começavam a existir. Creio, e esta é uma opinião pessoal, que a disputa hoje em curso, nesse clima de "nós" contra "eles", é muito propícia a levar lenha para a fogueira das vaidades mas não ajuda nada na melhoria da formação de nossos alunos e no nosso próprio crescimento como professores e profissionais.

É verdade que existe uma cultura (e por isso citei a GED e seus efeitos perversos) que privilegia o "doutor", numa perspectiva que também não é recente e que coloca a universidade em trilhos estreitos, retirando-lhe, ou pelo menos reduzindo-lhe, a possibilidade de se tornar um espaço de convívio democrático de diferentes saberes e competências. É verdade, também, que no caso do jornalismo a área equivocadamente chamada de "técnica" é desprezada como se não fosse capaz de produzir reflexão, o que deveria ser obviamente falso. Mas não creio que seja rejeitando o saber específico do pessoal de fundamentos, negando a contribuição que eles possam dar ao curso, que estaremos avançando no caminho da formação de um profissional mais qualificado para o que desejamos: a prática de um jornalismo que recupere o sentido histórico e político dessa atividade e rejeite a avassaladora, quase insuportável mistificação que hoje nos é imposta.

Quanto ao McDonald’s, se fosse bom, comê-lo-íamos. Como não vale a pena, deixá-lo-emos pra lá. Um abraço,

Sylvia Moretzsohn

Viva a polêmica

Parabenizo a equipe, em especial Victor Gentilli, pela edição. O comentário do polêmico professor Nílson Lage (que esteja sempre presente) e as precisas observações dos professores Juliano, Faro e Nuzzi determinaram a qualidade da discussão.

Rogério Eduardo Rodrigues Bazi, professor de Jornalismo no Centro Universitário de Votuporanga, na Faculdade de Catanduva e na Faculdade Prudente de Moraes

 

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