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DIRETÓRIO ACADÊMICO

 

AVALIAÇÃO DOS CURSOS
MEC abre informações

 

Victor Gentilli

Os 92 cursos de jornalismo que fizeram o provão de 1998 e 1999 receberão, em outubro, visitas de duplas avaliadores do MEC. O instrumento que será usado pelos avaliadores, a lista com as 92 escolas que serão visitadas e o questionário que as escolas deverão preencher estão disponíveis no site do MEC [veja remissão abaixo].

Pela primeira vez, poderemos ter um quadro da efetiva realidade do ensino de jornalismo. A avaliação trabalhará em três grandes blocos, independentes entre si: Corpo Docente, Organização Didático-Pedagógica e instalações (laboratórios e biblioteca). Como este é o início de um processo e como esta avaliação deverá ser repetida nos próximos anos, tudo indica que os dados reunidos permitirão uma melhora significativa do ensino.

Nos dias 2 e 3 de setembro, quase 50 professores de jornalismo de todo o país puderam conhecer o software e unificar os critérios para o trabalho de avaliação.

Os técnicos do MEC que comandaram a reunião em São Paulo, particularmente o coordenador do projeto, o sociólogo Daniel Ximenes, tranquilizaram a todos com relação às informações de que a Comissão Especial enfrentaria dificuldades após a divulgação, pelo Conselho Nacional de Educação, da decisão de rejeitar a proposta da Secretaria de Educação Superior para a criação de uma Comissão de Especialistas para o Ensino de Jornalismo.

A decisão ainda não foi homologada. Os trabalhos de Avaliação das Condições de Oferta dos cursos de Jornalismo – no qual todos estão dedicados agora – não enfrentarão nenhuma dificuldade em função dessa decisão.

 

Informação privilegiada,
profecia autocumprida

 

Sylvia Moretzsohn (*)

Causaram espanto as "dicas para a recepção aos avaliadores do MEC", apresentadas por Victor Gentilli na seção Diretório Acadêmico na última edição do Observatório da Imprensa. Antes de mais nada, pelo tom, de um aconselhamento algo paternal: "É bom as escolas irem se preparando"..., "Será bom as escolas se acostumarem..." É tipicamente a fala de alguém de fora, que observa tudo a distância e pode ter a visão da floresta, enquanto nós, aqui, atordoados, meio cegos, nos perdemos em meio às árvores... mas quem são "as escolas"?

Não somos todos professores? Não estamos todos no mesmo lugar? A seguir, a surpresa diante de tantas contradições e incongruências. "Um coordenador de curso que não seja jornalista desqualifica o curso de imediato."

Por quê? Se, na maioria dos casos, os cursos são de comunicação e o jornalismo é uma habilitação entre várias, por que o coordenador teria de ser exclusivamente dessa área? "Professor que se dedica ao curso será visto com bons olhos. Se ele tiver uma boa sala, com telefone, Internet e condições de atender alunos, tanto melhor." Se estiver na Dinamarca, então...

"Um professor que tenha atividade jornalística simultânea à docência é valorizado." Que professor é esse? É aquele que desenvolve projetos de prática em jornalismo com os alunos ou aquele que está no chamado "mercado"? Aparentemente, trata-se do segundo caso; no entanto, de acordo com a LDB, pelo menos um terço dos docentes deve ter dedicação exclusiva, o que, por lei, os impede de ter outro emprego.

"Aulas teóricas com mais de 40 alunos em sala perdem pontos. Aulas práticas com menos de 25 alunos ganham pontos." É claro que módulos menores de turma favorecem a qualidade do ensino. Ocorre que o próprio MEC exige, para o curso de Comunicação Social, uma média de 1/36 na relação professor/aluno. O choque entre as "dicas" e a realidade parece esquizofrenia? Pois não é. Esquizofrenia é oferecer "teoria da comunicação e prática de jornalismo". Ou seja, embora o curso seja de comunicação, ele não pode oferecer disciplinas dessa área abrangente, sob pena de ser enviado ao divã do analista. A teoria deve ser de jornalismo. Porque, para a formação do jornalista, só interessa o que for jornalismo.

E o que é jornalismo?

É o que os professores (de Jornalismo) da Universidade Federal de Santa Catarina decidem que é. Não por acaso, o currículo identificado como ideal por Gentilli coincide com o do curso da UFSC, que se proclama o melhor do país. (Baseado em que, ninguém diz, e talvez nem interesse, pois essa discussão é ociosa: sabemos, ou deveríamos saber, que é de fato impossível eleger "o melhor" em alguma coisa. Aliás, como jornalistas e professores, deveríamos denunciar a mistificação, e não cultivá-la, lançando-nos numa disputa que nos é estranha, nós que somos de instituições públicas e adotamos – ou deveríamos adotar – uma ética distinta da do mercado).

A impressão é de que a tal "comissão de especialistas em jornalismo" pretendia impor esse modelo a qualquer preço. E, como o modelo era o da UFSC, estaríamos novamente diante de um caso típico de profecia autocumprida.

Por sorte, recebemos a notícia de que a comissão de especialistas em jornalismo foi vetada em Brasília. A informação foi veiculada por e-mail pelo professor José Salvador Faro, no dia 25 de agosto. No entanto, a decisão da Câmara de Ensino Superior data de 7 de julho. Não fazemos idéia do motivo da demora, ainda mais nesses tempos internéticos. De qualquer forma, respiramos aliviados.

Ainda assim, ficamos com a desagradável sensação de que alguns eleitos tiveram acesso a informações privilegiadas dessa hoje proscrita comissão. E achamos lamentável que uma proposta de avaliação tenha sido divulgada como fato, no melhor (ou pior) estilo consagrado diariamente pelos jornais. Pois não é do próprio Observatório a promessa de que nunca mais vamos ler jornal do mesmo jeito?

(*) Jornalista, professora de Jornalismo e chefe do Departamento de Comunicação Social da UFF

 

Resposta de Victor Gentilli: Prezada Sílvia, no site do MEC, clicando em "Avaliação das Condições de Oferta dos Cursos de Graduação", você encontrará disponível o instrumento que se usará para avaliar as escolas de jornalismo, o questionário que as escolas deverão preencher e outras informações sobre o assunto. Como os avaliadores visitarão as 92 escolas ainda em outubro, entendi importante alertá-las sobre a necessidade de preparar-se. Nos dias 2 e 3 de setembro, quase cinquenta professores (que participarão como avaliadores) conheceram e debateram o instrumento e os critérios para a avaliação, na ECA-USP, em São Paulo. Entendo que de fato o debate sobre a questão foi muito reduzido, quase nulo. Da parte do Observatório da Imprensa, pretendi apenas atenuar este problema. Um abraco do Victor Gentilli.

 

Avaliação ou gozação?

 

Davide Mota (*)

Caro editor, gostaria que fosse tornado público, através do Observatório, se a matéria "Como receber os avaliadores do MEC", assinada por Victor Gentilli, foi publicada como brincadeira ou se, por qualquer dessas fatalidades que eventualmente atingem o jornalismo, é uma barriga, ou um jabá cuja origem (corruptora) só pode estar em alguma universidade (será particular, será?) cujo perfil corresponda exatamente aos absurdos da dita "avaliação".

Eu confesso que, inicialmente, achei graça. Me pareceu uma piada, embora fracassada. Mas logo reconheci nela um certo tom de seriedade. Estando publicada em um veículo que não tem como objetivo o humor, e assinada, deveria ser séria. Voltamos ao problema: é barriga ou jabá?

Isso deve ser esclarecido, não acha, senhor editor? Se é barriga, faz parte da margem de risco da atividade de informar, mas as circunstâncias devem ser expostas claramente: qual a origem da (falsa) informação, quais os motivos que levaram o Observatório a dar crédito à fonte etc. Mas se é jabá, senhor editor, alguma coisa está muito errada com o Observatório da Imprensa. Ou está tudo certo, é assim mesmo?

(*) Professor

 

AÇÃO AUSTRAL
Reforma universitária,
o seminário argentino

 

Carlos Vogt

Estive, nos dias 25, 26 e 27 de agosto deste ano, em Buenos Aires, Argentina, para participar do Seminário Internacional "Hacia Una Nueva Reforma Universitaria", promovido pela Presidência da República, pelo Ministério de Cultura e Educação e Secretaria de Políticas Universitárias.

O seminário, aberto com uma conferência do ministro de Cultura e Educação, organizou-se em torno dos temas "Globalização e Internacionalização dos Estudos, Universidade e Empresa", em cuja mesa fui o expositor, "Educação à Distância e Universidade Virtual", "A Educação como Fator de Crescimento e Igualdade", "Igualdade e Gratuidade da Educação Superior", "Governo e Gestão das Instituições Universitárias", cujo palestrante foi o professor Simon Schwartzman, e "A Universidade do Século XXI", reunindo reitores e especialistas da Argentina e de vários outros países, entre eles, além de Brasil e Chile, França, Bélgica, Espanha, Japão e Estados Unidos, país do qual veio o Prêmio Nobel de Economia Robert Solon, do MIT.

Se os temas, como se vê, foram oportunos e adequados às urgências de transformação do sistema educacional superior na Argentina, as apresentações, comentários e debates foram pertinentes para uma agenda de reformas que certamente se apresentará ao novo governo argentino, a ser eleito nas eleições presidenciais de outubro deste ano, qualquer que seja a facção partidária vencedora.

A imprensa acompanhou de perto o seminário, dando-lhe uma cobertura que permitiu a sua divulgação e o conhecimento da opinião pública das discussões que ocorreram durante a sua realização.

Não seria má idéia que o governo brasileiro, através dos ministérios concernidos pelos temas da educação, da cultura, da ciência, da tecnologia, organizassem e promovessem encontros com a mesma finalidade e chamassem à participação todos os atores sociais direta e indiretamente envolvidos nessa questão mais que crucial para a formulação de políticas públicas consistentes, claras e objetivas, indispensáveis aos programas de pesquisa e desenvolvimento do país.

Melhor ainda seria que a nossa imprensa/mídia repercutisse amplamente esse tipo de atividade crítica e reflexiva. Antes disso, porém, o seu papel para o convencimento do governo a emprenhar-se nesse tipo de tarefa é fundamental.

Vamos fazê-lo?

 

ENECOM
Nilson Lage na berlinda

 

Geraldo Araújo de Castro (*)

"Nas últimas décadas, esse assalto às escolas de Jornalismo e aos meios em que circulam jovens jornalistas tornou-se insuportável. Antropólogos insistentes, sociólogos apaixonados, psicólogos confusos somam-se às estruturas de propaganda do Estado e do poder econômico para despejar sobre estudantes e repórteres as fantasias de suas frustrações e de seus conhecimentos transformados em matéria de doutrina. Nada contra a Antropologia, a Sociologia ou a Psicologia." [Nilson Lage, "Pela formação universitária específica dos jornalistas", veja remissão abaixo]

Professor Nilson, sua opinião, mesmo com um embasamento considerável e extenso, peca pela vontade de apontar um caminho. Uma estrada certa. Uma certeza tal qual os dogmas que o senhor tanto condena. O senhor separa o jornalismo da comunicação social. Confunde encontro com congresso. Acredito mesmo que ficou refém da sua visão de mundo. Citando Fernando Pessoa, "Pensar é estar doente dos olhos..."

Algumas pessoas dizem que a Academia serve para ensinar a pensar, e acho que mesmo que isso não esteja destacado no seu discurso é implícito nas entrelinhas. O senhor cita os que são, na sua análise, os mandamentos para os estudantes pensantes. Mas o senhor não conversou com os quase 2 mil alunos que estiveram no Enecom, não foi aos alojamentos, não participou dos bate-papos, não dançou, não bebeu, não pediu um cigarro, em suma não interagiu da forma mais humana inventada para conhecer um pouco que seja da espécie reunida naquele espaço.

Como respondi aos amigos que perguntam sobre o encontro, digo agora que não saiu nenhum manifesto das duas mil cabeças presentes na Universidade Federal de Alagoas, nenhuma diretriz salvadora para o mundo tão bem descrito no seu texto, afinal não é preciso ser profeta para enxergar o óbvio. Mas acredito, é a minha opinião, minha crença momentânea e mutável, que algumas pessoas saíram daquele encontro com uma vontade de melhorar as atuais formas de comunicação e desenvolver ações estratégicas para um melhor relacionamento interpessoal.

Sou da Comunicação Social, da habilitação Jornalismo, mas como diz Pierre Lévy, sou um ser humano e sou muito mais, pois sou intercambiável, tenho imagem, posição, dignidade, valor pessoal e positivo no espaço do saber. Mesmo como agora, realmente sem emprego, sem dinheiro e sem diploma, afirmo junto com o mestre francês: eu não sou nulo, e a grande descoberta é que não sei o caminho, mas quem sabe?

(*) 34 anos, aluno de Comunicação Social, Facha-Rio

 

Meu primeiro Enecom,
ou vamos da lama ao caos?

 

Leonardo Ayres

Dois mil estudantes de comunicação de todas as partes do Brasil. Objetivos pessoais: conhecer pessoas interessantes (e tudo mais que poderia ser conseqüência disso), curtir, aprender e produzir. Esperava encontrar 2 mil pessoas abertas a tudo (ou pelo menos a maioria delas). Pessoas com consciência da realidade. Esperava respirar cultura. Ler poesias, contos, crônicas. Assistir a vídeos, filmes, performances, teatro de rua. Ver exposições fotográficas. Ouvir músicas novas, diferentes.

Talvez eu tenha sido inocente. Talvez tenha esperado demais dos estudantes. Talvez este não seja o objetivo do Encontro. O objetivo da maioria dos estudantes foi, sem dúvida alguma, curtir o sol e as praias de Maceió. Tomar todas as cervejas e "experimentar" todas as drogas. Beijar e transar o máximo possível. Imperou a máxima: sexo, drogas e rock’n’roll.

Somos (ou deveríamos ser) a elite intelectual do país. O quarto poder. Os olhos, boca e ouvidos do povo. Os criativos. Os cineastas, os videomakers. E o que vimos? Alienados gritando que o Enecom é deles. Meninas dançando o tchan e toda aquela baboseira das grandes produtoras. Um pessoal que, caso não soubéssemos, nunca diríamos que eram universitários.

Isto é a lama. Não é possível que os futuros media são assim tão influenciados pela mídia. Onde estão a consciência crítica e os valores de cada um? Quem é jornalista ou estudante de Jornalismo e nunca pensou em mudar o mundo? Transformá-lo em um lugar justo e lúdico? Qual publicitário que não gosta de criar? Produzir filmes, vídeos? Desenhar?

Estamos em época de mudanças. Começa um novo milênio. Ainda não existe uma ordem mundial clara. A comunicação atinge níveis absurdos: da Internet às rádios comunitárias. Está cada vez mais barato produzir. É a nossa chance. É a nossa vez, não de chegar ao poder, mas de negá-lo. Negar a organização social vigente. Acabar com a ditadura econômica. Levar informações (verdadeiras) a todos. Fazer cada pessoa ter conhecimento e consciência das coisas. É esse o nosso papel.

Nada vi neste sentido. Os participantes do Enecom são tão alienados quanto o resto da população. Nada de cultura, nada de ideologia. Já me falaram que o encontro é só para tomar uma etc. Acho pouco, muito pouco, para um encontro de estudantes universitários (principalmente sendo de comunicação). Estamos na lama e, nada mudando, chegaremos ao caos.

 

CARTAS
Sentido alterado

Obrigado pela atenção dispensada ao meu último e-mail, o qual aparece na seção Diretório Acadêmico, com o título Psicólogos & Jornalistas 1.

A primeira frase do segundo parágrafo foi um pouco modificada por vocês. Em termos gramaticais ela ficou muito melhor. No entanto, o sentido do que eu queria dizer com a frase acabou se invertendo com essa modificação. O que eu queria dizer era o seguinte: Fazer uma crítica das pretensões de verdade e objetividade [científicas] não implica rejeição da ciência enquanto tal. A frase modificada ficou assim: Fazer uma crítica com pretensões de verdade e objetividade não implica rejeição da ciência enquanto tal. Com certeza, o sentido geral do meu e-mail, no final das contas, se mantém o mesmo. Mas essa, aparentemente, pequena confusão é muito ilustrativa. Proponho a seguinte questão: Quem critica tem necessariamente de fazer sua crítica a partir de um ponto de vista objetivo? Creio que não. Objetividade e subjetividade são noções que, muitas vezes, mais atrapalham do que ajudam. Talvez elas estejam, inclusive, muito próximas uma da outra. Afinal de contas, a verdade é que todo o acesso que temos ao mundo é necessariamente mediado, seja através dos nossos sentidos, seja através de uma linguagem, seja através de instrumentos tecnológicos.

Atenciosamente,

Alessandro Zir

Marinilda Carvalho responde: Alexandre, desculpe a minha mancada! M.C.

 

LEIA TAMBEM

Site do MEC (clicar em Avaliação das Condições de Oferta)

Avaliação do MEC

Texto de Nilson Lage



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