ESTUDANTES
Avaliação do provão

Carolina Ribeiro (*)

Em poucos dias veremos o resultado do Exame Nacional de Cursos. Apesar dos resultados oficiais só serem divulgados em 19 de dezembro, já podemos apontar alguns índices interessantes. Ao contrário do que previam os especialistas do MEC, o número de provas em branco aumentou entre os estudantes de Comunicação. O boicote, que no ano passado ficou na casa de 11%, este ano passou de 14%. Se considerarmos que o número de estudantes que realizaram a prova em 2000 foi 11% maior do que 1999, temos um aumento de 48% de provas em branco em números absolutos.

Essa matemática demonstra que é possível desmascarar que tipo de instrumento é o Provão quando se leva o debate para as escolas. O que a grande mídia vai noticiar este ano são escolas de peso como USP, UFRJ, UnB, UFPR, UFAL, UFES e UCB na lanterninha, mostrando à sociedade que alguma coisa está fora da ordem nesse ranking. Os Centros Acadêmicos estão buscando uma forma de ganhar espaço público na sociedade para deixar claro por que os estudantes não aceitam o tipo de avaliação proposta pelo MEC. Já tivemos a oportunidade de ver nosso querido ministro Paulo Renato perder a linha num debate na Globo News com o coordenador geral da Enecos, Felipe Messina.

A articulação entre as Executivas de curso vai pautando esse debate nas diversas áreas, e os cursos de Pedagogia, Agronomia, Medicina e Veterinária já votaram posicionamento conjunto com relação à prova. A última boa notícia é que na audiência pública mista da Comissão de Seguridade Social, Família e Saúde e da Comissão de Educação, Cultura e Desporto, Hêider Pinto, coordenador geral da Denem (Diretoria Executiva Nacional de Estudantes de Medicina), apresentou projeto de transformação Cinaem (Comissão Interinstitucional Nacional de Avaliação do Ensino Médico) e propôs audiência pública sobre Provão e Avaliação Institucional. O deputado federal Gilmar Machado (PT-MG) afirmou que existe demanda e que a audiência será marcada na primeira quinzena de dezembro deste ano, ou janeiro de 2001.

Essa mensagem é para deixar claro que o Exame Nacional de Cursos, pretensiosamente chamado de avaliação, está longe de ser um processo consolidado. Se não conseguimos mostrar a professores a importância de não aceitar o instrumento, levamos o debate à sociedade pela mídia e, agora, pelos parlamentares. Creio que a discussão em torno da ilegitimidade da provinha já foi exaustivamente feita neste fórum no ano passado, de modo que preferi me ater no fato político. Caso haja necessidade, me coloco à disposição.

Aguardo uma próxima oportunidade para divulgar concepções e objetivos da avaliação que um grupo de estudos e trabalho ligado à Enecos vem desenvolvendo. O documento está disponível na página da entidade <www.enecos.org.br> para quem quiser comentar ou contribuir. O nome do projeto ilustra nossa repulsa ao Provão e diz o que queremos: "Avaliação pra Valer! Pela transformação dos Cursos de Comunicação".

(*) Estudante da Universidade Federal do Espírito Santo



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Diretório Acadêmico – próximo texto



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