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ENSINO
Semana quente
Victor Gentilli
Esta é uma semana quente para o ensino de Jornalismo. Na terça-feira, o ministro Paulo Renato Souza recebe um grupo de coordenadores de cursos de universidades federais. A reunião é inédita. Contará também com a presença de Maria Helena Guimarães de Castro, que atualmente é secretária de Ensino Superior do MEC e presidente do Inep (órgão do governo que cuida do Provão e cujas atribuições vêm crescendo substancialmente).
Na pauta do encontro, a avaliação do ensino de Jornalismo, as dificuldades dos cursos de Jornalismo das escolas vinculadas ao governo federal e o encaminhamento de possíveis soluções dos problemas enfrentados. A audiência foi solicitada pelos coordenadores de cursos ao diretor de Avaliação do Inep, Tancredo Maia Filho, durante o 2º Seminário do Provão e o 4o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, realizados no final de abril, em Campo Grande, MS. O argumento central está no fato de que o MEC avalia e faz exigências aos cursos, mas os cursos necessitam do apoio do governo para que atendam às exigências do Estado.
A cinco dias do Provão, a reunião com o ministro certamente será um evento midiático. Mas no momento em que escrevo este texto (sábado, 2/6), impossível prever a cobertura da imprensa.
PROVÃO
Programa de domingo
V.G.
No domingo, dia 10, os estudantes que se formam este ano vão novamente ao Provão. Os dirigentes estudantis propõem um "boicote" que preserva o MEC e prejudica a escola na qual se formaram: entregar a prova em branco e tirar zero. Aproveitam uma circunstância perversa da legislação que torna a nota do aluno privada e o conceito da escola, público. Circunstância, aliás, decorrente do jogo político no momento em que o Exame Nacional de Cursos estava sendo debatido no Congresso Nacional. Foi por exigência do então deputado Lindbergh Farias, ex-presidente da UNE, que a lei saiu deste jeito.
Os estudantes têm fortes argumentos, coerentes e consistentes, contra o Provão (veja texto a seguir). Mas não conseguem dar respostas que justifiquem a forma de boicote que propõem.
Entendo que se os estudantes de fato pretendem questionar o Provão não devem comparecer. Se a idéia de contestação crescer, este ano mais de 15% dos alunos manifestarão seu descontentamento com esta forma de avaliação. Gostaria de ver o MEC negar o diploma a um grupo tão expressivo. O não-comparecimento seria uma forma de protesto que atingiria efetivamente o governo. Como negar o diploma a um grupo de estudantes com argumentos tão consistentes?
Esconder-se na privacidade da nota pessoal e prejudicar o conceito da escola que lhe deu conhecimentos, competências e habilidades é covardia e irresponsabilidade.
Não confere com a categoria dos estudantes e líderes estudantis. Vamos ver como as coisas vão se dar.

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