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ECOS DE MACAU

 

Aqui se fala português?

Carlos Vogt

 

Estive recentemente em Macau, onde se realizou o IV Congresso de Jornalismo de Língua Portuguesa, cuja presidência coube ao jornalista Alberto Dines [veja remissão abaixo].

Macau é uma cidade que hoje procura rivalizar com Hong-Kong, da qual dista cerca de 60 quilômetros do outro lado do Rio das Pérolas e que, como esta, deverá passar, definitivamente, sob regime especial, para a administração chinesa, em outubro deste ano.

Pelo que pude depreender, os últimos quinze anos de governos portugueses imprimiram um grande desenvolvimento à cidade, conquistando espaço ao mar, ligando ilhas à cidade por pontes longas e bonitas e incentivando o turismo-jogador, com os inúmeros cassinos de excelente infra-estrutura lá instalados.

A ironia é que agora Macau se transfere para a China, à qual, na verdade, já pertence cultural, ideológica e lingüisticamente.

Tempos atrás, o Fantástico, da Rede Globo, apresentou, na seqüência de alguns domingos, uma revista intitulada "Aqui se fala português", e Macau foi assunto de um de seus capítulos, inclusive com a apresentação de brasileiros que por lá vivem e são proprietários de restaurante – o Yes Brasil –, perto das ruínas e da fachada da igreja de São Paulo.

Estive no restaurante, perambulei pelas ruas de Macau, sobretudo no centro comercial, visitei pontos turísticos, templos e o Mercado Vermelho.

Onde quer que se vá, a arquitetura, a concepção urbanística, o nome do dinheiro, tudo isso é português, mas a ocupação do espaço, a vida, a língua, isso tudo é chinês.

Tirando as placas das ruas, as sinalizações de trânsito, os ônibus, que trazem sempre os nomes em chinês e em português, em Macau não se fala português, ou se fala muito restritamente, em ambientes muito próprios, como são por exemplo os restaurantes que servem comida lusitana, entre eles uma churrascaria com um garçom cearense de origem.

Muito pouca integração, diversamente de outras regiões do planeta colonizadas por Portugal, o caminho do processo cultural, que se seguirá à volta de Macau à China, será o de total absorção da cidade e de sua população, com uma perda gradual do lusitanismo, que tenderá, de fato, ao esquecimento de sua presença, por séculos, no sul da China.

Informação cidadã

Em Macau não se falará português, num processo gradativo de retração da população lusófona, hoje calculada em torno de vinte mil habitantes.

Como o Fantástico fez seguir à revista "Aqui se fala português" uma outra com o nome em negativo – "Aqui não se fala português" –, penso que o mais correto seria colocar Macau num seguimento de transição com um nome mais adequado: Aqui ainda se fala português.

E para continuar no mesmo diapasão de nossa querida pátria-língua, elogiei, numa edição anterior deste Observatório, o espaço que o rádio, a imprensa e a televisão têm dado aos programas voltados para o bom uso do português.

Estendo agora esses elogios à revista Época que, na sua edição de 14/6/99, traz, como reportagem de capa, matéria sobre A ciência de escrever bem, na qual se procura mostrar, entre outras coisas, o importante papel que a introdução da redação vem desempenhando no desenvolvimento da capacidade de expressão dos jovens brasileiros – além, é claro, da atração que a Internet exerce sobre a juventude, estimulando-a ao exercício da escrita, pela praticidade do correio eletrônico, que, em muitos casos, substitui a oralidade da telefonia.

Se o diagnóstico, for, por acaso, muito otimista, e as causas do bem demasiado benevolentes, não perde, contudo, a razão o entusiasmo que provoca no leitor esse tipo de informação cidadã.

 

CARTAS

Amigos, lendo sobre o evento de Macau fiquei ainda mais triste por não ter podido estar presente representando a Aberje, a Acelp e a própria Xerox. Pelo texto do Dines posso sentir que foi mais um grande sucesso. Gostaria também de parabenizar toda a equipe pelo Observatório na TV. Está ótimo!

Marilene Lopes, gerente de Comunicação Corporativa e Relações com a Imprensa da Xerox do Brasil

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Antes de mais nada gostaria de aplaudir a esse Observatório da Imprensa que sem dúvida alguma é uma das mais atualizadas fontes de discussão sobre o jornalismo nesse país.

A mim parece de fundamental relevância discutir com nossos países "irmãos" sistemas midiáticos. Creio ser uma necessidade de sobrevivência criar, ou melhor, recriar vínculos que nos unam como um bloco (econômico e lingüístico, ao menos), e nesse bloco o Brasil tem, com Portugal, um papel de preponderante liderança.

Edvar Vasconcellos, estudante de Jornalismo da Universidade Estácio de Sá

 

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