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ASPAS
UOL EM CRISE?
Nelson Rocco
"UOL diminui as perdas no trimestre", copyright Valor Econômico, 1º a 3/12/00
"A UOL Inc. S.A., empresa que opera o provedor UOL, fechou o terceiro trimestre deste ano com prejuízo de R$ 71,8 milhões, pouco abaixo dos R$ 79,8 milhões registrados nos três meses anteriores, segundo dados consolidados pela legislação societária.
Ricardo Florence, diretor de relações com investidores da companhia, diz preferir os números conforme a contabilidade americana (USGaap). Por esse critério, a UOL fechou o trimestre com perdas de R$ 71,2 milhões, 11,7% abaixo dos R$ 80,6 milhões de abril a junho.
Segundo Florence, os números do balanço em USGaap excluem a permuta de publicidade com os acionistas controladores da empresa, os grupos Folha e Abril. Dessa forma, a receita líquida teve um ligeiro aumento, de 2,4%, passando de R$ 55,5 milhões para R$ 56,8 milhões no trimestre passado. Não é possível comparar os dados com o mesmo trimestre do ano passado, já que a UOL é uma companhia de capital aberto nova.
Levando em conta o número de assinantes, Florence afirma que eles aumentaram 62% do terceiro trimestre de 1999 para o final de setembro deste ano, de 500,8 mil para 811 mil. ‘O número de ‘pages views’ chegou a quase 5 bilhões no último trimestre’, afirma. Esse indicador significa o número de páginas diferentes vistas por pessoas que visitam um determinado domínio.
Segundo o comunicado que acompanha o balanço da companhia, o total de usuários registrados chegou a 9,34 milhões no final de setembro, com crescimento de 1.315% sobre o mesmo período do ano passado.
‘Além do crescimento dessas métricas, podemos destacar o foco da empresa em caminhar para a lucratividade, com o aumento da receita e redução das despesas’, diz o diretor da UOL. As despesas operacionais, afirma, caíram 38% no trimestre, de R$ 73,5 milhões para R$ 59,2 milhões.
O ebitda (ganhos antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês), índice que demonstra a capacidade de geração de caixa da companhia, foi negativo em R$ 59,2 milhões no trimestre, embora 29,5% melhor que os R$ 84 milhões negativos apurados de abril a junho. A margem ebitda passou de 151,5% negativos para 104,2%, também negativos.
A companhia aguarda a provação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA para fazer o lançamento público de ações. Florence prefere não comentar, mas fontes do mercado dão conta de que a empresa irá para as bolsas até o final do primeiro semestre do ano 2001. ‘Não posso prever um período, mas a disposição da UOL, assim que houver condições, é ser uma empresa listada de capital aberto.’
Segundo o diretor, os papéis serão lançados tanto na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) quanto na Nasdaq, a bolsa onde são negociadas as ações das companhias que representam a nova economia americana.
Sobre o fechamento das unidades no Chile e na Espanha, Florence afirma que trata-se de ‘um plano estratégico’ da companhia para fortalecer o escritório de Miami e também as operações na Argentina. ‘Os sites, no entanto, continuam com conteúdos locais’, ressalva."
Marina Fuentes
"Caio Túlio não comenta prejuízo do UOL", copyright iG.com (www.ig.com), 30/11/00
"Apesar dos resultados divulgados hoje, a diretoria do UOL encontrou motivos para comemorar. Na edição deste ano do Prêmio Info 2000, a pontocom venceu nas categorias de melhor provedor pago, portal e broadband (UOL News).
O provedor ainda irá receber o prêmio ‘destaque’ como a empresa mais admirada do ano.
O diretor do UOL, Caio Túlio Costa, recebeu o prêmio em nome da companhia. ‘Estou muito feliz com o prêmio. É o reconhecimento do trabalho feito em um período muito difícil, onde as maiores dificuldades foram sem dúvida, causadas pela acirrada concorrência.’
Questionado sobre as perspectivas em relação à empresa, Caio Túlio foi breve. ‘As perspectivas são sempre boas, estamos crescendo cada vez mais.’ O executivo evitou falar sobre assuntos delicados."
iG.com/Luís Nassif
"Nassif comenta o prejuízo do UOL: ‘Problema é querer abraçar a América’", copyright iG.com (www.ig.com), 30/11/00
"O analista econômico Luís Nassif comentou nesta quinta-feira a pedido do iG.com o prejuízo do UOL, que há 13 meses acumula déficits sucessivos, em um total de R$ 323 milhões, desde a sua criação, em 5 de agosto de 1999.
Segundo Nassif, os portais de Internet brasileiros são vítimas de um mesmo problema: pecam por montar operações muito custosas para tentar conquistar outros países do continente e do mundo, quando poderiam ser lucrativas investindo só no Brasil.
‘Os provedores pretendem abraçar a América inteira. Quando se tem mais capital para bancar o negócio, não há problema em expandir para o mercado latino-americano’, diz. Mas se o negócio é originário do Brasil, com menos capital, deveria ‘focar’ no Brasil, diz.
Além desse problema estratégico, o analista aponta também os elevados gastos de marketing como causa de prejuízos como os anunciados ontem pelo UOL: ‘Para enfrentar a concorrência, as empresas gastam muito com publicidade. Ainda não vi o balanço do UOL, mas deve haver um gasto expressivo com marketing’.
Dono da agência de notícias ‘Dinheiro Vivo’ e colunista do jornal ‘Folha de S. Paulo’, Nassif procurou incluir o déficit do UOL como parte de um contexto geral das empresas de Internet brasileiras que, segundo ele, montam estruturas de pessoal muito grandes e pesadas, quando poderiam criar ‘estruturas pequenas, dispersas e disseminadas’, como redações virtuais e mais baratas.
Ao comentar o que entende ser o ‘grande pecado’ estratégico, Nassif incluiu o iG entre aqueles que tentam ‘abraçar a América’. No entanto, o Internet Group tem todas as suas empresas ‘focadas’ no mercado brasileiro."
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