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ASPAS
iG À VENDA?
Lino Rodrigues
"Nizan convoca sócios para negar o próprio boato", copyright Valor Econômico, 27/11/00
"O publicitário Nizan Guanaes, presidente do provedor de acesso gratuito iG, quer fazer do limão uma limonada. Depois de admitir a possibilidade de uma fusão do iG com um grupo internacional de internet, Guanaes voltou atrás. Na sexta-feira, visivelmente preocupado com a imagem da empresa e com a repercussão da notícia no mercado, reuniu a imprensa para desmentir o que havia afirmado três dias antes.
Desta vez, fez questão de contar com o apoio dos ‘chefes’ Daniel Dantas, do Opportunity, e Carlos Alberto Sicupira, do GP Investimentos - principais sócios no negócio e conhecidos pela discrição e indiferença à imprensa. Com toda a sua experiência e jogo de cintura típico dos baianos, Guanaes tentou criar um fato novo e afastar a onda de boatos que ronda a sede do iG em São Paulo. Mostrou também que tem a confiança dos sócios e que eles acreditam no futuro do iG. Tanto que vão fazer um novo aporte de capital de US$ 40 milhões - previsto para chegar ao caixa do iG dia 7 de dezembro.
No total, o provedor já consumiu US$ 170 milhões desde o seu lançamento, dia 9 de janeiro.
O faturamento, baseado em propaganda e comércio eletrônico, dizem os sócios, deverá fechar o ano com US$ 30 milhões. A previsão para 2001 é dobrar esse valor.
‘Estamos dispostos a suportar o prejuízo até ver uma luz no final do túnel’, disse Sicupira. ‘Não estamos à venda. Apostamos em uma idéia e em uma administração que já é um sucesso’, apoiou Dantas. ‘Mesmo no caso de uma fusão, vamos continuar no comando’, garantiu Guanaes.
O sucesso do iG, segundo dizem os sócios, é o principal atrativo para que outras companhias façam propostas. De acordo com Nizan, já bateram à porta do iG cinco empresas interessadas em negociar participação, inclusive a gigante Microsoft, de Bill Gates. ‘Me deu azia, mas disse não’, brincou o executivo.
Para os executivos, uma fusão não está descartada, mas só será consumada com um parceiro que agregue tecnologia ao negócio. E que esteja dispostos a ficar de fora do comando. ‘Queremos agregar tecnologia global com o nosso conteúdo local’, defendeu Dantas. De cordo com ele, os gastos no provedor estão sendo feitos para atingir 1 milhão de visitas por dia. ‘Com esse número, não tem prejuízo’. Eles esperam chegar a esse número até o final de 2001, quando está previsto o break even - ponto de equilíbrio da companhia.
Com os US$ 40 milhões em caixa, os executivos já estão pensando na possibilidade de passar de comprados para compradores. ‘Vamos aproveitar qualquer possibilidade que agregue valor ao iG’, afirmou Dantas."
Carlos Franco
"Para Nizan, bolha da Internet não murchou", copyright O Estado de S. Paulo, 26/11/00
"O baiano Nizan Mansur de Carvalho Guanaes Gomes, de 41 anos, tem o nome e o corpo robustos, distribuído em 1,81 metro, do tamanho do ego dos publicitários. Presidente e principal executivo do iG, o filho do mais famoso terreiro de candomblé do País, o Gantois, está no olho do furacão da nova economia, mas não perde o bom humor. ‘A Internet não é um templo, é um bar de paquera’, disse, na última sexta-feira, todo de branco como manda o figurino dos orixás, para depois reclamar da sua ausência na lista dos 50 homens mais bonitos do País da revista Isto é Gente, que estava na sua mesa de reuniões. ‘Se fico de fora, ninguém vai querer me levar para casa.’
Brincadeiras à parte, Guanaes fez uma avaliação triunfalista das maravilhas da Internet e do potencial do iG. O maior provedor da Internet que contratou o banco Salomon Brothers para avaliar propostas de possíveis novos sócios e até quem sabe controladores, embora os principais acionistas - Daniel Dantas, do Opportunity, e Carlos Alberto Sicupira, sócio de Jorge Paulo Lehman, no GP Investimentos - garantam que pretendem ficar à frente do negócio por muito tempo. E querem manter o controle mesmo com a chegada de novos sócios. Os outros acionistas do iG, além do próprio Guanaes, são a Telemar, Brasil Telecom, e os fundos de investimento americanos TH Lee e UCS Capital
. Para Guanaes, que nasceu no Largo do Carmo, no território do Pelourinho em Salvador, um investimento de mais US$ 40 milhões no iG, dinheiro que entrará para o caixa no dia 7 de dezembro, será suficiente para novos e ousados projetos. Entre eles, a criação de uma revista com tiragem inicial de 300 mil exemplares.
Usina - ‘O Nizan é uma usina de produção, um ativo que qualquer empresa gostaria de ter’, disse ao Estado o banqueiro Daniel Dantas, quando Guanaes mostrava os estúdios de televisão, para a geração de três programas, que está construindo na sede do provedor, no bairro do Itaim, em São Paulo. Com o novo investimento previsto para 2001, o total injetado pelos sócios do dia 9 de janeiro, quando o provedor entrou no ar, até agora soma US$ 170 milhões, dos quais US$ 100 milhões dos fundos americanos e US$ 30 milhões gastos no lançamento e na fixação da marca.
Nove - O número nove não é uma mera coincidência na vida de Guanaes, que nasceu no dia 9 de maio de 1959, criou e abriu as portas da agência DM9 no dia 19/09/1989 e inicou a sua sucessão na empresa, da qual vendeu a participação, no dia 09/09/1999. ‘Nove é o meu favorito’, não cansa de repetir o publicitário que conduziu as duas bem sucedidas campanhas de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República.
Colecionador de prêmios, especialmente os leões do prestigiado Festival de Cannes, Guanaes tem testado na economia virtual várias das fórmulas bem-sucedidas que usou na economia real. Começou por lançar um cachorrinho de pelúcia, símbolo do iG, para ser vendido nas Lojas Americanas. Nada mais natural para quem faturou dinheiro e reconhecimento com a campanha dos bichinhos da Parmalat, cujos exemplares em pelúcia viraram verdadeira mania no País.
Deu assim a partida ao projeto de valorizar a marca, a ponto que pudesse ser licenciada para aparecer em todo e qualquer lugar. Conseguiu atrair um universo de 3,2 milhões de usuários para o iG. ‘É um fundo de comércio importante, um ativo que vale muito’, garante Daniel Dantas. Apesar do esforço, a previsão é que o iG encerre o ano arrecadando US$ 30 milhões, em publicidade e e-commerce. Para o próximo ano, a meta são US$ 58 milhões, para despesas de US$ 62 milhões. Só que em dezembro de 2001, os acionistas querem que o iG atinja o seu ponto de equilíbrio entre receita e despesa, o chamado break even.
Equilíbrio - Para que isso ocorra, Guanaes terá de suar ainda mais a camisa. ‘Ele tem procurado inovar, buscar alternativas novas de captações’, diz Daniel Dantas, confiante em que isso irá ocorrer. Para tal, a partir de janeiro, Guanaes assumirá o posto de CEO do Internet Group (iG), cuidando de todas as empresas do grupo, que vai criando na velocidade de sua explosiva criatividade. ‘Estou sempre vendo novas possibilidades para o iG, como atrelar o Baby da Telesp Celular ao baby da Johnson, para que tenham um portal aqui, ou fechar um acordo com a LVMH (leia-se Lui Vuinton) para o SiG, nosso provedor de alto luxo e alta tecnologia.’
O publicitário, que morou em Londres dos 8 aos 11 anos, passou pelos EUA, iniciou carreira em Salvador e cresceu profissionalmente no Rio, na Artplan, parece não parar nunca. Em 1984, veio para São Paulo para a DPZ, trocando-a em 1989 pela W/Brasil, com Washuington Olivetto, que saira para abrir seu negócio. A fórmula estimulou-o a deixar o parceiro e abrir as portas da DM9, com o apoio financeiro de Daniel Dantas, que comandava, na época, o Banco Icatu, da família Almeida Braga. O também baiano Dantas espera, agora, que Guanaes repita a mágica no iG.
Em meio aos tropeços da nova economia, com a Nasdaq, a bolsa das empresas de alta tecnologia de Nova York, derretendo como picolé, o sorriso e a confiança de Guanaes só se comparam à força do orixá que diz ser seu protetor: Xangô, o senhor dos raios e trovões."
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