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COMÉRCIO ELETRÔNICO
Carla Jimenez
"Internautas ainda resistem às compras virtuais", copyright O Estado de S. Paulo, 30/11/00
"O crescimento do comércio eletrônico é esperado com avidez pelas empresas pontocom no País, mas os internautas brasileiros ainda apresentam alguma resistência às compras virtuais. Embora o e-commerce não tenha parado de evoluir gradativamente, uma pesquisa elaborada pelo Programa de Administração do Varejo (Provar) da Universidade de São Paulo e pelo consultoria virtual E-Bit mostra algumas características que demonstram um ‘pé atrás’ dos usuários de Internet com o comércio pela rede.
Das 900 pessoas de quatro Estados que responderam à pesquisa, pelo menos 45,2% dos entrevistados não comprariam acessórios para automóveis, e outros 42% não se atreveriam a com prar um veículo pela Internet. A rejeição também é grande com material de construção (42,9%) e alimentos (36%).
Outra questão levantada pela pesquisa diz respeito às razões que levam um internauta a não comprar em um site. Cerca de 25,3% disseram que não fariam compras se o frete de entrega é caro. Outros 18,6% consideram que a falta segurança (sistemas de criptografia, por exemplo) seriam decisivos para desistir da compra. Outros 14,2% disseram que a dificuldade de navegação é um fator inibidor e 10% responderam ainda que havia falta de opções de pagamento. Outros 9,8% reclamaram que as entregas são demoradas.
O presidente da E-Bit, André Sapoznik, acredita que esses registros traçam o comportamento do internauta hoje mas não são imutáveis. ‘O hábito de compra e a percepção do usuário podem mudar’, diz.
Para ele, a resistência à compra de um carro, por exemplo, está vinculado ao custo do produto. ‘Hoje quem compra pela rede prefere os itens de menor valor’, diz. Essa iniciativa estaria relacionada ainda a uma fase de experiência e adaptação às compras pela Internet. Os brasileiros ainda não arriscam comprar produtos de maior valor por receio de perder o dinheiro sem conhecer bem a empresa do outro lado da tela do computador. Mas correm o risco com compras de menor valor. Prova disso é a lista de produtos mais aceitos pelos internautas, identificado na pesquisa Provar/E-Bit: pelo menos 83,9% dos entrevistados já compraram CDs, 74,4% adquiriram livros, 48,3% compraram produtos eletroeletrônicos, e 46,1% assinaram algum jornal ou revista. Somente 4,1% dos participantes da pesquisa já tinham feito compras entre R$ 501 e mais de R$ 1000.
Ajuste -O presidente da E-Bit acredita que uma radiografia de como está a demanda pela rede ajusta a oferta de produtos que se multiplicou na Internet este ano. Para ele, hoje não é possível para uma empresa virtual se sustentar apenas com as vendas virtuais.
A lentidão para acelerar o comércio eletrônico - que representaria parte da receita de um site - mudou essa expectativa entre as pontocom, que já fazem planos de fechar o caixa no azul a longo prazo, o que pode demorar anos.
Mesmo assim, Sapoznik acredita que este final de ano haverá uma boa saída de vendas pela rede com o advento do Natal. Ele acredita que os números de venda do Boston Consulting Group para o Brasil devem se realizar em 2000. A consultoria projetava que o e-commerce ia movimentar R$ 600 milhões no País.
Detalhes da pesquisa serão apresentados hoje, em seminário da Provar na USP."
O Estado de S.Paulo
"América Latina terá em 2005 162 milhões de internautas", copyright O Estado de S. Paulo/EFE, 29/11/00
"Uma pesquisa encomendada por uma revista inglesa aponta a América Latina como a jóia da coroa da Internet. O número de internautas latinos aumentará dos 17,2 milhões, estimados em 1999, para 162 milhões em 2005. O crescimento superior a nove vezes espanta porque se sabe que hoje a rede mundial está limitada nesses países às classes alta e média.
A revista Economist Intelligence Unit, editada pelo mesmo grupo que publica a consagrada The Economist, mostra que o potencial da América Latina está nos seus jovens, uma vez que 60% dos cerca de 500 milhões de habitantes têm menos de 30 anos. O idioma espanhol predominante, com exceção do português do Brasil, também é outro fator positivo.
De acordo com o estudo da Pyramid Research, uma empresa do grupo editorial, o Brasil terá 55,9 milhões de internautas em 2005, ante os 7,8 milhões estimados no ano passado. Em seguida, vêm México, que passará de 2,5 milhões a 32,0 milhões; Argentina no terceiro lugar com um crescimento de 1,4 milhão para 18,5 milhões; e Chile, que aumentará de 1,1 milhão para 5,4 milhões.
‘À primeira vista, a América Latina não parece ser o lugar mais fértil para o desenvolvimento de negócios relacionados com a Internet’, afirma o estudo.
Mas as empresas pontocom estão se instalando nos países latinos, apesar dos índices ruins de renda per capita, da baixa escolarização, da burocracia e da falta de infra-estrutura das telecomunicações."
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