|
ASPAS
TENDÊNCIAS
Cidade Biz
"As 13 tendências para o futuro da internet", copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 12/07/01
"Todo ser humano passa por um momento de reflexão sobre o que fez e o que deve fazer no futuro. Pode ser durante o brinde com champanhe na noite de ano-novo, ou na mesa de um bar bebendo cerveja com os amigos - e falando sobre seu time do coração. David Coursey, autor da coluna Anchor Desk do site ZDNet, escreveu um artigo dizendo que a internet e o setor de informática encontram-se neste estágio. Ele aponta 13 tendências que devem ser observadas e que podem influir nesta indústria nos Estados Unidos - no que ele chama de ‘ano novo da computação’, que está começando neste verão americano. São eles:
1. Desaceleração dos hardware - A venda de PCs não deve crescer. As pessoas que já têm computadores não vêem vantagem em comprar outro equipamento.
2. Games no celular - A quem realmente interessa ter joguinhos no celular? Às operadoras e aos usuários adolescentes. É um desperdício de banda.
3. Limitação tecnológica - Os usuários continuarão a enfrentar problemas referentes ao uso da internet. Não saberão o que fazer quando um programa como o MSN Messenger sair do ar. Essas limitações somadas às questões de privacidade, podem afetar os planos da Microsoft.
4. Upgrade pra quê? - O Windows XP representa um grande avanço sobre o atual sistema operacional, mas a maioria dos usuários não está nem aí para suas vantagens e vai demorar a fazer o upgrade.
5. O wireless pode mudar tudo, mas... - As tecnologias wireless ainda não conquistaram a maioria dos usuários. Quando estiverem disponíveis always-on (ou seja, sem interrupções), com velocidades de 100kbps a 200kbps, aí sim se poderemos dizer que o wireless chegou. Nos EUA, isso deve ocorrer a partir da metade do próximo ano. As empresas de ponta neste negócio são a Sprint PCS e a Verizon.
6. Adeus Ricochet? Mesmo que a maioria a veja como mais uma empresa quebrada, David Coursey defende o sistema wireless que pediu concordata nos EUA. Para o jornalista, o Ricochet é rápido (embora caro, 80 dólares por mês) e, se o sistema já tiver morrido quando a nova geração de celulares chegar, terá perdido uma enorme chance de se aproveitar dessas tecnologias.
7. A vez do consumismo - A consolidação do comércio eletrônico depende da correção de alguns problemas que o cercam. Coursey sugere uma solução: as empresas de cartão de crédito deveriam se responsabilizar pelas transações, dando a elas mais credibilidade e dificultando a ação dos gatunos virtuais.
8. Trabalhar em casa - Com a internet oferecendo bandas de acesso mais largas e novos serviços, será possível usar a web de sua casa efetivamente como tempo de trabalho - tal qual se estivesse no escritório.
9. O dilema da banda larga - Para o colunista, as pessoas não estão sentindo a necessidade de uma conexão mais rápida, o que retarda o desenvolvimento da broadband, ao menos para os consumidores indivuduais.
10. Briga nos servidores - O Linux deve se tornar mais importante como servidor do que como sistema operacional.
11. O sonho da Apple - O computador Apple ainda é o que os PCs deveriam ser, mas que nunca serão. Mas será que o fato de a Apple ter aberto suas próprias lojas nos EUA não significa ser este seu último suspiro?
12. Duas novas Eras - Temos diante de nós a Era Windows para a Era da Internet e a Era PC para a Era do Consumidor Eletrônico. As implicações disso são enormes, pois os softwares e serviços pensados para a web e os dispositivos para os consumidores eletrônicos é que vão ser os drivers da indústria.
13. O próximo grande passo - Agora nos perguntarmos: ‘e depois do PC, o que virá?’ Deve ser algo que eventualmente traga a promessa quase impossível de ser um computador pessoal para as massas. Ou seja: quem vai fazer para a Microsoft o que a Microsoft fez para a IBM?"
NAPSTER
Valor Econômico
"Napster chega mais perto do fim com decisão de juíza", copyright Valor Econômico, 13/07/01
"Para um site de música que provocou barulho de altíssimos decibéis entre as principais gravadoras do planeta, a decisão tomada esta semana por uma juíza federal nos Estados Unidos parece mais uma condenação ao silêncio, o acompanhamento perfeito para um enterro. No caso, o do próprio Napster. Pela decisão, o serviço de troca de música via internet, que conquistou milhões de fãs no mundo inteiro, deve ficar desativado até provar que consegue filtrar com maior eficiência o material protegido por direito autoral.
A sentença parece bombástica, já que foi a primeira vez que um magistrado ordenou o fechamento de um serviço de internet. Na prática, entretanto, a decisão representou apenas um novo prego no caixão do site moribundo. O Napster já estava fora de operação há dez dias quando a juíza se pronunciou. A medida foi tomada por conta própria, para implementar uma tecnologia que permitisse cumprir a ordem judicial anterior para filtrar música protegida por direito autoral.
Os representantes do Napster ainda tentaram argumentar com a juíza Marilyn Patel, do Tribunal Distrital dos EUA, que a tecnologia era 99,3% eficaz na filtragem exigida. Não deu certo. Marilyn respondeu que a filtragem devia ser 100% eficaz para que ela permitisse a reabertura, disseram procuradores da companhia.
Na velha tradição ‘rei morto, rei posto’, a morte anunciada do Napster não parece deixar muitas viúvas. Os milhões de fãs arrebanhados vêm, há algum tempo, trocando o site por outros que continuam a oferecer música de graça. Além disso, o movimento de aproximação do jovem fundador Shawn Fanning, de apenas 20 anos, das grandes gravadoras foi interpretado por muitos usuários, a maioria adolescente, como um ato de traição.
A conseqüência mais importante, no entanto, é a retomada da discussão em torno dos modelos de negócio da música on-line. Consumidores, gravadoras e analistas concordam: vender canções por download - a transferência de arquivos via rede - é uma tendência irreversível. O que ninguém sabe, por enquanto, é como fazer isso de maneira bem-sucedida para os dois lados.
‘O Napster teve uma função positiva ao mostrar que o consumidor estava descontente com o modelo tradicional, de comprar música apenas em CD’, diz Claudio Campos, diretor de marketing do site brasileiro iMusica. ‘O problema é que também teve uma conseqüência nociva, ao disseminar a idéia de que música pode ser obtida de graça.’
O iMusica é um bom exemplo de site que está buscando alternativas para provar sua viabilidade sem enveredar pelo caminho do Napster. A empresa vende música por download, por enquanto apenas de gravadoras nacionais, mas não quer concentrar sua receita neste tipo de serviço. ‘O projeto é tornar-se um fornecedor de tecnologia para quem quer montar sites de música, incluindo as gravadoras’, explica Campos. Hoje, já são cerca de 75 mil usuários da tecnologia da empresa, contando os vários sites que a utilizam. Além disso, diz Campos, o site negocia acordos com duas multinacionais do disco. ‘Já estamos na fase de discutir bases contratuais’, afirma.
Outro site nacional, o Estilingue, acaba de obter o que pode se tornar uma fonte importante de recursos para seu modelo de negócios. A empresa funciona como uma espécie de gravadora virtual. Abre espaço para bandas novas, ainda sem contrato, e passa a fazer o trabalho de empresário para os artistas que conquistam a preferência dos internautas. A novidade é que ela passou a ser enquadrada na Lei Rouanet de incentivos para projetos culturais. ‘Agora, podemos obter o patrocínio de empresas que, por sua vez, podem deduzir os investimentos no Imposto de Renda a pagar’, explica Denis Paes Barreto, principal executivo do Estilingue. O próximo passo, informa Denis, é pleitear a inclusão do site na Lei Mendonça, de âmbito municipal, que concede deduções em tributos como o IPTU e o ISS.
A queda de audiência do Napster também foi sentida no Brasil (ver abaixo), como mostra uma pesquisa inédita do instituto de pesquisa Jupiter Media Metrix. ‘Houve uma queda violenta, mas o site continua em uso. É cedo, por enquanto, para medir as conseqüências que isso terá sobre o futuro da música on-line’, avalia Angela Marsiaj, diretora do Jupiter no Brasil. ‘Ainda vão ocorrer muitas negociações e aparecer vários modelos diferentes’, diz.
A disputa nos tribunais americanos deve continuar. Representantes do Napster disseram que vão apelar da sentença.
No final de junho, pouco antes da Napster sair do ar, 120 mil usuários estavam conectados ao sistema e, ao todo, 140 milhões de canções eram baixadas por mês, segundo a Webnoize, um serviço de pesquisa e notícias sobre música digital. Esse tráfego representa uma queda acentuada em relação a fevereiro, o auge do uso da Napster. Naquela época, a Webnoize registrou que o serviço abrigava 1,5 milhão de usuários simultâneos, e 2,79 bilhões de canções trocadas.
A salvação para o Napster pode estar no plano de lançar um serviço tarifado até o mês que vem. Difícil é saber se, acostumados a ouvir música de graça, os internautas estarão dispostos a, finalmente, colocar a mão no bolso por elas."
***
"Audiência do site despenca na rede do país", copyright Valor Econômico, 13/07/01
"No Brasil o Napster já foi um campeão de audiência. Não é mais. Seu poder de atrair internautas está minguando. Um relatório ainda inédito do instituto de pesquisa Jupiter MediaMetrix mostra que o número de visitantes únicos ao site no país era de 1,29 milhão em maio passado. Em junho, ainda antes da paralisação do serviço, esse número havia caído para 705 mil.
No mesmo período, o tempo de conexão também caiu de 87 milhões de minutos para 33 milhões de minutos.
O panorama não é melhor em outros países. Ainda segundo a MediaMetrix, em abril o serviço estava na 19ª posição no ranking de visitantes únicos no mundo, com 12,2 milhões de acessos. Em junho, tinha caído para a 25ª posição, com 10,4 milhões."

|