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GRATUITOS EM CRISE?
Folha de S. Paulo

"Portal Brasil Online ingressa no mercado de acesso pago à Internet", copyright Folha de S. Paulo, 24/01/01

"O BOL (Brasil Online) lançou ontem serviço de acesso à Internet. O portal, que até agora atuava apenas fornecendo contas de e-mail gratuitas, programas de busca e serviços de notícias, passa a concorrer no mercado de acesso pago.

O BOL, empresa do mesmo grupo do UOL (Universo Online), que pertence aos grupos Folha e Abril, quer transformar parte dos internautas que visitam suas páginas em usuários do acesso pago à Internet.

As páginas do portal detêm hoje a segunda maior audiência da Internet brasileira, perdendo apenas para o UOL. Segundo Victor Ribeiro, diretor da empresa, os objetivos do novo serviço são fidelizar usuários que preferem não usar o UOL, conseguir tirar parte dos internautas das empresas concorrentes e conquistar parte dos novos usuários que passarem a usar a rede.

Ribeiro não diz quais são os principais concorrentes do BOL, mas todo o material publicitário de lançamento do serviço faz menções à norte-americana AOL (America Online).

A estratégia da campanha será a de tentar convencer os internautas de que ficar no Brasil (alusão ao BOL) é mais fácil e vantajoso que ir para a América (Estados Unidos).

O valor da assinatura do BOL é de R$ 19,90. Para alguns analistas, o lançamento do serviço de acesso pelo BOL pode ser uma estratégia para atrair internautas que não estejam dispostos a pagar o preço cobrado pelo UOL -R$ 24,90- e que estariam propensos a optar por concorrentes com preços mais atrativos."



Marineide Marques

"iG lança serviço pago de acesso em alta velocidade", copyright O Estado de S. Paulo, 18/01/01

"O iG espera conquistar entre 30 mil e 50 mil assinantes até o fim do ano com o seu novo serviço de acesso à Internet em alta velocidade, o iG3, lançado ontem em São Paulo. A conexão é baseada na tecnologia Rede Digital de Serviços Integrados (RSDI) e permite navegação em velocidade de até 163 kilobits. Para usar o serviço, o usuário precisa ter duas linhas telefônicas, pois a tecnologia necessita dos dois canais para envio do sinal. A conexão, no entanto, não impede a utilização do telefone enquanto se navega pela Internet, mas a velocidade cai para 64 kilobits nesse caso.

O iG3 terá o custo mensal de R$ 19,90. A esse valor, soma-se mais R$ 19,77 da assinatura das linhas. Quem tem só uma, terá de pagar mais R$ 76,66 pelo Multilink da Telefônica, que duplica a linha."



Carlos Franco

"Outro provedor gratuito lança serviço pago", copyright O Estado de S. Paulo, 23/01/01

"O sonho da Internet gratuita virou pesadelo para muitas empresas que correm, agora, para equilibrar, com reais, receita e despesa. Se na semana passada, o iG lançou um novo serviço pago, que promete ser três vezes mais rápido (o provedor iG3, pelo qual o assinante pagará R$ 19,90 mensais), hoje é a vez do Brasil Online, o popular BOL dos e-mails gratuitos, lançar seu serviço também pago. O preço a ser cobrado será o mesmo, R$ 19,90, mas a campanha de lançamento do novo BOL, que passa a ser um provedor de acesso à rede mundial de computadores, será muito mais agressiva do que a dos concorrentes.

Guardada em segredo pelos publicitários da agência de propaganda Loducca, a campanha desafiará frontalmente o poderoso grupo America Online, ou simplesmente AOL, que acaba de patrocinar a terceira edição do Rock in Rio.

Cenas - Serão três cenas, usadas em televisão e mídia impressa, destacando as vantagens do Brasil em relação a América. A primeira mostra que votar no País é mais simples do que nos Estados Unidos, o acesso à informação é mais rápido, os computadores funcionam.

A outra situação explora um constrangimento a que muitos brasileiros já se submeteram na hora de viajar para a América do Mickey e da Estátua da Liberdade: a terrível e temida fila dos consulados para a obtenção de visto.

E aquelas perguntas, algumas beirando ao absurdo, como se o interessado é terrorista ou pertence a algum grupo radical de ideais nazistas ou comunistas, até que cerca de dez respostas negativas sejam devidamente respondidas no papel. Claro, todas com um óbvio não do lado. O BOL aproveita essas cenas para dizer que seu acesso é mais descomplicado, enquanto na América tudo é difícil. Diga-se que a campanha da americana AOL tem como lema a expressão ‘é fácil’.

Uma terceira situação que também será explorada dentro da estratégia da campanha de reforçar a brasilidade do BOL é a do americano que vem passear no País, se encanta com sua beleza e a alegria do povo, aquela velha história do bom selvagem e seu deslumbrante habitat que, há 500 anos, encanta olhares estrangeiros. O americano, é claro, decide ficar no Brasil.

Com 2 milhões de usuários cadastrados, o BOL pretende reforçar a imagem de que é mais descomplicado que a AOL, ou melhor a América, porque a citação não é direta de forma a evitar aqueles famosos processos no Conar, o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária.

A campanha da Loducca também vai enfatizar que no BOL não é preciso CD, continuará oferecendo e-mail grátis e, a partir dessa semana, um acesso à rede mundial de computadores que promete ser mais rápido e descomplicado do que o oferecido pela concorrência.

Com isso, os serviços gratuitos começam a cair por terra, pois interessariam apenas às operadoras de telefonia fixa, que ganham com a geração dos pulsos a cada momento que o usuário acessa a Internet. Tanto que, por conta desse fator, os controladores do iG, o Opportunity de Daniel Dantas e o Garantia de Jorge Paulo Lehman, procuraram como parceiros a Telemar e a Brasil Telecom (BrT) e, depois, iniciaram negociações para a transferência de parte do serviço à Telemar.

O mercado de acesso gratuito que atiçou o setor de Internet no País devido à sua agressividade, não vingou. No início do ano, por exemplo, o Cidade Internet cancelou seu serviço gratuitos, passando a cobrar mensalidade.

Resistência - Antes, vários provedores foram devidamente sepultados como o Grátis1, Super11 e Net Gratuita. Dos grandes, o iG é o único provedor gratuito que ainda sobrevive, mas tem lançado novos serviços pagos. E o publicitário Nizan Guanaes, seu presidente e principal executivo, corre para lançar no mercado novas âncoras capazes de dar sustentação ao barco."


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