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MÍDIA PARAENSE
Crise anunciada, demissão em massa

Angelo de Souza (*)

O enredo se repete: grupo de comunicação regional hegemônico suspende operações e demite para reequilibrar finanças. Há quem ache que demorou a acontecer no Pará; alguns dos demitidos já esperavam pelo "facão". Pudera, não havia novidade: na tentativa de dar um passo maior do que a perna, as Organizações Rômulo Maiorana (ORM) meteram os pés pelas mãos e terminaram por dar uma rasteira no seu patrimônio humano.

A nau ORM, ancorada no diário O Liberal e com lastro em concessões de rádio e televisão, começou a fazer água quando apostou em jornal popular, TV a cabo e serviços de internet. Os esperados R$ 50 milhões em financiamento público, por alguma razão, não vieram; contratos de publicidade viraram moeda de troca, fora do caixa. Mas nem por isso os herdeiros do fundador abriram mão de seus frugais prazeres: andar de Porsche, voar de Citation, jogar em Las Vegas etc., sem falar na mansão onde moram e nas gorjetas que distribuem com vistas a uma improvável campanha eleitoral.

Os salários começaram a atrasar. Depois, foram fechadas sucursais no estado, no vizinho Amapá e em Brasília; redações em Belém foram enxugadas em pelo menos 30%; e até uma das rádios, tida como deficitária, está fora do ar. Já nas demissões o corte foi por cima. Experiência, competência, méritos pesaram menos, muito menos do que o valor dos contracheques.

Na semana passada, os demitidos protestaram em frente à sede da TV Liberal, no centro de Belém, por não saber quando receberão. Os que se mantiveram no posto – muitos recém-formados, alguns estagiários – se sentem aliviados.

Ganhar pouco, migalhas acima dos concorrentes; permanecer empregado, mesmo numa empresa que não valoriza seus quadros; vincular-se aos campeões de tiragem e audiência, ainda que sem condições de produzir à altura da expectativa de seu público: fortunas que a experiência acumulada, a competência desprezada e os méritos ignorados, ao tempo, fazem dar o devido valor.

(*) Jornalista

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