Indice A imprensa em questao O circo da noticia Caderno da cidadania Entre aspas Caderno do leitor

THE NEW YORK TIMES ERROU
De quem é a batata quente?

The New York Times passou duas vezes por dura autocrítica na última semana de setembro. Dois textos comentavam a cobertura que o jornal deu ao caso Wen Ho Lee, acusado de passar segredos nucleares à China, sendo que o segundo deles apareceu em destaque, ocupando duas colunas na página editorial, em 28 de setembro.

Segundo matéria da Associated Press (28/9/00), a nota editorial do dia 26 reconhece que houve falhas na cobertura do jornal, apesar de defender seus repórteres e dizer que "como um todo, permanecemos orgulhosos do trabalho que levantou uma discussão sobre um dos principais problemas nacionais".

A crítica direta foi para os que dirigiram a cobertura, por não terem levantado questões que só vieram depois à tona. Bill Keller, editor-chefe do NYTimes, sublinhou que a crítica direcionava-se a ele e ao editor-executivo Joseph Lelyveld, e não aos editores que supervisionaram diretamente as reportagens. "Joe e eu tentamos deixar claro em encontros com a equipe o que nos parecia óbvio: o parágrafo se refere a nós – não apenas de forma geral, mas específica também, pois mexemos nos artigos e supervisionamos algumas operações."

No editorial do dia 28 o jornal lembrou que Lee estava sendo investigado três anos antes de se iniciar a publicação das primeiras reportagens, e que segurança de armas nucleares e transferência de tecnologia para a China já eram problemas constantes do governo naquela época.




EDITORIAIS
The New York Times

"O Times e Wen Ho Lee", copyright The New York Times, 26/9/00

"No dia 6 de março de 1999, The New York Times noticiou que investigadores do governo acreditavam que a China havia acelerado seu programa nuclear com a ajuda de segredos norte-americanos roubados. O artigo dizia que o FBI suspeitava de um cientista sino-americano do Los Alamos National Laboratory. Dois dias depois, o governo anunciou que havia demitido o cientista por ‘sérias violações de segurança’. O cientista foi identificado como Wen Ho Lee.

Nove meses depois, dr. Lee foi indiciado sob a acusação de ter transferido um grande volume de informações confidenciais para um computador de fácil acesso. Os procuradores do Departamento de Justiça persuadiram um juiz a prendê-lo, sem direito a fiança, sob o argumento de que a sua libertação poderia significar uma grave ameaça ao equilíbrio nuclear.

Neste mesmo mês, o juiz acusou os procuradores do Departamento de Justiça de tê-lo enganado com o argumento de ameaça à segurança nacional e de terem fornecido falso testemunho. dr. Lee foi liberado com a condição de cooperar com as autoridades para explicar por que fez o download das informações nucleares e o que fez com elas.

A cobertura do NYT do episódio, especialmente os artigos publicados nos primeiros meses, atraiu críticas de jornais rivais e de defensores do dr. Lee, que sustentavam que nossas reportagens estimularam um furor político que levou à caça às bruxas. Após a libertação do dr. Lee, a Casa Branca também culpou a pressão da mídia, e especificamente o NYT, por terem insuflado um rancoroso processo pelo Departamento de Justiça

Via de regra, preferimos deixar nossas reportagens falarem por si mesmas. Neste caso específico, o resultado do processo e as acusações publicadas neste jornal podem ter deixado muitos leitores com dúvidas sobre a nossa cobertura. Essa confusão – e tudo o que foi envolvido, a liberdade de um homem e a sua reputação – convence-nos de que uma retratação pública se faz necessária.

Desde o momento em que o processo terminou, o jornal tem reavaliado a sua cobertura. No todo, ficamos orgulhosos com o trabalho realizado, que trouxe a público uma questão de segurança nacional de que os responsáveis pelo setor estavam cientes há meses, ou até mesmo anos. Nosso material encontrou cuidadosas reportagens que incluíram uma extensiva checagem de informação de múltiplas fontes, apesar dos enormes obstáculos impostos pelo caráter secreto do caso e pelos esforços do governo em identificar as fontes do NYT. Encontramos documentos que mostravam todo um debate escondido, na extensão e na importância da espionagem chinesa – debate este que, agora, um ano e meio depois, continua em voga.

Olhando para trás, encontramos algumas coisas que gostaríamos de ter feito de modo diferente na cobertura deste caso, para dar ao dr. Lee o benefício da dúvida. Naqueles meses, poderíamos ter pressionado mais para descobrir fragilidades no processo do FBI contra dr. Lee. Nossa cobertura teria sido reforçada se tivéssemos avaliado com mais rapidez os aspectos científicos, as suposições técnicas e investigativas que conduziram o FBI e o Departamento de Energia a relacionar o dr. Lee àquilo que é ainda hoje reconhecido como uma grave falha no sistema de segurança.

O NYT não inventou o caso nem iniciou o processo contra Wen Ho Lee. Em 6 de março, quando nosso artigo foi publicado, os agentes do FBI já estavam investigando as atividades do dr. Lee há mais de três anos. Um comitê bipartidário do Congresso já havia iniciado escutas e elaborado um relatório secreto que concluía unanimemente que a espionagem nuclear chinesa tinha prejudicado a segurança nacional americana, e questionava sobre a responsabilidade da vigilância no caso.

A Casa Branca havia sido avisada e o Departamento de Energia havia começado a investigar, com ajuda do FBI. Dr. Lee já havia passado pelos exames de um teste do detector da mentira; os investigadores do FBI acreditaram que ele se mostrou decepcionado quando lhe foi perguntado se tinha roubado os segredos. As histórias do NYT – ecoadas e freqüentemente simplificadas por políticos e por outros órgãos de imprensa – foram objeto de um debate público feroz. No momento em que a administração Clinton defendia uma política de estreitamento de relações com a China, a notícia de que a Casa Branca não teria agido rapidamente contra uma operação chinesa de espionagem era politicamente explosiva.

(...) A afirmação, em nosso artigo do dia 6 de março, de que os chineses deram um salto na miniaturização de armas nucleares permanece sem esclarecimento. Esta afirmação havia sido relatada previamente no Wall Street Journal, mas sem os detalhes fornecidos pelo NYT, que mostrou como as várias agências e mesmo a Casa Branca tinham reagido à falha de segurança.

A visão predominante dentro do governo é de que China realizou seus avanços com acesso à informação valiosa sobre o arsenal nuclear americano, embora a idéia de que houve espionagem por parte da China seja controvertida. (...)

O artigo, entretanto, tem falhas que são mais aparentes agora do que as fragilidades do processo de FBI contra dr. Lee demonstraram. Durante a reportagem, não foi prestada a atenção suficiente à possibilidade de que pode ter havido um vazamento de informações muito maior, no qual o cientista de Los Alamos teve pequeno ou nenhum envolvimento.

O NYT deveria ter agido mais rapidamente no sentido de abrir uma nova linha de investigação, particularmente entre cientistas de dentro e de fora do governo. O jornal fez isso no início do verão e publicou um artigo detalhado no dia 7 de setembro de 1999. A matéria tratava ainda mais longamente das evidências de que a espionagem chinesa havia descoberto os principais elementos do projeto de armamento americano chamado W-88, mostrando ao mesmo tempo que este material secreto estava disponível não somente em Los Alamos mas ‘para centenas e talvez milhares de pessoas envolvidas no complexo armamentista da nação’.

Aquele artigo, que ajudou a colocar as acusações contra o dr. Lee numa nova perspectiva, apareceu exatamente três meses antes de o cientista ser indiciado. Nossa reportagem versou sobre os cuidados que poderiam ter nos levado àquela perspectiva mais cedo. Por exemplo, o artigo de 6 de março notava que os procuradores não acreditavam ter evidências suficientes contra o cientista de Los Alamos para justificar um grampo em seu telefone; o que deveria ter sido mais destacado na reportagem. O Departamento de Justiça recusou-se então a discutir suas decisões, mas deveria ter sido destacado na reportagem o fato de que a evidência disponível ao FBI não permitia o grampo, ainda que o caso tivesse tamanha gravidade.

Algumas passagens da reportagem também mostraram um problema de tom. No lugar de um tom jornalístico de sempre, utilizamos uma linguagem alarmista, contida nos relatórios oficiais e trazidas a nós pelos investigadores, membros do Congresso e administradores públicos com conhecimento do caso. Isto aconteceu ainda em um artigo de 14 de junho de 1999, que questionava – seis meses antes do indiciamento – os motivos de o Departamento de Justiça nunca ter sido capaz de provar que o dr. Lee havia espionado para a China. A matéria dizia que o dr. Lee poderia ter sido ‘o responsável pela espionagem mais prejudicial do pós guerra-fria’. Embora atribuídas a ‘funcionários públicos e advogados republicanos’, tais observações deveriam ter sido, no mínimo, contrabalançadas por visões mais céticas daqueles que tiveram duvidavam das acusações contra dr. Lee.

Não obstante, longe de estimular uma caça da bruxa, o Times mostrou claramente, antes mesmo que dr. Lee fosse processado, que o caso contra ele era circunstancial e conseqüentemente fraco, e ainda que existiam inúmeras outras fontes potenciais de desvio de projetos.

Há matérias que nós deveríamos ter preparado, mas não as fizemos. Nunca publicamos um perfil do dr. Lee, o que poderia tê-lo humanizado e servido com contrapeso na cobertura.

Outras histórias que gostaríamos de ter publicado incluem um olhar mais completo no contexto político do debate armamentista chinês, no qual os republicanos estavam ansiosos para marcar pontos contra a Casa Branca; um exame de como a manipulação das informações por parte do dr. Lee compara-se com as práticas usuais nos laboratórios; um olhar mais próximo em Notra Trulock, oficial de setor de inteligência no Departamento de Energia que soou alguns dos mais altos alarmes sobre a espionagem chinês; e uma investigação sobre os vários suspeitos e a favor de dr. Lee.

Nos momentos em que o padrão de nossa cobertura sobre esta história caiu, a culpa foi principalmente de quem dirigiu a cobertura, por não ter levantado as questões que nos ocorreram somente mais tarde. Nada nesta experiência tira a nossa fé em qualquer de nossos repórteres, que permanecem persistentes e honestos no seu trabalho, enfrentando ferozes ataques.

Uma quantidade enorme de informações sobre o caso do dr. Lee e sobre a espionagem chinesa permanece desconhecida ou polêmica, incluindo o motivo pelo qual o cientista transferiu um código de computador de acesso restrito a um computador facilmente acessível e tentou, então, esconder o fato (um acontecimento relatado em primeira mão pelo NYT); e ainda como evoluiu o comportamento do governo no episódio. Mesmo as melhores reportagens investigativas são executadas sob a pressão do fechamento, com a melhor avaliação da informação disponível naquele momento. Enviamos uma equipe de repórteres, incluindo os que revelaram o caso, para novas reportagens, com base em fontes e documentos que não foram previamente avaliados. Nossa cobertura sobre este caso não está encerrada."

***

"Uma avaliação do caso Wen Ho Lee", copyright The New York Times, 28/9/00

"Com o testemunho público da advogada-geral Janet Reno e de Louis Freeh, diretor da Federal Bureau of Investigation (FBI), na terça-feira, 26 de setembro, o caso Wen Ho Lee entrou em nova fase. Agora é possível ver pela primeira vez numa apresentação pública as descrições do caso governamental contra o Dr. Lee, ex-cientista do governo que se confessou culpado por tratar inadequadamente materiais confidenciais. O caso é considerado grave no padrão de atividades duvidosas e, em última análise, ilegais, embora não seja conclusivo sobre a questão de como o governo chinês obteve seus ganhos indiscutíveis na tecnologia de armas nucleares. Mas na pista da sessão conjunta dos comitês do Senado, Judiciário e da Inteligência, na terça-feira, qualquer julgamento referente a segurança nacional e liberdade civil do caso – e o contínuo debate jornalístico sobre sua cobertura – pode ser iniciado pela avaliação da apresentação de Freeh.

Está além de qualquer discussão razoável que o Dr. Lee manuseou constante e brutalmente, desde 1993, o material confidencial. Ele confessou-se culpado quanto a esta acusação. O julgamento de Freeh lança um novo panorama sobre um indivíduo que intencional e repetidamente passou por cima do sistema de classificações nos computadores dos Laboratórios Nucleares de Los Alamos. Seria abandono de dever para o FBI e para o Departamento de Energia não reagir à cópia e à desclassificação de 470 arquivos de armas nucleares que o Dr. Lee efetuou, bem como a seus repetidos esforços para realizar entradas proibidas na Divisão X do laboratório.

O caso do governo

O caso de Freeh foi equivalente ao de uma declaração de abertura de processo ao júri. Fornece um desenho do cenário do pior caso governamental, à tona em momento em que ambos – Freeh e Reno – estão sob ataque direto por manejar de forma imprópria o caso. Este deverá ser testado nos próximos dias para conferir sua precisão e para verificar se há mitigação ou explicações expurgatórias. Algumas questões devem ser respondidas pelo Dr. Lee na presença de agentes federais sob as condições de sua negociação apelativa – um processo que inicialmente será realizado longe dos olhos do público. Mas é assim que articulamos essas questões na base de gravação de dados, como notificado pela audiência do Senado, dia 26.

A questão primária é saber o que Dr. Lee fez com as sete fitas de computador ainda faltando, das dez que ele originalmente obteve, e também o que foi feito com as cópias adicionais sobre as quais seus advogados informaram o governo pouco antes da audiência. Freeh e Reno disseram que o governo reduziu suas 59 indiciações para apenas uma, de negociação apelativa na Corte, por causa do interesse nacional forçado em obter a cooperação do Dr. Lee em localizar as fitas.

Tão ominoso quanto possa soar, o caso deve ser analisado à luz de outras informações dadas ao Comitê no dia 26, quando se voltar aos motivos do Dr. Lee, e se as informações que ele carregou estavam disponíveis em fontes abertas. O senador Richard Bryan, membro democrata do Comitê de Inteligência, fez uma avaliação ponderada. Sobre a questão de um vazamento em Los Alamos ter apoiado a China em seu desenvolvimento de novos instrumentos de guerra, Bryan corretamente observou que havia informações confidenciais sobre a criticada ogiva norte-americana W-88 em poder de 546 governos e indústrias, sem contar Los Alamos. Freeh admitiu que o governo "não tem evidência direta de que Dr. Lee passou informações secretas a um governo estrangeiro". Há menos clareza na proposta do Dr. Lee em copiar dados sensíveis nos últimos anos. O Comitê, em suas sessões fechadas e nos interrogatórios do Dr. Lee pela inteligência federal e agentes da lei, deve explorar por que ele se envolveu em uma farra mistificada de copiar material secreto e, depois, quando a FBI entrou em ação, apagou 310 arquivos em um único dia em uma tentativa aparente de esconder o que fez.

Pesando as evidências

Essa discussão leva à respectiva e crítica questão da segurança nacional de quanta informação coletada pelo Dr. Lee estava disponível fora do laboratório como informações não-secretas, às quais os chineses poderiam ter tido acesso por meio de pesquisas espertas. Neste ponto, experts permanecem divididos. Defensores do Dr. Lee, incluindo alguns colegas cientistas, sustentaram que o material que ele transferiu não poderia ser bem aproveitado por uma potência estrangeira e que o volume copiado estava disponível a fontes abertas. Os senadores ouviram testemunho de T. J. Glauthier, um secretário de energia, o qual disse que enquanto modelos científicos e matemáticos não fossem confidenciais, o meio de juntá-los por meio de armas é altamente secreto. Em entrevista ao Times, John L. Richter, um designer de armas que testemunhou anteriormente para o Dr. Lee, aceitou a definição do governo quanto à sensibilidade de algumas das informações subjacentes. Mas Richter disse que ainda acredita que o governo exagerou o significado do material. Claramente, o Comitê de Inteligência do Senado terá que determinar quão crítica é a informação carregada.

Vamos nos voltar agora para os aspectos da liberdade civil. Enquanto olhava gravemente as atividades do Dr. Lee, o senador Bryan discursou veemência sobre uma investigação policial. Outros levantaram a questão de se o Dr. Lee foi alvo de invectivas racistas, e o senador Arlen Specter, da Pensilvânia, questionou se Dr. Lee não foi algemado e como parte de um regime de "pressões para admitir um apelo culpado". Freeh e Reno negaram que a descendência asiática de Dr. Lee desempenhou algum papel no processo. Mesmo assim, o tratamento de Dr. Lee após a indiciação, em 10 de dezembro de 1999, foi desnecessariamente duro, e o governo utilizou falso testemunho para persuadir o juiz do Distrito Federal James A. Parker a deter o Dr. Lee por nove meses sem fiança.

O presidente Clinton, comentando o caso em 15 de semtembro, concluiu que Dr. Lee foi considerado culpado de "uma violação de segurança nacional muito grave", enquanto expressava preocupação sobre a negativa de fiança como fundamentalmente ofensivo à prática normal da lei. No mesmo dia, Joe Lockhart, secretário de imprensa da Casa Branca, afirmou em suas notas diárias que "uma reportagem investigativa quase histéria" havia criado uma atmosfera de crise envolvendo a questão da segurança de armas nucleares. Seu representante, Jake Siewert, condenou a matéria por não ter dado crédito aos esforços da segurança da admininstração. Isso nos traz às questões jornalísticas levantadas pelo caso do Dr. Lee e ao assunto da segurança nos laboratórios de armas nucleares em Los Alamos, Sandia e Livermore.

Questões jornalísticas

As apurações oficiais e jornalísticas estão repletas de evidências coerentes de que uma cultura de segurança vaga prevalece há tempos nessas instituições, e executivos sêniores da administração confirmam que os laboratórios são objeto de contínua ação corretiva. O departamento de notícias do Times esteve à frente no jornalismo investigativo de segurança de armas, transferência de tecnologias à China e no caso de Lee. No começo da semana, nossos colegas no departamento de notícias publicaram uma nota dos editores revendo a cobertura do jornal. A crítica afirma que o compromisso do departamento de notícias do Times foi vigoroso, dotado de reportagens na hora certa e de justiça como princípio ativo.

Neste caso, assim como em outros assuntos, esta página também teve seus críticos. Isso é uma constante no jornalismo de opinião. No espírito de auto-avaliação, revimos os editoriais publicados por 17 meses sobre o caso de Lee e a necessidade de procedimentos de segurança reforçada em laboratórios nucleares. Muitos dos principais argumentos foram bem sustentados, mas com os benefícios da percepção tardia, percebemos que aceitamos muito rapidamente a teoria do governo de que espionagem era a principal justificativa para avanços nucleares na China, e sua visão de que Dr. Lee foi apropriadamente apontado como principal suspeito.

Não obstante, permanecemos convencidos da necessidade da recém-criada Administração de Segurança Nuclear Nacional para assumir a supervisão de laboratórios do Departamento de Energia. Continuamos acreditando que demandas republicanas para a renúncia de Bill Richardson, secretário de energia, e Samuel R. Berger, conselheiro da segurança nacional do presidente, foram prematuras. Mas, em retrospecto, podemos ter sido exageradamente duros em comentários sobre o desempenho de Berger em seu trabalho e sobre a recusa de Reno em discutir uma ordem de espionagem telefônica do Dr. Lee. Analisando fontes potentes de transferência de tecnologia para a China, identificamos corretamente espionagem comercial como possível fonte, mas fomos precipitados em concluir que a destreza crítica em miniaturização de ogivas era "possivelmente" roubada de computadores de laboratórios de armas.

Há mais de 14 meses – quatro meses antes de Dr. Lee ser indiciado, mas cinco meses após o caso ter se tornado público –, alertamos para os perigos de racismo nesse caso. Com o desenrolar dos eventos, deveríamos ter olhado mais minuciosamente as condições sob as quais ele estava confinado e os argumentos do governo para lhe negar fiança.

Em suma, achamos que a importância da questão das armas nucleares e da segurança da da nação autoriza reportagens agressivas e comentários afirmativos, na hora certa. É importante lembrar que a figura central em muitos desses artigos foi alvo de investigação por mais de três anos antes de as primeiras matérias serem publicadas. Além disso, transferência de tecnologia à China e segurança de armas nucleares foram preocupações constantes do governo nessa época. Omitir essas informações dos leitores é uma violação impensável do contrato fundamental entre um jornal e seu público. A única escolha é levar essas informações às colunas de notícia e opinião de forma profissional, cuidadosa e autocrítica.

Esse tipo de esforço do jornalismo sério foi consumido com a evolução do caso, tanto em respeito às atividades de Dr. Lee quanto à conduta da investigação governamental. Agora as ferramentas estão nas mãos para a melhor apuração do episódio, por meio das audiências do Senado, do desfecho esperado do Dr. Lee no cumprimento de sua negociação do apelo, e da declaração recomendada por Reno sobre documentos confidenciais, até o momento, para lidar com o caso."



Volta ao índice

Imprensa em Questão – bloco anterior

Imprensa em Questão – próximo bloco



Mande-nos seu comentário





Observatório | Índice da edição | Busca | Objetivos | Purposes
Caderno do Leitor | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe | Quem é você