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MORTE DO JORNALISMO NO SBT
Sem feitos, sem prantos
assinado, Silvio Santos

M.M.

 

M


uitos ainda se lembram do nascimento do SBT (Tevê Silvio Santos) como extensão do horário que o apresentador ocupava nas tardes de domingo na TV Globo.

Não tinha jornalismo. Não veio ao mundo para isto.

Uma série de considerações mercadológicas e políticas levaram-no depois a ter jornalismo.

Surgiu uma modalidade selvagem chamada Aqui e Agora: alguns viram nisso uma evolução do telejornalismo, porque o câmera saía trepidando atrás do repórter resfolegante, ou do bandido, ou do policial.

Surgiram as lantejoulas Jô (licença poética, no capítulo jornalismo), Boris Casoy.

O jornalismo do SBT sempre foi de baixa qualidade.

Boris ocupava espaço com comentários porque não havia equipe de jornalismo: na televisão, é mais cara. Teve habilidade para fazer dessa necessidade de vocalização uma aparente virtude.

O jornalismo no SBT começou a morrer no dia em que Silvio Santos abandonou as pretensões político-eleitorais. Não foi em 1989, mas em 1994, na sucessão de Fleury. Porque o jornalismo na TV é antes de mais nada - embora não apenas -, do ponto de vista dos patrões, instrumento de política a serviço da empresa.

O fim do jornalismo no SBT (restarão os 6% da obrigatoriedade legal) é uma exemplar volta às origens. No Brasil não quiseram que a televisão tivesse vocação noticiosa, educativa ou cultural (as que as têm precisam ser adjetivadas - Globo News, TV Educativa, TV Cultura).

No rádio, hoje, o que se vê é a lucratividade associada à picaretagem. Alguns indivíduos lucram mais que as próprias emissoras. E alguns heróis travam um combate de retaguarda pelo jornalismo.

Conclusão: nem televisão, nem rádio.

A imprensa - jornais e revistas - é o baluarte do jornalismo. Os jornais, porque trabalham com a palavra escrita, podem resistir melhor à submissão da informação aos ibopes.

Compare-se O Globo à TV Globo e à Rádio Globo. Sem comentários.

Veja-se o caso da Folha, que até para realizar seu projeto marqueteiro faz um esforço para melhorar o padrão do jornalismo, apurar mais e melhor.

Difícil é saber em que medida os jornais (e os jornalistas) estão dispostos a travar esta batalha, ou se, nesta altura do campeonato, já estão entregando os pontos.



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