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JORNAL DO BRASIL
Pavana para um jornal ferido

Alberto Dines

A nota de despedida de Manoel Francisco do Nascimento Brito na capa do Jornal do Brasil (quarta, 16/8) é elegante e digna. Melancólica. E perturbadora [veja Entre Aspas, chapéu REPOUSO DO GUERREIRO, nesta edição].

Naquele pequeno texto, contido e intenso, resume-se um belo capítulo do moderno jornalismo brasileiro. Começado em 1956, tocado por diferentes equipes e ao longo de mais de duas décadas, o JB funcionou efetivamente como um jornal do Brasil – servindo de paradigma para os principais jornais brasileiros e algumas fornadas de profissionais de todo o país.

O que deu errado?

Qual o botão que não deveria ter sido acionado?

Qual a opção desastrosa?

Na história das pessoas, assim como na trajetória das instituições, não existe o momento crucial. Tudo é decisivo e cumulativo. Deu certo numa fase, brilhou em outra, minguou depois. Mas deixou um saldo, lições e – por que não? – saudades.

Jornais há que sumiram sem deixar traços. Outros vivem pujantes e insignificantes. O Jornal do Brasil está aí, sombra e reflexo, mas vivo. O almirante conseguiu levá-lo até o cais. É um feito.


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