ASPAS

VEXAME AMERICANO
Folha Online/France Presse

"Imprensa cubana dá pouco destaque e critica a vitória de Bush", copyright Folha Online/France Press, 14/12/00

"‘O vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, se rendeu depois de várias derrotas consecutivas nas cortes judiciais e do constrangimento de um país que já não podia mais com a crise política’, publica hoje a imprensa cubana sobre o reconhecimento democrata da vitória eleitoral de George W. Bush.

Sobre o novo presidente norte-americano, o jornal ‘Juventud Rebelde’ afirmou que ‘uma enorme maioria acha que esta foi a vingança de George Bush (pai), que ostentará o poder atrás do trono do filho’.

O jornal oficial ‘Granma’ dedicou um pequeno espaço à informação, sem fazer comentários.

Antes das eleições, o presidente de Cuba, Fidel Castro, classificou de entediantes os dois candidatos e, para mostrar sua indiferença, foi passear na praia no dia da votação.

A novela das eleições norte-americanas serviu para a imprensa oficial da ilha zombar e criticar a democracia nos Estados Unidos. O ponto alto desse posicionamento foi classificar o país de ‘república das bananas’."



O Estado de S. Paulo

"Imprensa pretende recontar votos na Flórida", copyright O Estado de S. Paulo, 15/12/00

"Os jornais The New York Times, The Miami Herald, Los Angeles Times, a revista Time e outros 18 meios de imprensa entraram ontem com pedidos em tribunais da Flórida para fazer a recontagem de quase 11.000 votos brancos da eleição presidencial no Condado de Miami-Dade.

Apesar do fim da disputa judicial de cinco semanas pela Casa Branca ter terminado na terça-feira com a decisão da Suprema Corte federal de não contar esses votos, os meios de comunicação querem examiná-los nos próximos dias.

Além das cédulas de Miami-Dade, há suspeitas de que outras 35.000 cédulas em 67 condados da Flórida tenham sido contadas como em branco equivocadamente.

O problema técnico pode ter-se originado no fato de as máquinas de contar não terem considerado os votos nos quais as cédulas de votação não foram completamente perfuradas.

Uma lei estadual dá aos jornais e a entidades particulares da sociedade civil o direito de requerer recontagens de votos mesmo após a proclamação oficial do resultado das eleições no Estado. Mas o grupo conservador Judicial Watch, que também quer acesso às cédulas, entrou com um pedido judicial para que ninguém além dele faça a recontagem.

‘Nós não estaremos recontando os votos com a intenção de dar mais votos a Al Gore ou a George W. Bush’, disse um membro do Judicial Watch, Thomas Fitton.

‘Essa é uma questão delicada e não poderia haver tanta gente nesse negócio.’

Por seu lado, o diretor-executivo do Miami Herald, Martin Baron, disse que o jornal pretende recontar os votos, mas não planeja declarar um vencedor.

‘Nossa intenção é examinar as cédulas cuidadosamente e descrever em detalhes o que elas mostram’, declarou. ‘Caberá aos leitores tirarem suas conclusões.’

O jornal de Miami sugeriu que os veículos de comunicação que pediram a recontagem se juntem num pool liderado pela agência de notícias Associated Press.

A dúvida sobre os votos alimentou a batalha judicial entre Gore e Bush, com os advogados do campo democrata alegando que seu candidato foi prejudicado pela falha. A equipe legal de Gore confiava que a recontagem manual das cédulas reverteria a estreitíssima vantagem de Bush, de menos de 200 votos, na eleição da Flórida.

A decisão do tribunal de Washington, que impediu a recontagem manual, sepultou as esperanças de Gore ganhar os votos dos 25 delegados do Estado ao Colégio Eleitoral, que lhe garantiria a vitória na corrida à Casa Branca.

Para alguns analistas, a recontagem feita pelos jornais poderia abalar ainda mais a legitimidade do mandato de Bush, caso ficasse comprovado que ele não teve mais votos do que Gore na Flórida. Mas, legalmente, não há como impedir a recontagem.

‘As cédulas são documentos públicos e o acesso a ela não pode ser negado por nenhum organismo do Estado’, reconheceu um dos advogados da junta eleitoral de Miami-Dade, Murray Greenberg."



Folha de S. Paulo

"Para jornais dos EUA, será difícil fechar as feridas", copyright Folha de S. Paulo, 15/12/00

"Os jornais norte-americanos aplaudiram ontem o primeiro discurso do republicano George W. Bush como presidente eleito e o pronunciamento de Al Gore reconhecendo a derrota, mas disseram que não será fácil para Bush curar as feridas das últimas cinco semanas.

Na opinião do ‘The New York Times’, que apoiou a campanha de Gore, o pronunciamento de Bush ofereceu a ‘esperançosa nota de conciliação’ que faltou durante as cinco semanas de impasse eleitoral.

O jornal acredita que Bush deve formar logo um gabinete que se pareça como ‘uma família norte-americana’, sem espírito centrista e sectário, para unir o país.

O ‘The Washington Post’, que também havia recomendado o voto em Gore, disse que os dois políticos mandaram a mensagem certa para seus eleitores. ‘A tradição de reconciliação nos EUA é um alívio bem-vindo para as táticas e retóricas acaloradas das últimas semanas’, disse o ‘Post’.

Para o conservador ‘The Washington Times’, o democrata teve um gesto de grandeza ao prometer apoio a Bush. Mas uma charge ao lado do editorial fez pouco caso da nova situação do vice-presidente, mostrando-o numa fila de desempregados, agradecendo às pessoas por participarem de sua ‘equipe de transição’.

O pró-Bush ‘The Wall Street Journal’ disse que o apoio de Gore a Bush reparou alguns dos estragos feitos por sua decisão de recorrer à Justiça. ‘Mas a campanha feroz de Gore é outra história que não deve desaparecer como se fosse rotina. Ele e quatro integrantes da Suprema Corte da Flórida são responsáveis pelo desastre pós-eleitoral’, afirmou.

Para o ‘USA Today’, a febre partidária não deve arrefecer tão cedo, gerando grandes problemas para Bush: ‘A retórica das últimas cinco semanas deixou profundas feridas, que nem mesmo os discursos perfeitos de Bush e Gore podem curar’."



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