ASPAS

MÍDIA E ACM
Silvio Bressan

"‘Coronelismo urbano’ de ACM já dura 30 anos", copyright O Estado de S. Paulo, 20/05/01

"As derrotas do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que corre o risco de ter o mandato cassado, podem levar à decadência o esquema político mais resistente nas últimas três décadas do País. Mas não é à toa que o carlismo, nascido no regime militar, conseguiu passar incólume pela redemocratização e se fortalecer ainda mais nestes tempos de globalização.

Sua longa sobrevivência está sustentada sobre três pilares básicos, construídos desde o fim dos anos 60, quando o então prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães, começou a projetar seu futuro político. Foi aliado à especulação imobiliária, ao grande capital das empreiteiras e ao comando estratégico das comunicações que ACM construiu uma teia complexa, eficiente e duradoura de poder.

Na contra-mão dos velhos coronéis, grandes latifundiários que se aliavam às oligarquias rurais, ACM foi se reciclando, tornou-se um verdadeiro ‘coronel urbano’, aliando a truculência típica desses políticos antigos a um sofisticado esquema de informação e manipulação. Assim, conseguiu sobreviver a todas as reviravoltas do País e se manter, três décadas e oito presidentes depois (de Castelo Branco a Fernando Henrique Cardoso), como um dos políticos mais poderosos do País.

Ainda não há explicação definitiva para tamanha longevidade, mas é certo que começou com a Lei da Reforma Urbana de Salvador, anunciada pelo então prefeito às vésperas do Natal de 1968, 11 dias depois do Ato Institucional n.º 5, que fechou o Congresso e inaugurou a fase mais dura do regime militar. A propósito de extinguir o latifúndio improdutivo e obter recursos para obras viárias e um programa habitacional, ACM desfez-se de 25 milhões de metros quadrados, o equivalente a 10% da área da cidade.

O resultado prático é que, a preços simbólicos, as imobiliárias e construtoras ficaram com as terras mais valiosas do município, porque estavam situadas no eixo natural de expansão da cidade. Sem terras nem recursos suficientes para atender à demanda habitacional da população de baixa renda, a prefeitura precisou depois de financiamentos federais e desapropriações de alto custo para adquirir o que já fora dela. Em contrapartida, o setor imobiliário e da construção civil ganhou um impulso extraordinário. Além dos terrenos valorizados, as construtoras ainda tiveram financiamento do Banco Nacional da Habitação (BNH) para construir prédios residenciais.

Nomeado por Castelo Branco em 1967, o prefeito aproveitou o prestígio no governo militar para obter os recursos. ‘Ao doar 10% da cidade para os especuladores, ACM fez a negociata do século’, diz o advogado e ex-vereador Fernando Schmidt, que desde os anos 80 denuncia o episódio. ‘O empresário ganhou três vezes: comprou terras a preço de banana, lucrou com a reforma urbana feita nessas áreas e ainda obteve dinheiro federal para as obras.’

Por seu lado, ACM começou a utilizar um esquema auto-alimentável que continua até hoje. Ao levar recursos para a Bahia e modernizar Salvador, ganhava apoio do empresariado, que depois passou a financiar suas campanhas e ajudá-lo a se manter no poder. ‘As empreiteiras ganharam rios de dinheiro e Antonio Carlos criou uma rede de poder econômico junto aos grandes empresários e ao capital financeiro’, observa a deputada estadual Lídice da Matta (PSB), que foi prefeita de 1992 a 1996 e é uma das maiores vítimas do carlismo. Durante seu governo, sem verbas e com boicote permanente de ACM, Salvador viveu um verdadeiro caos.

Teses - Para o pesquisador e professor de Comunicação e Política da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia Antonio Albino Canelas Rubim, o apoio dos militares pode explicar a gênese do carlismo, mas é insuficiente para justificar sua evolução durante a ditadura. ‘ACM vai se distanciando dos antigos coronéis para criar seu próprio grupo hegemônico’, anota Rubim, que já orientou meia dúzia de teses sobre a trajetória de ACM e a força do seu grupo político.

Apesar de todas as pesquisas e estudos, Rubim acha que o fenômeno do carlismo ainda não foi explicado. ‘O grande mistério é como um político que veio do coronelismo e foi ligado ao governo Juscelino Kubitschek (1955-1960) e a todos os presidentes militares conseguiu não só manter sua influência como aumentá-la após o fim da ditadura’, diz. ‘Trata-se de um dos poucos políticos, se não o único, a conseguir essa travessia.’

A aliança com os militares e os novos pólos do poder econômico são a primeira explicação plausível. Graças a isso, o carlismo chegou com plena força ao fim da ditadura, em 1985. Até ali, os militares já tinham feito de ACM prefeito (1967-1970), governador por duas vezes (1971-1975 e 1979-1983) e presidente da Eletrobrás (1975-1979). ‘A ocupação desses cargos associada com o escanteamento de outras correntes majoritárias na Bahia (de Juracy Magalhães, da família Viana e de Roberto Santos) faz com que o carlismo chegue ao fim do regime militar como a grande força política do Estado’, constata o acadêmico.

Ministério - É a partir daí, analisa, que o carlismo ganha seu terceiro e mais importante pilar. Ao perceber a mudança no clima político, ACM se aproxima de Tancredo Neves (último presidente do Colégio Eleitoral) e costura sua nomeação para o Ministério das Comunicações. ‘ACM percebeu a influência desse setor na nova economia e, principalmente, seu potencial político’, salienta Rubim.

Até ali, conta, os ministros da pasta eram técnicos preocupados com a integração nacional. ACM passa a usar a pasta para fins políticos e se fortalece ainda mais com a concessão de emissoras de rádio e TV em troca de votos pela ampliação do mandato do presidente José Sarney de quatro para cinco anos. Ao mesmo tempo, usa esse poder para ampliar sua rede de comunicações na Bahia e conseguir a retransmissão da Globo.

‘Em troca do apoio à prorrogação do governo Sarney, ele consegue montar um partido eletrônico no Estado’, resume Rubim. Hoje, nem o professor sabe quantas rádios ACM tem na Bahia. ‘É difícil descobrir quem são os verdadeiros donos’, diz. O domínio maior, no entanto, é mesmo o da televisão. São seis emissoras, estrategicamente espalhadas no Estado: TV Norte, em Juazeiro, TV Subaé, em Feira de Santana, TV Oeste, em Barreiras, TV Sudoeste, em Vitória da Conquista, TV Santa Cruz, em Itabuna e a TV Bahia, na capital. Como o esquema ligado aos empreiteiros, esse sistema também se auto-alimenta. Os anúncios do governo e da prefeitura vão quase todos para as emissoras do grupo do senador, que ficam cada vez mais fortes e ao mesmo tempo reforçam o prestígio do carlismo. ‘ACM sempre teve uma percepção aguda da força da mídia’, frisa Rubim.

Poder - Insaciável, ACM continuou usando o poder para aumentar seu cacife político até chegar ao governo Fernando Henrique como o político mais importante do Congresso. ‘Ele até ficou rico na política, mas reconheço que este nunca foi seu objetivo’, diz um velho inimigo que preferiu não assinar um suposto elogio. ‘ACM só faz política para ficar mais poderoso.’

Foi assim que conquistou prefeitos, deputados e juízes, acumulando informações e favores para trocar por apoio. ‘Ele não tem limites’, resume o deputado João Almeida (PSDB-BA). Por acreditar nisso é que ACM tentou reproduzir seu esquema no Senado, espalhando que sabia quem votara contra a cassação de Luiz Estevão e iniciando a crise que pode agora derrubá-lo. ‘Sua megalomania era tão grande que acabou engolindo ele próprio’, diz Arx Tourinho, ex-presidente da regional baiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e um dos principais adversários de ACM.

‘Ele foi vítima do próprio poder, tão grande e opressivo que hoje incomoda até mesmo os aliados’, conclui Rubim. ‘É só ligar nos noticiários e nos programas humorísticos da TV Globo para perceber. De um político que mandava em FHC, ACM aparece hoje como alguém condenado pela opinião pública. Como sua ambição era nacional, tudo vai explodir agora em dimensão nacional.’"

***

"Vítimas do carlismo têm vidas marcadas para sempre", copyright O Estado de S. Paulo, 20/05/01

"Uma possível cassação ou renúncia do senador Antonio Carlos Magalhães terá significado especial para um jornalista e um advogado, que tiveram suas vidas abaladas pelo carlismo ou por tudo aquilo que esse sistema representou. Nem mesmo se quisessem, o jornalista João Carlos Teixeira Gomes, de 63 anos, e o advogado Carlos Mariguel-la, de 53 anos, conseguiriam ficar indiferentes. João Carlos, ou Joca, foi perseguido durante toda a ditadura por ACM. Na mesma época, em 1969, Mariguella perdeu o pai, o guerrilheiro Carlos Mariguella, assassinado por policiais em São Paulo.

‘Como Pinochet, ACM é um símbolo de poder que foi construído nesse período autoritário e a decadência deles tem um significado muito especial’, avalia Mariguella, ex-deputado estadual (1982-1986) e hoje um advogado trabalhista em Salvador e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB. ‘Es-se é um momento histórico por tudo aquilo que eles representaram e meu pai sempre combateu’, disse, um dia depois de ajudar a libertar estudantes presos no protesto contra o senador.

Desde 1948, ano do seu nascimento no Rio, Carlinhos, como é mais conhecido, convive com as agruras do autoritarismo. Vítima da ditadura do Estado Novo, seu pai, deputado constituinte, precisou se refugiar na clandestinidade. ‘Fui para Salvador com minha mãe e só fui conhecer meu pai com 7 anos’, recorda. ‘Fiquei com ele até 1964, quando outra ditadura nos separou e eu voltei para a Bahia.’

Do pai, ele só guarda boas lembranças: ‘Era um grande sujeito, que só foi para a luta armada porque, ao contrário da maioria, estava convencido de que a ditadura tinha vindo para ficar.’ Além de perder o pai, Carlinhos chegou a ser preso, entre 1975 e 1977, quando era correspondente do jornal A Voz Sindical. Depois de não conseguir reeleger-se em 1986, resolveu seguir os conselhos da mãe e se dedicar ao Direito. Mesmo afastado da política partidária, acompanha com grande interesse os rumos do carlismo. ‘A derrota de ACM vai encorajar muitas pessoas que hoje o apóiam mais por medo do que por admiração.’

Esta também é a convicção de Joca, que entre 1969 e 1975, no Jornal da Bahia, sofreu com o carlismo. ‘A Bahia toda está doida para se ver livre desse homem’, acredita o autor do livro Memória das Trevas. ‘Ele é um doente, tem uma disfunção psíquica, uma tirania muito pior que a dos militares’, desabafa.

Histórias - No livro, de 765 páginas, o jornalista conta várias histórias de opressão do carlismo, mas algumas chegam a ser engraçadas. ‘Uma vez ele me ligou dizendo que era o Ataíde e pediu para antecipar que matérias publicaríamos no dia seguinte contra o governador.’

Em outra ocasião, ACM mandou um assessor pedir um autógrafo do escritor, que lançava um livro sobre o cineasta Glauber Rocha. ‘Fiquei no drama, mas não queria estragar o momento e fiz uma dedicatória assim: Senador, a vida de Glauber foi um exemplo de fidelidade democrática e convivência plural.’

Algum tempo depois, ACM declarou que Joca tinha até lhe oferecido uma dedicatória. ‘O ACM não percebeu que aquilo não era uma dedicatória, mas um recado por tudo aquilo que ele nunca praticou.’

Por essas e outras, Joca festeja a derrota do rival, mas não esconde uma ponta de preocupação. ‘Se esse cara renunciar ou for cassado, vou morar no Rio. Ele vai tornar minha vida um inferno e já estou velho demais para isso."



Anabela Paiva

"Planalto dos Milagres", copyright no. (www.no.com.br), 17/05/01

"O horário da novela ganhou um atrativo a mais para os moradores da Bahia. Além do carregadíssimo sotaque dos atores da Globo, os espectadores baianos de ‘Porto dos Milagres’ na Bahia andaram se divertindo ao assistir ao constrangimento da família do senador Antônio Carlos Magalhães. Donos da TV Bahia, repetidora da programação da Globo no estado, os Magalhães tiveram de ser conformar em levar ao ar as trapalhadas de um senador corrupto, acostumado a ganhar disputas políticas ameaçando os adversários com a divulgação de informações comprometedoras. Um dia, o senador encontra um adversário à altura: o ambicioso prefeito de Porto dos Milagres, que usa uma fita para chantagear o cacique e obrigá-lo a fazer dele o candidato a governador de seu partido. Hummm... Senador famoso pelos seus dossiês, fitas comprometedoras... Isso lembra alguém, não?

Os autores confessam que qualquer semelhança com fatos reais não é mera coincidência. Parceiro de Agnaldo Silva, o carioca Ricardo Linhares, 39 anos, confirma que a paisagem política de Porto dos Milagres, a cidade praieira onde se passa a trama, é decalcada diariamente do noticiário sobre Brasília. Mas seus personagens não são cópia de ACM. Na verdade, o senador e o prefeito são uma espécie de antologia do pior dos políticos brasileiros. ‘Também nos inspiramos em Fernando Henrique’, diz ele. O público está gostando de ver na novela um replay do conteúdo do Jornal Nacional. Tanto que os autores já planejam a volta do personagem de Lima Duarte à trama. Falta inventar um pretexto: ‘Vamos esperar qual vai ser a próxima sujeira’, diz Ricardo.

Afinal, o senador Victorio Viana, vivido por Lima Duarte, ou o Félix, desempenhado por Antônio Fagundes, são inspirados no senador Antônio Carlos Magalhães?

Não é só nele. Na verdade, nós nos inspiramos no noticiário político. Usamos notícias que envolveram o Antônio Carlos Magalhães, mas também o Fernando Henrique.

Qual foi o episódio baseado em Antônio Carlos Magalhães?

O Félix (Antônio Fagundes) gravou uma fita em que o senador dizia que sabia os podres de todo mundo e que usava estas informações para ganhar vantagens. Depois, ameaçou divulgar a fita se ele não fosse o indicado pelo senador a candidato ao governo do estado. Este episódio foi inspirado na conversa do ACM que foi gravada por um procurador federal.

Houve outros?

Teve o caso da vice-prefeita, que resolveu ajudar os pescadores da cidade com o crédito da Sudeporto, uma superintendência que é uma maracatuaia no estilo da Sudam. O Fagundes chiou e ela ameaçou então criar uma CPI da corrupção.

E o Fernando Henrique, inspirou o que?

Este ainda vai ao ar esta semana. O Félix está cansado de saber que a fábrica de tecidos dele polui o rio da cidade. Mas quando a oposição conseguir que um fiscal venha `a cidade, ele vai dizer: ‘Que surpresa! Eu não sabia’. Igualzinho ao FH, que não sabia que ia faltar energia.

Por que vocês fazem questão de incluir fatos tão atuais na trama?

É um diferencial para a novela, dá peso político e gera comentários entre o público. Leio todas as revistas e jornais e falo muitas vezes por dia com o meu parceiro, Aguinaldo Silva. Quando acontece algo, a gente logo diz: ‘Vamos dar um jeito de colocar isso na trama’. Mudamos o texto de um dia para outro.

Como tem sido a repercussão dos personagens políticos?

Dizem que o Antônio Carlos, que sempre foi noveleiro, deixou de ver, porque não gostou da maneira com que os políticos estão sendo retratados na novela.

Mas vocês receberam algum recado do senador ou da direção da Globo para diminuir o tom crítico?

Não, temos inteira liberdade para escrever o que quisermos.

E a reação do público, qual foi?

Não fizemos nenhuma pesquisa de opinião específica sobre este tema, mas a novela tem um Ibope muito bom, com média de 47 pontos e picos de 52. A repercussão nos jornais tem sido tão grande que estamos pensando em trazer de volta o Lima Duarte, que deveria ter sido apenas um participação especial na novela.

Vocês já sabem como vai acontecer este retorno?

Não, estamos tentando bolar. Vamos esperar para ver qual vai ser a próxima sujeira.

Qual é a melhor novela, a do Senado ou da televisão?

A da TV. Com ela a gente ri, a do Senado só dá raiva. Além disso, na ficção a gente sempre pode mudar o final."



Marcel Gomes

"Para jornal de ACM, PM conteve ‘desordem’ na BA", copyright Carta Maior (www.cartamaior.com.br), 17/05/01

"Esse foi o tom da reportagem publicada pelo Correio da Bahia sobre as manifestações que pediram ontem, em Salvador, a cassação do senador baiano

A Tarde e Correio da Bahia, os dois principais jornais baianos, trouxeram visões bem distintas sobre a repressão da Polícia Militar ao ato realizada ontem, em Salvador, para apoiar a cassação dos senadores Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda. Os dois são acusados de terem participado no caso da violação do painel do Senado. A manifestação reuniu cerca de 5 mil pessoas, entre estudantes, políticos e sindicalistas, no campus vale da Canela da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e virou pancadaria quando PM percebeu que os manifestantes tentariam chegar até o apartamento de ACM, localizado próximo à universidade.

A Tarde, que faz oposição ao senador baiano, destacou em sua manchete de hoje que ‘Agressões atingem a democracia’. A reportagem afirmou que a ação da polícia foi ‘violentíssima’ e contrariou a justiça, já que os policiais militares desrespeitaram a autonomia universitária ao permanecerem na UFBA, área exclusiva da ‘polícia federal’. O jornal destaca ainda que o coronel da PM Walter Leite desrespeitou os diversos mandados de segurança que surgiram durante o dia, todos exigindo a desocupação da universidade. Sobre um deles, autorizado pelo juiz federal substituto da 2ª Vara Especializada Criminal da Bahia, Márcio Flávio Mafra Leal, o coronel disse que só o respeitaria se a ordem fosse anunciada por dois oficiais de justiça.

Já o Correio da Bahia, periódico controlado pela família Magalhães, não teve dúvidas: estampou no título da primeira página ‘PM contém desordem’ e não citou uma única vez, na reportagem principal sobre o assunto, que a manifestação foi organizada para defender as cassações de ACM e de Arruda. Para os jornalistas do Correio, a ‘PM conteve (...) a desordem’. O jornal também procurou demonstrar, logo na abertura da reportagem, que a manifestação não foi realizada apenas por estudantes universitários, mas também por ‘militantes radicais do PSTU, grupos de anarquistas e punks (...) e até integrantes do Movimento dos Sem Terra trazidos do interior do estado’.

Defendendo a ação da polícia, que prendeu 4 estudantes e deixou 30 feridos, o jornal disse que ‘a PM agiu de forma moderada, usando bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo. Enquanto a maioria se dispersava, manifestantes radicais atiraram pedras na PM e fizeram várias operações de bloqueio da pista do Vale do Canela para impedir a movimentação da tropa’.

Maior jornal baiano, o A Tarde tem circulação de 45.124 exemplares nos dias úteis e de 101.428 aos domingos, segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC). O Correio da Bahia, que não ‘participa’ do IVC, informa que circula 28.000 exemplares nos dias úteis e 40.000 aos domingos."



Andréa Portella

"Jornal de ACM apresenta versão única dos fatos", copyright O Estado de S. Paulo, 18/05/01

"Nas páginas do Correio da Bahia, há um mundo sem quebra de decoro, possibilidades de renúncia ou cassação e sem manifestações contra o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). O jornal, que pertence à família do peefelista, considerou que a notícia mais importante a apresentar ontem era o fato de a Polícia Militar ter controlado a ‘baderna’ (na realidade, uma manifestação) em Salvador, em que houve uma ‘suposta’ invasão do campus da Universidade Federal da Bahia (o campus foi invadido) em que a PM agiu ‘de forma moderada’ (professores e estudantes foram agredidos e feridos).

Detalhe: o jornal não diz por qual motivo começaram os protestos e os confrontos com os policiais (o pedido de cassação de ACM). No texto da manchete ‘PM contém desordem’, os protestos ‘encabeçados por partidos de oposição, militantes radicais do PSTU, grupos anarquistas e punks’ simplesmente não tinham porquê.

Mais adiante, na coluna Em Foco, Antônio Jorge Mourafaz uma análise do que ocorreu em Brasília. Para ele, o mais importante do relatório de Saturnino Braga (PSB-RJ) era ser um ‘palanque’ de uma possível candidatura do parlamentar pelo PT. Segundo Moura, Saturnino, vestindo o ‘manto escarlate de inquiridor’, esteve à frente de um ‘tribunal de exceção’. O Correio não publicou o que pensavam outros parlamentares que não integram a chamada ‘tropa de choque’ de ACM.

Contraponto - O jornal concorrente, A Tarde, que faz oposição a ACM, mostrou os acontecimentos de forma diferente. ‘Manifestação levou 15 mil às ruas’, registrou em manchete.

Com críticas à ação da PM, os textos davam conta de 18 feridos depois da ação ‘moderada’ descrita pelo Correio da Bahia."



Volta ao índice

Imprensa em Questão – próximo texto

Imprensa em Questão – texto anterior



Mande-nos seu comentário



Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe