PCC
Folha de S. Paulo

"Jornais destacam rebeliões em série", copyright Folha de S. Paulo, 20/02/01

"Os principais jornais do exterior publicaram a notícia das rebeliões no Estado de São Paulo, ocorridas no domingo.

Os sites das publicações na Internet trouxeram informações de agências internacionais ou de seus correspondentes no país sobre os motins.

Entre os veículos que mantêm jornalistas trabalhando no Brasil, muitos, como o ‘Corriere della Sera’, da Itália, e o ‘Washington Post’, dos Estados Unidos, destacaram o grande número de detentos e reféns envolvidos e a ação coordenada das revoltas em penitenciárias. A organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) também teve destaque no noticiário internacional.

O texto do diário italiano, assim como o do ‘Financial Times’, da Inglaterra, e outros, lembrou a morte de 111 detentos pela polícia, em 1992, no Complexo Penitenciário do Carandiru, o maior presídio da América Latina e o segundo maior do mundo.

O ‘Corriere della Sera’ afirmou que o PCC controla, de fato, os presídios.

Já o jornal da capital norte-americana ressaltou nos primeiros parágrafos o grande número de crianças entre as visitas que ficaram reféns.

O fato de a rebelião ter sido acompanhada por muitos telespectadores brasileiros ao vivo também foi mencionado pelas publicações estrangeiras.

Como os jornais brasileiros, muitas informações foram levantadas a partir das imagens transmitidas pelas emissoras de TV. Algumas delas foram descritas como ‘espetaculares’.

O diário espanhol ‘El Pais’ classificou de ‘impressionante’ a onda de rebeliões em São Paulo."



O Globo

"Jornais europeus mantêm noticiário", copyright O Globo, 21/02/01

"Dois dos principais jornais franceses, o ‘Libération’ e o ‘Le Figaro’, abriram ontem o seu noticiário internacional com reportagens sobre a rebelião gigante nos presídios de São Paulo. Em página inteira, com foto dos presos dominados pela polícia, o ‘Libération’ afirmou: ‘São Paulo retoma suas prisões da máfia’. O jornal conta o espanto do ministro da Justiça, José Gregori, ao admitir que ‘ninguém poderia imaginar que a associação criminosa estivesse em tal nível de organização’.

O ‘Figaro’ destacou a opinião de um funcionário do Carandiru: ‘Somente 15 mortos entre os presos. Conseguimos evitar um massacre’. A reportagem, a principal da editoria Internacional, lembra o massacre de 111 presos em 1992 e chama a atenção para as dimensões do PCC: ‘Cinco mil presos que controlam o tráfico de drogas e de armas nos presídios de São Paulo’.

A rebelião aparece também na imprensa alemã. Segundo o jornal ‘Tagesspiegel’, foi a maior revolta de prisioneiros da história do Brasil. O diário de Berlim diz que a principal causa da revolta são as condições desumanas dos prisioneiros, sobretudo na capital paulista. O jornal cita um documento da Organização Mundial da Saúde, que considera terríveis as condições das penitenciárias brasileiras."



Ivan Angelo

"O momento de avaliar e fazer mudanças", copyright Jornal da Tarde, 22/02/01

"Passado o arrastão de rebeliões, chegou o momento dos balanços, dos planos, da preparação: o que houve de errado, o que fazer? Na televisão, esse ângulo dominou os telejornais e as entrevistas especiais. Ontem, no SPTV 1.ª Edição, o secretário da Segurança Marco Vinício Petreluzzi deu uma entrevista com conteúdos interessantes. Disse que a espetacularidade do motim nos presídios de certa forma obscureceu a ação das autoridades carcerárias e policiais. A resposta, disse ele, foi dura e sem excessos, e impediu fugas, que eram, sim, um dos objetivos do movimento. O lado otimista de se olhar a rebelião, segundo a interpretação que se pode fazer de suas palavras, é que ela gerou uma ótima oportunidade para mudanças. O governo federal mostrou-se disposto a uma ação, os estaduais, a Justiça e principalmente a sociedade, que se mexe e se mobiliza sempre que leva um susto como este.

Alternativas A necessidade de a Justiça passar a aplicar penas alternativas foi um dos assuntos predominantes nas entrevistas. Não creio que o público da tevê brasileira saiba o que é isso. Os telejornais deveriam fornecer à população informações que a ajudassem a formar uma opinião. Matérias explicando que penas poderiam ser aplicadas em vez de cadeia, que tipo de crimes e de criminosos (só primários) deveriam recebê-las, que serviços à comunidade poderiam ser prestados durante quanto tempo, como esse sistema funciona em vários países, como está funcionando em alguns tribunais brasileiros. Renato Lombardi disse na Band que um dos problemas do sistema no Brasil seria a falta de fiscalização. Seria preciso abordar isso também. Lembrou Lombardi que muitos presos em regime de semi-liberdade (dormem na prisão e teoricamente trabalham fora) assaltam de dia e vão dormir na cadeia. Sim, há. Mas não seria a esse tipo de criminoso que se aplicariam as penas alternativas. Essa parece ser a melhor forma de não inchar tanto os presídios.

Processos - Um absurdo repetido nos balanços da rebelião na tevê: não se sabe quantos presos já cumpriram pena e não são libertados porque não têm advogado para fazer andar os processos. A Justiça deveria fazer um mutirão, nos próprios pátios dos presídios, para apurar quem já pagou e continua preso. É preciso dar lugar para gente pior que está sendo diplomada diariamente nas escolas do crime.

Palavras - ‘Paz, justiça, liberdade’. Essas três palavras tão maltratadas foram vistas pelos telespectadores em todas as reportagens da televisão, escritas pelos presos em faixas, cartazes, nos muros e no chão. Não vi nenhum repórter, âncora ou apresentador questioná-las, nem espantar-se. Algum jornalista deveria ter procurado explicá-las, para atender ao telespectador perplexo; deveria entrevistar algum preso do PCC para entendermos direito o que eles querem dizer com tais palavras. Que ‘paz’? Essa que os leva a cortar cabeças dos colegas? Essa dos facões, pistolas, celulares, que as imagens da tevê mostraram? Que ‘justiça’? Acaso sentem-se injustiçados? Em que aspectos? Que se dê um significado à palavra, no caso o significado deles, para que se saiba o que eles querem dizer e se livre o espectador da perplexidade. Que ‘liberdade’? Será que eles querem a rua? De que liberdade estão falando? Da mesma que a sua, a nossa?

Tiros - A Band e a Record mostraram repetidamente uma cena fortíssima, no domingo e na segunda-feira: um policial, de cima do muro do Carandiru, metralhando presos lá embaixo, no pátio. Três são baleados, jorra sangue deles no chão. Cessam os tiros, alguns presos arrastam os feridos, uma grossa faixa de sangue fica no chão. Não se fala em apurar responsabilidades, identificar o atirador, saber de quem partiu a ordem. Foi nervosismo? Excitação? Excesso? A explicação desse comportamento isolado talvez ajudasse a esclarecer o que ocorreu naquele massacre dos 111 mortos."



Volta ao índice

Imprensa em Questão – próximo texto

Imprensa em Questão – texto anterior



Mande-nos seu comentário



Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores | Modo de Usar
Banca | Jornalistas na Net | Equipe | Quem é você