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Naya é estrutural

O


desabamento do edifício construído por Sérgio Naya revelou também os dilemas estruturais da imprensa brasileira. Jornalismo reativo. Conta o drama de vítimas de tragédias que não soube ajudar a prevenir. Competente na cobertura do acontecido - desde que não ocorra nas periferias -, desarmado diante de armações que se fazem e refazem no cotidiano.

A televisão repete centenas de vezes a cena da implosão, os jornais publicam dezenas de vezes as mesmas fotos. Isto não é informação. É clima. Criação ou reprodução de um clima febril que falta na hora de pautar e apurar.

As partes - Congresso, governos, Justiça, jornalistas, vítimas e seus parentes, vizinhos solidários - reagem, segundo as regras da democracia mediática, ao que supõem ser a expectativa das outras partes, em processo de realimentação múltipla. Intermediários, além de atores, são os meios de comunicação.

Apenas esmagar Naya, "o" vilão, seria uma operação criminosa, com ou sem dolo. Naya deve ter o que merece, sim. Mas o que interessa é o "sistema Naya", que já se chamou Calmon de Sá, Lutfalla/Maluf, Andreazza, Wolney Atalla, Levison, Assis Paim, Garnero, Nahas/Camões, PC/Collor - retorno, em escala megalomaníaca federal, aos velhos Adhemar e Lupion.

Naya é inconcebível sem sub-Nayas e super-Nayas, e coniventes e omissos. Eles o antecedem e lhe sobreviverão. É a isto que se precisa dar resposta.

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