20/01/2004

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SELF ESTEEM...
Mídia americanizada
finge que é patriota

Alberto Dines

A "guerra" Brasil-EUA tão estimulada por uma mídia sem assunto faz lembrar aquela piada do patrício preocupado com a nossa situação econômica que imaginou um Plano Marshall (igual ao que os EUA usaram para a recuperação dos inimigos derrotados na 2ª Guerra Mundial).

"Tudo bem, entramos em guerra com os EUA, eles reabrem o Plano Marshall e nos passam uma boa grana. [pausa] E se ganharmos?..."

Os viajantes da Venezuela e da Argentina também são fichados ao chegar aos EUA e as respectivas auto-estimas não produziram este pré-carnaval xenófobo.

"Piloto dos EUA ofende o Brasil e é preso." Com esta manchete de primeira página na quinta-feira (15/1), o Diário de S.Paulo certamente preparava os ânimos para uma passeata ao consulado americano, a queima de bandeiras ianques, a malhação de algum Tio Sam de palha ou o desembarque das nossas tropas para ocupar a Disneylândia – ao som de uma banda de heavy metal e a presença de alguns skinheads vestidos a caráter.

A verdade é que o anti-americanismo made in Brazil é americaníssimo, thanks God. Se nossas milícias nacionalistas não tivessem medo das multas inventadas pelo deputado Aldo Rebelo para proteger o vernáculo marchariam cantando Stars and Stripes sob a batuta de algum talentoso DJ (leia-se di jei)

Aquele dedo em riste mostrado pelo piloto Dale Hersh só é obsceno para quem não sabe que o equivalente gestual no Brasil é o circulo composto pela junção do indicador e o polegar acompanhado pela expressiva alocução "aqui, ó..."

Ninguém se lembra da reciprocidade na hora de adotar os modismos anglo-saxões e, assim, colonizados até na malandragem, esquecemos da brasileiríssima "banana", muito mais expressiva e sonora.

Convém não esquecer que a onda ianque ganhou dimensão graças à submissão da nossa mídia a tudo o que vem de fora. Quanto maior a imbecilidade, maior a nossa adesão. Agora, para livrar-nos desta praga, conviria algo mais sério do que a guerra de araque que só interessa aos idiotas ao sul e ao norte do rio Grande. [Texto fechado às 22h de 19/1/04]

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