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CPI DOS BANCOS
Comentando Dora Kramer II
José Rubens Barbosa Júnior (*)
O artigo de José Rosa Filho, Comentando Dora Kramer II é ótimo (veja remissão abaixo). Todavia, como procurador do Município de São Paulo, não posso deixar de assinalar que a palavra procurador não tem em português a acepção conferida. Ela provém do latim "pro curare", isto é, para cuidar.
(*) José Rubens Barbosa Júnior é procurador do Município de São Paulo
Resposta de José Rosa Filho
Prezado Dr. José Rubens, antes de tudo, agradeço as palavras elogiosas aos comentários que fiz, no Observatório da Imprensa, sobre artigo da jornalista Dora Kramer a respeito de ação de procuradores, no exercício de sua função, na casa de Francisco Lopes. Elogios que divido com o Observatório, que tem concedido, a mim e a milhares de brasileiros, a oportunidade rara de expressar sua opinião sem censura de qualquer espécie.
Com relação ao sentido exato, conferido por mim, à palavra "procurador" gostaria de dar algumas explicações. Na verdade, estava eu somente repetindo o que escrevera o grande Carlos Heitor Cony. Aliás, Cony domina perfeitamente o latim e mesmo o grego, portanto deve conhecer a verdadeira acepção da palavra. Não seria eu, com o meu latim ginasial, quem ousaria discutir com V. Exa. Ocorre que, por curiosidade, fui pedir socorro à enciclopédia Larousse Cultural e lá encontrei "Procurador", do latim "procurator", como sendo a pessoa que procura. E o verbo procurare significando procurar. O mesmo significado encontrei no Dicionário Etimológico Nova Fronteira, de Antônio Geraldo da Cunha.
E V.Exa. disse que "procurador" vem do latim "pro curare", significando "para cuidar". De qualquer forma, repito, não domino o latim. Sendo assim, deixarei esta questão com V.Exa. e Carlos Heitor Cony.
O que desejava demonstrar com o meu artigo é que não houve excesso de quem quer que seja, como grande parte da mídia atrelada ao governo informou. E os dignos jovens procuradores que estiveram na casa de Francisco Lopes, "para cuidar", ou para procurar, merecem os aplausos de todos os brasileiros livres. Mais do que tudo, o Cony estava usando do que costumamos chamar de liberdade literária, o que se usa quando a intenção é dar a uma determinada expressão um sentido de domínio comum a todos os leitores, da área jurídica ou não. Porque fica claro que os procuradores foram lá procurar alguma coisa, tanto é que acharam. E como! No mesmo sentido, lembro-me de leitura que fiz há muitos anos de uma carta de Alexandre Herculano, o grande escritor português, dirigida a um amigo preocupado com o real sentido de uma palavra que desejava usar, e aí o mestre lhe disse para que não aprisionasse as palavras, que elas não são letras mortas, têm alma e que lhes desse asas, que elas voariam, livres, criariam novos significados e acabariam por enriquecer ainda mais o idioma pátrio. Lembro-me que um outro procurador, talvez o mais conhecido da história falo de Pilatos. Quando Jesus lhe disse que "quem ama a verdade escuta a minha voz", perguntou ao Mestre: "Verdade, e o que é a verdade?" Não viu ele que a verdade estava ali na sua frente. Estava o procurador preso à letra e não ao essencial.
Mais uma vez, agradeço a atenção de V.Exa. (J. R. F.)
Comentando Dora Kramer III
Vera Silva (*)
Quando pequena, aprendi a ler jornal com o meu pai. Lia o Diário de Notícias, o Correio da Manhã, deliciava-me com os cronistas que davam vida às suas páginas e virei maníaca por jornal.
Adoro ler jornal. Contudo, até a revolução (?) de 1964, eu acreditava que quem escrevia, escrevia o que pensava. Foi uma paulada na moleira descobrir que não era bem assim. Mas, sobrevivi. Os jornais alternativos e a vida me ensinaram a ler jornal de outro jeito.
Mas qual é o outro jeito de ler jornal?
A pergunta começou a me perturbar quando li, na edição de 20/5/99 do Observatório da Imprensa, os artigos que comentavam os recentes escândalos da nossa República, bem como a ação dos "CPIenses", dos jornalistas e do Ministério Público. Pareceu-me que todos nós escrevíamos diferentemente, embora sentíssemos a mesma indignação.
Embora eu também queira que os ladrões que atacaram o Tesouro Nacional sejam presos, que o produto do roubo seja confiscado e devolvido ao Tesouro, que todos os meios legais sejam usados para ressarcir o povo brasileiro destes assaltos ("chame o ladrão!"), que não tenhamos gentilezas com estes assassinos da dignidade nacional, peço licença para uma observação: os fins, na democracia, não justificam os meios.
Pareceu-me que foi isto o que Dora Kramer, Luís Nassif e outros quiseram dizer em seus artigos. A procuradora Ana Lúcia Amaral, em seu texto, chamou, inclusive, a atenção quanto à "nefasta prática de fazer da coisa pública uma utilidade pessoal" ou pegar carona com quem o faz, acrescento eu.
A origem de todos esses escândalos vem dessa prática, do uso da força como instrumento de lei e da perpetuação disso através das medidas provisórias. Todos assistimos ao desenrolar desses fatos desde 1964, mas parece que nos acostumamos com isto de tal forma que nos damos conta somente agora, após sermos vergonhosamente mal administrados e explorados, que os governos no Brasil são um grande acordo entre amigos.
Acostumamo-nos a gostar de ter amigos poderosos e neles votar para garantir alguma vantagem que de outro modo não teríamos; a fazer de conta que somos cegos, surdos, mudos para não perdermos o emprego ou alguma vantagem; a transitar na ilegalidade porque os outros também o fazem; a publicar uma notícia sem verificá-la porque a fonte é uma autoridade; a deixar de publicar uma notícia porque uma autoridade nos pediu, ou pressionou o nosso editor.
Perdemos a capacidade de pensar eticamente, deixamos de separar a coisa pública da coisa privada. Passamos anos a lutar contra ou a favor das privatizações, quando o problema era proteger a coisa pública dos espertinhos de plantão. Pensamos durante anos que fazer boas leis garantiria a democracia, esquecendo-nos de que democracia se faz com ações democráticas, e não com belas palavras.
Agora, estamos diante de um momento de perplexidade e não sabemos o que fazer; botamos a boca no trombone e trombamos uns com os outros: invade ou não invade, invadiu ou não invadiu, ACM sim ou não, FHC sim ou não, certo ou errado, inocente ou covarde??? Parece que, no estupor de tanta prevaricação, estamos, como as crianças, dizendo: não fui eu, mãe, foi o gato.
Qual o sentido de nos tornarmos adeptos do açodamento e do arrepio à lei? Será que vamos começar a achar que a lei, quando o crime é bárbaro, deve ser arrepiada porque "bandido bom nasce morto"? Eu não quero voltar à barbárie, quando quem pode mais fala mais alto.
Eu quero justiça, e estou disposta a esperar por todos os trâmites legais para ver os corruptos e os corruptores na cadeia, prestando serviços compensatórios ao povo brasileiro. Ouvi o professor Cristovam Buarque afirmar que, somente com o que perdemos nestes dois últimos escândalos, poderíamos colocar todas as crianças brasileiras na escola, tirando-as do trabalho, das ruas e da fome, e ainda sobraria dinheiro.
Quem sabe perceberemos que estamos, a maioria dos jornalistas, leitores e povo brasileiro, do mesmo lado deste cabo de aço... Basta apenas puxar e derrubar esses maus administradores. Mas, por favor, dentro do espírito e da letra da lei, ou nos tornaremos tão grandes hipócritas quanto esses que bombardeiam o mundo.
(*) Psicóloga.
JORNALISMO GLOBAL
A lógica torta do JN
Douglas Duarte
Depois de meu artigo publicado no Observatório de 20/4/99 (veja remissão abaixo), "Trabalho, idade e a lógica torta do JN", o apresentador do jornal, William Bonner, enviou comentário sobre o referido texto, talvez se excedendo um pouco. Na minha condição de "assistidor" e leitor, gostaria de esclarecer também alguns comentários do apresentador:
1) Realmente fui injusto (ou inexato, me desculpe) em dizer que a matéria chamava de crianças um adolescente de 17 anos. O que não muda é o fato de que ele movimentava a máquina com a própria força sem nenhum problema. Ademais, são poucos os adolescentes na região do semi-árido que não parecem crianças. O da matéria foi a exceção que confirma a regra.
2) Eu realmente estou satisfeito em ver crianças trabalhando na frente de suas casas, em vez de cortar cana-de-açúcar a 30 centavos por tonelada, na fazenda de algum latifundiário que prenda sua família lá por meio das dívidas que ela tem no "barracão". Se o apresentador não sabe a diferença entre trabalho familiar (duvido que tenha algum exemplo de fracasso total) e exploração do trabalho infantil para a mendicância, parece estranho que tenha chegado à posição que ocupa. Creio que qualquer pessoa de bom senso vê a diferença. Na sua réplica, continua faltando o nome dos "exploradores".
3) Realmente, esse trabalho familiar que agradeci aos céus por ato falho (sou agnóstico) é realmente resultado lamentável e triste da miséria. Por que então criticar a conseqüência, enquanto as causas da miséria ficam impunes? Será que não é mais eficiente e ético criticar o que gera o lamentável e triste? O graças a Deus vai para a alternativa encontrada. A mendicância, a prostituição, o roubo, o suicídio e o crime são alternativas bem piores, não acha?
4) Achei o texto melodramático. É o resultado do que a Globo tem praticado sistematicamente no Jornal Nacional e no Fantástico, e nos corredores globais deve ter o nome de "apelo popular". Apesar disso, acho que o trabalho infantil é um tema que exige cautela e o exagero pode ser, paradoxalmente, um bom caminho para encontrar o balanço.
5) Gostaria que o apresentador tivesse usado as primeiras linhas de sua réplica (item 5) na referida matéria dos aposentados mineiros, e os caracterizasse como vítimas também, como fez com as crianças. Sua argumentação neste Observatório contradiz o que você mostrou no Jornal Nacional. Por que não dizer aos milhares de espectadores do JN, em vez de para a audiência relativamente diminuta do Observatório, que os aposentados são mal-amparados pela Previdência? Vamos dar aos problemas a solução que eles devem ter!!! Sorrisos de desespero e falta de alternativas não são a solução em nenhum estágio.
Tudo isso me deixa profundamente mal-humorado, tanto a realidade quanto a maneira como ela foi (mal) retratada no Jornal Nacional. Talvez se o JN observasse as coisas de forma mais mal-humorada ganhasse algo que lhe falta: rigor crítico.
Finalmente, gostaria de saber a qual preconceito o apresentador se refere. Se é preconceito com a Globo ou o JN, é bom lembrar que o Brasil acompanha o jornal e vice-versa há mais de 30 anos. Não é possível formar um preconceito de algo que se viu do berço, conviveu durante a adolescência e se continua assistindo quando adulto. O que se forma é uma imagem baseada no conhecimento diário e objetivo de um jornal televisivo. Chame isso de pós-conceito, não de preconceito, por favor. (D.D.)
Resposta de William Bonner
Recebi, do Observatório, o texto original do missivista Douglas Duarte. Embora os revisores do O.I. certamente devam cuidar dos deslizes ortográficos e gramaticais do material, apresento-me para fazer reparos de outra natureza ao missivista. Desde já prometo serem, estas, minhas últimas observações motivadas por ele.
Em resposta ao item 1, digo que o missivista foi injusto ao desculpar-se apenas pela inexatidão do item 1. O Sr. Douglas é inexato e injusto em todos os itens de sua agressão.
Sobre o item 2, digo que discordo do missivista na essência da questão. Sou contrário ao trabalho infantil. Considero satisfatória a situação em que crianças estudam e adultos trabalham. Muitas cidades brasileiras têm iniciativas bem sucedidas na defesa deste pensamento.
Algumas já foram exibidas pelo Jornal Nacional como exemplos para prefeituras de todo o país. Sobre o item 3, digo que, nos três anos em que tenho integrado a equipe do Jornal Nacional como editor e apresentador, foram exibidas reportagens sobre corrupção, inépcia e desvio de verbas públicas nos três poderes da República. Executivo, Legislativo e Judiciário estiveram devidamente representados por alguns de seus maus integrantes. Há certo consenso, entre especialistas, sobre o fato de que são tais crimes os maiores causadores da miséria em que se encontram milhões de brasileiros.
Sobre o item 4, a confusão de idéias do missivista dispensa comentários.
Sobre o item 5, digo, constrangido, que o missivista exibe a sinceridade dos políticos de ocasião. Usa exclamações ("Vamos dar aos problemas a solução que eles devem ter!") cujo conteúdo equivale ao dos mais picaretas autores de best sellers de auto-ajuda. De objetivo, nota-se a cobrança de reportagens, no JN, que mostrem como o aposentado brasileiro é mal amparado, que há desemprego no Brasil. Mas quem verdadeiramente assiste ao Jornal Nacional viu, no mesmo período, reportagens sobre o labirinto burocrático para a concessão da aposentadoria, a frustração do cidadão com os valores pagos pelo INSS depois de décadas de contribuição, casas medievais de tortura travestidas de asilos, quadrilhas de estelionatários especializadas em aplicar golpes em aposentados... e filas e mais filas de aposentados em busca de saúde, do "benefício" no banco.
E filas, e protestos, e soluções encontradas por trabalhadores em busca de emprego. E reportagens quase diárias sobre desemprego, e uma série especial em que as causas do desemprego no Brasil e no mundo eram analisadas por especialistas no assunto. Repito: quem verdadeiramente assiste ao JN, viu.
Em respeito aos leitores do Observatório e em atenção ao pedido do Sr.Douglas , digo que o "pós-conceito" que tenho do missivista é o de um cidadão que apresenta falsa identidade ao declarar-se "assistidor" do Jornal Nacional. Atenciosamente, W. B.
JORNALISMO E HISTERIA
Imprensa, mídia e violência
Carlos Vogt
Estou convencido de que a nossa imprensa/mídia presta um desserviço ao cidadão; quando puxada pela competitividade do mercado jornalístico, deita a multiplicar informações escabrosas sobre casos escabrosos de violência física e moral. Não que ela seja a causa final dos descalabros sociais em que vamos nos metendo, no dia-a-dia de nossos sustos, de nossas desesperanças, de nossos desalentos e de nossos sentimentos de horror e impotência diante da escalada fenomenal e gratuita da morte corriqueira e da agressão banal. Mas o fato de não conseguir estabelecer o distanciamento crítico necessário para a negação do horror, o fato de mostrar, açodada, a crueza do horrível para estar on line com a instantaneidade do acontecimento, acaba por embrutecer, na pressa, a sua capacidade interpretativa e, por conseguinte, a própria relação construtiva e edificante que deveria manter com seu leitor/espectador.
Um outro aspecto dessa leviandade ética e reflexiva está contido na atitude exploratório-"requentativa" que a imprensa/mídia tem para com os assuntos quentes das aberrações sociais e dos escândalos políticos. Nesses casos, a tendência é esticá-los até arrancar-lhes a última gota da eficiência comercial. Aqui as alianças são a chave do sucesso: o político quer palco, o palco quer holofote, o holofote quer espetáculo, o espetáculo quer escândalo, o escândalo quer "mocinhos", os "mocinhos" querem votos, os votos querem ilusão, as ilusões querem teatro, o teatro quer a mídia/imprensa, a mídia/imprensa quer o político.
No teatro dos horrores, as coisas se passam mais ou menos da mesma maneira, a levar-se em conta as motivações declaradas do assassino da Praia do Cassino, no Rio Grande do Sul, que matou sete pessoas, mas cuja meta era matar mais do que o "Maníaco do Parque", em São Paulo, para com ele competir em mórbido desempenho e em notoriedade macabra.
Um terceiro aspecto constitutivo do desserviço à cidadania prestado pela imprensa/mídia está na obsessiva necessidade de, a cada catástrofe social "ocorrida" na grande mídia internacional, buscar congêneres nacionais e domésticos para dar mais familiaridade ao horror confraternizado do jantar à luz de telejornais. E se no dia não houver nenhum caso doméstico que se enquadre, é só esperar pelo dia seguinte e, batata, lá estará na telinha o menino de classe média que foi flagrado, na escola, com a arma do parente mais velho.
O caso dos pit bulls, então, é antológico.
Como tudo é feito em cima do acontecimento, sem que haja espaços para o tempo narrativo imprescindível ao amadurecimento ficcional da realidade, esta está sempre prestes a ser vendida como a realidade nua e crua de si própria. Desse modo, tudo o que se conta, acontece, ou é como se acontecesse ao mesmo tempo em que é contado, ficando o fato achatado no acontecimento, sem densidade, sem profundidade, sem perspectiva de leituras posteriores.
Contra a violência dos cachorros da referida raça, a mídia/imprensa foi capaz de desencadear uma espécie de histeria coletiva contra toda a espécie e não faltou quem não saísse às ruas matando, literalmente, cachorro a grito.
Não vá agora a nossa imprensa/mídia, pela exposição desmedida do auxiliar de enfermagem Edson Isidoro às altas voltagens das medições do Ibope e ao sucesso das tiragens, cometer a imprudência inconsciente de estar motivando, pelo Brasil afora, a criatividade macabra de outros profissionais da combalida saúde nacional.
LINGUAGEM
A imprensa como agente de
desnacionalização da língua
Marcos Santarrita (*)
Qualquer tradutor de inglês que, no exercício da profissão, escrevesse o que falam os técnicos da nossa equipe econômica seria, no mínimo, ridicularizado. A "percepção" (visão) de Pedro Malan, o "viés de baixa" (tendência de baixa) de Armínio Fraga e a "alavancagem" (leverage, uso de influência) dos políticos em geral são simplesmente isso: inglês mal traduzido. Mas o pior é que esse pedantismo passa para a acrítica imprensa, que não apenas reproduz tais asneiras, como as incorpora e as repassa para o cada vez mais desnacionalizado português do Brasil. Não por acaso somos o único país não anglófono do mundo em que SIDA (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida) é AIDS e ADN (ácido desoxirribonuclêico) é DNA.
A Folha de S.Paulo já há muito fala em "dez semanas" (dois meses e meio) e refere-se a mulheres pelo sobrenome. No Brasil, sabe-se, só se toma o dia como unidade de tempo até sete, quando passa a ser semana, e esta até quatro, quando passa a ser mês, e assim por diante, até o semestre, o ano; o lustro, a década; a não ser nos casos em que se requer precisão (gravidez, prestações), este uso jamais é mudado. Quanto aos sobrenomes, nem aos homens nos referimos, a não ser excepcionalmente, por eles. Ninguém chama o atual presidente de Cardoso, nem o do Senado de Magalhães. Só nos casos em que a pessoa já chega à vida pública conhecida pelo sobrenome, Brizola, Arraes, Sarney, ou quando é militar, devido à prática nas casernas, o costume é quebrado. Mulheres, nunca houve uma Cardoso (Zélia) ou Silva (Benedita). Até tempos atrás, nas traduções do noticiário internacional, para manter-se próximos do original, os redatores acrescentavam um "Sra.", "Srta.", "Dra." aos sobrenomes das mulheres citadas; onde vinha Thatcher, punha-se "a Sra. Thatcher". Hoje, vêem-se em resumos de filmes para televisão pérolas como "Wagner apaixona-se por Reynolds", e não se pode fugir à impressão de que se trata de uma história sobre homossexuais. Amanhã, se Hillary for eleita, teremos outro presidente Clinton.
A história, porém, vem de longe. A partir da década de 60, graças à sublime intelectualidade dos roqueiros (o Brasil é provavelmente o único país do mundo civilizado em que compositores e cantores populares são considerados intelectuais), canção, um gênero definido da música popular brasileira (vide o samba-canção), virou sinônimo daquilo que antes chamávamos de "música". Conjunto de rock virou banda, para nós aquela formação basicamente de metais que animava os coretos e desfiles militares, também às vezes chamada de lira, e que em alguns casos tinha até o carinhoso apelido de charanga. De repente, os compositores, populares e clássicos, viraram escritores. Nenhum deles compõe mais; todos escrevem ("canções"), pelo simples fato de que em inglês eles write. Não demora muito, e teremos "palavras e líricos" em lugar de "música e letra".
Tudo isso, claro, via imprensa. Mas a coisa não pára por aí. Há também o puro e simples desconhecimento das nuanças do idioma falado no Brasil. O deslocado pudor das apresentadoras de televisão as leva a falar em fêmeas animais "grávidas", como a macaca Capitu, de Brasília; espera-se o dia em que se anuncie a "prenhez" de uma dessas belas moças. Por sua vez, a seção "Língua Viva", sobre questões de português, no Jornal do Brasil, gasta colunas discutindo sexo dos anjos como os cacófatos que para quem leva o assunto a sério só existe, e mais uma vez a não ser em casos excepcionais, na língua falada e não vê que, no próprio jornal, colunistas famosos, praticamente todos os fixos, os que têm coluna diária sob seu nome, jamais souberam da existência de certas regrinhas simples, impossíveis de ser esquecidas; por exemplo, aquela segundo a qual pronomes, advérbios e conjunções como que, o qual, quando, onde, não, nunca, atraem o pronome, o que também se aplica, em geral, a todas as palavras em que a tônica cai na última sílaba. E o que vemos é um festival de "não calou-se", "onde dispõe-se", "nunca viu-se" etc. Ah, que falta faz o copidesque, espécie extinta pelo computador.
Com tudo isso, os resenhistas de livros dos jornais e revistas, quase invariavelmente jornalistas que "se interessam" pelo assunto, ainda têm a presunção de ditar o que deve ser a língua literária (sobretudo nas traduções), confundindo o que lhes determinam os manuais de redação com o que se deve fazer em literatura. Jamais lhes ocorreu que a linguagem do jornal, pelo público a que se dirige, deve nivelar pelo mais baixo denominador comum possível aquém da indigência; e que para a ficção e o ensaio o único limite é o bom ou mau gosto do escritor.
(*) Escritor e jornalista
Mídia e o ideário
da estandardização
Sheila Grecco (*)
Os avanços tecnológicos fizeram e fazem com que se tenha a impressão de viver numa aldeia global. Dentro das inúmeras formas de comunicação, é na TV que se concentram o desfile de pirotecnias eletrônicas das coberturas jornalísticas e a propagação da nova ordem mundial. Através da "parabolicamará", veicula-se o ideário da estandardização: somos seres globais.
Há uma tendência à uniformização de pensamentos e coberturas jornalísticas. Assim, espectadores de ponta a ponta do planeta assistem aos ataques estratégicos dos Estados Unidos ao Iraque e agora da Otan à ex-Iugoslávia. Intervenções que se justificariam para evitar novas guerras. Estranha via de mão única: o combate da violência com mais violência. Assim, Sadam Hussein e Milosevic são pintados, pela mídia, como os novos Hitlers do fim do século. Os ianques aparecem como os defensores da ordem e progresso mundiais. E os ataques, milimetricamente calculados, mas bem mal executados, são mostrados de forma asséptica, comentários de correspondentes pelo telefone, imagens isoladas de agências e algumas cenas de miseráveis, que poderiam se passar em qualquer país do Terceiro Mundo. Efeitos da falsa aldeia global.
É dos Estados Unidos que vêm também os ditames dos gostos. Impulsionados pela ânsia do consumo a que nos submete a sociedade capitalista, jovens de todo o mundo idolatram um jeans específico, o rock americano, o big mac e assim por diante. Mas a globalização está muito longe de ser tão idílica quanto se propõe.
Em meados dos anos 50, em paralelo com o boom da informática, deu-se também o boom de estudos que pregavam o fim dos Estados Nacionais, das fronteiras e das nacionalidades, que cederiam espaço e vez a uma sociedade global. McLuhan, uma das figuras mais notáveis do período, chegou a declarar que os computadores supririam todo e qualquer passado. E que este não seria apenas uma ferramenta, mas uma extensão vital do próprio homem. Em concomitância com os avanços tecnológicos, a formação de blocos econômicos confirmaria a quebra de mercados nacionais e trânsito mais livre entre cidadãos e moedas. O fim da Guerra Fria com a queda do Muro de Berlim, em 1989, selaria quase que oficialmente o fim da dicotomia entre Socialismo e Capitalismo. Este último despontaria como o único sistema viável.
Sendo o capitalismo visto como verdade, o espaço-temporal das pessoas também se altera. No achado do escritor Octavio Paz, tem-se a "proeminência do agora". O passado e o futuro têm pouca relevância, uma vez que o futuro é o "hoje". Não há planos, construções, utopias. Os prazeres passam a ser (ou talvez se intensifiquem) aspectos materiais e descartáveis. O objeto de desejo é consumível. E o consumo, insaciável. Instigados cada vez mais pela mídia, a sociedade moderna vive como e para uma vitrina.
A mídia, por outro lado, tem papel preponderante nesse contexto, na medida em que virtualiza e homogeneíza toda e qualquer diferença. Ela é um poderoso instrumento de explicação sobre o que vai pelo mundo. O problema é o modo de explicar os fatos.
Ainda que a mídia tenha suas particularidades locais e regionais, tende a assumir uma voz monolítica. Isto porque é ela, acima de tudo, representante dos centros mundiais de poder, das classes dominantes às quais serve. E estas também tendem a se equivaler em todo o mundo. Mesmo subjacente à aparente homogeneidade e visão evolutiva da História a que se tem proposto a mídia e com ela seus espectadores , é preciso desarrumar o arrumado. Há, antes de mais nada, diferenças; e elas, por mais que tentem ser obscurecidas, emergem: são os casos de xenofobia cada vez mais fortes em todo o mundo (vide Alemanha ou França com os recorrentes casos de expulsão de africanos do país), novas limpezas étnica (da qual Milosevic é agora o representante de destaque), as diferenças monetárias e cambiais de um país para outro etc.
Seria idílico e romântico dizer que, com a globalização, seremos todos iguais e irmãos. Essa crença, tão ingênua quanto o pensamento de Rousseau, oculta graves diferenças sociais que se alastram pelo mundo e se revelam com mais agudeza no Terceiro Mundo. E mais: distorce a realidade. A globalização é um bom negócio para os países ricos, que com mais liberdade viriam sugar débeis economias e propagar ideais de consumo que só eles podem vender.
Nesse sentido, mesmo a língua por excelência da globalização o inglês, o latim da sociedade moderna mesmo ela, sem sua estrutura fonológica, morfológica, sintático-semântica apresenta-se fragmentada. Inegavelmente, o inglês está nos becos e bocas. É língua usada como opção no mundo dos negócios, nos filmes hollywoodianos, nas roupas e bebidas. Entretanto, na aparente uniformidade esconde-se o caótico e o fragmentário. O inglês desprendeu-se de suas origens, incorporou o sotaque africano, a impulsividade latina, as estruturas asiáticas e assim por diante. Já não é o inglês de Oxford, nem o de Harvard. É, se é que se pode assim dizer, uma nova língua.
Vê-se, assim, um exemplo palpável de como a globalização, ao aparar as arestas das diferenças, apresenta apenas uma parte da realidade; como esconde o caótico e o fragmentário. Mesmo o inglês não pode ser visto como "uma língua", "um produto imperialista", porque é, a par de tudo que foi visto, uma multifonia.
Espera-se que o sono da razão não gere monstros. Que se deixe de lado essa visão evolutiva da História para se adotar o percuciente conselho do filósofo italiano Antonio Gramsci: "Sejamos pessimistas no diagnóstico e otimistas na ação". Se este não é o momento das utopias, que não deixe de ser jamais o da reflexão.
(*) Jornalista, historiadora, professora, mestranda em Literatura Comparada pela USP
IMPRENSA CUBANA
O jornalismo do Granma
Miguel Chaia (*)
Sr. Vaia, como Beatriz Wey, a autora do artigo Imprensa cubana e o imaginário nacional, encontra-se fora de São Paulo, impedida de responder às suas observações (veja remissão abaixo), tento encaminhar ao Sr. alguns esclarecimentos.
Jornais, jornalistas e leitores existem nas mais diferentes sociedades, sejam elas democráticas, autoritárias ou totalitárias. Os desafios devem ser enfrentados para se detectar os específicos significados do jornalismo e suas potencialidades ou limites. Em alguns casos ele pode ser abertamente informativo, mas em outros pode se restringir a alimentar um projeto político do Estado (ou até mesmo de um grupo econômico). Entre tantos aspectos e tensões que perpassam o jornalismo, ele pode até buscar o novo tomando como referência o passado, num processo semelhante às revoluções conservadoras (paradoxos existem sim, Sr. Vaia, basta estar atento para percebê-los!).
No artigo de Beatriz Wey, não se procurou achar qualquer justificativa ideológica ao regime de Fidel Castro: nele está claro que um país de partido político único tem, também, um jornal único e oficial. Tal situação constitui motivo suficiente para se estudar uma forma de exercício do jornalismo exercido sobre aquelas específicas condições históricas.
(*) Miguel Chaia, coordenador do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política da PUC/SP.
Resposta de Sandro Vaia
Sr. Miguel, gostaria que, como porta-voz da professora Wey e coordenador de um grupo que, entre outras coisas, parece estudar a mídia, o senhor me esclarecesse:
1) Em que casos o jornalismo que alimenta um projeto político do Estado ou até mesmo de um grupo econômico deve ser estudado como "jornalismo", e não como aquilo que realmente é: um mero instrumento de propaganda?
2) Por que, se não por motivos ideológicos, tentar conceder ao Granma, através de sofismas e artifícios de linguagem, um status diferente daquele que ele realmente tem ou seja, de um tedioso e soporífero boletim oficial de um governo totalitário?
3) Se a intenção da professora Wey, como o senhor diz, era a de "estudar uma forma de exercício do jornalismo sob aquelas específicas condições históricas", por que razão ela guardou as conclusões para si? Ou ela terá a bondade de nos ensinar, em seu próximo artigo, como deve ser exercido o jornalismo nas "específicas condições históricas" de uma ditadura? Muito obrigado (S. V.)
Resposta de Miguel Chaia
Senhor Vaia,
As questões colocadas pelo senhor constituem temas de amplo alcance, analisáveis sob diferentes perspectivas e que demandariam um espaço e um tempo de reflexão tão longos quanto aqueles pertinentes a artigo ou livro. Afinal, é vasta a bibliografia sobre liberdade de imprensa, direito à informação etc. Não como porta-voz de quem quer que seja, tentarei colocar algumas pistas para esclarecer (pelo menos parte) as questões levantadas.
A imprensa constitui um sistema de fontes jornalísticas, atuando num mercado de sociedade industrial, de reprodução em massa, sob conflitos nascidos de interesses econômicos e/ou políticos. Pode-se até pensar que enquanto meio de divulgação escrita, o jornal existe mesmo antes da constituição da imprensa, como configurada sob a concepção liberal no capitalismo. Nesta condição histórica, a defesa da liberdade de imprensa torna-se um valor de alta significação, indicando por sua vez, que nas sociedades capitalistas os jornais estão sujeitos a interferências políticas do Estado, partidos ou grupos e, também, a pressão de forças econômicas. Nas sociedades democráticas, portanto, tais tensões, uma vez detectadas, não desaparecem mas tendem a ser controladas pela ação crítica de jornalistas ou de grupos atuantes na defesa da liberdade da informação. Recentemente uma nova posição está sendo aberta, priorizando os direitos do leitor, principalmente do telespectador, em decorrência do reconhecimento do crescente poder midiático.
O leitor tem o direito de ser informado de modo independente para construir sua opinião gradativamente. Porém, o sistema jornalístico cria um poder (que muitos denominam de Quarto Poder e que Tocqueville denominava de poder da sociedade) que se relaciona com outros, na rede engendrada pela sociedade. É fundamental lembrar que os principais jornais de um país encontram-se no interior de um jogo de poderes que buscam obter a hegemonia na sociedade. Talvez nem o leitor perceba, mas o seu jornal diário está sempre na junção da prática política e da luta (também) pela sobrevivência no mercado. Numa dupla dimensão, tal situação desdobra-se podendo ser verificada tanto na estruturação interna de um jornal (linhas editoriais e estratégias sóciopolíticas de seleção, interpretação e divulgação dos fatos), quanto nas alianças ou interesses que estabelecem enquanto agentes no mercado e no conjunto da sociedade. Neste sentido, não há imprensa escrita que deixe de se alimentar de projetos políticos ou de interesses econômicos, sempre considerando a sobrevivência naquela dupla dimensão.
Nos Estados Unidos, sob um regime democrático, mesmo com a Constituição garantindo o direito à informação, pode-se questionar a concepção dos seus principais jornais, que para Noam Chomsky faz parte de um imenso movimento mobilizador de apoio do público para interesses ou do governo ou do setor privado ("consenso fabricado"). Mesmo no Brasil, basta comparar as linhas editoriais e as estratégias de divulgação de notícias dos jornais O Estado de S.Paulo e a Folha de S.Paulo para se descobrir a existência de determinadas tendências políticas, defesa de interesses políticos conjunturais e empatia por determinadas facções ou modelos econômicos embora tendam a igualarem-se quanto às suas posições frente o mercado. Inúmeros estudos já apontaram tais constatações. Ou os infindáveis exemplos de jornalistas ou temas pressionados ou expurgados de jornais, que reforçam tais jogos de poder. Internacionalmente, vale lembrar as distinções entre Le Monde e Figaro, dois jornais ideologicamente distintos.
A imprensa escrita, assim como outros meios de comunicação de massa, encontra-se limitada, no seu exercício pleno livre, por uma equação que envolve proprietário/grupo administrador, anunciante e leitor/consumidor. Estes definem o âmbito do mercado e, portanto, o espectro de possibilidades colocadas a cada órgão jornalístico.
Entretanto, nas sociedades democráticas a liberdade insiste em aflorar. Alguns jornais do sistema ou alguns jornalistas sempre guardam o potencial de alcançar um maior grau de liberdade e de crítica. Na imprensa escrita, como talvez em menores condições em outras mídias, nascem constantemente as possibilidades da criatividade, do confronto, da denúncia da independência. Este potencial de autonomia, que se origina da própria instituição, tende a se reduzir ou desaparecer quando as sociedades são geridas politicamente por sistemas autoritários ou totalitários.
Se a liberdade de imprensa é um valor democrático, a geração de informação e divulgação de notícias estende-se como necessidade a todas as sociedades organizadas sob diferentes formas de poder. Quando o poder é centralizado, autoritário ou totalitário, a preocupação não se volta à discussão da liberdade de imprensa, mas à função que o jornalismo tem ao se associar/submeter-se ao Estado e ao partido. Nesta situação tem-se jornais e jornalistas que informam e noticiam tendo em vista funções políticas específicas e clarificadas (pelo projeto de Estado). Isto não quer dizer que o jornalismo nas democracias também não tenha funções políticas, às vezes difusas ou mascaradas.
Ainda quanto ao significado político da imprensa, mais um dado pode ser levantado. A imprensa escrita ou falada vem ocupando gradativamente um espaço político significativo na representação (ou defesa de interesses) de alguns grupos da sociedade civil e na substituição de organismos políticos regionais, como os partidos políticos ou o Legislativo num contexto de diluição e fragilização da esfera do político.
Qualquer abordagem do jornalismo ou da imprensa escrita deve considerar, portanto, os graus de diversidade existentes na história e a complexidade que envolve o processo de produzir e disseminar informações numa época em que a informação é, indiscutivelmente, uma forma de poder. É necessário considerar, desta forma, que no caso cubano tem-se um jornal determinante na formação da opinião pública, de circulação abrangente, cujo centro de debate não estaria na questão da liberdade de imprensa, mas conforme o recorte dado pelo estudo de Beatriz Wey a grande preocupação estaria "com a formação de um imaginário nacional que viabilize a condução dos leitores ao projeto nacionalista do governo revolucionário de situação".
Sem cair no simplismo maniqueísta e valorizando o conhecimento da realidade, Beatriz Wey sabe que "o discurso do Granma é oficial e explicitamente defensor do Estado soberano e socialista chegando a instigar continuamente sua permanência no poder". Esse mesmo discurso sugere, indiretamente, "quando mascarando sua oficialidade, que a adesão ao governo deve ocorrer em função da inevitabilidade do processo revolucionário, devendo, por esta razão, ser aceito como o único caminho para a autonomia de Cuba". Essas duas citações da dissertação de mestrado de Beatriz ("O Granma e a imaginação nacional"), defendida na PUC-SP, mostram que reconhecendo o caráter oficial e político-ideológico do Granma, a realidade é muito rica em paradoxos e tensões. E cabe ao cientista social não recuar face aos fatos sociais, mas buscar compreendê-los para que melhor se fundamentem reconhecimentos, críticas ou denúncias.
Não basta reconhecer ou tachar um jornal de oficial ou ideológico: deve-se completar tais opiniões com novas observações e conhecimentos. Assim, o Granma interessa também para situar uma relação específica do jornal face ao partido e ao governo; verificar como a história de Cuba e da América Latina (acontecimentos, heróis, mitos etc.) é recuperada para definir uma idéia de nação; delimitar o particular âmbito do sentido de resistência; entender os vínculos que Cuba estabelece com os movimentos políticos internacionais; compreender a persistência da memória e a expectativa do leitor dependente exclusivamente de uma fonte de informação. Muitos outros aspectos poderiam ser listados para justificar uma pesquisa sobre um jornal, seja ele oficial ou não desde que se trate de um órgão jornalístico portador da história. E esta tem várias fases e sentidos, caminha na diversidade e em rumos surpreendentes. Um jornal sintetiza momentos da história.
Tais observações são esquemáticas, talvez insuficientes, para bem pensar as questões colocadas pelo senhor. E, para melhor compreender as observações até aqui realizadas, além de estarmos atentos a outras fontes ou opiniões, vamos acompanhar as atividades deste Observatório da Imprensa, que pela opção jornalística e autonomia comunicacional poderá ajudar a elucidar nossas indagações. Cordialmente, M. C.

Dora Kramer "Informação e credibilidade"
Comentando Dora Kramer II
Trabalho, idade e a lógica torta do JN
Sandro Vaia O jornalismo do Granma
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