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PRIVATIZAÇÃO DA TELEBRÁS
Fusão dos mercados,
questão estratégica ainda ignorada

Venício A. de Lima

 

C


onsumada a privatização da Telebrás mas ainda indefinido o quadro final dos participantes dos consórcios vencedores em conseqüência das restrições (mínimas) impostas no edital, vale registrar, numa primeira avaliação, os seguintes pontos:

1. Somente dois grupos brasileiros originalmente da área de radiodifusão - a RBS e as Organizações Globo - fazem parte de consórcios vencedores, respectivamente a Telebrasil Sul, que comprou a Telesp (telefonia fixa) e a UGB Participações, que comprou a Tele Celular Sul e a Tele Nordeste Celular;

2. Consolidou-se a presença nas comunicações brasileiras de dois dos mais poderosos grupos europeus globais do setor de comunicações, já com presença importante em outros países da América Latina: a Telefónica de Espanha (Argentina, Chile, Peru e Venezuela) e a Itália Telecom (Argentina, Bolívia e Chile);

3. consolidou-se também a presença de um dos maiores grupos americanos globais, a MCI.

Durante todo o processo de privatização do sistema Telebrás e nas análises posteriores, impressiona verificar a total redução da questão a alguns aspectos econômicos (prestação de serviços). Pouco ou nada foi discutido sobre a possibilidade de propriedade cruzada por empresas de áreas diferentes do mesmo setor de comunicações (por exemplo: radiodifusão e telecomunicações).

Além disso, pouco ou nada foi discutido sobre os aspectos estratégicos do setor. Ignorou-se a fusão progressiva dos três mercados - telecomunicações, mass media e informática - e o fato crucial de que é nesse espaço que são construídas as representações coletivas, vale dizer, as representações da própria realidade. Ignorou-se que a economia é apenas uma das dimensões em jogo na privatização das comunicações e, provavelmente, não é a mais importante.



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